Viagem solo

Todo mundo deveria viajar sozinho pelo menos uma vez na vida. Eu confesso que eu achava muito deprimente viajar só porque isso, na minha cabeça juvenil, significava que você não tinha amigos, mas eu não podia estar mais enganada! Confesso que a primeira vez que viajei sozinha foi realmente por falta de companhia e num ato de extrema coragem resolvi que “bem, se não tem ninguém pra ir comigo, vou só… eu que não vou ficar mofando em Denver.” E partiu para uma das suas melhores viagens: San Francisco, Califórnia.

Depois que você pega o jeito da coisa, vai chegar uma hora que você não vai procurar companhia para viajar: você vai querer ir só! Vai ter aquela viagem que você vai pensar “uhn, preciso de um tempo comigo longe da rotina para relaxar, para tomar as minhas decisões e fazer as coisas na hora e do jeito que eu quero”.

Sua viagem, você manda

Viajar em grupo sempre é aquela coisa: onde NÓS vamos e você acaba indo a lugares que não queria porque, né, vivemos em democracia. Não que isso seja o fim do mundo, afinal, seus companheiros também vão acabar indo a algum lugar só porque você queria, mas quando você está só, escolhe onde quer ir, a hora que quer ir e se quer ir. Simples assim.

Seus horários, seu roteiro

A ideia hoje era ir num parque, mas aí você acordou com vontade de ir no museu. Pronto, não precisa discutir isso com ninguém! Deu vontade de comer num restaurante mais caro? O dinheiro dá? Você vai, não precisa discutir o budget da galera inteira.

Sozinho, mas sempre acompanhado

Viajar em grupo te prende ao grupo: pra que fazer amizades se você já tem as suas ali com você? Mas se você estiver só num hostel e a fim de conhecer gente do mundo todo, com certeza vai achar muitos outros viajantes solo por aí. Eu não sou o tipo de pessoa extrovertida que vira BFF em minutos, e, normalmente, quando viajo só aprecio minha solidão nômade, mas se puxarem papo comigo, what the hell, vamos conversar! Já tive parceiros de viagem por um dia conhecidos por aí em San Francisco, Amsterdã e Paris, por exemplo, e quase rolou em Bruxelas também. E (quase) todo mundo tá no Facebook até hoje!

Budget

Nem sempre o seu budget acompanha os dos outros viajantes. Uns são mais gastões, outros toparam viajar, mas tem lá suas restrições. Viajando só você não se preocupa com isso e só toma conta do seu porquinho. Fui para Bruxelas e Amsterdã numa vibe “vou gastar mesmo” e como não tinha ninguém comigo para dizer o contrário, eu gastei MESMO!

Terapia de viagem

Passar tanto tempo só, sem jogar conversa fora com ninguém. Horas dentro de um trem, ônibus ou avião sozinho, noites solitárias no hostel (se assim preferir). O que você faz? Pensa na vida, avalia planos para o futuro, busca soluções para probleminhas, se avalia… eh, gente, é uma terapia das boas! O problema é se você tiver seus monstrinhos e precisar encará-los…

Sensação de total liberdade e independência

Fazer o que quer, na hora que quer, se quiser e ninguém pra discordar ou meter o bedelho. Tomar as suas decisões e descobrir do que gosta e do que não gosta, afinal, não tem ninguém pra pensar ou decidir por você. É se conhecer melhor.

Selfies

Se for um amante de fotos, especialmente de fotos SUAS, aí temos um problema, pois terá que tirar muitas selfies ou ter paciência de pedir para outros turistas tirarem fotos suas. Eu passei um pouco dessa fase louca de querer muitas fotos. Claro que quero sim uma foto minha com a atração turística ao fundo, mas não é o objetivo da viagem sair bonita e sexy em frente ao muro Berlin ou do Big Ben, mas registrar o momento. Até porque, quem me conhece sabe que eu não posto as fotos de viagem no Facebook depois… hahaha… Posto uma meia dúzia e o resto é meu, lembrança minha! 🙂

Já te convenci que viajar só pode ser uma ótima ideia?!

