Como é pedalar na neve?

Já comentei algumas vezes aqui no blog que meu meio de transporte em Oulu é a bicicleta. Aqui existe a cultura de pedalar, todo mundo tem bicicleta e pedala para todo lugar. A cidade conta com 800km de ciclovias e rotas de bike que te levam a qualquer lugar. É muito comum ver bicicletas com cadeirinhas de crianças, crianças indo para escola de bicicleta, bicicletas paradas em todo lugar.

Não acredita em mim? Assista os primeiros 1:20 do vídeo mostrando todos os lugares em Oulu por onde eu já pedalei (e assista até o final para ver como aqui é lindo).

Claro que a cidade não é tão grande assim e eu vou essencialmente para a universidade, que fica a 800 metros da minha casa (ai, gente, preguiça de andar) e para o centro da cidade, que fica a 6km de onde moro ou no mercado a 4km. Mas pedalar com clima bom qualquer um pedala, não é mesmo? Bem, nunca vi uma tempestade aqui, já que chuva em Oulu é o que em São Paulo a gente chama de garoa. Aqui não venta também, então chuva e vento não atrapalham, mas… e no inverno?! Como é pedalar na neve?

I want to ride my bycicle...
I want to ride my bicycle…

Quando cheguei aqui me falaram que era muito perigoso pedalar na neve e no inverno eu deveria pegar o ônibus. Mas eu não quis acreditar sem tentar e moral da história: eu continuo pedalando no inverno. Sim, eu já caí, derrapei e capotei algumas vezes. Não, eu não quebrei nenhum osso e nem me machuquei feio. Sim, eu incentivo as pessoas a tentarem pedalar também, com cuidado e sabendo seus limites.

As fases da neve

Antes de morar em Denver, no Colorado, eu achava que uma vez que a neve caiu, ela ficava acumulada o resto do inverno e era sempre branca, linda e fofa. Bem, a parte de acumular até o fim do inverno é verdade aqui em Oulu (está tudo branco desde o fim de novembro e a neve não derreteu completamente desde então), mas em Denver não, a temperatura era mais amena lá e ela derretia. A neve também não fica linda e fofa o tempo todo e isto é muito importante saber quando se pedala.

Quando a neve cai, ela é bem fofa, parece areia da praia. É ruim pedalar quando está assim porque conforme outras bicicletas vão passando, vão deixando marcas na neve e fica tudo meio esburacado, então, a bicicleta fica bem instável. Mas isso só é ruim se você vai pedalar assim que a neve caiu ou quando ainda está nevando, porque via de regra, tem sempre um caminhão passando em todas as vias para retirar o excesso de neve e deixar o caminho nivelado. Depois de alguns dias sem nevar, a neve fica “batida” e é como se você estivesse pedalando no asfalto mesmo, não é escorregadio. É a melhor época para andar de bicicleta no inverno.

É tipo assim
É tipo assim, mas pode ser bem pior se tiver nevado muito antes do caminhão passar

Apesar de ser inverno, alguns dias as temperaturas sobem um pouco e basta passar de 0 para a neve começar a derreter. O máximo que tivemos neste inverno até agora foi 4 graus e embora não seja suficiente para derreter toda a neve, mesmo que fique uma semana seguida assim (tem muita neve acumulada), é o suficiente para deixar a cidade uma “meleca”. A mistura de resto de neve com neve derretida pode ser um pouco escorregadia, mas ainda assim, tomando cuidado, é possível pedalar. O problema aqui é o mesmo de quando a neve acaba de cair: as bikes vão fazendo marcas na neve derretendo e isso pode desestabilizar a bicicleta. Quando isso acontece, ao invés de ter um caminhãozinho afastando a neve para os lados da rua, temos o caminhão que passa jogando cascalho na via para dar mais aderência e evitar acidentes.

Bendito seja o cascalho
Bendito seja o cascalho! Reparem que é gelo com água com neve com cascalho! Ufa!

Bom, pense agora que depois que esquentou um pouquinho, a temperatura volta a cair para abaixo de 0. O que acontece com aquela neve que virou água e acumulou nas ruas? Vira gelo! Gelo é o que tem nos rinques de patinação e as pessoas conseguem patinar porque escorrega… logo, esta é a fase mais perigosa de se pedalar no inverno. As vias ficam extremamente escorregadias e mesmo com o cascalho nem sempre é fácil pedalar. Quando fica assim, eu não me atrevo a sair de bicicleta! As ruas só voltam a ficar seguras quando neva novamente, a neve fofa volta a cobrir tudo e o ciclo se repete.

