Rolezinho na Europa: uma introdução

Julho de 2014, véspera da viagem à Argentina.

Chego em casa e checo meus emails. Sempre tem um do Melhores Destinos e eu sempre abro e bato o olho para ver se tem algo interessante. Sempre tem algo interessante, mas nunca num mês interessante pra mim – ossos do ofício, só posso viajar nos meses de férias, quando tudo está, via de regra, mais caro e quase não tem promoção. Mas neste dia tinha.

Eu já estava com as malas prontas para ir a Buenos Aires no dia seguinte, mas o preço estava ótimo, a Bárbara e o Rick me convenceram que eu não poderia deixar essa chance passar (ai, como sou influenciável) e resolvi que iria me endividar com outra viagem sem nem mesmo ter desfrutado da dívida feita para a primeira. Esse negócio de sofrer de wanderlust pode ser um caso sério, juro. E assim comprei minhas passagens para passar férias na Europa, passar 19 dias dando altos rolês no hemisfério norte, mesmo sabendo que deixaria para trás um baita verão para passar frio. Sério, sofrer de wanderlust te faz fazer coisas que você não faria em CNTP (condições normais de temperatura e pressão).

Fui e voltei de Buenos Aires. Trabalhei. Andei de bicicleta. Tive encrencas com a USP. Trabalhei muito mais. Comi muito doce. Fui ao cinema. Dormi às vezes. Passei umas 2 faixas no kung fu. Zoei meu joelho. Passei finais de semana corrigindo provas. Trabalhei um tico mais. E assim, seis meses se passaram até que o dia 30/12 chegou e eu, ainda meio desorganizada, fui ao aeroporto suando horrores (eita, verão paulistano!) e com um casacão enorme na mão para pegar meu voo rumo a… Dublin!

Primeiro que meu voo saía do Terminal 3, o terminal novo e super moderno do aeroporto de Guarulhos. Eu já passei por alguns aeroportos mundo à fora, mas nunca vi nada tão moderno! O check in é apenas pela máquina e a gente só pega a fila do guichê para despachar a mala. O controle de passaporte é todo automatizado (é essa a palavra?) – eu coloquei meu passaporte no leitor, a primeira catraca se abriu, aí me posicionei em frente a câmera que se abaixou até ficar da minha altura (né?), bateu uma foto minha e me identificou como menina e liberou a segunda catraca para eu passar. Ou eu sou muito caipira ou isso é realmente muito moderno!

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Viajei de AirFrance e gostei muito do serviço e tal. O voo foi bem tranquilo e pela primeira vez uma refeição de avião me deixou satisfeita, sem contar que deram sorvete – a Lufthansa não me deu sorvete! Eu dei muita sorte porque consegui ficar na primeira fileira de poltronas, aquela com espaço extra para as pernas – não que eu precise de espaço extra, afinal, mal cheguei ao 1,60 de altura, mas enfim, foi um voo muito confortável e 10h30 depois, cheguei em Paris com temperatura de 3 graus. Cho-que. Lá precisei passar pela segurança novamente e que lerdeza! Peguei um voo da CityJet e 1h20 depois desembarquei em Dublin!

Quando cheguei lá em 2012, tudo era festa! A imigração era festa! Era.

“Hi.”
“Hi. What’s the purpose of you visit?”
“Tourism.”
“How long are you staying?”
“I’m leaving on the 16th.”
“Can I see your tickets?”
Mostrei a reserva de passagem de volta para minha terra.
“Oh, you’ve been here before.” – ele viu meus carimbos de entrada no país de 2013.
“Yes, I had a student visa.”
“Where’s your old passport?” – err… lembram que eu “perdi” meu passaporte? Aquele que tinha meu primeiro visto de estudante?
“Well, I lost my passport… but I have my GNIB here.”
Entreguei para ele, ele jogou meus dados no sistema e eu vi minha foto feia do dia que cheguei na Irlanda pela primeira vez aparecendo na tela do computador dele.
“What are you doing here?”
“I’m visiting friends and traveling to some other countries.”
“And where are you staying?”
“I’m staying with a friend.” – e entreguei a carta do R., um irlandês.
“Uhnn… is R. your boyfriend?” – danado, querendo me pegar no pulo!
“No, he is not.”
“How did you meet him?”
“He dates a friend of mine.”
“Uhn. Did you work when you lived here?”
“No, I just studied.” – eu jamais tive um trabalho formal na Irlanda, não tinha motivo nenhum de contar que eu trabalhei como babá, porque ele poderia me fazer mais perguntas e eu poderia me enrolar. Preferi bancar a ryca que foi para Europa só estudar.

