Um dia ensolarado em Vilnius

Finalmente no último dia da viagem aos bálticos saiu um solzinho! E a vida com um belo sol no céu faz toda a diferença, pelo menos pra mim faz – meu humor fica melhor, me sinto mais disposta e feliz. Talvez seja por isso que eu não era assim tão fã de Dublin… 🙂

Meu joelho direito ainda estava tentando me imobilizar de dor, mas eu sou bem teimosa e segui meu roteiro normalmente (e me enchendo de dipirona e tylenol, porque era o que eu tinha de analgésico). Comecei o dia visitando o Museu do Holocausto, que apesar de pequeno é cheio de informação e no fim da visita ainda podemos visitar o sótão, onde o museu recriou todo o ambiente onde os judeus se escondiam antes de tentar fugir e o que mais me chamou a atenção é que não havia aquecimento no local e mesmo ainda sendo outubro, já estava bem frio, então imagine o que passavam as pessoas que precisavam se refugiar nestes lugares nos meses de inverno e ficavam dias nessas condições.

O museu
O museu

Também passei pela única sinagoga da cidade, a Choral, que mesmo sendo uma atração turística, não impressiona por dentro. Até me deu medo de entrar e ver aquela sinagoga vazia! Continuei seguindo andando pela rua principal da cidade, a Gediminas, onde parei numa farmácia para comprar Ibuprofeno (que também é antiinflamatório) para ver se dava um jeito no joelho – não estava fácil! Na avenida também ficam o correio central e o Teatro Nacional da Lituânia, que tem essa fachada bem interessante:

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No fim (ou começo?) da avenida fica a Catedral de Vilnius e a Bell Tower. A entrada é gratuita na catedral, mas paga na torre e como eu já tinha planos de subir em outra torre, decidi não entrar na Bell Tower. A praça onde ficam a catedral e a torre é enorme e pelo que notei, é um ponto de encontro de locais.

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Próximo a torre, no chão, tem um quadrado especial do piso que é “mágico”: dizem que se você fizer um pedido e girar três vezes pisando em cima deste quadrado, seu desejo será realizado! Mas preste atenção no piso, porque senão não é difícil passar por ele sem perceber.

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De lá segui para a Torre Gediminas, que fica numa colina. Havia uma placa indicando um “bondinho” para quem não quisesse subir a pé, mas a placa dizia que ficava a 500 metros dali e eu pensei “quem anda 500 metros pra pegar um bonde, sobe a colina” e lá fui eu na velocidade de uma tartaruga manca subindo até o topo.

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A subida a pé compensa pela vista da cidade: de um lado vemos o centro histórico e a parte turística, e do outro a parte mais moderna, com prédios e mais prédios bem modernos. A torre é o que sobrou onde antes ficava o castelo de Vilnius e a entrada custa 5 euros ou 2,50 para estudantes. Eu resolvi entrar, mas tendo que subir escadas. Subi por onde a guia me indicou e cheguei num saguão com algumas maquetes e não vi mais escada para continuar subindo… não estava acreditando que havia desembolsado alguns euros para ver meia dúzia de maquetes! Voltei por onde vim e aí percebi que havia outra escada para continuar a visita. Já estava me sentindo bem trouxa! haha… Nos outros andares há exposições e podemos subir até a cobertura, de onde a visão é realmente maravilhosa.

De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna
De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna

Em seguida, aproveitando o belo dia de sol, cruzei o parque Bernardine e fiquei lá um pouco apreciando o momento. De lá segui para a igreja St. Anne, que apesar de bem bonita por fora, por dentro fica devendo: está mal conservada e nada tem a ver com a beleza exterior.

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De lá, como era caminho, passei pela República de Uzupis novamente e fui para o Bastião de Vilnius. Subi a colina, mas não entrei no museu e não é uma atração extremamente necessária na cidade, só vá se estiver com tempo. Passei, então, pela Universidade de Vilnius e ali ao lado, onde fica o parlamento, estava acontecendo algum evento, pois os guardas estavam fazendo uma espécie de “troca da guarda”.

A última atração antes de seguir para o Palácio do Grão-Duque foi a Literature Street, uma rua bem famosinha na cidade por ter vários azulejos nos muros com trechos de livros de autores locais.