Acidentes acontecem

Porém, como contei logo no início, é claro que eu já caí algumas vezes e já tive imprevistos pedalando por conta da neve. Posso dizer que a maioria dos acidentes que tive foi mais falta de atenção minha do que a neve em si, ou seja, poderiam ter sido evitados – mas este é só meu primeiro inverno pedalando, ainda tenho muito a  aprender. Eu já caí porque:
– Fui arrumar a touca do casaco, me desequilibrei e derrapei num dia que a neve derretida estava virando gelo;
– Estava distraída, perdi a rua que ia virar a esquerda e quando tentei virar em cima da hora, me desequilibrei e caí num monte de neve;
– Estava saindo de um túnel, portanto numa ladeira subindo, e a neve estava irregular por conta das marcas de pneu de bicicleta. Novamente me desequilibrei, perdi o controle da bicicleta e acertei os 50cm de neve acumulada no canto da via – nem caí, porque a neve parou a bicicleta.

Isto para citar alguns exemplos. Além disso, já fiquei na mão num dia que fui ao centro da cidade, acumulou neve entre o pneu frontal e a proteção que fica em cima dele. No tempo que a bicicleta ficou parada para eu fazer o que precisava, a neve virou gelo e travou meu pneu. Lá fiquei eu, debaixo de neve e em temperatura negativa, usando minha corrente-cadeado pra tentar tirar a neve acumulada e voltar para casa.

E se você acha que sou um dos poucos seres que se atreve a pedalar nestas condições, leia este artigo aqui  (em inglês) e veja que somos muitos!

Roupas para pedalar

Bem, está frio e é claro que você precisa se proteger. Eu diria que até -10 não é necessário nenhuma roupa especial, especialmente porque pedalar aquece o corpo e se você vestir muitas camadas, vai assar! Eu uso as mesmas roupas que usaria para andar: calça térmica, jeans, camiseta, suéter e casaco. O ideal é que a primeira camada não seja de algodão, pois até -10 você transpira sim e o algodão absorve o suor, fica encharcado e rouba o calor do seu corpo. Luvas boas e touca ou protetor de orelha são essenciais! Se a temperatura estiver entre -11 e -20, eu coloco calça de inverno, tipo aquelas de ir esquiar, e uma camada extra – e não dá para transpirar nessa temperatura! Se estiver menos que -20, simplesmente não dá para tentar pedalar por muito tempo, pois por mais agasalhado que você esteja, seu rosto estará descoberto e vou te contar uma coisa: DÓI.

Tenho certeza que a bicicleta fará sempre parte das minhas lembranças de Oulu e daqui alguns anos vou dizer contando vantagem que “quando eu morava em Oulu, eu andava de bicicleta na neve”! 😉

Dublin, we don’t belong together

No último post sobre o rolezinho na Europa (que eu levei praticamente 6 meses para contar tudo – ufa!), falei sobre aquela sensação de estar em Dublin e sentir que eu não pertencia àquele lugar. Pois vamos por esta história aí a limpo (e já pega a pipoca, que o post será longo).

Eu já tinha morado fora antes – fui au pair em Denver, Colorado, nos EUA entre 2008 e 2009. Foi minha primeira experiência longe de casa e foi uma ótima experiência. Eu adorava a cidade, pois apesar de ser uma cidade relativamente grande (500 mil habitantes na época), tinha todo aquele ar aconchegante de cidade pequena. O clima me agradava – verões quentes e secos e invernos gelados com muito neve, PORÉM, os dias eram sempre ensolarados e eu tinha minha dose diária de vitamina D e alegria. A família que me acolheu era ótima: me respeitavam, respeitavam as regras do programa, me incluíam nas atividades em família, me ajudavam com inglês e eu amava as crianças. Fiz amigas que até hoje mantenho contato. Tive a oportunidade de conhecer várias partes dos EUA e também viajar para a Europa e, como se tudo isso não bastasse, eu ainda tinha minha própria suíte e ganhava um pocket money que me permitia fazer tudo que estava com vontade: cinema, balada, compras, viagens. Foi um ano muito gostoso e que me deixa cheia de nostalgia. Não tive a oportunidade de voltar aos EUA ainda, mas certamente visitaria a cidade cheia de lembranças boas e saudades.

