Como se divertir em Oulu?

No comecinho do ano, eu pedi sugestões de temas para postar no blog. Uma delas foi falar um pouco sobre como as pessoas se divertem em Oulu, esta cidade pacata. E justamente por ser uma cidade pequena, as opções nem se comparam com São Paulo, mas isto não significa que não tenha nada para se fazer na cidade. Eu vou separar o post entre as coisas que eu faço (tentem não morrer de tédio lendo) e as outras opções da cidade.

Não sei se quem acompanha o blog consegue pegar as coisas no ar ou ler as entrelinhas, mas quem não tem este dom, eu confesso logo: eu não sou a pessoa que vai para baladas, que vira a noite num bar ou que festeja como se não houvesse amanhã. Eu nunca fui este tipo de pessoa, mas quando era um pouco mais nova eu até frequentava baladas e bares tipo 1-2 vezes por mês, mas hoje em dia, muito obrigada, eu passo. Mas se você é este tipo de pessoa, Oulu ainda é uma cidade universitária e os alunos da graduação e os intercambistas, em geral, adoram esse tipo de programa. Há duas opções para quem gosta de curtir a noite: frequentar os lugares próximos a universidade ou ir ao centro, que fica a apenas 6km de distância.

Para quem prefere ficar na região da universidade, tem um bar muito popular que costuma fazer festas temáticas (festa espanhola, caribenha, brasileira etc) e tem preços mais camaradas para estudantes. Para vocês verem meu nível de empolgação, o bar/balada fica a, literalmente, 3 minutos a pé da minha casa e eu consegui passar 9 meses em Oulu sem frequentar o lugar, “dando um perdido” nos inúmeros convites que já recebi para conferir uma balada lá. A outra opção é um prédio da região que faz tanta festa que é conhecido como o “Club 16”. Na verdade, o pessoal costuma ir lá fazer o famoso “esquenta” e de lá ir para outra balada. É onde os intercambistas do Erasmus são alocados, normalmente.

Quem opta pelo centro, tem até que bastante opção de bares, incluindo ambientes gay-friendly, e confesso que certa vez, ao passar pelo centro por volta das 2h da manhã de ônibus (voltando de Rovaniemi, jamais que estaria voltando da balada… haha) fiquei impressionada com a quantidade de pessoas nas ruas. Oulu até que é agitada.

Para quem gosta de comer fora, bem, não é exatamente o local mais barato para isso. Confesso que isso também é algo que fiz poucas vezes e o que ouço falar é que os restaurantes também não são lá essas coisas. Claro que tudo depende de gosto e dos padrões de cada um. Eu sou de São Paulo, uma cidade que tem restaurante de todo tipo e preço, e eu costumava comer fora todo final de semana, sempre tentando conhecer restaurantes novos. Tem um restaurante bem famosinho que vende panquecas (não as nossas panquecas, estão mais para as americanas, porém, oferecem opções salgadas também) e todo mundo de Oulu super indica o local, fazendo críticas super positivas. Bem, fui lá, paguei 9 f*cking euros por uma panqueca e achei muito meia-boca. Mas meus colegas de turma americanos têm até “cartão fidelidade” do local, pois endeusam a tal panqueca. Gostos, né?

A famosa panqueca
A famosa panqueca

Para quem curte cinema, há poucos na cidade e o preço começa em 7 euros para a matinê durante a semana. O ingresso para um final de semana a noite pode custar 15 euros – e 15 euros é mais de 60 reais pra mim que não tenho bolsa de estudos, então, não, nunca fui ao cinema na cidade. Assistir filmes no conforto da minha cama é muito mais aconchegante. 😉

O primeiro shopping de verdade da cidade foi inaugurado há menos de 2 meses. Acho até injusto basear meu julgamento do local baseado nos shoppings de São Paulo – acho que a cidade com mais shopping centers por habitante do mundo… hahaha -, mas o lugar não me empolgou nem um pouco.

