Um dia ensolarado em Vilnius

Finalmente no último dia da viagem aos bálticos saiu um solzinho! E a vida com um belo sol no céu faz toda a diferença, pelo menos pra mim faz – meu humor fica melhor, me sinto mais disposta e feliz. Talvez seja por isso que eu não era assim tão fã de Dublin… 🙂

Meu joelho direito ainda estava tentando me imobilizar de dor, mas eu sou bem teimosa e segui meu roteiro normalmente (e me enchendo de dipirona e tylenol, porque era o que eu tinha de analgésico). Comecei o dia visitando o Museu do Holocausto, que apesar de pequeno é cheio de informação e no fim da visita ainda podemos visitar o sótão, onde o museu recriou todo o ambiente onde os judeus se escondiam antes de tentar fugir e o que mais me chamou a atenção é que não havia aquecimento no local e mesmo ainda sendo outubro, já estava bem frio, então imagine o que passavam as pessoas que precisavam se refugiar nestes lugares nos meses de inverno e ficavam dias nessas condições.

O museu
O museu

Também passei pela única sinagoga da cidade, a Choral, que mesmo sendo uma atração turística, não impressiona por dentro. Até me deu medo de entrar e ver aquela sinagoga vazia! Continuei seguindo andando pela rua principal da cidade, a Gediminas, onde parei numa farmácia para comprar Ibuprofeno (que também é antiinflamatório) para ver se dava um jeito no joelho – não estava fácil! Na avenida também ficam o correio central e o Teatro Nacional da Lituânia, que tem essa fachada bem interessante:

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No fim (ou começo?) da avenida fica a Catedral de Vilnius e a Bell Tower. A entrada é gratuita na catedral, mas paga na torre e como eu já tinha planos de subir em outra torre, decidi não entrar na Bell Tower. A praça onde ficam a catedral e a torre é enorme e pelo que notei, é um ponto de encontro de locais.

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Próximo a torre, no chão, tem um quadrado especial do piso que é “mágico”: dizem que se você fizer um pedido e girar três vezes pisando em cima deste quadrado, seu desejo será realizado! Mas preste atenção no piso, porque senão não é difícil passar por ele sem perceber.

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De lá segui para a Torre Gediminas, que fica numa colina. Havia uma placa indicando um “bondinho” para quem não quisesse subir a pé, mas a placa dizia que ficava a 500 metros dali e eu pensei “quem anda 500 metros pra pegar um bonde, sobe a colina” e lá fui eu na velocidade de uma tartaruga manca subindo até o topo.

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A subida a pé compensa pela vista da cidade: de um lado vemos o centro histórico e a parte turística, e do outro a parte mais moderna, com prédios e mais prédios bem modernos. A torre é o que sobrou onde antes ficava o castelo de Vilnius e a entrada custa 5 euros ou 2,50 para estudantes. Eu resolvi entrar, mas tendo que subir escadas. Subi por onde a guia me indicou e cheguei num saguão com algumas maquetes e não vi mais escada para continuar subindo… não estava acreditando que havia desembolsado alguns euros para ver meia dúzia de maquetes! Voltei por onde vim e aí percebi que havia outra escada para continuar a visita. Já estava me sentindo bem trouxa! haha… Nos outros andares há exposições e podemos subir até a cobertura, de onde a visão é realmente maravilhosa.

De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna
De um lado do rio a parte histórica e do outro, a moderna

Em seguida, aproveitando o belo dia de sol, cruzei o parque Bernardine e fiquei lá um pouco apreciando o momento. De lá segui para a igreja St. Anne, que apesar de bem bonita por fora, por dentro fica devendo: está mal conservada e nada tem a ver com a beleza exterior.

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De lá, como era caminho, passei pela República de Uzupis novamente e fui para o Bastião de Vilnius. Subi a colina, mas não entrei no museu e não é uma atração extremamente necessária na cidade, só vá se estiver com tempo. Passei, então, pela Universidade de Vilnius e ali ao lado, onde fica o parlamento, estava acontecendo algum evento, pois os guardas estavam fazendo uma espécie de “troca da guarda”.