Pula aí uns 3 anos.
Entre 2012 e 2013 eu morei em Dublin, capital da Irlanda. Vocês já sabem que só fui fazer intercâmbio novamente porque a vida estava meio sem graça por esses lados e achei que morar fora de novo daria outra perspectiva de mundo pra mim. Ter sido au pair nos EUA realmente me marcou muito e despertou essa vontade de continuar viajando, conhecendo, descobrindo e aprendendo com outros lugares e culturas. E Dublin foi escolhida pelo simples fato de “ah, o visto é fácil e pode trabalhar”. Sei que agora a situação está mudando muito e as regras para visto de estudante estão mais rígidas, mas há 3 anos estava tudo muito fácil e o euro, muito baixo.

No começo foi tudo festa, novidade e alegria! Mas eu odiava o clima da cidade! Como as pessoas vivem e conseguem ser felizes passando dias e dias sem ver o sol brilhar no céu? Eu ainda tive o azar de pegar um dos invernos mais frios dos últimos tempos e isso me causou um trauma pra vida toda: eu detesto o frio desde então! Minha relação com o frio não era assim tão ruim antes de morar em Dublin. Em Denver eu cheguei a pegar -27 graus. ME-NOS VIN-TE E SE-TE. E lá nevava. Sabe neve? Aquela coisa que você acha super linda quando vê nos filmes e morre de vontade de ver porque, né, você é brasileiro e não tem dessas coisas por aqui. Neve é realmente muito legal no primeiro dia, super divertida no segundo, bacana pra caramba no terceiro, mas aí você precisa viver sua vida: sair, trabalhar etc e aquela neve toda passa a não ser assim aquela última Trakinas de morango do pacote. E ainda assim, o frio e eu ainda tínhamos uma relação amigável. Mas em Dublin é frio e chuva na sua cara sem dó, isso quando não vem aquele vento a 80km/h fazendo sua sensação térmica despencar e parecer que seu freezer é mais quentinho. E o sol? Eu preciso ver sol para me sentir feliz e Dublin não é assim exatamente um local ensolarado. Resumindo: eu detestava o clima da cidade e até hoje detesto sentir qualquer friozinho – e tô amando esse inverno paulistano 2015 fazendo 27 graus! ❤

Inverno em Denver - eu até achava legal!
Inverno em Denver – eu até achava legal!

“Putz, Bia, não aguentou um friozinho?”
Confesso que o frio que passei lá tem um papel importante nessa história toda, mas tem mais. Dublin é praticamente uma colônia brasileira e você pode tranquilamente viver lá sem falar inglês, porque até na sua escola você vai achar alguém pra te explicar as coisas em português. Ah, mas você pode fazer amizade com pessoas de outros países e ignorar os brasileiros. Pode, mas olha, você vai ter muito trabalho e tiro o chapéu se você me disser que morou lá um ano e conseguia manter distância de brasileiros. E é até natural a gente querer fazer amizade com o “igual” quando se está no exterior – eu, na reta final da vida de au pair nos EUA, só tinha amiga brasileira – a gente precisa procurar alguém que vai nos ouvir, entender nossa língua e saber do que estamos falando. Mas sabe, em Dublin isso excedia o limite. E bem, onde tem muito brasileiro vai ter muita coisa brasileira. Eu já não tinha paciência para páginas de facebook feita por brasileiros e todo aquele mimimi, e aquelas festas com música brasileira e záz. Eu compreendo isso quando a pessoa muda de país porque, sei lá, foi transferida pela empresa ou se casou com um europeu, mas quando a pessoa deliberadamente escolhe morar lá e para aprender inglês, desculpe, eu não entendo, não. Fizesse um CNA por aqui mesmo que economizaria mais.

Além de tudo isso, eu acabo associando Dublin com alguns eventos pessoais não muito agradáveis como o dia que arrombaram minha casa e roubaram meu laptop, o desaparecimento misterioso do meu passaporte e pessoas que não são assim tão legais e só conheci porque estava lá. É óbvio que muita coisa boa aconteceu também! Conheci pessoas maravilhosas que ainda são amigas, a família dos loirinhos era fora de série e pessoas mais que maravilhosas também e tirei meu CAE por lá. Mas enfim, nosso cérebro age de maneiras misteriosas, não é mesmo? E o meu agiu assim.