Depois de todo o interrogatório, carimbou meu passaporte me dando exatamente a quantidade de dias que eu ficaria lá como prazo para sair do país. Ah, e disse que ficaria com meu GNIB. Eu, corajosa demais, resolvi perguntar porque ele não ia me devolver o GNIB. “It’s expired and we usually keep it.” Perdi, playboy.

A fila para a imigração levou uns 20 minutos, porque eu não era a única respondendo mil perguntas e vi gente sendo levado para a salinha. Eh, a Irlanda está mesmo fechando as pernas.

Quando saí do aeroporto, vi aquele lindo dia irlandês me esperando: céu cinza e frio. Eu estava tão cansada da viagem (que eu mal dormi), que me sentia anestesiada vendo as ruas de Dublin pela janela do ônibus. Não sentia saudade, nostalgia, alegria, nada! Eu reconhecia as ruas e só. Parecia apenas que eu havia viajado de férias e estava voltando para “casa”.

Quando cheguei na casa da Bárbara, minha ex-casa, tudo pareceu muito familiar, mas ainda assim, não estava sentindo nada. O fato de anoitecer por volta das 16h30 me deixou muito confusa também. Fui ao mercado e tentei comprar uma Kopparberg – guess what? Não havia levado meu ID e o cara não me deixou levar.

Tomei um banho, tirei um cochilo de 2h que pareceram apenas 5 minutos e fizemos a ceia de Ano Novo. Fomos para um pub no centro e, tipo, já tive Reveillons xoxos, mas o de Dublin certamente estará no topo da lista por muito tempo: sem fogos, sem festa, apenas uma contagem regressiva no pub e nothing else to do. Voltamos para casa e é óbvio que o sono não veio até quase 5 da manhã, né?

Eu fiquei mais 2 dias em Dublin, mas isso fica para o próximo post.

Buenos Aires – impressões

Já contei toda a aventura dos 5 dias de viagem e no último post quero contar um pouco das minhas impressões. Quando viajo, costumo ficar, no máximo, 3 ou 4 dias em um lugar, então ter passado 5 por lá certamente me fez sentir a cidade um pouco melhor. Claro que ainda escrevo do ponto de vista de uma turista que não tem noção do que é morar em Buenos Aires. Mas para quem tem muitas dúvidas, uma simples busca no Google te leva a inúmeros sites de brasileiros que moram/já moraram por lá e ajudam com questões do dia-a-dia. 😉

Hostel

Eu já fiquei em alguns hostels por aí, então já estou bem acostumada com este tipo de hospedagem. Acho importante relativizar tudo, já que quando você prioriza preço acaba abrindo mão de conforto e não tem como esperar muito de um hostel se você pagou pouco. As 4 noites me custaram 80 reais, o que foi muito barato, mas isso, em partes, tem a ver com a desvalorização do peso e com o câmbio paralelo que consegui. A localização do Art Factory é ótima: perto da Plaza de Mayo, San Telmo, 9 de julho… dá para ir a pé até a maioria das atrações e, na verdade, se você tiver pique para andar, o único lugar que realmente vai precisar ir de ônibus é La Boca.
Eu havia reservado um quarto com 8 camas, mas devido a problemas técnicos deles, fiquei num de 4 camas sem pagar nada a mais. O único inconveniente é que o quarto ficava do lado do bar e a lei do silêncio não valia lá – só não foi pior porque eu já sou uma viajante experiente (cof cof cof) e levei protetor auricular, então dormi a noite toda sem me incomodar com isso e com os roncos dos companheiros de quarto.
O staff foi bem amigável e ajudou com todas as dúvidas que tive, especialmente um rapaz que costuma ficar lá de manhã (não perguntei o nome dele – duh!).
De modo geral, achei o local bem limpo e organizado, havia banheiros suficientes para todos (e o hostel é gigante) com água bem quentinha, as camas e cobertores estavam limpos e eram bem confortáveis. O sinal de wifi funciona em todo o prédio e eles ainda disponibilizam 3 computadores para hóspedes.
O café-da-manhã não é o melhor, mas é completo com pão, leite, café, cereal etc etc etc, e num dos dias tinha até doce de leite.
O que achei realmente ruim foi a cozinha. O hostel é enorme e a cozinha é minúscula! Além de não ter panelas e pratos suficiente para todos, não tinha nem pano de prato decente. Eu jantei 3 noites no hostel e teve noite que precisei esperar que usassem  a panela para eu cozinhar ou tive que usar peça de roupa para secar os pratos, porque o “pano de prato” deles estava nojentíssimo.

