Berlin, Alemanha IV

Para terminar o segundo dia em Berlin, fui para Nikolaiviertel, que é área mais antiga de Berlin e onde a cidade se originou. Na Idade Média, a região era uma rota de comércio e foi onde comerciantes e artesãos se estabeleceram. A região foi preservada por séculos até os bombardeios da Segunda Guerra. O que há lá hoje, é uma mistura de construções históricas e réplicas das que foram destruídas.

Nikolaiviertel
Nikolaiviertel

As casinhas da região parecem que pararam no tempo, mas, ao mesmo tempo em que preserva seus prédios históricos, a região também é o lugar de restaurantes, barzinhos e lojinhas de souvenirs.

Ao voltar para o hostel, meu corpo já dava sinais de cansaço. Viajar é muito bom, mas cansa demais! Olhando os panfletos na recepção do hostel me interessei por um lugar próximo a cidade e depois de umas pesquisas na internet, ficou decidido que seria o primeiro passeio do dia seguinte. No próximo post eu conto sobre esta visita.

No terceiro e último dia em Berlin, depois do tal passeio que estou fazendo cu doce  mistério para contar, retornei a cidade para ver o que faltava do meu roteiro. O problema é que o passeio da manhã durou mais tempo do que eu pensava e estava de volta em Berlin às 14h e pouco e teria que ir para o aeroporto, no máximo, às 18h30. Visitei um Memorial aos Soldados Mortos da União Soviética e segui para a Siegessaule, a Coluna Vitória.

Memorial
Memorial

A Coluna Vitória foi construída para comemorar a vitória da Prússia sobre a Dinamarca em 1864 e a estátua foi adicionada pouco tempo depois. A estátua fica de costas para o Brandenburger Tor, onde eu estava, então tive que caminhar alguns quilômetros para poder fotografá-la de frente, aquele tipo de coisa que você faz quando está viajando e pensa que não terá a oportunidade de estar na cidade novamente, aí vence o cansaço e a dor nos pés.

Coluna Vitória
Coluna Vitória
Valeu a caminhada
Valeu a caminhada

A intenção era visitar o Museu de História Alemã em seguida, mas o tempo estava apertado e entrar no museu só para dizer que entrou também não é interessante, então, infelizmente, tive que deixar a visita para outra oportunidade. Andei um pouco mais pela cidade e tirei mais algumas fotos clássicas com o Muro de Berlin.

A foto clássica
A foto clássica

No subsolo do Memorial aos Judeu Assassinados da Europa há um museu e esta foi a última parada da viagem. O museu é dividido por temas, digamos assim. No começo há um longo painel explicando o início da Segunda Guerra e todas as implicações que ela teve na vida dos judeus. No ambiente seguinte há vários trechos de cartas, postais e relatos de pessoas que passaram ou têm alguma relação com os campos de concentração. Alguns trechos são muito tocantes.

Escrito por uma menina de 12 anos
Escrito por uma menina de 12 anos

Na exposição seguinte há a história de 15 famílias judias de diversas partes da Europa. Ficamos sabendo como aquela família vivia até ter sua paz perturbada pelos nazistas. Há fotos de família e uma breve explicação do destino de cada um. A maioria não sobreviveu ao Holocausto.

Uma das famílias
Uma das famílias

No último ambiente do museu, a sala é escura e os nomes das vítimas são projetados na parede. Uma voz conta um resumo da vida de cada pessoa e as circunstâncias de sua morte, quando conhecida.

...

Terminada a visita, segui para o aeroporto para voltar para cas… ops, Dublin! 😉

Berlin, com certeza, é umas das cidades que mais gostei de visitar e embora tenha ficado 3 dias, com certeza poderia ter ficado mais 1 ou 2 e ainda teria muito o que fazer. A cidade é relativamente barata (paguei 9 euros num prato principal com bebiba em um restaurante italiano, por exemplo), muito bonita, o sistema de transporte funciona 24h e o único incoveniente é que eles falam alemão (haha, né?).

Não achei os souvenirs muito baratos comparando com outros lugares da Europa e algo muito interessante é que, mesmo 23 anos depois da queda, as lojinhas vendem pedaços de concreto que alegam ser pedaços do muro de Berlin. Você acredita nisso? 🙂

Linda até nos detalhes!
Linda até nos detalhes!
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Berlin, Alemanha III

O free walking tour começa em frente ao Brandenburger Tor, na Pariser Platz. É a mesma empresa (?) do tour que fiz em Amsterdã e, novamente, havia muita gente e fomos divididos em grupos. Para minha frustração, acabei fazendo o tour com uma neozelandesa. Não que ela fosse ruim, não era, mas aquele sotaque me fez ficar pensando no que comeria depois do tour ao invés de prestar atenção nela, por exemplo, em alguns momentos. O sotaque irlandês é ruim, mas estou acostumada. O sotaque neozelandês é tipo isso, mas o da guia era mais forte. E eu não estou acostumada:

Clique aqui e ouça um sotaque neozelandês

A guia começa o tour resumindo 800 anos de história alemã, além de falar sobre o Brandenburg Tor e a quadriga (que já falei a respeito no post anterior). Uma curiosidade meio fútil: na Pariser Platz fica o hotel mais caro de Berlin (eu já havia notado isso quando passei em frente e vi as malas dos hóspedes naqueles carrinhos iguais de filme), o Adlon, e foi de uma de suas janelas que Michael Jackson resolveu balançar seu filho para mostrá-lo ao público. Lembram-se dessa cena?

Adlon Hotel
Hotel Adlon

Seguimos para o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, que consiste em blocos de concreto de tamanhos variados espalhados por uma área de 19 mil metros quadrados. A obra custou cerca de 25 milhões de euros, um valor que parece ser um tanto alto se levado em conta o trabalho final. Segundo a guia, toda e qualquer interpretação da obra é válida. Eu enxerguei naqueles blocos de concreto as sepulturas dos mortos durante o Holocausto, como se elas simbolizassem as lápides que eles não tiveram a dignidade de ter, já que as vítimas dos campos de concentração foram cremadas ou enterradas em valas comuns quase que em sua totalidade.

Memorial
Memorial

Caminhar por entre os blocos dá uma sensação de insegurança, pois não se sabe quando alguém vai surgir na sua frente -ou dos lados- e a cada passo você se perde dentro do memorial. Será que era essa a sensação de estar dentro de um campo de concentração?

Visão aérea
Visão aérea

Bem perto do memorial tem um conjunto residencial com um estacionamento e algumas árvores em volta. Um lugar bem tranquilo e com nada que, aparentemente, o faça importante.  Mas metros abaixo do solo fica o bunker de Adolf Hitler. A guia nos deu algumas informações sobre ele. Não é aberto à visitação e não há intenção alguma de que isso seja feito num futuro próximo, pelo menos. Os alemães entendem que a tragédia deve ser lembrada a partir do ponto de vista das vítimas, não dos nazistas. Outro motivo é evitar que neo nazistas tenham um lugar para se reunirem.

O bunker fica aí
O bunker fica aí

Passamos por outros prédios públicos com alguma história, pedaços do muro de Berlin, memoriais, museus, até chegarmos na Berliner Dom e eu não acreditar nos meus olhos.

Berliner Dom
Berliner Dom

Eu sou meio difícil de ser impressionada. Quando vi a Estátua da Liberdade, em New York, pensei “Ah, essa é a estátua?“. A Torre Eiffel só me impressionou à noite e achei a Disney (da Califórnia) a coisa mais besta do mundo. Mas quando eu vi esta igreja na minha frente, meu queixo caiu! Nesta hora, a guia começou a falar da igreja e dos museus que ficam por ali, mas eu saí de perto e fiquei observando-a sem palavras (a catedral, não a guia).

Apesar dessa pinta, ela é uma igreja protestante, não católica. Ficou pronta em 1905, mas foi muito destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra (assim como a maioria das construções da cidade) e só foi completamente rescontruída e aberta ao público em 1993. O ticket para visitar a igreja custa 6 euros e 4 para estudante. Seu interior é tão imponente quando a fachada. No subsolo há uma cripta com cerca de 90 sarcófagos.

Berliner Dom
Berliner Dom

A  vista da cidade faz valer a pena todos os degraus que se sobe até o domo. Eu, sedentária convicta, quase cheguei sem ar.

Berlin
Berlin

O tour de 3h terminou por aqui. A região onde fica a igreja é conhecida como a Ilha dos Museus (aliás, Berlin tem cerca de 150 museus) e como estava muito perto do Museu DDR, para lá fui.

Este museu mostra como era a vida na Alemanha Oriental. A entrada custa 6 euros e 4 para estudante, assim como a Berliner Dom, e ele é simplemente sensacional! É tudo muito interativo e mostra os diversos aspectos da sociedade: educação, trabalho, vida em família, moda, férias, literatura, música, política etc.

Trabi,  o carro da Alemanha Oriental
Trabi, o carro da Alemanha Oriental

Eu gostei muito deste museu e ir a Berlin e não visitá-lo é quase como ir à Paris e não entrar no Louvre. O único ponto negativo da visita foi que o museu estava lotadaço e como ele é muito interativo e praticamente tudo é para ser tocado, eu precisei concorrer com os outros visitantes para ver, ouvir, tocar e interagir com tudo.