Agora que já dei as opções do que eu não faço, é bom contar o que eu faço para me divertir, senão vocês vão achar que tenho fobia social e só saio do meu quarto para me alimentar.

Para resumir bem a minha vida social em Oulu, eu diria que basicamente eu me divirto indo em “house parties” que não são exatamente festas para as pessoas beberem, mas para comerem! Foram incontáveis encontros com meus colegas de turma, amigos brasileiros e conhecidos de outros lugares, todos envolvendo um grupo de pessoas debaixo do mesmo teto comendo e bebendo e, por vezes, jogando! Talvez isto também explique os quilinhos que ganhei na Finlândia, mas enfim… são programas descontraídos para esquecer um pouco a pressão do mestrado e rir com amigos e conhecidos.

Dá para se divertir apenas encontrando amigos na beira do lago
Dá para se divertir apenas encontrando amigos na beira do lago

Outros “eventos sociais” incluem: correr em volta do lago, ir a praia/lago ver aurora boreal à noite, fazer picnic, jantar na casa de amigos etc. Mas, no fim, confesso que são tantos os finais de semana que fico “presa” dentro do meu quarto com meus trabalhos que nem sempre dá para ter vida social. Ter um diploma de mestre tem suas renúncias também!

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Vida social em Oulu

A vida aqui ainda está longe de virar uma rotina e sempre tem algo para fazer, ver, conhecer, experimentar! Nos meus primeiros dias estava sempre muito ocupada com todo o processo de virar uma mestranda e resolver as pequenas burocracias, além, claro, de me achar num país novo. Entre uma obrigação e outra e o início das aulas, sempre aparecia um convite para fazer algo, uma sugestão de passeio ou um motivo para ir ao centro da cidade (que fica a 6km da minha casa). A sensação é que os dias são muito curtos para dar conta de tudo e apesar de este ser o 9º post no blog desde que pisei em terras finlandesas, sinto que não pude me dedicar muito ao meu Fabuloso Destino levando em consideração o tanto de coisa que já fiz por aqui. Por isso, neste post eu vou resumir minha vida social deste primeiro mês ou, se preferir, contar sobre os rolês que fiz nesse lugar que já roubou meu coração (espero que o inverno não cause nenhum mal-estar entre nós, Oulu).

Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.
Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.

Meu primeiro final de semana foi mais num esquema “vamos explorar”. Fiz um tour pela faculdade com o kummi de uma amiga, depois tive minha primeira aventura tentando descobrir o que era o que no mercado (ai, finlandês) e fui conhecer um dos rios que ficam próximos a universidade, o Pyykösjarvi. terminei o dia assistindo um belo por-do-sol do terraço do meu prédio e no dia seguinte, tudo que fiz foi conhecer uma loja de itens usados atrás de uma bicicleta – e andei 6km entre ir e voltar, porque não gostei de nenhuma bike.

Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)
Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)

Na minha primeira semana ainda, ao voltar do centro acabei encontrando uma “praia” no meio do caminho. Oulu é uma cidade “praiana”, já que é banhada pelo Mar Báltico, mas no caso era só um rio mesmo que parecia praia. Foi uma ótima surpresa, o dia estava lindo e ficamos para apreciar e tirar umas fotos.

Foto manjada... mimimi...
Foto manjada… mimimi…

Como contei no último post, já conheci 1/3 dos brasileiros que moram aqui e no segundo final de semana em Oulu fui convidada para comer esfiha na casa de um deles com toda a brasileirada da região e uma finlandesa que falava português. Eu ainda não estava com vontade de comer comida “brasileira” – esfiha está inserida na nossa culinária, mas não é brasileira -, mas não ia recusar um convite destes e foi muito bom falar português (e olha que nem estou aqui há tanto tempo, mas sério, enche o saco falar inglês o dia todo – que meus ex-alunos jamais leiam isso). No dia seguinte, os tutores do meu curso promoveram o “EdGlo International Dinner”! A ideia era juntar os alunos de todos os anos de mestrado (incluindo os que já haviam terminado, mas ainda estavam por aqui) e cada um deveria levar um prato tradicional do seu país. Eu amei a ideia e dou um brigadeiro para quem adivinhar o que fiz! Ops!