Sachsenhausen

Este é o nome do lugar que visitei na minha última manhã na Alemanha. A pronúncia é algo como Zaksenrauzen, um campo de concentração. Como expliquei mais ou menos no post anterior, eu vi um panfleto de um walking tour que cobria os pontos principais da Segunda Guerra e Holocausto e incluía a visita a um campo de concentração. Tive, então, a excelente ideia de ir à recepção do hostel pedir mais informações (já que eu não tinha interesse em fazer o tour completo):

– Oi! Tenho interesse de visitar Sachsenhausen (falei o nome errado, porque, né, alemão é a língua do capeta), você sabe me dizer como chegar lá?
– Você pode pegar o trem sentido estação X (vocês não acham que vou decorar nome de estação de trem em alemão, né?), descer na estação final e de lá é fácil ir a pé.
– Ah sim. E você sabe se o campo ainda está bem conservado ou é mais um museu, um memorial?
– Não sei, não, nunca fui lá. Não é um lugar que eu gostaria de visitar, porque meu avô faleceu lá.
– +.+

Fiquei sem palavras, agradeci e voltei para o meu quarto. Pois é.

No dia seguinte, encarei 1h de trem e uns 25 minutos a pé até o campo. Aliás, a parte do caminho feita a pé passa por ruas bem bonitinhas que dão uma sensação de tranquilidade. Irônico até.

Entrada de Sachsenhausen
Entrada de Sachsenhausen

Os campos poderiam ser de concentração, extermínio ou uma combinação dos dois. Na Alemanha havia apenas campos de concentração e os campos de extermínio ficavam mais para o leste europeu. Obviamente, isso não significa que não aconteciam execuções nos campos de concentração, apenas que esta não era sua principal função (em Treblinka, por exemplo, os judeus chegavam e iam diretamente para a câmara de gás – não havia seleção para trabalhos forçados).

O campo de Sachsenhausen foi inaugurado em 1936 para prisioneiros políticos e se tornou uma espécie de centro de treinamento para oficiais da SS, que futuramente, acabariam por ser comandantes de outros campos de concentração (Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz, passou por lá). Mais tarde, os judeus chegaram ao campo e, em 1943, uma pequena câmara de gás e um crematório foram construídos no local.

"O trabalho liberta" - Portão do campo
“O trabalho liberta” – Portão do campo

A entrada é gratuita e a visita não é guiada, mas o audiotour custa apenas 3 euros. Eu fiz a visita com o audiotour, só que  é muita informação e se fosse ouvir tudo, teria ficado lá quase o dia inteiro.

O campo foi quase todo destruído e os poucos prédios que ainda estão no local abrigam museus com exposições sobre a vida no campo, o Holocausto etc.

Até 400 prisioneiros usavam o lavatório ao mesmo tempo
Até 400 prisioneiros usavam o lavatório ao mesmo tempo

Se comparado a Auschwitz-Birkenau, Sachsenhausen não é tão tocante, digamos assim. Talvez por Auschwitz ainda conservar os prédios como eram na década de 40, por ser maior, por o museu conter objetos pessoais das vítimas (o que me causou emoções bem fortes), pela visita ser guiada, enfim, o contexto todo causa uma reação mais forte do que Sachsenhausen. Ainda assim, recomendo a visita pela questão histórica. Alguns prédios ainda conservam áreas como eram quando o campo estava funcionando. A cozinha, por exemplo, fica no subsolo de um dos prédios e me deu arrepios andar por lá.

Memorial às vítimas
Memorial às vítimas

Outra parte do campo que também me deu calafrios visitar foi o mortuário, por razões óbvias.

Por questão de tempo, não consegui visitar o campo inteiro, que é muito grande, e retornei a Berlin para terminar a viagem, como contei no post anterior.

Depois de visitar Auschwitz, assisti alguns filmes com o tema da Segunda Guerra e  Holocausto e até recomendei alguns aqui no blog. Dessa vez, parti para os livros e já estou lendo o quarto!

Night – Elie Wiesel
Neste livro, Elie conta de forma fragmentada sua experiência nos campos de concentração. Na primeira parte, ele conta como era sua vida na Transilvânia antes da invasão alemã, a vida no gueto e o transporte. Na segunda parte, conta como era a vida no campo, mas sem muitos detalhes, apenas relatando eventos. Chama a atenção quando conta que a primeira coisa que viu ao chegar foi crianças sendo jogadas vivas nas chamas e como, à todo custo, tentou se manter próximo de seu pai.