Pula 1 ano e meio.
Início de 2015 e lá estou eu passeando novamente pelas ruas de Dublin. Apesar de tudo isso, esse dramalhão mexicano que escrevi, eu ainda sentia muita saudade de Dublin, ficava a todo momento lembrando de lá, imaginava se um dia voltaria e enfim, eu realmente sentia uma nostalgia. Vocês nem imaginam minha alegria quando comprei as passagens para visitar a Fair City novamente. Aí, estou eu lá linda do baixo alto dos meus menos de 1,60 de altura andando pela cidade e tendo altos flashbacks da época que morava lá e passava regularmente por tais lugares e não estava tendo nenhuma reação além de reconhecer o local. Cheguei na casa onde morei e fuén… nada! Passei pelo centro e “oh, que legal, passei muito aqui” e só. Eu me senti um corpo estranho andando pela cidade que eu conhecia quase tanto como São Paulo. Foi aí que meu castelinho de saudade e nostalgia se desfez e percebi que, ehhh… até que foi legal na época, mas acabou. No hard feelings, o problema não é você, Dublin, sou eu. Não senti vontade nenhuma de voltar a morar lá ou sequer de voltar para visitar e fiquei com a clara sensação que aquela visita serviu como um “Adeus e obrigada por tudo”, pois agora estou pronta para deixar você partir.

Até então, eu ainda olhava no relógio e calculava que horas eram por lá e no app de clima do celular, eu ainda mantinha Dublin e sempre checava o quão horrível o tempo estava na cidade. Bem, eu ainda escrevia aqui no blog sobre a capital irlandesa! Tudo isso acabou quando peguei o avião de volta ao Brasil e tive a certeza que Dublin não era meu lugar. Não me entendam mal: não estou cuspindo no prato que comi ou desaconselhando quem quer que seja a ir para lá. Dublin é a mesma pra todos e, ao mesmo tempo, é única para cada um – e só você pode dizer aonde você pertence e se sente bem e, (in)felizmente, notei que Dublin não é mesmo meu lugar.

Apesar de tudo, acredito que a visita foi muito importante para eu finalmente me desapegar e focar em outros objetivos. Eu sempre vou lembrar das coisas boas que esse intercâmbio me trouxe e, com sorte, deixar no passado as coisas ruins que vieram como consequência disso também. Fico feliz por ter tido a oportunidade de fazer um segundo intercâmbio e com certeza aprendi e amadureci muito com todas as experiências boas e, principalmente, as ruins.

E com este post encerro o blog que comecei para escrever sobre a vida em Dublin. Oh wait… não encerro o blog literalmente, mas não vou mais escrever sobre Dublin – seja para falar de mudanças ou citar meus tempos lá, mas o blog continua. Meu segundo intercâmbio ficará por aqui apenas como arquivo, pois agora minha vida e, consequentemente, este diário online, mudam de rumo! Em breve começarei a escrever sobre “isso”. Eu sei que vocês devem estar imaginando que sabem o que vou fazer… eh, estão no caminho certo, mas tenho certeza que ficarão bem surpresos! 😉

[fazendo suspense para vocês continuarem lendo o blog]

Goodbye, so long, farewell!
Goodbye, so long, farewell!

Depressão Pós Intercâmbio

Fato ou frescura?

Apesar da sua família e amigos acharem uma baita frescura da sua parte você dizer que está achando tudo estranho (“Mas tu morou aqui a vida toda e com só um ano fora tá assim, moleque?”), há estudos que compravam que sim, a tal depressão existe mesmo, e também é chamada de síndrome do regresso (e eu não sou psicóloga nem entendida no assunto e não sei explicar a diferença de uma síndrome para uma deprê- tudo que sei é que a gente fica estranho mesmo)!

Há quase dois meses no Brasil, já consigo comparar os meus retornos à pátria amada e idolatrada ao país. E eles foram muito diferentes.