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O Palácio ficou por último porque ele fecha às 20h às quintas-feiras, dia da semana que estava lá, e achei melhor aproveitar o dia de sol na rua e somente quando anoiteceu fui visitá-lo. O ticket custa 3 euros para adultos e 1,50 para estudantes. É um museu que conta desde a história do castelo que lá ficava até perto dos dias atuais, passando pelas gerações das famílias lituânias que reinaram no país através dos tempos. O museu estava bem vazio, aliás, eu vi  só mais 2 ou 3 pessoas enquanto visitava o local, que eu recomendo.

O palácio
O palácio

E para encerrar a visita fui a um dos restaurantes mais famosos da cidade, o Forto Dvaras. Quando eu comecei a viajar, pouco ligava para a comida local e comia qualquer porcaria barata que via na rua (ai, jovens! haha), mas nas últimas viagens sempre tenho tentado fazer pelo menos uma refeição num restaurante bacana e comendo algo local – não precisa ser chique, só precisa ser algo que os locais costumam comer. Eu já havia experimentado o cepelinai no dia anterior, mas este restaurante era mais bonitinho, então achei que valeria a pena. Eu pedi o mesmo prato, mas como já havia experimentando com cheio de carne, desta vez pedi com recheio de coalho e molho de queijo e para acompanhar, uma taça de vinho de blackcurrant, típico da região.

Nhom nhom
Nhom nhom

O mais impressionante é que isso custou 6,50 euros! Sim, eu jantei num restaurante bacana pedindo um prato típico e vinho e só paguei isso! Claro que havia pratos mais caros, especialmente os que tinham carne, mas para comer cepelinai o preço é esse. Estava delicioso e foi uma experiência interessante, pois foi a primeira vez que eu fui sozinha a um restaurante legal – me senti um pouco forever alone, mas como eu me sinto muito confortável sozinha, logo passou. 🙂

Voltei para o hostel, peguei a mochila e segui para a rodoviária para pegar meu ônibus de volta a Tallinn – 8 horas de viagem – e pegar a balsa para Helsinki. 😉

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Feijão e arroz?

Se alguém, um gringo, te perguntar o que um brasileiro tipicamente come, eu tenho certeza que você vai dizer “arroz com feijão”. Pode dizer que também comemos carne, alguma salada e por vezes até legumes de acompanhamento, mas o feijão com arroz é a resposta óbvia, certo?

Antes de ir morar nos Estados Unidos, eu nunca questionei esta combinação que certamente estava em pelo menos 10 das minhas 14 refeições semanais, já que na minha casa nunca substituímos a janta pelo lanche. Mas quando cheguei lá e passei a comer com minha hostfamily, eu olhava o prato que normalmente consistia de alguma carne com legumes e salada e achava que aquilo não fazia sentido: cadê o arroz com feijão?

O feijão não tinha, mas o arroz eu mesma fazia para incluir nas minhas refeições! Que povo louco que não come isso, né?

É em Denver, não New York!
É em Denver, não New York! E sem feijão!

Senti muita falta da combinação enquanto estava nos EUA e também quando morava na Irlanda. A diferença é que na Ilha Esmeralda eu comia arroz com feijão quase todos os dias, porque eu que comprava minha comida e cozinhava, portanto escolhia aquilo que me era familiar. Comprava o feijão enlatado e temperava, fazia um arroz e assava um frango e ta dááá: comida quase brasileira todo dia!

Mas aí algo estranho aconteceu aqui na Finlândia: eu não sinto falta do prato mais brasileiro de todos! Aqui eu também tenho a opção de comprar o feijão enlatado e fazer um arroz, mas simplesmente não faço. Antes das férias no Brasil, eu fazia feijão, em média, uma vez ao mês e arroz semana sim, semana não. Mas o choque mesmo foi ao voltar ao Brasil e perceber que não fazia mais questão de comer nenhum dos dois: uma refeição com alguma carne, legumes e salada começava a fazer sentido para mim depois de 8 anos e a experiência em Denver.

Mas eu só me dei conta de verdade que eu perdi completamente o hábito e não sinto falta mesmo da combinação agora. Estou de volta a Finlândia há pouco mais de 2 meses e trouxe comigo 1kg de feijão. Logo que cheguei, usei meio kilo para fazer feijão tropeiro e alegrar os brasileiros que me aguardavam loucamente com o feijão (que a companhia aérea me extraviasse, mas não extraviasse a mala com o bendito), mas o outro meio kilo está até agora intocado no armário da cozinha.

