Praga, República Tcheca III

Em nosso último dia em Praga, decidimos “pegar mais leve”. Já era o 9º dia viajando e o cansaço vinha chegando para lembrar que eu não tenho mais 20 anos!

Como já havíamos visitado Malá Strana, o distrito do castelo, e também quase toda a parte turística de Old Town e região, fomos fazendo alguns passeios mais leves. Primeiro fomos a Praça Wenceslau, a praça mais importante da cidade.

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Voltamos a Old Town e entramos na igreja Tyn, que é bem peculiar, já que ela está atrás de outros prédios e, na verdade, precisamos passar por um restaurante italiano e um corredor para ter acesso a entrada.

Tyn
Tyn

Se vocês prestarem atenção, uma das torres é mais larga que a outra e imagino que essa imagem deva ser horrível para alguém que tenha TOC! A justificativa é que uma representa o homem e a outra, a mulher. A entrada é gratuita, mas eles pedem alguma doação para ajudar com os trabalhos da igreja.

Por dentro
Por dentro

Seguimos andando e visitamos uma atração talvez ignorada pela maioria dos turistas, o Parque Letna. O parque em si não tem nada de especial, mas a vista que se tem de lá vale a pena a visita, além de ser um passeio gostoso para relaxar um pouco daquele ritmo meio acelerado de viagem. E nós já estávamos bem cansados!

As pontes de Praga vistas do Parque Letna
As pontes de Praga vistas do Parque Letna

Um passeio que deixamos de fazer por motivos apenas financeiros foi visitar o Museu Judeu, que inclui o cemitério e pode ou não incluir a Sinagoga Velha Nova (sim, este é o nome da sinagoga), que é a mais antiga da Europa. Eu adoraria ter visitado, mas já estávamos sem dinheiro a essa altura da viagem e o ticket custa cerca de 13 euros. Sinceramente, soubera eu antes disso que teria deixado de visitar a sinagoga de Budapeste e visitaria o complexo judeu de Praga. Acho que teria valido muito mais a pena! 😦

Chegada a hora de retornar ao hostel para pegar as mochilas e seguir para o aeroporto, não pude resistir e comer mais um trdelník. Este doce é muito, mas muito amor!

Nhom nhom
Nhom nhom

É muito fácil ir para o aeroporto de transporte público e há mais de uma opção, o que também facilita muito. Apesar de estar chovendo no momento que voltamos, a viagem foi bem tranquila. E o aeroporto de Praga é o mais legal que já vi, afinal, já foram em algum aeroporto com jogo de xadrez gigante? Acho que não, né? 🙂

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Considerações finais

Praga é uma das cidades mais lindas que já visitei, mas também uma das mais turísticas. Claro que eu também sou turista, a questão não é essa, mas não me lembro de ver tantos turistas numa cidade antes e pelas atrações e preços cobrados, me fez ter a impressão que a cidade é muito montada para turismo mesmo. Não me iludo, se vou a destinos conhecidos, eu sei bem que muita coisa só é como é para receber os turistas, mas em Praga essa sensação ficou bem mais forte.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é que várias lojinhas vendiam todo tipo de artigo relacionado a maconha e produtos feitos a partir dela, como chocolates. Fui checar com locais e também com o Google, e por incrível que pareça, maconha não é legalizada no país e todas as comidas que dizem ter maconha em sua composição, realmente têm, mas em quantidades muitíssimo pequenas. Eu comprei os tais chocolates com maconha e o gosto não é diferente em nada. Vale pesquisar bastante antes de comprar, pois os preços variam muito de loja para loja.

A República Tcheca é conhecida por sua cerveja e nós experimentamos algumas. A que mais gostei é uma chamada Kozel. Reza a lenda que se visitar o país e não beber da cerveja, você jamais esteve lá!

Na cidade você verá várias placas indicando banheiros públicos, mas são todos pagos! O local mais barato para usar o banheiro é no térreo da Torre do Relógio Astronômico, onde fica o Centro de Informações ao Turista. Custa em torno de 3 coroas, apenas uns 8 centavos de euro. Há também vários bebedouros espalhados pela cidade e a água é limpinha, pode encher a garrafinha com a consciência tranquila. 🙂

E assim acabou a viagem a parte do Leste Europeu, que eu não poderia ter adorado mais e não posso deixar de recomendar. 🙂

Praga é só amor!
Praga é só amor!

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Onze meses de Irlanda

Longe de casa há 335 dias.

“Mas você já morou fora antes, já sabe como é, está acostumada”, todos dizem. A gente não se acostuma com a saudade e com a falta que faz viver longe de onde cresceu. Não eu. Eu me adapto muito fácil, foi assim nos EUA, está sendo assim aqui, mas eu sempre digo que eu só suporto estar longe do meu mundo porque sei que tem prazo de validade: um dia eu volto. Contraditório, eu sei.

No meu ano na Obamaland nos EUA eu percebi como era flexível e que eu, com 20 anos, já conseguia ser um tanto quanto responsável. Mas eu tinha casa, comida e roupa lavada (por mim, mas tinha) e minha preocupação era “só” cuidar das crianças (uma baita responsabilidade). Na Irlanda eu aprendi a pagar todas as minhas contas, a me preocupar com meu café-da-manhã, almoço e janta, a não me preocupar a que horas chegaria em casa, a cozinhar (não morri de fome nem emagreci, logo…). Eu não precisava sair do Brasil pra isso – era só ir morar sozinha- mas em terras tupiniquins eu teria tudo fácil (família, amigos, realidade que eu conheço) e aqui eu cheguei sem nada.