Também rolava uns interrogatórios na época...
Também rolava uns interrogatórios na época…

A essa altura do dia eu já estava mais para conhecer melhor a cama do hostel do que mais de Berlin, mas vocês se lembram que Europa na primavera-quase-verão é sol até 21h30, 22h, então, continuei batendo perna.

Não muito longe do museu, fica a Alexander Platz, uma grande praça rodeada de comércio e com um grande relógio que marca a hora de vários lugares do mundo, inclusive de São Paulo.

Alexander Platz
Alexander Platz

Sinceramente? Achei essa praça bem besta para ser considerada um lugar turístico. Ainda bem que estava rolando uma convenção de Super Men ali, viu! Não foi visita perdida.

Super Men
Super Men

A ideia era visitar o Museu De História Alemã em seguida, mas depois de tanta informação no tour e no DDR, achei melhor deixar a visita para o dia seguinte e fui para outro lugar. Mas isto eu continuo contando no próximo post.

Urso, o símbolo de Berlin
Urso, o símbolo de Berlin

Berlin, Alemanha II

A bela Berlin me recebeu com um calor de 24 graus e pude usar uma regata depois de meses! Isso me fez gostar ainda mais da cidade, claro.

Depois do Checkpoint Charlie, fui ao Bundestag, o parlamento alemão. O prédio foi construído em 1894 e foi de onde a república foi proclamada, em 1918. Em 1933 foi incendiado e durante a Segunda Guerra, foi muito danificado. Apenas em 1956 ficou decidido que o prédio deveria ser reconstruído, mas não foi até 1999 que voltou a ser usado como sede do parlamento alemão. O prédio é aberto à visitação e a entrada é gratuita. Não entrei, pois precisaria ter agendado a visita pelo site e enfim, não agendei. Cabeça de vento.

Reichstag
Reichstag

Eu achei o prédio bem imponente e todas essas bandeiras alemãs dão um ar ainda maior de poder.

Bem próximo ao Reichstag, fica o Brandenburger Tor, que foi construído no fim do século XVIII e servia como uma das entradas de Berlin, que era cercada por muros. No topo, foi colocada uma quadriga, uma carroça puxada por quatro cavalos, que não ficou muito tempo por lá, pois Napoleão resolveu levá-la para França em 1806 para simbolizar o domínio francês. Ela voltou para a Alemanha em 1814, recebendo uma cruz de ferro e uma águia para simbolizar a vitória (antes simbolizava a paz).

Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa
Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa

O portão e a quadriga foram danificados na segunda guerra e reconstruídos pelas duas Alemanhas, porém sem a cruz de ferro e a águia, que só voltaram a ela em 1991. Hoje, o portão é símbolo da unificação alemã. Ufa! Eu disse que Berlin era cheia de história!

Antes da construção do Muro de Berlin, o muro também servia para dividir as duas Alemanhas. Havia um cara se passando por militar e vendendo postais com carimbos de “fronteira”. Eu achei super legal (ai, turistas), pois ele falava como se realmente estivesse num setor de imigração, fazendo perguntas e tudo mais. E, sim, paguei 2 euros para ter um postal cheio de carimbos. 😉

Bora cruzar o Muro de Berlin?
Bora cruzar o Brandenburger Tor?

Passei pelo Memorial aos Judeus Assassinados na Europa, mas falarei a respeito quando falar do tour. De lá, fui para a Topografia do Terror, um museu que conta a Segunda Guerra a partir do ponto de vista do Nazismo. A entrada é gratuita e em frente ao museu há um longo pedaço do Muro de Berlin, exatamente onde ele foi construído.

Muro de Berlin
Muro de Berlin

O museu funciona onde ficava a sede da Gestapo e da SS e enfim, é onde as atrocidades eram planejadas e gerenciadas durante o regime nazista. O prédio original foi destruído durante a segunda guerra e apenas seus alicerces e porão ainda permanecem lá. Em 2007, foi construído o prédio que abriga a exposição e há outra exposição ao longo do Muro de Berlin, a céu aberto.

A exposição traz muita informação sobre esta parte da história, desde a ascensão do nazismo ao poder até o fim da Guerra e o destino dos comandantes nazistas.

Exposição externa
Exposição externa

Voltei para o hostel e no fim do meu terceiro dia de viagem notei que meus pés estavam inchados! Eu nunca havia visto meus pés inchados antes! Fui dormir exausta e no meio da madrugada, que nacionalidade entra no quarto berrando? Sim, espanhóis. Eu já adoro (not) o idioma, agora amo ainda mais os falantes. ¬¬

No dia seguinte, apesar do cansaço, acordei cedo e segui para o free walking tour, que eu vou deixar para contar no próximo post.

Berlin! <3
Berlin! ❤