Área comum do hostel
Área comum do hostel

Bebedouros

Depois que você tem 3 crises de cólica renal (com direito a uma internação), você nota o quão importante a água é. Passei a beber bastante água (aliás, tenho um app no celular para me ajudar a sempre beber a quantia necessária todo dia!) e eu senti muita falta de bebedouros na Argentina – tipo, não tem! Só tinha UM no aeroporto, não tinha nenhum no hostel nem nos museus nem na Casa Rosada nem em lugar nenhum que você costuma achar por aqui! Achei esquisito! E tive que comprar muitas garrafas de água.

Wi-fi

Bebedouros não achei, mas sinal wi-fi… em todo lugar tinha! Eu basicamente tenho as senhas de metade dos estabelecimentos da cidade, sem contar os lugares que ofereciam livremente, como os pontos de ônibus da av. 9 de julho. No aeroporto também tinha wi-fi gratuito e ilimitado, o que foi ótimo pra quem passou uma madrugada lá sem conseguir dormir direito.

Transporte público

Eu achei o sistema de ônibus lá um pouco confuso, não é muito fácil saber que ônibus pegar, além de eles não terem um padrão como em São Paulo – parece que há várias companhias e cada uma decora seu veículo como quiser. Nas áreas mais centrais e turísticas da cidade, tudo funciona muito bem – na av. 9 de julho inteira tem corredor de ônibus, com pontos bem sinalizados, limpos e bonitos. Saindo só  um pouco daí… affff… cadê ponto de ônibus? É adesivo no poste! Já falei como funciona o sistema de tarifação lá e do bilhete SUBE nos posts anteriores. Além disso, no caminho eterno entre o EZEIZA e San Telmo, o ônibus que peguei passou por áreas periféricas da cidade e em alguns instantes ficou bem lotado. Eu não usei o transporte público em horário de pico e circulei basicamente nas áreas turísticas, então não tenho como avaliar a qualidade do serviço. Não precisei usar o metrô, mas o que notei olhando o mapa é que se você estiver na área central, tem uma estação em cada esquina, mas saindo um pouco de lá, a oferta de estações vai diminuindo bastante. Não tem estação de metrô no bairro La Boca, por exemplo.

Corredor da 9 de julho
Corredor da 9 de julho

Motoristas

Aí você mora em São Paulo e acha o trânsito caótico e os motoristas nervosos… até você ir a Buenos Aires! Eu nunca vi motoristas tão ruins e mal educados como lá! A faixa de pedestre é meramente ilustrativa, já que eles param SIM em cima dela. O farol está verde para o pedestre? Mesmo assim olhe antes de atravessar, porque eles não respeitam isso também! O engraçado é que as avenidas principais são muito largas, tipo 6, 7 faixas, e ainda assim, eles fazem barbeiragem! Fiquei impressionada mesmo com o comportamento dos argentinos ao volante.