A última atração antes de seguir para o Palácio do Grão-Duque foi a Literature Street, uma rua bem famosinha na cidade por ter vários azulejos nos muros com trechos de livros de autores locais.

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O Palácio ficou por último porque ele fecha às 20h às quintas-feiras, dia da semana que estava lá, e achei melhor aproveitar o dia de sol na rua e somente quando anoiteceu fui visitá-lo. O ticket custa 3 euros para adultos e 1,50 para estudantes. É um museu que conta desde a história do castelo que lá ficava até perto dos dias atuais, passando pelas gerações das famílias lituânias que reinaram no país através dos tempos. O museu estava bem vazio, aliás, eu vi  só mais 2 ou 3 pessoas enquanto visitava o local, que eu recomendo.

O palácio
O palácio

E para encerrar a visita fui a um dos restaurantes mais famosos da cidade, o Forto Dvaras. Quando eu comecei a viajar, pouco ligava para a comida local e comia qualquer porcaria barata que via na rua (ai, jovens! haha), mas nas últimas viagens sempre tenho tentado fazer pelo menos uma refeição num restaurante bacana e comendo algo local – não precisa ser chique, só precisa ser algo que os locais costumam comer. Eu já havia experimentado o cepelinai no dia anterior, mas este restaurante era mais bonitinho, então achei que valeria a pena. Eu pedi o mesmo prato, mas como já havia experimentando com cheio de carne, desta vez pedi com recheio de coalho e molho de queijo e para acompanhar, uma taça de vinho de blackcurrant, típico da região.

Nhom nhom
Nhom nhom

O mais impressionante é que isso custou 6,50 euros! Sim, eu jantei num restaurante bacana pedindo um prato típico e vinho e só paguei isso! Claro que havia pratos mais caros, especialmente os que tinham carne, mas para comer cepelinai o preço é esse. Estava delicioso e foi uma experiência interessante, pois foi a primeira vez que eu fui sozinha a um restaurante legal – me senti um pouco forever alone, mas como eu me sinto muito confortável sozinha, logo passou. 🙂

Voltei para o hostel, peguei a mochila e segui para a rodoviária para pegar meu ônibus de volta a Tallinn – 8 horas de viagem – e pegar a balsa para Helsinki. 😉

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Riga, capital da Letônia

Cheguei em Riga sozinha às 21h. Eu havia me informado com o hostel sobre a segurança no local e me afirmaram que era muito seguro. Mesmo assim eu corri os 1,5km de distância entre rodoviária e acomodação! Felizmente, as ruas estavam bem movimentadas e não me senti em perigo em nenhum momento, mas como eu sou de São Paulo, desconfio de tudo e de todos mesmo. :/

Eu me hospedei no Central Hostel e foi um dos melhores hostels que já fiquei! Optei por um dormitório feminino com apenas 5 camas por 7 euros a diária e a decoração do quarto era muito fofa! Aliás, o hostel todo era muito fofo e extremamente organizado, além de ser muito limpo e contar com staff muito prestativo e simpático. Não oferecem café-da-manhã, mas há chá, café, leite e achocolatado disponível o dia todo e como notei que alguns hóspedes acabam deixando para trás pão e cereal, dá quase para dizer que dá sim para começar o dia comendo lá.

O quarto muito fofo do hostel
O quarto muito fofo do hostel

Infelizmente, o tempo ruim me seguiu até Riga e estava muito frio no primeiro dia, com chuvas leves e um vento bem chato. Saí do hostel, passeei um pouco pelo centro histórico e fui encontrar o guia do tour que saía às 11h da Igreja de São Pedro. Há dois walking tours na cidade, um que cobre a Cidade Velha (Old Town) e outro que cobre outras partes de Riga. Eu fiz o da Cidade Velha no primeiro dia e o outro, no segundo – porque walking tour nunca é demais! 🙂

 O tour começa com o guia contando várias curiosidades da Letônia, claro, além de dar um panorama histórico. Assim como na Estônia, há muitos russos vivendo no país e isso fica bem claro porque praticamente em todo lugar se vê informações escritas em russo. O tour segue para a parte de trás da Igreja de São Pedro, onde tem uma escultura de 4 animais bem famosa, Os Músicos de Bremen. Ela homenageia o conto de mesmo nome escrito pelos irmãos Grimm e está lá pois foi um presente de sua cidade irmã, Bremen, na Alemanha.

