Buenos Aires – pesos y chorizo

Depois da viagem de 2h40 até San Telmo, finalmente estava no hostel. Fiquei hospedada no Art Factory, mais porque a Bárbara havia ficado lá quando esteve em Buenos Aires e deu boas recomendações. Deixo para dar minha opinião sobre o hostel em outro post.

Fiz check-in e fiquei aguardando o Duda que viria me encontrar para trocar pesos. Quando comecei a pesquisar sobre a viagem, já havia ficado muito feliz que a cotação oficial era de 1 real = 3 pesos, porém, pesquisando bastante na internet descobri que o câmbio paralelo é muito forte. Os argentinos não podem trocar moeda livremente como a gente por essas bandas, então, inevitavelmente, o câmbio negro ganhou força. Mas voltando a minha troca de pesos, eu havia feito as contas e economizaria muito trocando os pesos antes de pagar o hostel, por isso marquei com o Duda logo que chegasse. Gostei muito do serviço e recomendo: ele te encontra onde você está e todas as notas que ele te passa (de 50 e 100 pesos) são marcadas para garantir que não são falsas. No dia que chegamos, o câmbio deles estava em 4,50. Agora, faz as contas: a reserva pendente do hostel era de 300 pesos. Na cotação oficial do dia que cheguei (3,30), eu pagaria 90 reais pela minha estadia; trocando os pesos no paralelo (4,50), paguei 67 reais. Se for a Buenos Aires, NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA troque pesos no Banco de la Nácion ou pior, leve pesos daqui. Enquanto houver o câmbio paralelo, sempre será mais vantajoso trocar assim.

Pesos trocados, check-in feito, deixamos as malas no hostel e fomos começar a turistar na cidade. Não vou dizer que foi fácil, porque dormir em cadeiras geladas de aeroporto nunca vai te deixar bem no dia seguinte, mas fomos fazer o Walking Tour- quem lê o blog sabe que sempre gosto de começar a visita assim. Escolhemos este aqui e fomos ao ponto de encontro. Os tours são sempre gratuitos, mas os guias esperam uma gorjeta no fim e é sempre de bom tom dar (por favor, né?). O guia falava inglês com sotaque meio britânico mas ao mesmo tempo tinha um quê texano e no começo tive que me concentrar muito para entendê-lo!

No tour aprendi que os argentinos têm mania de grandeza e há construções bem estilo prédio ostentação por toda cidade. Mas não vou tirar o mérito deles, é tudo realmente muito bonito e todos os prédios do governo e embaixadas são realmente lindos!

Palácio da Suprema Justiça
Palácio da Suprema Justiça
Prédio da Embaixada Brasileira
Prédio da Embaixada Brasileira

O tour terminou, 3h depois, em frente ao cemitério da Recoleta. Bem, imagine que mal tomamos café, já era 13h30 e havíamos caminhados muitos kilômetros. Resolvemos que para a felicidade de todos iríamos comer e iríamos comer BEM.

Um povo aí num walking tour aí
Um povo aí num walking tour aí

Próximo ao cemitério da Recoleta tem alguns restaurantes que de fachada, parecem ser caros, mas misteriosamente são bem acessíveis. Fomos atraídos por um que oferecia entrada + prato principal + sobremesa por 72 pesos (16 reais)… como eu sempre desconfio de tudo, perguntei o que não estava incluso no preço e me falaram que apenas o cubierto de 17 pesos e gorjeta. Vou te falar que até agora não entendi o que é esse tal de cubierto que todo o restaurante cobra- é como uma taxa fixa além do valor de consumação, mas eles também esperam uma gorjeta, então, não saquei! De qualquer forma, pedi uma entrada que era um arroz com maionese (bom), depois o famoso chorizo com salada e por fim, um flan de sobremesa e com a gorjeta e tudo, saiu por 100 pesos (22 reais). Se você pensar que com 22 reais aqui no Brasil você vai ao Spoletto ou pega um combo grande em algum fast food, pagar isso pra comer comida boa num restaurante bacana é um preço ótimo!