O argentino

Mas ao contrário do que as pessoas costumam dizer, achei o povo argentino muito amigável e educado! Claro que Buenos Aires é uma cidade turística e claro que eles estão muito acostumados com brasileiros, então seria até estranho se não fossem receptivos. No aeroporto teve a argentina que nos deu dinheiro para tentarmos trocar por moedas (isso porque deixamos bem claro pra ela que nosso problema não era não ter dinheiro, mas não ter pesos), todas as pessoas dentro da eterna linha 8 que nos levou até o centro de Buenos Aires e que nos ajudaram falando onde estávamos, puxando papo e dizendo onde deveríamos desces, a moça da loja que eu comprei o casaco para minha mãe que o provou para ver se serviria (ela era cliente) e enfim, todos as atrações turísticas e lojas… todos foram realmente muito simpáticos!

A comida e os doces

Quando viajo, costumo provar algo local e o resto da minha alimentação ou é feita em fast food ou compro no mercado para jantar no hostel – eh, gente, não é tudo glamour! A exceção foi a Polônia, onde era tudo muito barato, e só comi em restaurantes bacanas e agora, a Argentina, onde achei tudo relativamente barato. Já falei nos outros posts sobre o chorizo – carne muito macia e deliciosa. Mas e os doces? Falou em Argentina e pensou em alfajor! Realmente, tem de todo tipo, marca e preço. Eu provei de 3 marcas: Havanna, Recoleta e Abuela Goye. O Havanna tem por aqui, a diferença é que lá é mais barato. O Recoleta achei tão bom quanto o Havanna, mas o Abuela Goye é divino!

Abuela Goye
Abuela Goye

Esse alfajor é delicioso, faz o Havanna parecer guarda-chuvinha de padaria! Me arrependo de não ter comprado uma caixa deles – comprei do Havanna, né.  A loja da Abuela Goye fica na Calle Florida. Mas não é só de alfajor que vive o argentino, mas também de dulce de leche! Não provei vários, só o que tinha no hostel e o Havanna – aliás, comprei um pote de 800g e trouxe para o Brasil. O doce não tem nada de super especial, mas é menos doce e mais leve, ou seja, você come bastante e não fica enjoado.

Yummy!
Yummy!

A cidade

Buenos Aires tem a fama de ser a Paris latina. Menos, gente, menos. Eu achei a cidade muito parecida com São Paulo em alguns pontos, outros mais bonita e em outros, mais feia. Claro que eu não fui a parte não turística da cidade, o que deixa mais difícil ainda de avaliar, mas no geral, eu diria que é uma São Paulo de ruas largas que fala espanhol e não me causou nenhuma super impressão como Berlin ou Amsterdã.

Bright Obelisco, dark me!
Bright Obelisco, dark me!

Porque não fui ao zoológico Luján

Quem nunca viu fotos de pessoas alegres com leões e tigres? Quem não conhece alguém que conhece alguém que já foi a Buenos Aires e visitou este zoológico? Eu fiquei 5 dias por lá, poderia ter feito o passeio, mas decidi não fazer. Primeiro porque não vejo onde isso é diversão: vários animais selvagens (e indomesticáveis) sendo incomodados diariamente por ser humanos egoístas que querem uma foto para impressionar os amigos. Desde o começo não me agradou a ideia de ir ao zoológico, mas não estava viajando sozinha e ia acabar cedendo… até que encontrei vídeos no Youtube que claramente mostravam animais dopados, andando em zigue-zague e completamente lesados! Durante todo o dia os animais são alimentados com um leite… quem já viu leão adulto bebendo leite? O que será que tem neste leite? Com isto e alguns links que achei na internet, convenci todos os envolvidos na viagem que não era um passeio legal.
O zoológico argumenta que leões e tigres são criados desde pequenos com cachorros e acostumados com o contato humano por causa dos tratadores, mas honestamente, precisa ser muito inocente para acreditar nesta história. E que fosse verdade, você gostaria de ser incomodado o dia todo com gente tirando foto com você?

Buenos Aires – mais chorizo, sorvete e o fim da viagem

Terminei o último post falando que queria muito fazer algo antes de voltar ao hostel, aliás, ao Brasil. Não é nada absurdo: eu só queria tomar um chocolate quente no Café Tortoni! Eu fiquei encantada com a decoração do café que faz parecer que estamos nos anos 20, com o charme das mesas e o clima do lugar! Como eu só havia assistido ao show de tango, que é numa sala à parte do café, fiquei com muita vontade de voltar lá apenas para isso.