Os músicos de Bremen
Os músicos de Bremen

Passamos por outros locais, onde o guia ia explicando de tudo um pouco, como a origem do nome da cidade, por exemplo – o que é de praxe em qualquer tour. Chegamos no famoso cartão postal da cidade, o prédio com os gatinhos no telhado!

Miau!
Miau!

O prédio fica na Meistaru 10/12 e é conhecido como Cat House. O guia disse que a história (ou lenda?) sobre o prédio é que ele foi construído por um mercador muito rico que, na verdade, queria fazer parte de uma associação alemã que tinha sua sede no prédio em frente ao dele. Como seu pedido foi negado, ele quis se vingar e mandou colocar os gatinhos no topo das torres com o “bumbum” virado para o prédio da outra associação. O pior é que a associação alemã achou isso tão ofensivo, que levou o caso ao tribunal! No fim, ficou decidido que o bumbum dos gatinhos deveria ser virado para o outro lado. Se esta história é verdadeira ou não, não sei, mas que o prédio é bem bonitinho, isso é!

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Paramos num ponto aqui e outro ali, historinhas e tal e o tour acabou dentro de um bar. O lado bom é que estava tão frio que eu mal via a hora de terminar e poder entrar num lugar quentinho; o lado nem tão bom é que este bar era do amigo do guia e fomos levados lá justamente para fazer propaganda do local – o que não é assim péssimo, eu sei, mas não é uma dica genuína de bar, né? Para quem bebe, o guia deu um “vale” para comprar uma cerveja e beber outra de graça, mas eu estava sozinha e eu não sou assim tão fã de cerveja para encarar um litro.

Ao fim, saí andando pelo cidade e fui até o Museu das Ocupações da Letônia, que cobre o período de 1940 a 1991. A entrada é gratuita e o museu ocupa apenas um andar, sendo mais informativo do que interativo e tem mais coisas para ler do que ver, por exemplo.

O museu
O museu

Do museu, segui para o distrito de Art Nouveau, onde há um museu. O distrito é famoso pelo estilo dos prédios e é bacana para quem curte ou é de arquitetura – eu olhei, achei bonito e dei meia volta. De lá passei por um parque que estava lindo com as folhas amarelas da estação, mas ao mesmo tempo intrigante. O que é isso?

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Em seguida, passei pela Catedral da Natividade, também num estilo meio ortodoxo, construída no fim do século 19 quando o país estava sob o domínio do Império Russo. Ela é bem bonita por fora e a entrada é gratuita.

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Voltei ao Cento Histórico, onde almocei no primeiro restaurante de kebab que achei (saudade dos kebabs de Budapeste! <3) e segui para a Academia de Ciências da Letônia, mais conhecido como o “Prédio do Stalin”.

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A primeira vez que vi este prédio foi em Varsóvia, na Polônia. E depois, claro, vi outros na Rússia, em Moscou. O estilo é mesmo conhecido como Stalinista e há outros prédios parecidos com ele em outros países que já foram parte da União Soviética. É possível subir no 17º andar para se ter uma visão panorâmica de Riga pelo valor de 5 euros. Eu achei caro, mas já estava lá e resolvi subir mesmo assim. O tempo estava péssimo: nublado, chuvoso e ventando e é claro que eu era a única louca lá em cima. Fiquei um tempo e a ideia era esperar para ver a cidade à noite também, mas estava tão frio e ventando tanto que não deu para seguir com o plano.