Juro que esse chorizo era muito grande!
Juro que esse chorizo era muito grande!

Eu (ainda) não me tornei vegetariana, mas tenho comido pouquíssima carne ultimamente e carne vermelha, então, uma vez por semana obrigada pela minha mãe (oi, eu tenho quase 27 anos), mas não poderia deixar de experimentar a famosa carne argentina. Aliás, esse almoço me deixou satisfeita por horas e só comi à noite mesmo porque não poderia ficar o resto do dia sem comer.

O primeiro dia ainda não acabou, mas já escrevi demais. Desculpem, sou prolixa e é muita informação!

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Buenos Aires – uma introdução

Tinha vontade de conhecer a capital argentina há muito tempo, desde 2010 pelo menos, quando fui pedir umas dicas à minha prima que já havia viajado para lá e ela acabou me convencendo a ir para o Peru com ela. Não me arrependi, me encantei muito com o Peru, especialmente com Machu Picchu e o Lago Titikaka. Mas a vontade permaneceu.

A foto clássica no Lago Titikaka
A foto clássica no Lago Titikaka

Há uns 3 meses recebi um email do Melhores Destinos (site altamente recomendado para pesquisar passagens baratas) com uma promoção excelente para Buenos Aires e o melhor: numa época do ano que eu poderia viajar. Não pensei duas vezes, comprei as passagens e embarquei em 3 de julho, dia que completou um ano que voltei da Irlanda. Coincidências.

Minhas semanas antes da viagem foram bem loucas e corridas, pra dizer o mínimo, então não consegui descansar nem na véspera: fiz as malas na quinta-feira de manhã, imprimi o esboço de roteiro que havia feito, separei o passaporte (e quase que levo meu passaporte vencido – oh cabeça) e peguei o ônibus para o aeroporto de Guarulhos (cês não tavam achando que eu ia pegar táxi, né?).

Cheguei no aeroporto com muita antecedência (2h30 antes do voo) e foi tudo muito tranquilo. Desculpa, gente, mas o #imaginanacopa não causou filas imensas no balcão de check-in nem na fila da segurança e nem atraso no meu voo. Foi tudo ótimo e só fiquei muito tempo aguardando porque cheguei muito cedo mesmo.

Como peguei uma promoção e, no caso, escolhi preço e não conforto, meu voo não era direto e tive que fazer um conexão em Porto Alegre. Parênteses: eu que sou assim uma menina da cidade grande e acostumada com muvuca, agitação e lugares gigantes fiquei impressionada com o aeroporto de Porto Alegre que era um ovo. Eu tinha quase 3h entre um voo e outro e achei que iria desembarcar lá e já poderia passar pela segurança para aguardar no saguão de embarque. Que nada! Só me deixaram entrar faltando uns 50 minutos para meu voo decolar, isso que era voo internacional. Mas GENTE! Até que o aeroporto de Dublin é bem grande se comparar com Porto Alegre. Fim do parênteses.

De São Paulo até Porto Alegre deu 1h25 de voo e foi bem tranquilo. Voei de Gol e achei tudo bem ok, até serviram um lanchinho, o que eu nem esperava. O voo de Porto Alegre atrasou um pouquinho, mas ainda cheguei em Buenos Aires no horário previsto. Deu 1h40 até lá e os primeiros 25 minutos de voo foram muito tensos: uma turbulência danada, o avião tremia, chacoalhava, aquele barulho de não-sei-o-quê rangendo… muita emoção!

Chegando em Buenos Aires, passamos pela imigração e minha surpresa: eu achava que como temos o Mercosul aqui seria um lance meio “Mercosul nesta fila” e “resto do mundo nesta fila”, como é quando você chega em qualquer país europeu, só que na verdade era uma fila para os hermanos e outra para não-hermanos. A diferença é que eles dividem os não-hermanos em Mercosul e estrangeiro. Na Argentina, obviamente, não sou estrangeira.

Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?
Eu não sou estrangeira, sou do Mercosul, saca?

Não é necessário ter passaporte para entrar na Argentina, desde que seu RG tenha menos de 10 anos, o que era não o meu caso, então, tive que entrar no país usando meu passaporte mesmo. Tudo muito rápido, sem perguntas cabeludas: Turista? Una foto! Polegar! Donde eres su hotel? (eu tô inventando, não falo espanhol).

Argentina! Argentina! Argentina!
Argentina! Argentina! Argentina!

Pouco depois da meia-noite já havia desembarcado e adivinha: eu resolvi que iria passar a noite no aeroporto mesmo. Acho que nunca contei pra vocês, mas eu já dormi em alguns aeroportos desse mundão antes (Dublin, Oslo, Estocolmo…), então, no news so far. O fato é que também havia decidido que iria do aeroporto ao centro da cidade de ônibus, pois desci no EZEIZA, o aeroporto que fica a uns 38km de Buenos Aires, e o taxi custaria uns 80 reais com o câmbio que conseguiria trocando pesos no Banco de la Nácion do aeroporto, o que não iria fazer (e explico futuramente). Já o ônibus me custaria 3 reais nesta mesma cotação oficial e eu não estava com pressa mesmo. O problema é que cheguei lá cheia de reais (porque sou ryca) e os ônibus só aceitam moedas, ou monedas, como logo aprendi. Fomos à caça de monedas, tentando comprar alguma porcariazinha para receber o troco de moedas, só que pensa que o peso está muito desvalorizado e uma moeda de 2 pesos vale o equivalente a 60 centavos no câmbio oficial e com 2 pesos você não faz absolutamente nada. Trocando em miúdos: não foi tarefa fácil achar as tais monedas, porque nem as lojinhas tinham. Resolvemos apelar e pedir para a galera que estava no aeroporto trocar pra gente e aí nos surpreendemos com a simpatia do povo argentino: uma moça abriu a carteira dela e nos DEU todas as moedas que tinha, aí foi pra fila do McDonald’s tentar trocar uma nota por moedas, não conseguiu, nos deus 25 pesos (7,50 reais no câmbio oficial) e disse para tentarmos trocar com alguém. Foi muito amor de recepção!

Fui preparada para o frio, mas aquela madrugada me pegou de surpresa: 3 graus! Uns cochilos aqui e outros ali, às 6h da manhã fui ao ponto de ônibus, que fica a esquerda saindo do Terminal B. A linha que leva ao centro de Buenos Aires é a 8 e eu havia pesquisado na internet que ela era bem demorada, pois não pegava vias principais, já que é transporte público e precisa servir ao maior número de pessoas possível. O ônibus saiu às 6h20 da manhã num frio que me fez lembrar de Dublin… chegava Machu Picchu, mas não chegava em San Telmo, bairro onde ficaria hospedada. Depois de 2h40 de viagem (sim!), num ônibus que lotou e esvaziou algumas vezes, que argentinos gentis tentaram me ajudar explicando onde eu estava e quanto tempo ainda iria levar pra chegar onde queria, mesmo eu não entendo tudo que eles falavam, cheguei! E devo dizer que o ponto final da linha 8 ainda estava meio longe, no bairro La Boca. Mas vendo o custo-benefício de levar 2h40 (e ainda chegar no hostel pouco depois das 9h) e gastar NADA, faria tudo de novo.

Como estou tirando o atraso (há quanto tempo que não posto nada além do desafio de 52 semanas, hein?), estou falando mais que a mulher da cobra e para vocês não ficarem entediados, termino aqui. Só pra constar, eu fiquei 5 dias em Buenos Aires, vocês ainda vão ter que aguentar muitos posts pela frente… 🙂