Há 4 anos eu retornava depois de pouco mais de um ano morando na Obamaland nos EUA. Eu tinha 21 anos, aquela havia sido minha primeira viagem internacional e claro, meu primeiro intercâmbio. No período em que estive fora, eu viajei muito mais do que já havia viajado até então. Fui a Los Angeles, San Francisco, Las Vegas, Grand Canyon, New York, New Jersey, Connecticut, Aspen, além de ter ido pela primeira vez a Europa: Inglaterra, França e Itália. Vi neve pela primeira vez, esquiei pela primeira vez, viajei sozinha pela primeira vez, cuidei de crianças (e me apaixonei) pela primeira vez. Experimentei comida mexicana, tofu, corndog, refrigerante de creme e blueberry. Vivenciei toda a cultura dos judeus americanos e entrei numa dieta kosher. Conheci um mundo completamente novo! Foi muita informação, muitas descobertas e muito aprendizado e aí… puff! Voltei para a vida que havia deixado um ano antes. E que continuava exatamente como eu a havia deixado. Só que eu estava diferente. Não só porque então eu já falava inglês com segurança ou havia viajado. Havia algo completamente novo dentro de mim e veio o choque: parecia que tudo aquilo que eu havia vivido no último ano da minha vida havia sido um sonho, que nada era real. E eu não falo metaforicamente, eu realmente me perguntava se eu havia feito tudo aquilo, mas eu via as fotos e tudo indicava que sim, foi real. Eu estava de volta ao Brasil, sem emprego, sem viver nada novo, numa rotina de acordar ao meio-dia, ficar na internet, ir para a faculdade, voltar e ficar até altas horas da madrugada online. Eu me sentia só, incompreendida e não havia com quem falar.

...

Entendam que meu problema não foi me arrepender de ter voltado-  eu gostaria de ter ficado mais tempo nos EUA, mas não queria necessariamente voltar. Não foi achar que o Brasil é uma droga e os EUA são tudo de bom e maravilhoso- não sou dessas. NÃO! O problema foi me sentir deslocada por ter tido tantas experiências e ter voltado com uma bagagem cultural gigante e tudo continuar extamente como estava.

Isto durou alguns meses. Aproveitei que não estava trabalhando e me dediquei a faculdade para ocupar a mente (depois de superar uma crise existencial em relação ao curso de Letras- o que até merece um post futuramente) e lembro até hoje que mesmo cursando 10 matérias (o que é muito pesado) eu consegui média 9,1 naquele semestre (não sou apenas um rostinho bonito, gentchi). Esta depressão pós intercâmbio passou, definitivamente, quando comecei a trabalhar, conheci outras pessoas, voltei à realidade e ocupei minha mente. Só digo uma coisa: foi TENSO!

Aí, em 2013, eu volto da ilha dos leprechauns. Foi tudo completamente diferente! Confesso que um dia ou outro bateu uma tristeza e como já escrevi em outro post, achei as coisas por aqui meio estranhas. Mas a tristeza durou muito pouco e o estranhamento passou rapidinho. Em partes porque nos meus primeiros dias, eu mal parei em casa saindo para ver amigos (coisa que não fiz quando voltei dos EUA). Já coloquei os pés aqui com emprego, matriculada na faculdade e por último, mas não menos importante, sabendo que eu não iria mais passar taaaaanto frio! Em outras palavras, o bichinho da deprê não me pegou desta vez!
[Estudos comprovam que cerca de 70% dos leitores já pararam de ler este post ou pularam para o parágrafo final].

Como assim, Bia? Conta aê!

No meu ano na Irlanda eu conheci outros 8 países, experimentei Kopparberg *suspiros*, cuidei de crianças (e me apaixonei outra vez) e enfim, tive muitas experiências também e sim, a sensação de deslocamento também bateu na porta de novo, como eu contei de forma muito confusa aqui. Mas além de eu já ter tido a experiência e, consequentemente, ter conseguido lidar melhor desta vez, alguns outros fatores foram muito relevantes:

Maturidade– Senta aqui, meu neto, vou te contar minha história. Ok, não sou tão velha assim, estou na flor dos meus meus vinte e alguns anos, mas vamos combinar que dos 21 para 25 anos a gente amadurece bastante e ter sido completamente independente durante o último ano te força a amadurecer ainda mais. E isto, claro, te faz encarar a vida de uma forma diferente.

Deslumbramento– Na verdade, a falta dele. Lembro-me bem até hoje quando cheguei no aeroporto de Washington DC, onde pegaria meu voo de conexão para Newark para fazer o treinamento de au pair. Fui ao banheiro e fiquei boquiaberta quando vi a descarga automática! Eu achei coisa de outro mundo! Isso é para ilustrar que tudo me deslumbrava. Eu mal conseguia acreditar que estava em solo americano quando desembarquei por lá. Já minha última viagem europeia foi tipo “Tô na Holanda. Será que o hostel serve café-da-manhã?“. Parece paradoxal, mas o novo se torna normal e conhecer outro país já não causa tanto furor. O fator deslumbramento sumiu. A Alemanha pode ser tão legal quanto o Brasil, dependendo do que estamos falando. Sacou?