Riga lá de cima
Riga lá de cima

O engraçado é que do nada apareceu um senhor gravando um vídeo no celular. Pediu que eu gravasse um vídeo dele e começou a puxar papo comigo. Final da história: fui tomar um café com um senhor de 65 anos que nasceu no Chile, mas mora na Suécia há mais de 30 anos e viaja sozinho porque a esposa trabalha e não pode o acompanhar. Pois é!

Quando saí do café já havia escurecido, então apenas andei mais um pouco pela cidade a procura de lembrancinhas e retornei ao hostel. Ao fim do primeiro dia, eu já tinha certeza que havia gostado mais de Riga do que de Tallinn, se é que é possível fazer essa comparação. 🙂

Tallinn, uma capital medieval

Tallinn é a capital da pequena Estônia, um país de apenas 1 milhão e 300 mil habitantes, sendo que 1/4 são de origem russa, que teve sua independência conquistada apenas em 1991, após anos sob o domínio da União Soviética, um período que deixou marcas e ainda é lembrado pelos locais.

Resolvemos fazer o walking tour em Tallinn, mas como começava só ao meio-dia, pegamos o mapa da cidade e andamos um pouco por alguns pontos turísticos antes de ir para o tour. O que a gente não esperava é que em 2h30 conseguiríamos ver quase metade das atrações, passar no Hotel Viru para agendar o tour no museu da KGB e ainda ter tempo de voltar ao hostel e tomar um chá para aquecer, já que estava fazendo muito mais frio do que a gente esperava.

O Parlamento
O Parlamento

A impressão que dava era que o mapa era quase “em escala real”, pois dávamos “dois passos” e já estávamos no próximo local. Começamos pelo Parlamento da Estônia, o prédio rosa da foto, onde fica o Castelo de Toompea. O castelo, que fica na parte de trás do Parlamento, foi construído entre os séculos 13 e 14 e a faixada bem depois, no século 18. É possível visitar o local, mas apenas de segunda a sexta (eu passei o final de semana na cidade) e é preciso agendar previamente aqui. Acabamos voltando lá com o walking tour mais tarde, claro, e a guia nos deu algumas informações sobre o país e sua política, como o fato de terem uma mulher como presidente no momento.

Em frente ao parlamento fica a Catedral Alexandre Nevsky, uma igreja ortodoxa, ainda influência do período de dominação russa no final do século 19. Por fora é uma igreja muito bonita e se você nunca foi à Rússia, é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco o estilo. A entrada é gratuita, mas não é permitido tirar fotos dentro da catedral. Aliás, há várias igrejas na cidade, apesar de, segundo nossa guia, o país ser um dos mais ateus do mundo.

Alexandre Nevsky num dia cinza
Alexandre Nevsky num dia cinza

Seguimos andando, passamos por pedaços de muralhas que ainda estão espalhados pelo centro da cidade e chegamos no Kiek in de Kök, uma torre construída em 1475 e tem sua história contada (em inglês) aqui. O nome tem origem em alemão e seria algo como “espiar a cozinha”, pois segundo nossa guia do tour, já que em determinada época os soldados que lá ficavam não tinham muito o que fazer e ficavam apenas espiando do alto da torre o que as pessoas faziam na cozinha. O local hoje é um museu que também dá acesso a passagens subterrâneas. O ticket custa 9 euros ou 6 para estudantes e você encontra mais informações aqui, mas eu acabei não visitando o local.

Kiek in de Kök e esse dia cinza
Kiek in de Kök e esse dia cinza

Quase em frente a torre há um parque, que nesta época do ano estava coberto de folhas amarelas. O parque em si não tem nada de especial e talvez mereça uma visita quando o tempo está mais quente, mas a guia nos contou que na época de domínio soviético era proibido comercializar vinis de bandas do Oeste (Western Music), mas a gente sabe que não é porque é proibido que as pessoas não fazem, ainda mais se tratando disso. Então, muitas pessoas vendiam ilegalmente vinis e outros artigos que eram proibidos na época da União Soviética e o parque é estratégico porque está numa colina e os vendedores podiam ver quando a polícia se aproximava. E era um jogo de gato e rato, meio que de “faz de conta”, já que todos sabiam o que rolava lá e faziam vistas grossas – quando a polícia chegava, eles escondiam os vinis e passavam a vender coisas como selos e mesmo os policiais, quando não estavam em serviço, iam ao local fazer “umas comprinhas”.