No dia a dia, eu apenas tenho me preocupado se estou comendo todos os grupos de alimentos de uma dieta saudável (com essa história de querer emagrecer, acabei virando uma dessas pessoas que sempre pensa no que está comendo – me julguem). Normalmente, como alguma carne ou ovo com alguma fonte de carboidratos que nem sempre é o arroz, alguns legumes e verduras e nem lembro que feijão existe! Às vezes nem carne tem, porque eu não sou dessas que precisa ter um bifão no prato sempre.  Na foto abaixo, um exemplo: batata gratinada, carne moída e salada de cenoura.

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E qual é a moral da história? Depois de contar que eu não tive nenhuma deprê ao passar férias em São Paulo, nem fiquei super triste de voltar para a Finlândia e chegar à conclusão que atingi o patamar mais alto de flexibilidade cultural, perceber que não sente falta do brasileiríssimos arroz com feijão e que consegue viver muito bem passando meses sem a combinação, só posso concluir que eu desapeguei de vez mesmo! O mundo é meu! hahaha… 🙂

Budapeste, Hungria IV

O último dia na cidade já começou com aquele aperto no coração, uma saudade do que ainda não havia terminado! Já disse que Budapeste é linda? 20160519_182804

Eu sempre faço walking tour quando visito uma cidade e, normalmente, é a primeira coisa que faço já para pegar dicas e conhecer melhor os principais pontos da cidade com um local. Mas em Budapeste eu acabei invertendo a ordem das coisas e o tour ficou para o último dia, já que no primeiro cheguei depois do horário do tour e no segundo dia combinei de encontrar a L.

O tour começa em frente a Basílica de São Estevão e desta vez nossa guia era uma local mesmo (muitas vezes, o guia é um estrangeiro que mora na cidade). A guia disse que a melhor vista da cidade é da torre da basílica – mas depois de subirmos na torre da Igreja de São Matias e na Citadella e poder ver os dois lados da cidade – Buda e Peste -, achamos que não faria muito sentido subir na basílica, então não posso confirmar se a dica da guia vale a pena. E apesar de a igreja ser a construção mais alta da cidade (96 metros), a Igreja de Matias está numa colina, então, em termos absolutos, está num nível bem mais alto. Outra curiosidade, é que dentro da basílica, supostamente, está a mão do rei Estevão. Há controvérsias se aquela é mesmo a mão dele, mas está lá para quem quiser ver.

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Seguindo pelas ruas, paramos na estátua acima. Já tínhamos passado por ela, mas com o tour descobrimos seu significado. A estátua do policial barrigudo está lá desde 1900 e reza lenda que foi feita em homenagem a um certo policial que patrulhava a região e era muito simpático. Diz a lenda também que o motivo de tanta alegria era comida e mulher (porque, lógico, você pode colocar mulheres na mesma categoria de comida, mas vamos adiante). E claro, há uma superstição envolvendo a estátua: dizem que se você esfregar a mão na pancinha dele, terá sorte no amor. Se passar a mão ajeitando o bigode, terá sorte na vida. Será que fiz um carinho nesta pancinha? 🙂

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Outra famosa estátua da cidade é a Pequena Princesa. Reza a lenda que havia esta princesa que nunca quis ser princesa e muito menos rainha. Ela usava as roupas de seu irmão e queria ser rei quando crescesse. Diz a lenda que esfregar as mãos em seus joelhos traz sorte e realização pessoal.

Entre uma parada e outra e dicas da guia, ainda no lado Peste, entramos na mais antiga linha de metrô da Europa continental, pois a guia queria nos contar sobre o pioneirismo húngaro que os deixa muito orgulhosos. É fato que já havia metrô em Londres quando, em 1896, começaram as obras em Budapeste, mas eles consideram somente a Europa continental, portando, as ilhas britânicas ficam de fora. É a mesma linha de metrô que nos levou a Praça dos Heróis no dia anterior.

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A linha mais antiga é bem diferente das demais de Budapeste, com trens bem pequenos e antigos, mas bem conservados. As estações também estão muito bem conservadas e vale a pena pegar o metrô nesta linha só para ver como são as estações e ter a experiência de andar no vagão.