Foram onze meses bons e ruins ao mesmo tempo. As coisas ruins eu levo como aprendizado e algumas delas vão virar histórias engraçadas em roda de amigos em algum tempo. As coisas boas vou lembrar nostalgicamente no futuro.

Em onze meses eu perdi o medo da chuva (e matei minha vontade de ter galochas enquanto me desfiz do guarda-chuva- touca na cabeça é vida); controlei meu consumo de doces (o que não é nada fácil morando num país onde chocolate é barato demais e o Tesco vende mousse a 1 euro); troquei a Smirnoff Ice pela Kopparberg; não aprendi a beber cerveja; saquei que se a vida é minha e eu pago as minhas contas, ninguém tem nada a ver com a  roupa que eu uso (me deixa ir no mercado de pijama, ok?); que eu não nasci para passar frio; que eu não tenho mais desejo de ver neve; que a melhor comida do mundo é a do Brasil; que o motorista do ônibus ouve Beatles e Alanis; que roda de samba aqui é música celta com jeito de Senhor dos Anéis (filme que, aliás, eu nunca vi); que irlandês deve ser um pouco triste por achar que 20 graus é calor; que violência tem em todo lugar, até em Dublin (destruí seu mundo!); a valorizar imensamente um lindo dia de sol; que a marca do mercado é, na maioria das vezes, tão boa quanto a marca cara; a parar de converter do euro para o real; que se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim; que eu gosto mesmo é de São Paulo, com todos os seus prós e contras.

Quem diria que eu poderia aprender tanta coisa em tão pouco tempo?

Arthur’s Day e Guinness

No começo de setembro, percebi que havia vários outdoors e anúncios nas laterais dos ônibus divulgando que no dia 27 de setembro a cidade estaria pintada de preto (“Paint the town black”). Pensei “What the hell?“. Descobri, então, que era o Arthur’s Day. Aí, pensei “Who is Arthur?” Foi quando comecei a ligar os pontos. Vamos por partes.

Arthur Guinness é o fundador da famosa cervejaria… adivinhem? Isso mesmo, da Guinness. Vocês sabem qual é a cor da cerveja? Não de qualquer cerveja, mas desta tradicional cerveja irlandesa. Vou dar uma dica:

Guinness, prazer!

Agora ficou fácil, né? Ela é preta e bem amarga, mas muito amarga! E tem um gostinho de café. Aí que eu venho para a Irlanda e não bebo cerveja e 2,5 meses depois eu ainda não comecei a beber. A isso, acrescente o fato de que eu sou professora, mas não, eu não bebo café. Juntou a cevada com a cafeína e você achou mesmo que eu iria gostar disso aí da Guinness só porque é famosa? Pffft… Falando sério agora, a Guinness não tem cafeína, mas como o malte é torrado acaba deixando um gostinho que, para meu humilde paladar, lembra o de café.

Voltando ao que interessa, “pintar a cidade de preto” fazia uma referência à comemoração dos 253 anos da fundação da cervejaria, fazendo parecer que o Arthur Guinness é um tipo de St. Patrick por aqui. Falando no Patrício, digo, Patrick, que país é esse que celebra tanto o santo responsável por trazer o cristianismo para esta terra de pagãos celtas leprechauns quanto o cara que roubou a receita inventou uma cerveja? Enfim.

Essa comemoração começou em 2009, quando a Guinness completou 250 anos e, ao que tudo indica, já faz parte do calendário irlandês. Obviamente, não passa de uma jogada de marketing, mas vamos deixar isso para lá.

Como vocês ainda não sabem, eu não bebo cerveja. Então, nem me animei muito para as tais comemorações, mesmo com a Guinness fazendo o maior mistério sobre os locais onde algumas bandas, como Fat Boy Slim, iriam se apresentar. Porém, acabei saindo para dar uma volta no Temple Bar para ver o que estava rolando. Ok que já era pra lá de 11 da noite, mas segue um resumo do que vi:

– Pessoas bêbadas;
– Copos quebrados na rua;
– Pessoas muito bêbadas;
– Latas e garrafas de bebidas aos montes nas ruas;
– Irlandesas vestidas como se aqui fosse Rio 40 graus mostrando tudo que não têm. Ah, e bêbadas;
– Pubs lotados numa quinta-feira;
– E já mencionei que vi pessoas bêbadas?

Para os apreciadores de Guinness ou àqueles que só precisam de um motivo qualquer para beber, torçam para que o Arthur’s Day se repita em 2013 (o que acho quase certo de acontecer).

Curiosidades

Arthur Guinness faleceu em 1803 no local onde esta blogueira reside atualmente. Não me refiro a casa, mas ao “quarteirão”. Moro numa praça cercada por prédios em estilo gregoriano que datam do início do século 19. À época, apenas pessoas ricas e influentes residiam aqui (o que explica o porquê de o Arthur resolver bater as botas nesta região). Hoje em dia, porém, a área é mais frequentada por estrangeiros, irlandeses de classe média baixa e uns tais de knackers.

Eu insinuei aí em cima que a receita foi roubada. No final de semana passado, conhecemos um britânico que, pasmém, falava português! Papo vai, papo vem naquela mistura linda de português e inglês de todas as partes envolvidas, o rapaz conta que o Arthur não inventou nada, apenas comprou a receita de um britânico qualquer. Se isso é verdade, eu não sei (nem perguntei para o Google), mas que a investida do senhor Guinness deu certo, ah deu!