Elie é o 7º da esquerda para direita no 2ª "andar" - Foto tirada no dia da liberação do campo de Buchenwald
Elie é o 7º da esquerda para direita no 2ª “andar” – Foto tirada no dia da liberação do campo de Buchenwald

Creio que haja uma versão em português.

Tell no one who you are – Walter Buchignani
Este livro conta a história real, porém de forma romanceada, de Régine Miller, uma menina belga de origem polonesa de 10 anos que foi escondida na casa de quatro famílias diferentes para que não fosse deportada. Régine vira Augusta Debois e não pode contar a ninguém sua verdade identidade e assim vive por quase 3 anos, até o fim da Guerra.

The Commandant – editado por Jurg Amann
O comandante de Auschwitz, Rudolf Hoess, mudou de nome e se escondeu numa fazenda, onde trabalhava, até que sua mulher revelou tudo às autoridades (ela foi enganada- alegaram que seu filho seria mandado para um campo de trabalho na Rússia caso ela não revelasse o paradeiro do marido- era mentira, mas ela acreditou). Enquanto aguardava a execução de sua pena (ele foi enforcado em Auschwitz), resolveu escrever um auto-biografia. A versão original foi editada neste livro que não alterou em nada o conteúdo, apenas o resumiu. No livro, o comandante fala de sua infância, da sua indiferença em relação aos pais, que nunca foi de frequentar bordéis (o comandante de Auschwitz só transava com amor, vejam só!) e como chegou ao posto de comandante. É muito interessante como no livro ele deixa claro que tudo que fazia era cumprir ordens, fazer seu trabalho, como se estivesse falando de uma fábrica que, sei lá, produz sapatos. “Ah, eu era o comandante e tinha que me certificar que todos os judeus estavam sendo mortos da maneira mais eficiente possível. Era só o meu trabalho”, basicamente. Em outro trecho ele deixa claro que, pessoalmente, nunca odiou os judeus, mas como eles eram os inimigos da Alemanha e recebia ordem de assassiná-los, ele fazia, ué! Excelente funcionário, não? Ele não demonstra remorso nenhum morre fiel ao partido nazista.

Is this a man?/ The Truce – Primo Levi
Estes dois livros (que na minha edição, são um só) são mais complexos. Primo Levi era um quimico italiano de 24 anos quando foi deportado para Auschwitz, onde ficou por 11 meses até a liberação. Ele conta com muitos detalhes o dia-a-dia no campo e faz reflexões sobre o que viveu lá. Conta como a ecomonia e o mercado negro funcionavam dentro do campo (uma porção de pão poderia ser trocada por n coisas), a rotina, o trobalho, a hierarquia entre os prisioneiros e por aí vai. O livro é longo e eu ainda não terminei de ler o primeiro. No segundo, The Truce, ele conta como é retomar a vida após o Holocausto.

O assunto me interessa muito (quem lê o blog sempre já meio que tá careca de saber isso) e eu estou devorando estes livros (em menos de um mês, já estou lendo o quarto!). Mas na última noite tive um sonho terrível, sonhei que estava num campo de concentração e eu tinha ciência de tudo que estava acontecendo. Lembro que no sonho eu tinha acabado de chegar ao campo e aguardava a seleção. O terror e o medo que eu sentia me fizeram acordar suando.

Se tiverem alguma sugestão de leitura, comentários são bem-vindos.

Berlin, Alemanha IV

Para terminar o segundo dia em Berlin, fui para Nikolaiviertel, que é área mais antiga de Berlin e onde a cidade se originou. Na Idade Média, a região era uma rota de comércio e foi onde comerciantes e artesãos se estabeleceram. A região foi preservada por séculos até os bombardeios da Segunda Guerra. O que há lá hoje, é uma mistura de construções históricas e réplicas das que foram destruídas.

Nikolaiviertel
Nikolaiviertel

As casinhas da região parecem que pararam no tempo, mas, ao mesmo tempo em que preserva seus prédios históricos, a região também é o lugar de restaurantes, barzinhos e lojinhas de souvenirs.

Ao voltar para o hostel, meu corpo já dava sinais de cansaço. Viajar é muito bom, mas cansa demais! Olhando os panfletos na recepção do hostel me interessei por um lugar próximo a cidade e depois de umas pesquisas na internet, ficou decidido que seria o primeiro passeio do dia seguinte. No próximo post eu conto sobre esta visita.