Brasil versus o resto do mundo – Aquela história do fulaninho que conheceu as Zoropa e acha que tudo no Brasil é uma droga e tudo fora do Brasil (e da América Latina, de preferência) é o máximo! Brasil tem problemas? Tem. A Irlanda é perfeita, né? Vai abrir sua conta no banco e aí vem falar comigo, por exemplo. Eu abomino esse pensamento com todas as minhas forças. Eu sou de São Paulo, meo, e desde que voltei da Irlanda passo perto de ter surtos psicóticos pegando o transporte público, sofro com a poluição (rinite mandou lembranças) e passei a sentir muito mais medo de voltar sozinha para casa à noite. Mas amo a comida brasileira e a variedade de doces que temos (a balança que o diga, já engordei 2kg desde que cheguei), nosso clima não me dá deprê, nosso sistema bancário é o melhor do mundo e enfim, chega desse mimimi alienado de achar que Brasil não presta. A pessoa achar que tudo no país que morava era melhor não ajuda em nada no retorno.

!!!
!!!

Juntei tudo isso numa panela, levei ao fogo médio e mexi bem até dar ponto. Fiz brigadeiro e a vida aqui no Brasil vai muito bem, obrigada! Sinto saudade imensas da Irlanda, ou melhor, do que ficou por lá. E como saudade dói, eu tento simplesmente não pensar a respeito do que a desperta – soa frio e calculista, mas essa foi a forma que achei para lidar com ela há muito tempo!

Parabéns para você que leu o texto inteiro sem dormir! 🙂

Para terminar, tem um pouquinho de informação sobre a síndrome do regresso aqui, aqui e aqui. Mostre estes links para o povo que insiste em dizer que você está de frescura! 😉

Dublin on ice

Estamos chegando ao fim de novembro e nada da neve dar as caras, embora a temperatura esteja bem baixa. Mas mesmo sem ela, é possível patinar no gelo em Dublin. (E por que não seria, se até em São Paulo, onde a temperatura não fica abaixo de 10 graus no inverno, é?).

A cerca de 15 minutos de Luas (trem de superfície) do centro, fica o Dundrum Shopping Centre, um shopping mais chiquezinho da cidade, e lá foi montado um rink de patinação.

Quando eu era feliz e não sabia au pair em Denver, morava próximo a um rink de patinação enorme e sempre ia lá pagar mico patinar.

Bia: arrasando na patinação desde 2008, ao contrário.

Sabendo que poderia repetir o feito na Europa, fomos conferir o rink do Dundrum.

Depois de mais de 3 anos sem patinar, eu mal conseguia ficar em pé em cima dos patins. Não se iluda, eu nunca aprendi a patinar no gelo e já quase mandei um idoso para o hospital numa destas tentativas (verdade!), mas eu era ruim, pelo menos, e conseguia patinar e me divertir nos EUA. Aqui na Europa, eu consegui fazer os outros se divertirem às minhas custas, rindo da minha falta de habilidade de patinar.

Patinando na Europa. Not.

Tombos à parte, é sempre bom fazer um programa diferente e se divertir um pouco, apesar de o rink ser pequeno demais, ter muita gente e ser caro (14 euricos por 50 minutos – nos EUA eu pagava cerca de 8 dólares por 1h30, se não me engano). Ainda assim, recomendo o passeio! 🙂

Para quem quiser conferir, o rink fica aberto até dia 6 de janeiro de 2013 e você pode encontrar mais informações aqui.

 

Ciclos

21 de julho de 2008.

Nesta data cheguei nos Estados Unidos pelo aeroporto de Washington DC depois de 9 horas de voo. Minha primeira viagem internacional. E mesmo sendo a primeira, durou um ano.

Vista da varanda lá de “casa” – Denver, CO

Cheguei em Denver no dia 24 de julho, depois de 3 dias de orientação para o programa de au pair em Connecticut, e exatos 4 anos depois, chegarei em Dublin, na Irlanda.

Notaram a coincidência?
Eu gosto de fazer intercâmbio em países que os nomes começam com vogal e prefiro morar em cidades cujo os nomes comecem com D. Aposto que nem tinha notado! [ok, parei com as piadas idiotas]