Hailuoto

Hailuoto é uma ilha que fica a 50km de Oulu e é muito famosa na região. Pouco depois de eu ter chegado aqui me convidaram para visitar o local, mas eu achei o convite pouco atrativo e não fui. Depois que percebi que era um daqueles lugares que se você mora um tempo em Oulu, precisa ir.

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Uma curiosidade é que no inverno o mar Báltico congela e uma estrada de gelo é oficialmente aberta. Imagino que deva ser uma super experiência ir até a ilha por uma estrada de gelo, mas como fui em setembro, no comecinho do outono, atravessamos o mar de balsa mesmo. Aliás, é um ônibus urbano que nos leva até a ilha e o mais interessante é que no trajeto de cerca de 1h30 entre Oulu, esperar balsa, atravessar o mar, e chegar no ponto final do ônibus na ilha, o motorista para em alguns lugares para entregar jornais e pães no mercado! Parece que estamos chegando numa vila bem remota – e quase é, já que Hailuto tem apenas 996 habitantes.

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O dia não estava dos mais bonitos, mas a ideia era fazer uma trilha e parar próximo a um lago para um churrasco – sim, há lagos na ilha! Passeamos um pouco pela praia e estando bem na costa, claro que passamos muito frio!

O bom é que eu já tinha aprendido a ir para praia de casaco na Irlanda
O bom é que eu já tinha aprendido a ir para praia de casaco na Irlanda

Usamos um mapa para achar a trilha e também contamos com o Google Maps, porque já que estamos na era da tecnologia, temos mais é que usar. Assim que entramos na estrada que nos levaria a trilha, uma mega surpresa: dois alces surgiram do meio do mato e atravessaram a estrada a poucos metros de onde estávamos!

Foto tirada pela A.S. :)
Foto tirada pela A.S. 🙂

Seguimos pela trilha e fomos nos embrenhando cada vez mais dentro do mato. No caminho havia muitas blueberries e sim, eu parei para pegar (mas não fui a única) e comer – e confesso que elas estavam bem mais docinhas e gostosas do que as que peguei em Oulu!

Muitas blueberries no caminho...
Muitas blueberries no caminho…

E fomos chegando em partes mais difíceis de caminhar, porque estávamos numa área de pântano!

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E não encontramos a área de churrasco! Mesmo com um mapa de papel, um GPS no celular, placas indicando o caminho e árvores marcadas com laços, conseguimos não achar o local! Aí ficou a dúvida: o lugar não existe ou somos muito tapados mesmo? Não sei vocês, mas eu fico com a segunda opção. 🙂

Acabamos voltando ao início da trilha, mas a caminhada foi interessante e tenho certeza que foi uma parte essencial da visita, mesmo que não tenhamos conseguido chegar ao destino. O importante era comer, porque a fome já tinha batido. Paramos em outro lugar com área de churrasco e começamos a juntar lenha para fazer o fogo – carvão é para amadores! hahaha

E haja fogo!
E haja fogo!

Pegamos alguns galhos finos para usar como espeto e foi só grelhar as salsichas, porque churrasco finlandês consiste em basicamente só isso. E depois, de sobremesa, assamos marshmellow! Claro que para trazer isso, só mesmo os americanos do grupo!

Yummy!
Yummy!

E rolou até s’mores! É um docinho típico para ser feito em fogueiras, muito popular nos Estados Unidos. Primeiro se tosta o marshmellow. Em seguida, vai um pedaço de chocolate e este recheio é colocado entre duas bolachas (porque não é biscoito). Eu conheci o doce quando morava nos EUA e foi legal comer um em Hailuoto, apesar que na minha versão eu dispensei as bolachas.

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Ops, saiu meu casaco na foto!

Após o churrasco, voltamos ao farol e esperamos o ônibus para retornar a Oulu. Foi um dia muito gostoso e sei que vai ser mais um daqueles momentos que vou lembrar com saudade quando Oulu for mais uma lembrança. 🙂

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A louca das blueberries

O mirtilo, nome em português da blueberry, é uma frutinha pequenina com uma cor mais pra roxo do que para o azul. Costuma crescer em lugares com temperaturas mais amenas, por isto não é comum no Brasil, e quando achamos para comprar, geralmente em mercado mais “chiques” ou mercadões, é bem cara.

Mirtilos/Blueberries/Mustikka
Mirtilos/Blueberries/Mustikka na minha janela 🙂

A primeira vez que experimentei as frutinhas foi nos Estados Unidos – a hostfamily comprava caixinhas de mirtilos e eu só não comia tudo sozinha por vergonha e, claro, educação. Desde então, foi só amor por esta frutinha. Voltei a comer com certa regularidade quando fui para a Irlanda, já que lá não era tão difícil de se achar.

E chegamos na Finlândia. No ano passado, pelo o que me dizem, o verão não foi assim tão bom e quando cheguei, já no final de agosto, não vi muitas blueberries. Mas o verão de 2016 foi bem quente (entenda: chegou a 26 graus) e de alguma forma isto influencia nas frutinhas. Somando a isso o fato que voltei para cá no início de agosto, eu só via mirtilos em todo lugar!