No terceiro e último dia em Berlin, depois do tal passeio que estou fazendo cu doce  mistério para contar, retornei a cidade para ver o que faltava do meu roteiro. O problema é que o passeio da manhã durou mais tempo do que eu pensava e estava de volta em Berlin às 14h e pouco e teria que ir para o aeroporto, no máximo, às 18h30. Visitei um Memorial aos Soldados Mortos da União Soviética e segui para a Siegessaule, a Coluna Vitória.

Memorial
Memorial

A Coluna Vitória foi construída para comemorar a vitória da Prússia sobre a Dinamarca em 1864 e a estátua foi adicionada pouco tempo depois. A estátua fica de costas para o Brandenburger Tor, onde eu estava, então tive que caminhar alguns quilômetros para poder fotografá-la de frente, aquele tipo de coisa que você faz quando está viajando e pensa que não terá a oportunidade de estar na cidade novamente, aí vence o cansaço e a dor nos pés.

Coluna Vitória
Coluna Vitória
Valeu a caminhada
Valeu a caminhada

A intenção era visitar o Museu de História Alemã em seguida, mas o tempo estava apertado e entrar no museu só para dizer que entrou também não é interessante, então, infelizmente, tive que deixar a visita para outra oportunidade. Andei um pouco mais pela cidade e tirei mais algumas fotos clássicas com o Muro de Berlin.

A foto clássica
A foto clássica

No subsolo do Memorial aos Judeu Assassinados da Europa há um museu e esta foi a última parada da viagem. O museu é dividido por temas, digamos assim. No começo há um longo painel explicando o início da Segunda Guerra e todas as implicações que ela teve na vida dos judeus. No ambiente seguinte há vários trechos de cartas, postais e relatos de pessoas que passaram ou têm alguma relação com os campos de concentração. Alguns trechos são muito tocantes.

Escrito por uma menina de 12 anos
Escrito por uma menina de 12 anos

Na exposição seguinte há a história de 15 famílias judias de diversas partes da Europa. Ficamos sabendo como aquela família vivia até ter sua paz perturbada pelos nazistas. Há fotos de família e uma breve explicação do destino de cada um. A maioria não sobreviveu ao Holocausto.

Uma das famílias
Uma das famílias

No último ambiente do museu, a sala é escura e os nomes das vítimas são projetados na parede. Uma voz conta um resumo da vida de cada pessoa e as circunstâncias de sua morte, quando conhecida.

...

Terminada a visita, segui para o aeroporto para voltar para cas… ops, Dublin! 😉

Berlin, com certeza, é umas das cidades que mais gostei de visitar e embora tenha ficado 3 dias, com certeza poderia ter ficado mais 1 ou 2 e ainda teria muito o que fazer. A cidade é relativamente barata (paguei 9 euros num prato principal com bebiba em um restaurante italiano, por exemplo), muito bonita, o sistema de transporte funciona 24h e o único incoveniente é que eles falam alemão (haha, né?).

Não achei os souvenirs muito baratos comparando com outros lugares da Europa e algo muito interessante é que, mesmo 23 anos depois da queda, as lojinhas vendem pedaços de concreto que alegam ser pedaços do muro de Berlin. Você acredita nisso? 🙂

Linda até nos detalhes!
Linda até nos detalhes!

Berlin, Alemanha III

O free walking tour começa em frente ao Brandenburger Tor, na Pariser Platz. É a mesma empresa (?) do tour que fiz em Amsterdã e, novamente, havia muita gente e fomos divididos em grupos. Para minha frustração, acabei fazendo o tour com uma neozelandesa. Não que ela fosse ruim, não era, mas aquele sotaque me fez ficar pensando no que comeria depois do tour ao invés de prestar atenção nela, por exemplo, em alguns momentos. O sotaque irlandês é ruim, mas estou acostumada. O sotaque neozelandês é tipo isso, mas o da guia era mais forte. E eu não estou acostumada:

Clique aqui e ouça um sotaque neozelandês

A guia começa o tour resumindo 800 anos de história alemã, além de falar sobre o Brandenburg Tor e a quadriga (que já falei a respeito no post anterior). Uma curiosidade meio fútil: na Pariser Platz fica o hotel mais caro de Berlin (eu já havia notado isso quando passei em frente e vi as malas dos hóspedes naqueles carrinhos iguais de filme), o Adlon, e foi de uma de suas janelas que Michael Jackson resolveu balançar seu filho para mostrá-lo ao público. Lembram-se dessa cena?