Brigadeiro
Brigadeiro

Foi a segunda vez na vida que fiz brigadeiro para enrolar e deu certo. Aliás, tudo que tenho tentado cozinhar aqui está dando muito certo e estou realmente gostando de ir para cozinha. Adoraram meus brigadeiros e eu adorei tudo que tinha lá!

Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?
Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?

Comi até dizer chega e me socializei com meus classmates, o que foi muito interessante.

Na segunda semana aqui foi uma série de pequenos eventos. Fui ao discurso inicial do reitor para alunos internacionais – para ser sincera, cheguei atrasada, perdi o discurso, mas deu tempo de pegar o buffet (vou engordar 10kg desse jeito, tudo aqui envolve comida). Depois resolvi ir na suposta super festa de início do ano letivo, a Vulcanalia. Ouvi falarem tanto que resolvi ir para ver como era… ai, gente! Foi num lugar aberto (fazendo 10 graus a noite e resolvem fazer festa em lugar aberto… oi, finlandeses?), o palco era minúsculo e enfim, gente, a coisa mais sem graça do mundo e olha que não faço nem um pouco o estilo baladeira para dizer que preciso de muito para me empolgar.

Da hora. SQN.
Da hora. SQN.

No final de semana seguinte, fui conhecer uma sauna no rio com alguns classmates. A sauna faz parte da cultura finlandesa, mas esta é um pouco diferente. É uma sauna flutuante perto da margem de um rio. A ideia é que você vai aproveitar a sauna – que estava uma delícia – e depois vai mergulhar no rio gelado. Dizem que depois da sauna quente o ideal é mesmo tomar um banho frio por alguns segundos e como seu corpo está quente, não sente a água tão fria… nos primeiros 30 segundos. Custa 4 euros e você pode ficar o tempo quiser, mas por motivos óbvios, só funciona no verão.

A sauna flutuante
A sauna flutuante

No dia seguinte rolou um picnic numa praia – desta vez, praia de verdade, a Nallikari. Alguns amigos entraram na água gelada, mas eu só fiquei observando. Mesmo com um belo dia de sol e temperatura na casa dos 19 graus, eu achei que ficaria melhor sequinha na areia. Ah, estávamos todos de roupa, bikini não era pra tanto.

Nallikari
Nallikari

Num dia desses houve uma tentativa de ver a Aurora Boreal. Fomos para a beira de um rio fazer um picnic (mais comida) enquanto esperávamos a aurora, porém a visão não foi das melhores. Neste site aqui é possível ver a previsão de quão visível a aurora estará, porém para vê-la bem é preciso ir para um lugar bem escuro. Talvez o lugar escolhido não fosse o melhor e tudo que vi foram manchas esverdeadas no céu que minha câmera não conseguiu captar. Outras chances virão, mas alguns colegas conseguiram ver uma linda aurora na mesma praia do picnic e eu morri de inveja!

Foto tirada por um dos meu colegas de turma.
Foto tirada por um dos meus colegas de turma.

Meu aniversário chegou e minhas amigas fizeram um jantar surpresa para mim, o que me deixou muito feliz porque nos conhecemos há menos de um mês e elas já tentaram me fazer sentir em casa com uma demonstração de carinho. ❤

Ganhei um "bolo de cookies"
Ganhei um “bolo de cookies”

Seguindo com a programação, uma das brasileiras fez aniversário e resolveu fazer uma festa cheia de esfiha e bolo prestígio – só como aqui! Conheci outras pessoas bacanas na festa e acabou sendo uma noite muito agradável.