O parque
O parque

De lá seguimos para a Praça da Liberdade, onde também está o Monumento a Guerra de Independência que, segundo nossa guia, foi superfaturado, os locais, em geral, desaprovam e mesmo tendo custado alguns milhões de euros, as placas de vidros quebraram e nem todas as luzes acendem à noite. Porém, o material utilizado suportaria um ataque nuclear – fica a dúvida: se todos morrem num ataque nuclear, pra que a necessidade de um monumento continuar erguido?

A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo
A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo (num dia horroroso)

Passamos por outros pontos, como Danish King’s Garden (mais informações aqui, em inglês), onde ficam as estátuas de 3 monges.

Bizarro?
Bizarro?

No mesmo local, é possível subir na parte da muralha ainda em pé, onde há um café. Eu recomendo subir, apesar de as escadas serem muito íngremes e os degraus muito altos, pois neste a visita é gratuita – há outro pedaço de muralha, o mais longo ainda em pé, próximo a entrada da cidade histórica, mas o ticket custa 3 euros apenas para subir – mas eu não recomendo o café porque é super caro! Para se ter uma ideia, um chocolate quente custava 6 euros lá. Uma coisa meio boba e engraçada, é que pela cidade há vários quiosques vendendo docinhos, bebidas quentes e castanhas. Estes quiosques têm um estilo meio medieval e cada um tem um nome. O que estava no Danish King’s Garden era meio engraçado:

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O walking tour seguiu por mais alguns pontos, paramos num mirante, a guia nos ensinou uma dança típica da Estônia e foi isso. Gostei muito do tour e a guia tinha um humor bem peculiar e contou várias piadas, além de ter dado um bom panorama histórico do país e contado algumas histórias interessantes e engraçadas da vida na Estônia quando esta fazia parte da União Soviética.

Almoçamos no McDonlad’s mesmo (né?) e voltamos ao hostel para outra xícara de chá. Pode parecer meio ridículo isso, mas o hostel fica a basicamente 5-10 minutos de qualquer atração, então faz muito sentido retornar lá. Estava muito frio mesmo no dia (em torno de 1 grau, mas ventando muito e sensação térmica de até -7), então o tempo que ficamos na rua para o walking tour (cerca de 2 horas e meia) foi o suficiente para precisarmos parar num lugar quentinho. Logo depois, visitamos a farmácia mais antiga do mundo! Ela fica na Praça da Prefeitura e a entrada é gratuita, mas não abre aos domingos.

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Não se sabe exatamente quando ela foi inaugurada, mas os registros dão conta que seu terceiro dono a comprou em 1422. Desde então, o local nunca fechou e ainda hoje é possível comprar medicamentos lá, embora eu tenha certeza que a maioria das pessoas que entram é para visitar o local, que tem alguns objetos bem antigos e até animais em formol.

Terminamos o dia indo mais uma vez ao III Dragon para mais uma sopa de alce e depois fomos a uma panquecaria, porque a sopa só dá pra ser uma entrada. A panquecaria se chama Kompressor (Rastaskaevu 3) e gostamos muito. Eles servem panquecas doces e salgadas, que são muito bem servidas e custam, em média, 5 euros. A decoração do local é interessante também.

Aprovada!
Aprovada!

Tallinn é conhecida por ser a cidade medieval mais bem conservada da Europa e, de fato, andando pela cidade no primeiro dia vimos diversas construções e muros que realmente lembram o período. Fora isso, há diversos restaurantes que tentam reproduzir a época de alguma forma e com seus funcionários vestidos à caráter, o que faz o clima ficar ainda mais característico.