Café Tortoni
Café Tortoni

O café é realmente uma atração turística e quando chegamos lá por volta de 18h, havia uma fila quase estilo Outback (aparentemente, é assim todos os dias). O senhor que estava na porta nos informou que talvez demoraria uns 30 minutos até entrarmos, mas na verdade, foram 13 – sim, contei no relógio. Pedi um “combo” com chocolate quente e 3 churros que custou 60 pesos (uns 13 reais). Achei tudo muito gostoso e voltei feliz para o hostel.

No dia seguinte, tiramos mais umas fotos na Floralis Genérica, demos uma volta na Calle Florida e fomos almoçar. Foi caminhando da Floralis até a 9 de julho, aliás, que notei que o taxista que comentei em outro post havia nos sacaneado, porque eu cheguei muito rápido até a avenida indo a pé e ele entrou em muitas ruazinhas para fazer isso!

Floralis
Floralis

Como seria meu último almoço argentino antes de retornar ao Brasil, eu quis comer chorizo de novo e olha, esses argentinos não têm miséria quando o assunto é carne, por isso que digo que ingeri todas as proteínas do mês de julho enquanto estive lá. E o prato saiu por 100 pesos (uns 22 reais).

A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!
A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!

Estava tão alegre de barriga cheia que saí do restaurante e esqueci meu earmuff (o aquecedor de orelha que estou usando na foto com a Floralis) pendurado na cadeira do restaurante! 😦 E eu só fui me dar conta disso mais tarde, quando cheguei no aeroporto. Vou ter que voltar pra Dublin pra comprar outro! 🙂

Para encerrar a visita com chave de calorias, antes de voltar ao hostel passei numa sorveteria na Calle Florida chamada “Abuela Goye” (que eles pronunciam goche – ai, me divirto!) e me acabei num pote de sorvete de 3 bolas e sabores diferentes por 46 pesos (uns 10 reais).

A sorveteria e um photobomb
A sorveteria e um photobomb

O local também vende alfajor, que aliás, são mais caros que os Havanna e tem opções bem interessantes de sabores. Sim, eu comprei alfajor também. Aliás, voltei para o Brasil com 2 caixas de alfajor e 800g de dulce de leche Havanna (que custou só uns 16 reais). Só não trouxe o sorvete e o chorizo por motivos óbvios!

Flocos, chocolate especial da casa e nozes
Flocos, chocolate especial da casa e nozes

Voltamos ao hostel para esperar o transfer que reservamos com o pessoal de lá mesmo, já que não estávamos a fim de encarar quase 3h de volta ao aeroporto. De carro foram apenas 45 minutos até lá (com um motorista muito do barbeiro). Fizemos check-in e achei engraçado a funcionária da Gol observar que a “pata”, como ela disse, da minha mala estava quebrada (ah, não me diga! vi bem a delicadeza dos funcionários do aeroporto colocando as malas no avião – anyways, o pé da mala está quebrado desde outros carnavais) e me pediu para assinar um papel para provar que a mala já havia saído assim de Buenos Aires. Ok, then.

O voo até Florianópolis durou 1h30 e foi bem tranquilo. Parênteses. O voo foi justamente no horário do jogo Brasil e Alemanha. Quando embarquei já estava em 5×0, mas eu só percebi que nada é tão ruim que não possa piorar quando aterrissamos e descobrimos que havia terminado em 7×1. Fim do parênteses.

O free shop de Florianópolis é minúsculo, tão pequeno que ele só abre quando um voo internacional chega. Há. Já o free shop de EZEIZA, ainda em Buenos Aires, é gi-gan-te! Porém, o que queria só fui achar mesmo em Floripa! Mas fica a dica para quem quer se acabar nas compras: chegue mais cedo no EZEIZA e faça a festa!