Toda semana acontece uma reunião do Couch Surf aqui. Para quem nunca ouviu falar, Couch Surf é aquele site que a pessoa oferece a casa dela de graça para uma viajante e o viajante procura um sofá para dormir. A ideia é a troca cultural. Bem, o que não contei para vocês é que quando vim pra cá meu aluguel começava em 1º de setembro e eu ia chegar 4 dias antes. Em Oulu não tem hostel e os hotéis estavam com precinhos nada camaradas pro meu bolso, então procurei um host no Couch Surf e um finlandês topou me receber. No final das contas, o PSOAS topou me entregar a chave antes e não precisei mais do Couch Surf, porém, querendo ser uma boa hóspede, eu já havia perguntado pro meu host se ele queria algo do Brasil (ele já foi pra lá e fala um pouco de português) e ele pediu Guaraná. Como ele é um dos organizadores do Couch Surf e tal, me convidou para ir e topei para entregar o pedido dele. A reunião é bem interessante, você conhece gente de todo lugar e pelo próprio contexto, conhece pessoas que estão abertas a amizades e trocas culturais. Pretendo ir mais vezes.

Finalmente chegamos a última semana de setembro!

Uma das minhas professoras que estava dando aula de Cultura Finlandesa resolveu terminar o curso (sim, eu já conclui um curso) com um jantar na casa dela (comida de novo). Foi um noite muito agradável com professores e colegas de turma! Ela tem um filho de 2 anos que é a coisa mais linda do mundo, gente! Depois do jantar fomos para a casa de uma colega para uma noite de jogos! Diversão e mais comida!

No dia seguinte, fui colher berries e tirar fotos dos cogumelos que não param de crescer aqui em Oulu – a maioria deles é venenoso e crescem nas calçadas! Terminei a noite com churrasco com os brasileiros (povo que come, né?) e bom, chego ao fim deste post enorme sobre minha agitada vida social neste primeiro mês aqui!

Colhendo berries!
Colhendo berries!

 

Tinha aflição

Já cheguei quase na metade do desafio das 52 semanas! Ufa! E hoje o top 5 do que me deixava aflita em Dublin.

Semana 25 – Tinha aflição

1- Aranhas

A-ra-nhas! Quantas delas me surpreenderam naquele um ano? Quantas vezes me senti no filme Psicose ao tomar banho e achar uma olhando pra mim? E quando achei uma em cima da minha cama? E quando notei que os irlandeses nem ligam pra elas, tamanha a quantidade de teias que eu já em vi suas casas? Tenso!

2- Sair da cama

Frio, aquele edredom pesado e quentinho em cima de você. O normal é desligar o aquecedor à noite depois que a casa já está aquecida, até por uma questão de economia. Como lidar com o choque térmico de sair da cama? Aquela aflição de entrar num banheiro frio para lavar o rosto! Aaai!

3- Irlandesas

Algumas coisas nelas me davam aflição. E quando digo “elas”, não quero dizer que toda mulher irlandesa faça isso ou aquilo, mas que, de modo geral, a gente as vê por aí assim. O rosto laranja de loção bronzeadora, por exemplo. Ou o rosto tão maquiado que se colocar o dedo em cima, afunda. Aflição.

4- Pé molhado

Sair num dia de chuva com um calçado não apropriado ao clima úmido – sim, porque às vezes nem estava chovendo, mas como o chão estava úmido da última chuva, o efeito no pé era o mesmo. Por essas e outras, ainda no primeiro mês de Irlanda eu comprei uma galocha e pouco tempo depois, um tênis impermeável para não precisar ficar com essa agonia de pés molhados.

5- Irlandesas na balada

Elas novamente. Frio congelante, 3h da matina e elas na porta da balada de microvestido sem meia-calça. Aquele sensação de sentir frio só de olhar e a aflição de querer jogar um casaco em cima daqueles corpos vestidos para um clima, no mínimo, 30 graus mais quente. Mas de qualquer forma, elas sempre estavam lindas e exuberantes na boate, né?!