São Petersburgo – catedrais, Hermitage e strogonoff

Nosso segundo dia em São Petersburgo começou com chuva! Mas nem o tempo feio nos desanimou e fomos conhecer a Catedral de Kazan, que foi a última atração que passamos com o walking tour no dia anterior. O guia já havia nos avisado que na Rússia as mulheres devem cobrir a cabeça e os homem tirar qualquer chapéu ao entrar numa igreja ortodoxa e que seria de bom tom se nós, mesmo sendo turistas, fizéssemos o mesmo. Coloquei a touca do casaco na cabeça e entrei.

A catedral e um dia feio
A catedral e um dia feio

A catedral foi terminada em 1810 e a entrada é gratuita. Assim como observamos em Helsinki, não há bancos para os fiéis e o sinal da cruz é seguido de uma espécie de reverência. Não era permitido tirar fotos, acredito que para não atrapalhar os fiéis. A catedral não é muito grande, mas vale a visita, se você gosta de igrejas.

Quase em frente a catedral fica a maior livraria de São Petersburgo, a Dom Knigi. Ela fica onde era o prédio da Singer, aquela empresa que fabrica máquinas de costura. A empresa comprou o terreno no começo do século 20 e quis construir um prédio parecido com o que estava sendo construído em New York, que seria um arranha-céu. Mas como os prédios da cidade têm restrição de altura, ele tem só 6 andares. O prédio abriga a livraria desde 1938 e dentro tem um café/restaurante.

Dom Knigi, céu cinza e a Catedral do Sangue Derramado lá atrás
Dom Knigi, céu cinza e a Catedral do Sangue Derramado lá atrás

Para ser sincera, a livraria não é assim tão grande e a impressão que deu é que caberia umas 4 dela dentro da Livraria Cultura da Av. Paulista em São Paulo (que não é referência porque é a maior do Brasil, eu sei), mas ela é charmosinha e a visão da catedral de Kazan é linda do primeiro andar. Os demais andares do prédio são ocupados por escritórios e não são abertos para visitação.

Você fala russo?
Você fala russo?

De lá fomos a outra catedral famosa da cidade, a Catedral de São Isaac, que já foi a maior e mais famosa da Rússia, terminada em 1858. A entrada é paga e há duas opções: a catedral e o domo, que são cobrados separadamente. Vou confessar aqui que eu não gosto muito de entrar em igreja, pagando então, pior ainda já que eu acho meio absurdo cobrar para entrar num lugar dito sagrado (é museu ou igreja?), mas como o R. fazia questão, pagamos para entrar nos dois. Com o desconto de estudante, deu em torno de 350 rublos  (o que com a cotação da época daria uns 5 euros).

A catedral
A catedral

Dentro há várias pinturas contando a vida de Jesus nas passagens bíblicas. Ela não é muito grande e é uma visita interessante se você gosta de igrejas (meu discurso padrão sobre visitar igrejas). Fomos ao domo e para chegar lá é só de escada. Dá para ver a área turística da cidade, mas o dia não estava dos mais inspiradores para fotos e venta muito lá em cima. Acho que vale mais a pena subir no domo do que visitar a igreja, se você pedir minha opinião.

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Do domo

A fome bateu e decidimos comer algo rápido e barato e bem, tem um Subway em cada esquina na cidade! Lá fomos e resolvemos dividir um lanche de 30cm. O rapaz atrás do balcão, tentando falar inglês com a gente, oferecendo um monte de coisa dentro. Eu perguntei se estava tudo incluso no valor do lanche, ele disse que sim e tomamos um susto quando fomos pagar e o preço tinha mais que duplicado e enfim, uma falha na comunicação nos fez pagar por um lanche de Subway o mesmo valor que pagamos num restaurantezinho legal na noite anterior. Lição do almoço: Subway cobra e cobra muito caro por itens extra em qualquer lugar do mundo, da próxima vez nem pergunto. Pelo menos, o lanche estava bem servido e nos sustentou pelo restante tarde que passamos dentro do famoso Hermitage.