Como o voo de volta a São Paulo só sairia no dia seguinte às 7h da manhã (e ainda era 20h), fizemos tudo com calma. Desembarcamos e fui ao balcão da Gol perguntar quando poderia despachar minha mala e para minha surpresa, a atendente disse que se eu quisesse, poderia embarcar num voo que estava saindo para Guarulhos às 21h45 sem nenhum custo – era uma gentileza deles, pois notaram que muita gente chegava de Buenos Aires neste voo e dormia no aeroporto. It was so nice of them! 🙂

Cheguei em São Palo depois de 50 minutos de voo e antes da meia-noite já estava em casa, feliz por finalmente ter conhecido o país vizinho.

[Como este post já está bem grandinho, deixo para falar as minhas impressões de Buenos Aires, incluindo o hostel, a comida e as atrações, no próximo – e certamente o último- post da série]

 

Bandeiras argentinas everywhere
Bandeiras argentinas everywhere

Buenos Aires – Caminito, Puerto Madero e Calle Florida

Quando saímos do La Bombonera já era fim de tarde, mas ainda estava claro e demos uma passada no Caminito, aquela rua toda colorida de La Boca. Tem algumas atrações na região, como museus, mas não me interessei muito e só andei mesmo pela região.

Calle Caminito
Calle Caminito

Havia muito movimento e muitos turistas andando pelas ruas e mesmo tendo lido na internet que a região não é segura e tendo sido alertada por locais, eu não vi nada e não senti medo.

Caminito
Caminito

Na região tem várias lojinhas vendendo coisa pra turista… não sei como, mas fui parar numa galeria cheia dessas lojinhas e aí foi só alegria! Comprei uma camiseta da Mafalda super fofa e bem feita por 80 pesos (uns 18 reais) e uma bolsa destas estilo saco (pra carregar minha vida quando saio de casa pra dar aula/lutar kung fu e carrego tudo comigo) pelo mesmo valor da camiseta. Também levei uma caixa com 6 alfajors (alfajores?) Recoleta por 50 pesos (uns 11 reais) e um chapéu do panamá por 80 pesos também. Falarei sobre as 3 marcas de alfajor que comprei em outro post.

Finalmente voltamos no mesmo ônibus 29 e decidimos ir a Casa Rosada, porque a noite ela fica toda iluminada e é realmente muito bonita. Uma pena que minha câmera seja boa, mas eu seja uma péssima fotógrafa.

Não sei tirar foto
Não sei tirar foto

Como o final de semana inteiro havia sido de tempo feio e chuvoso, não tiramos boas fotos ao ar livre e embora eu não seja do tipo que viaje só pra tirar foto, eu também gosto de foto! Como tínhamos tempo ainda, já que seriam 5 dias na cidade, na segunda-feira acordamos cedo e como o dia estava lindamente ensolarado, fomos bater umas fotos por aí. A primeira parada foi com a Mafalda que ficava bem pertinho do hostel –  desta vez não tinha ninguém lá e eu tirei umas 10 fotos com ela – sim, eu meio que gosto da Mafalda.

Mafaldinha! <3
Mafaldinha! ❤

Depois fomos a Plaza de Mayo tirar mais algumas fotos e seguimos para Puerto Madero. Eu achei estranho que, apesar de já ser quase meio-dia, todos os cafés e restaurantes da região estavam fechados… E achei a região meio parecida com o porto de Dublin, apesar de Buenos Aires parecer mais moderna. Lá tem a Puente de la Mujer que é super parecida com a ponte Samuel Beckett do rio Liffey.

Ponte de la Mujer
Ponte de la Mujer e eu esqueci de levar meu pente (verdade! haha)

De lá seguimos para a famosa Calle Florida, a rua das compras. Eu não queria comprar nada além do que já havia comprado (já tinha um kit Mafalda comigo), mas meu pai me fez alguns pedidos e fui lá conferir.