Adlon Hotel
Hotel Adlon

Seguimos para o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, que consiste em blocos de concreto de tamanhos variados espalhados por uma área de 19 mil metros quadrados. A obra custou cerca de 25 milhões de euros, um valor que parece ser um tanto alto se levado em conta o trabalho final. Segundo a guia, toda e qualquer interpretação da obra é válida. Eu enxerguei naqueles blocos de concreto as sepulturas dos mortos durante o Holocausto, como se elas simbolizassem as lápides que eles não tiveram a dignidade de ter, já que as vítimas dos campos de concentração foram cremadas ou enterradas em valas comuns quase que em sua totalidade.

Memorial
Memorial

Caminhar por entre os blocos dá uma sensação de insegurança, pois não se sabe quando alguém vai surgir na sua frente -ou dos lados- e a cada passo você se perde dentro do memorial. Será que era essa a sensação de estar dentro de um campo de concentração?

Visão aérea
Visão aérea

Bem perto do memorial tem um conjunto residencial com um estacionamento e algumas árvores em volta. Um lugar bem tranquilo e com nada que, aparentemente, o faça importante.  Mas metros abaixo do solo fica o bunker de Adolf Hitler. A guia nos deu algumas informações sobre ele. Não é aberto à visitação e não há intenção alguma de que isso seja feito num futuro próximo, pelo menos. Os alemães entendem que a tragédia deve ser lembrada a partir do ponto de vista das vítimas, não dos nazistas. Outro motivo é evitar que neo nazistas tenham um lugar para se reunirem.

O bunker fica aí
O bunker fica aí

Passamos por outros prédios públicos com alguma história, pedaços do muro de Berlin, memoriais, museus, até chegarmos na Berliner Dom e eu não acreditar nos meus olhos.

Berliner Dom
Berliner Dom

Eu sou meio difícil de ser impressionada. Quando vi a Estátua da Liberdade, em New York, pensei “Ah, essa é a estátua?“. A Torre Eiffel só me impressionou à noite e achei a Disney (da Califórnia) a coisa mais besta do mundo. Mas quando eu vi esta igreja na minha frente, meu queixo caiu! Nesta hora, a guia começou a falar da igreja e dos museus que ficam por ali, mas eu saí de perto e fiquei observando-a sem palavras (a catedral, não a guia).

Apesar dessa pinta, ela é uma igreja protestante, não católica. Ficou pronta em 1905, mas foi muito destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra (assim como a maioria das construções da cidade) e só foi completamente rescontruída e aberta ao público em 1993. O ticket para visitar a igreja custa 6 euros e 4 para estudante. Seu interior é tão imponente quando a fachada. No subsolo há uma cripta com cerca de 90 sarcófagos.

Berliner Dom
Berliner Dom

A  vista da cidade faz valer a pena todos os degraus que se sobe até o domo. Eu, sedentária convicta, quase cheguei sem ar.

Berlin
Berlin

O tour de 3h terminou por aqui. A região onde fica a igreja é conhecida como a Ilha dos Museus (aliás, Berlin tem cerca de 150 museus) e como estava muito perto do Museu DDR, para lá fui.

Este museu mostra como era a vida na Alemanha Oriental. A entrada custa 6 euros e 4 para estudante, assim como a Berliner Dom, e ele é simplemente sensacional! É tudo muito interativo e mostra os diversos aspectos da sociedade: educação, trabalho, vida em família, moda, férias, literatura, música, política etc.

Trabi,  o carro da Alemanha Oriental
Trabi, o carro da Alemanha Oriental

Eu gostei muito deste museu e ir a Berlin e não visitá-lo é quase como ir à Paris e não entrar no Louvre. O único ponto negativo da visita foi que o museu estava lotadaço e como ele é muito interativo e praticamente tudo é para ser tocado, eu precisei concorrer com os outros visitantes para ver, ouvir, tocar e interagir com tudo.

Também rolava uns interrogatórios na época...
Também rolava uns interrogatórios na época…

A essa altura do dia eu já estava mais para conhecer melhor a cama do hostel do que mais de Berlin, mas vocês se lembram que Europa na primavera-quase-verão é sol até 21h30, 22h, então, continuei batendo perna.