Hermitage por dentro
Hermitage por dentro

O museu foi “fundado” em 1764 por Catarina, a Grande, com uma coleção particular, segundo o que nos disse nosso guia Vlad, aquele do walking tour. O museu só passou a ser aberto ao público em 1852 e hoje é um dos maiores e mais antigos do mundo. A entrada custa 800 rublos, o que é bem caro se comparado com o valor cobrado em outras atrações, mas a é gratuita para estudantes de qualquer lugar do mundo, então não pagamos nada. 🙂

O museu é realmente enorme, então o ideal é ver as exibições que mais te interesse, do contrário, dá para passar o dia inteiro lá. Nós resolvemos ir passando por tudo e dar atenção ao que fosse mais interessante e ficamos umas boas horas lá dentro.

Do Hermitage
Do Hermitage

Saímos do museu e eu estava decidida a comer um strogonoff e não ia voltar ao hostel até achar um bom restaurante. Fomos caminhando pela Nevsky Propekt e parando de restaurante em restaurante para olhar o cardápio. O Gogol é um do restaurantes mais famosos da cidade e é meio carinho, mas como o rublo é bem desvalorizado em relação ao euro, está longe do que custa um restaurante razoável aqui na Finlândia. Fomos até lá, mas infelizmente o restaurante estava lotado e sem previsão de ter mesa livre. Seguimos procurando e achamos um no subsolo de um prédio e, aparentemente, é muito comum terem cafés, restaurante e outras lojinhas no subsolo.

Dachniki
Dachniki

Acho que ainda não tive a chance de falar um pouco da minha impressão do povo russo e este é um bom momento para começar a ilustrar. Nós entramos no restaurante e pedimos para ver o menu para checar se tinha meu desejado strogonoff. A moça nos deu e falou (não pediu, falou seca e direta) para nos sentar. Eu disse que queria checar o menu primeiro, posso? Aí vi strogonoff, mas estava em “entradas quentes”, o que deve ter sido uma tradução ruim, mas eu quis checar e perguntei se era uma entrada ou um prato principal. Ela, seca, direta e nem perto de esboçar um sorriso, me olhou e disse “Sit down, please”. Ah, os russos!

Outra coisa que aconteceu em absolutamente todos os restaurantes que fomos foi a falta de paciência para esperar o cliente decidir. No Brasil, quando estamos em dúvida ou escolhendo, o garçom tira a dúvida e dá um tempo para decidir. Na Rússia, é tipo: “Isso é frango, isso é porco, o que você quer agora? Fala já, não sou pago pra ficar olhando pra sua cara“. No fim, meu desejado strogonoff chegou e estava muito gostoso!

Eu só posso ter tido um surto de Parkinson nessa viagem, mas este é o strogonoff russo, prazer!
Eu só posso ter tido um surto de Parkinson nessa viagem, mas este é o strogonoff russo, prazer!

E na hora de pedir a sobremesa os nomes no menu não diziam muito à respeito, tipo “Romeu e Julieta”, que você sabe que é queijo com goiabada porque é brasileiro, mas o nome em si não dá nenhuma pista. Lá foi eu pedir explicação, que foi bem “Isso é isso e isso é isso, qual você quer? Diz agora, vai, qual?“. No momento de tensão, pedi um doce tipicamente russo chamado Napoleão (?), que é um bolo com camadas de massa folheada e creme e muito gostoso por sinal.

No doce eu não tremi na foto!
No doce eu não tremi na foto!

No fim das contas, eu super recomento o restaurante, Dachniki, que fica na Nevsky Prospekt. É uma gracinha, bem aconchegante, a comida é muito gostosa e o preço é acessível. O jantar para dois, com uma sobremesa e um café, saiu por 1090 rublos, cerca de 14 euros na época (no caso, mês passado, mas vocês sabem como anda a economia, né?).

Voltamos para o hostel andando pela linda São Petersburgo, a Veneza russa, ora entrando em lojinhas de souvenir, ora admirando a cidade que estava ainda mais linda decorada para o Natal.

Natal!
Natal!