Galeria Pacífico
Galeria Pacífico

Não sei de onde vem a fama de preços baixos de Buenos Aires, porque eu não achei nada barato! Acredito que há alguns anos fosse realmente vantajoso para brasileiros, mas com a atual economia do país isso acabou. Basicamente, tudo que for caro aqui, será caro lá, porque não é produto argentino. Como eu não dou a mínima para roupas de marca (eu gosto mesmo é de comprar meus vestidos e saias nas feirinhas), não tenho noção de preços no Brasil, mas em Buenos Aires não é super barato também. No fim, acabei comprando um sobretudo para minha mãe bem grosso por um preço sensacional, mas isto porque não era de marca e havia sido fabricado por lá mesmo – mas ela adorou e está só esperando ansiosamente fazer frio para poder usá-lo – e umas camisas Lacoste que meu pai queria. Uma dica para quem quer comprar jaquetas de couro é não entrar nas grandes lojas que ficam na rua. A Calle Florida se parece muito com o centro de São Paulo, onde tem gente te entregando papelzinho a todo momentos pra divulgar loja e isso também acontece lá com as lojas que vendem couro. Como estas lojas ficam em cubículos escondidos fora da visão do público (poucos custo com locação) e normalmente são lojas de fábricas, valem muito a pena. Entrei numa destas lojas, a Mr. Cuero, que vendia jaquetas à partir de 380 reais, o que acredito ser um preço bom.

As placas da cidade são bonitinhas!
As placas da cidade são bonitinhas!

Outra peculiaridade da Calle Florida é que a cada 10 passos você esbarra em alguém gritando “câmbio”. E vem a dúvida: é seguro trocar dinheiro com esse pessoal? Eu estava andando com cara de perdida na rua e uma moça brasileira que trabalha vendendo passeios turísticos me perguntou se eu precisava de algo e enfim, começamos a conversar e ela indicou um rapaz com quem ela sempre trocava dinheiro e disse que era de confiança. O rapaz fica em frente ao McDonald’s, nós o “abordamos” perguntamos qual era a cotação dia: 4,70 pesos! O que se segue parece um pouco coisa de filme de máfia… entramos num prédio e descemos de elevador até o subsolo. Lá aguardamos numa salinha, quando chegou nossa vez, o rapaz nos chamou e informou o responsável a quantia que queríamos trocar. Ele nos deu os pesos, entregamos os reais e o mesmo moço que nos levou até lá nos escoltou até a saída – eu usei todos os pesos trocados sem problemas. E olha que quase todo lugar que você paga com nota de 100 pesos eles ficam olhando pra ver se a nota é verdadeira mesmo.

E este foi o único dia que comemos fast food, mas pelo menos foi um fast food local:

O combo custou 29 pesos (pouco mais de 6 reais)!
O combo custou 29 pesos (pouco mais de 6 reais)!

Preço bom e até que o lanche era saboroso!

Voltamos ao hostel passando pela av. 9 de julho e pude finalmente tirar uma foto decente com o Obelisco, porque té então só havia conseguido fotos cinzas e apáticas! haha… Mas antes de chegar ao hostel, eu queria muito matar uma vontade… que conto no próximo (e hopefully) último post da série “Buenos Aires”.

 

Buenos Aires – museus e tango

Antes de voltar ao hostel por causa do jogo da Argentina, passamos no Café Tortoni, na av. de Mayo, para reservar o show de tango à noite, porque é praticamente impossível chegar na hora e ainda ter lugar disponível para o show.

Jogo terminado, dia cinza e chuvoso e convidando para fazer todos os passeios indoors do roteiro. Fomos para o MALBA, o Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. Como ele fica um pouco distante do hostel, fomos de ônibus. Parênteses. Em Buenos Aires não tem cobrador (aliás, acho que cobrador é um emprego que só existe mesmo por aqui) e portanto, a passagem deve ser paga em moedas numa máquina e o valor depende da distância percorrida (assim como é feito em Dublin). Mas eles têm uma espécie de bilhete único, o SUBE, que te dá alguns benefícios como não precisar ficar louco atrás de moedas e pagar um pouco a menos em cada viagem. O bilhete é vendido em várias lojinhas (geralmente, tem um adesivo ou alguma plaquinha na frente) e o valor cobrado não parece ser padrão (ou isso ou nos passaram a perna), pois no lugar que compramos nos cobraram 25 pesos (R$5,55), mas num outro lugar que passamos para recarregar o bilhete depois, ele custava 20 pesos (R$4,45). Fim do parênteses.