Não muito longe do museu, fica a Alexander Platz, uma grande praça rodeada de comércio e com um grande relógio que marca a hora de vários lugares do mundo, inclusive de São Paulo.

Alexander Platz
Alexander Platz

Sinceramente? Achei essa praça bem besta para ser considerada um lugar turístico. Ainda bem que estava rolando uma convenção de Super Men ali, viu! Não foi visita perdida.

Super Men
Super Men

A ideia era visitar o Museu De História Alemã em seguida, mas depois de tanta informação no tour e no DDR, achei melhor deixar a visita para o dia seguinte e fui para outro lugar. Mas isto eu continuo contando no próximo post.

Urso, o símbolo de Berlin
Urso, o símbolo de Berlin

Berlin, Alemanha II

A bela Berlin me recebeu com um calor de 24 graus e pude usar uma regata depois de meses! Isso me fez gostar ainda mais da cidade, claro.

Depois do Checkpoint Charlie, fui ao Bundestag, o parlamento alemão. O prédio foi construído em 1894 e foi de onde a república foi proclamada, em 1918. Em 1933 foi incendiado e durante a Segunda Guerra, foi muito danificado. Apenas em 1956 ficou decidido que o prédio deveria ser reconstruído, mas não foi até 1999 que voltou a ser usado como sede do parlamento alemão. O prédio é aberto à visitação e a entrada é gratuita. Não entrei, pois precisaria ter agendado a visita pelo site e enfim, não agendei. Cabeça de vento.

Reichstag
Reichstag

Eu achei o prédio bem imponente e todas essas bandeiras alemãs dão um ar ainda maior de poder.

Bem próximo ao Reichstag, fica o Brandenburger Tor, que foi construído no fim do século XVIII e servia como uma das entradas de Berlin, que era cercada por muros. No topo, foi colocada uma quadriga, uma carroça puxada por quatro cavalos, que não ficou muito tempo por lá, pois Napoleão resolveu levá-la para França em 1806 para simbolizar o domínio francês. Ela voltou para a Alemanha em 1814, recebendo uma cruz de ferro e uma águia para simbolizar a vitória (antes simbolizava a paz).

Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa
Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa

O portão e a quadriga foram danificados na segunda guerra e reconstruídos pelas duas Alemanhas, porém sem a cruz de ferro e a águia, que só voltaram a ela em 1991. Hoje, o portão é símbolo da unificação alemã. Ufa! Eu disse que Berlin era cheia de história!

Antes da construção do Muro de Berlin, o muro também servia para dividir as duas Alemanhas. Havia um cara se passando por militar e vendendo postais com carimbos de “fronteira”. Eu achei super legal (ai, turistas), pois ele falava como se realmente estivesse num setor de imigração, fazendo perguntas e tudo mais. E, sim, paguei 2 euros para ter um postal cheio de carimbos. 😉

Bora cruzar o Muro de Berlin?
Bora cruzar o Brandenburger Tor?

Passei pelo Memorial aos Judeus Assassinados na Europa, mas falarei a respeito quando falar do tour. De lá, fui para a Topografia do Terror, um museu que conta a Segunda Guerra a partir do ponto de vista do Nazismo. A entrada é gratuita e em frente ao museu há um longo pedaço do Muro de Berlin, exatamente onde ele foi construído.

Muro de Berlin
Muro de Berlin

O museu funciona onde ficava a sede da Gestapo e da SS e enfim, é onde as atrocidades eram planejadas e gerenciadas durante o regime nazista. O prédio original foi destruído durante a segunda guerra e apenas seus alicerces e porão ainda permanecem lá. Em 2007, foi construído o prédio que abriga a exposição e há outra exposição ao longo do Muro de Berlin, a céu aberto.

A exposição traz muita informação sobre esta parte da história, desde a ascensão do nazismo ao poder até o fim da Guerra e o destino dos comandantes nazistas.

Exposição externa
Exposição externa

Voltei para o hostel e no fim do meu terceiro dia de viagem notei que meus pés estavam inchados! Eu nunca havia visto meus pés inchados antes! Fui dormir exausta e no meio da madrugada, que nacionalidade entra no quarto berrando? Sim, espanhóis. Eu já adoro (not) o idioma, agora amo ainda mais os falantes. ¬¬

No dia seguinte, apesar do cansaço, acordei cedo e segui para o free walking tour, que eu vou deixar para contar no próximo post.

Berlin! <3
Berlin! ❤