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O tour continuaria seguindo para o lado Buda, mas nós já tínhamos subido a colina duas vezes e visitado tudo que nos interessava, então conversamos com a  guia e nos despedimos do tour na famosa Chain Bridge, que claro, também tem suas lendas e superstições.

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A ponte ficou pronta no fim do século 19 para ligar os dois lados da cidade, divididos pelo Rio Danúbio. Reza a lenda que quem mandou fazer a ponte só o fez porque quando seu pai estava no leito de morte, ele não conseguiu cruzar o rio de barco por ser muito perigoso na época e, portanto, não pode se despedir de seu pai. Ele jurou que terminaria a ponte para que nenhuma outra família tivesse que passar por isto. Outra versão diz que ele tinha uma amante do outro lado do rio e só queria uma forma de atravessá-lo mais rápido. A ponte tem 4 leões, cada um guardando um lado da ponte. Outra lenda (cidade cheia de histórias, não?) conta que o responsável por esculpir os 4 leões estudou a anatomia do animal por anos, os observando no zoológico, e quando tudo ficou pronto, ele desafiou que encontrassem algum defeito no seu leão – se alguém apontasse algo, ele se mataria. Infelizmente para ele, um menino disse que os leões não tinham língua e percebendo seu enorme erro, ele teria se jogado no Danúbio. Como os leões têm língua (que só podem ser vista de um ângulo mais alto), esta história realmente não passa de uma lenda.

Ao nos despedir do tour, seguimos para o Parlamento Húngaro, mas só para observar do lado de fora. O valor do ticket para não europeus é 5400 florins (18 euros), o que é absurdamente caro para os padrões da cidade! Europeus pagam bem menos do que isso, mas por enquanto, eu tenho só o passaporte de capa azul, então…

O Parlamento de um ângulo alternativo
O Parlamento de um ângulo alternativo

Estava um lindo dia e seguimos andando pela margem do Danúbio até chegarmos nos Sapatos no Danúbio, uma escultura em memória dos judeus húngaros que foram mortos no local – eles eram levados até a margem do rio, tinham que tirar seus sapatos e levavam um tiro. O rio levava os corpos embora.

Triste
Triste

O último dia em Budapeste estava acabando, mas o final da viagem fica para o próximo post. 🙂

Não era diversão

O que todo mundo fazia (ou todos os brasileiros faziam) e pra mim não era necessariamente diversão?

Semana 16 – Não era diversão

1- Ir para Dicey’s toda terça

Aquela balada que vende bebida mais barata às terças e faz os brasileiros faltarem à aula na quarta. Aliás, em meu ano de Irlanda, só fui ao lugar uma vez. E não era uma terça.

2- Ir para baladas descaradamente brasileiras

Baladas que tocam sertanejo e afins e juntam muitos brasileiros. Ou seja, você sai do Brasil, mas o Brasil não sai de você. Só que aí você adora falar como o Brasil é ruim e a Irlanda é linda. Vai entender!

3- Ir ao Australiano às quartas

Assim como a Dicey’s é dos brasileiros na terça, o Whoolshed Baa and Grill, ou Australiano para os íntimos, é “nosso” às quartas. Samba e jogos de futebol alegrando a galera. Menos eu.

4- Comprar tudo de tudo na loja brasileira

A diversão não é comprar, é comer! Sim, eu comprava algumas coisas na loja brasileira (na verdade, só mesmo massa de pão de queijo e farofa, porque né, ninguém é de ferro também), mas todo o resto que eu podia encontrar no mercado, eu comprava no mercado, oras! Eu comia arroz e feijão quase todo dia porque eu quem cozinhava e é isto que estou habituada a comer, mas comprava os que tinha no mercado irlandês mesmo. Você sai do Brasil, mas o Brasil fica lá latente em você.

5- Visitar 10 cidades em 5 dias

Quantidade não é qualidade e passar em frente e tirar foto não é visita. Muitos brasileiros por inexperiência ou ansiedade de conhecer tudo acabam fazendo viagens loucas em que passam por vários países, mas ficando pouco em cada lugar. Já decidi pra minha vida que eu não faço esse tipo de coisa: mais vale conhecer bem uma cidade em 3 ou 4 dias do que passar correndo ficando 1. E outra, de que vale belas fotos nas redes sociais se no fundo você sabe que a viagem não foi tudo aquilo? Tirar foto em frente ao Big Ben qualquer um tira em 2 minutos, conhecer Londres de verdade é outra história.