MALBA
MALBA

A entrada custa 50 pesos (uns 11 reais), mas quem apresentasse qualquer Smartphone da Samsung (eu), levava 2 ingressos pelo preço de 1 – não faço ideia do porquê! Só que eu me senti “enganada” – o museu tem 3 andares, mas apenas o segundo estava aberto à visitação, pois os outros 2 estavam sendo montados para outras exposições… sigh…

Um banco pós-moderno
Um banco pós-moderno
Exposição
Abaporu

Não havia muito o que se ver, já que só 1/3 do museu estava aberto, então não ficamos mais do que 40 minutos por lá e ainda estava relativamente cedo quando saímos. Bem perto do MALBA fica o Museu Nacional de Belas Artes, entrada gratuita, então, seguimos para lá. Já estava muito frio (lembrei de Dublin de novo) e foi muito gostoso entrar no museu quentinho… haha… No primeiro andar há diversas salas com quadros e algumas esculturas expostos, cada uma com um tema diferente, por assim dizer.

O beijo ,Rodin - Já havia visto no Musée Rodin em Paris
O beijo ,Rodin – Já havia visto no Musée Rodin em Paris

O segundo andar do museu estava fechado, mas no terceiro havia uma exposição muito bacana do artista Miguel Rep, um cartunista com muito senso de humor. Eu fiz questão de ler/ver cada quadrinho e gostei bastante! Museu super recomendado!

Clever!
Clever!

Saímos do museu às 18h30 e fomos esperar o ônibus para voltar. Não sei se estávamos no ponto errado ou se o ônibus que realmente demorou, mas como tínhamos um show de tango para ir às 20h e ainda precisávamos jantar, resolvemos pegar um táxi, embora com um pé atrás. Li muitas histórias sobre taxistas de Buenos Aires e nenhuma delas era boa – eles têm fama de passar de troco notas falsas, para falar o mínimo. Antes de entrar no táxi, o taxista nos informou que a viagem sairia por 40-45 pesos, mas no fim saiu por 52 (R$11,50), o que não achei caro pela distância, mas achei suspeito o caminho que o taxista fez. De onde estávamos, ele poderia facilmente ter entrado na Av. 9 de julho, mas entrou numas ruelas, saiu na Av. Santa Fé e só então, chegou na Av. 9 de julho.

Fomos jantar num restaurantezinho próximo ao Café Tortoni e quando eu pedi frango com fritas, jamais imaginei que viria uma porção deste tamanho:

MUITA COMIDA!
MUITA COMIDA!

Comi muito bem por 100 pesos, incluindo a gorjeta (uns 22 reais), e fomos ao Café Tortoni. Antes de ir para Buenos Aires, pesquisei shows de tango. O mais famoso é o Esquina Carlos Gardel, mas os preços são um tanto quanto muito além do meu orçamento, embora o lugar deva ser sensacional. Comecei a buscar tangos que fossem bons, porém, baratos e achei o Café Tortoni, que é um dos cafés mais antigos da cidade, fundado em 1858 e considerado um ponto de interesse turístico.

O café
O café
:)
🙂

O show todo dura uma hora e são alternadas apresentações de tango com a da cantora do café. O local é pequeno, então não há 200 pessoas na sua frente tapando sua visão (o que é muito importante para uma baixinha como eu). O show sai por 200 pesos (ou uns 45 reais) sem consumação, mas cada um é livre para pedir qualquer coisa do menu. Ou não.

Tango!
Tango!

A curiosidade é que só havia brasileiros assistindo o show! Aliás, metade da população de Buenos Aires deve ser de turistas brasileiros, porque oh, eu só ouvia português por lá e os portenhos não parecem ter nenhuma dificuldade em entender o português e até cruzei com muitas pessoas que arriscavam um bom português que aprenderam apenas por estar sempre lidando com brasileiros!

PS: Todas as conversões feitas neste (e nos outros) posts consideram o valor que conseguimos na primeira troca de pesos, 1 real = 4,50 pesos.