Arbustos de mirtilos
Arbustos de mirtilos

Como vocês sabem, Oulu é um grande parque! Árvores, mato, esquilos, lebres, pássaros, rios e lagos em todo o lugar. Não é necessário andar muito para se sentir no meio da natureza e os mirtilos crescem em todo lugar também. São arbustos baixos e é muito fácil reconhecê-los porque as folhas são “pintadinhas”. Voltei quase um mês antes das minhas aulas começarem e pensei “começo a escrever minha tese ou curto o verão?”. Acho que a resposta é tão óbvia que eu não preciso dizer que passei a ir colher mirtilos quase todos os dias.

Picking berries
Picking berries

E o que fazer com tantos e tantos mirtilos? Aí começa a fazer sentido o título do post, porque muito mais legal do que simplesmente comer as frutinhas, foi testar mil receitas com elas!

Comecei com o básico… fazendo um bolo.

O segredo é passar os mirtilos na farinha antes para não afundarem!
O segredo é passar os mirtilos na farinha antes para não afundarem!

E já que eu sei fazer panquecas americanas, pensei “Por que não colocar blueberries?”. Foi uma excelente ideia.

Panqueca com blueberries
Panqueca com blueberries

E descobri que blueberry com banana, numa vitamina, é uma combinação perfeita, além de ter uma cor muito bonita. O suco de blueberry com uva verde é uma delícia também.

<3

 Tinha um pedaço de queijo brie na geladeira. Resolvi jogar syrup por cima, encher de blueberries e deixar alguns minutos no forno. Di-vi-no!

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E blueberry na tapioca? Pode. Lembrando que não tem tapioca por aqui, eu trouxe do Brasil mesmo. 🙂

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Mingau de aveia de maça com canela. O que poderia deixá-lo melhor?

Mirtilos!
Mirtilos!

E uma típica torta de blueberry? Desta vez eu só colhi as frutinhas, a M. que fez. Deliciosa!

Nhommm...
Nhommm…

E até tentamos fazer docinhos de mirtilo, substituindo o coco do beijinho pela frutinha, mas não deu muito certo… Quer dizer, não deu ponto de enrolar, pois a blueberry é ácida e solta muito líquido, mas depois de frio ficou parecendo uma ambrosia e comemos, claro. Estava gostoso do mesmo jeito!

A receita que deu errado, mas deu certo
A receita que deu errado, mas deu certo

E como não queria limitar minha imaginação culinárias com os mirtilos apenas para o verão, congelei alguns potinhos para continuar usando no inverno. É claro que no verão é possível achar a fruta fresca no mercado e no inverno podemos recorrer as que já vem congeladas, mas para mim a graça toda é colher (mesmo que isso demore, pois a fruta é minúscula e vai um tempo para conseguir encher um pote) e transformar aquilo em algo gostoso… ou apenas jogar no cereal com leite.

Fiquei conhecida como “a louca das blueberries”, mas onde mais vou poder colhê-las fresquinhas? Aproveitei bastante e sei que daqui alguns anos terei boas lembranças deste hábito finlandês. 🙂

PPS, artistas de rua e felicidade nas pequenas coisas

Você sabe o que é o PPS? A sigla significa “personal public services” e é como se fosse o nosso CPF no Brasil. Eu não sou gente na Irlanda enquanto não tiver este documento, porque, basicamente, nem conta no banco eu posso abrir sem ele.

O processo para tirá-lo foi bem fácil. Fui até a ECM e solicitei uma carta da escola com meu endereço (isso é muito importante, você precisa ter um endereço para poder receber seu PPS pelo correio depois). Teoricamente, a ECM só me entregaria essa carta uns 3 dias depois da solicitação, mas os leprechauns deram uma forcinha e a moça da recepção imprimiu na hora pra mim. Saí da escola direto para o The Social Welfare, que fica bem perto de lá, esperei um pouco até chamarem minha senha, preenchi um formulário muito simples, tirei uma foto e em cerca de uma semana vão mandar o PPS pelo correio. Simples!

Já que já estava na rua, resolvi andar pela Grafton Street hoje, uma rua de comércio bem conhecida, e tenho a leve impressão que é onde foram gravadas várias cenas do filme Once. O que impressiona bastante são os artistas de rua.

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Como a rua é muito movimentada e tem muitos turistas, os artistas de rua se concentram lá para mostrarem seu talento e ganhar alguns euros. É uma pena eu não ter nenhum dom artístico para poder me virar se surgirem tempos de vacas magras.

Esses senhores da 3ª idade estavam dançando no meio da rua!

Dança celta?

E este era um mágico muito engraçadinho.

Irish magician

Eu não pude contribuir com ninguém, porque a coisa tá feia… sabe como é, agora sou estudante por profissão. Falando em a “coisa tá feia”, lá estava eu no Iceland (um mercado baratinho que vende, principalmente, comidas congeladas) quando resolvo dar uma de pessoa saudável e checar o preço das frutas. Entre uvas e morangos, vejo uma pequena embalagem que quase me faz pular de alegria: blueberries! Quem me conhece, sabe que uma das grandes descobertas da vida de au pair foi o blueberry. Essa frutinha pequenina ganhou minha adoração desde a primeira vez que a experimentei e desde que voltei pro Brasil, fiquei só na vontade de saboreá-la novamente. Ah, Irlanda, sua linda, você tem blueberries! *-*

Blueberries, seus lindos!

E pra terminar, eu achei um leprechaun na rua! Ohhhh…

Pote de ouro meio vazio, né?

Viu como a vida é linda? Existem blueberries e leprechauns!