As passagens de volta ao mundo

Eu sabia que uma vez aprovada no mestrado, a aprovação do visto de estudante era quase automática, mas mesmo assim preferi esperar até isso acontecer para providenciar as passagens de avião. O seguro morreu de velho.

Ainda em 2014 quando chequei os preços de passagem para Finlândia, só por curiosidade, elas estavam na casa dos 3500 reais sem as taxas. Em 2015, para chegar até Oulu este valor já estava em quase 5000 reais, com taxas. Sim, cin-co mil re-ais! E isto estava me deixando bem brochada, porém, era o jeito. Num belo dia, encontrei passagens por 4400 reais, o que me pareceu um ótimo preço, só que aí o cartão não tinha limite disponível para fazer a compra e nessa de esperar o cartão aumentar o limite, a passagem aumentou também, claro. Mas Murphy não perdia por esperar.

Eu já comentei que na época estava muito sem tempo para ver os detalhes com calma, então deixava para pesquisar passagens só aos finais de semana, porque durante a semana à noite eu não era eu de tanto cansaço e eu tinha medo de fazer besteira comprando passagem com sono. Na primeira sexta-feira livre que tive, eu passei meu dia disposta a achar o melhor preço pra essa viagem que, de manhã, era um voo da AirFrance que custava 4900 reais.

Pesquisando uma companhia aérea ali e outra aqui, do nada me deu um clique: estou indo estudar fora, logo, tenho direito à passagem de estudante! 🙂

Para quem não sabe, comprar uma passagem de estudante não significa que você vai pagar metade do valor, mas que vai ter um desconto e a vantagem de ter a primeira remarcação gratuita. Claro, as regras mesmo vão depender da companhia, mas no geral é isso e as duas únicas exigências são ter uma carta comprovando que vai fazer um curso de pelo menos duas semanas no exterior e ter até 34 anos de idade. Outro detalhe é que o consumidor comum nunca vai encontrar essas passagens na internet e só há duas maneiras de consultar valor e efetuar compra: ligando na companhia aérea ou fazendo o processo através de uma agência de intercâmbio.

Liguei na AirFrance e qual não foi minha surpresa quando a atendente me passou exatamente o mesmo valor do site, mas garantindo que a maior vantagem era a remarcação gratuita. Afff! Aí lembrei de uma agência de intercâmbio pequena que meu amigo T. havia usado para comprar as passagens de estudante dele quando foi pra Dublin. Entrei em contato e já me animei: conseguiram passagens por 3200 reais, porém com destino final Helsinque, pois não tinha essa modalidade para chegar até Oulu. Ainda achando que poderia conseguir algo melhor, entrei no site de uma agência de intercâmbio grande onde é possível pesquisar preços por conta própria online e aí sim fiquei feliz: por exatos 3024 reais eu poderia chegar até Helsinque. E o mais legal de tudo é que era pela KLM, a melhor companhia aérea que já voei até hoje. ❤

Comprado o voo principal, ficou a dúvida: como chegar até Oulu? Eu tinha 3 opções: avião, ônibus e trem. E eu tinha planos: levar duas malas despachadas, uma enorme e uma pequena, além da minha mochila de cabine. As malas certamente pesariam uns 25kg, em média.

Avião
Tem uma companhia aérea que faz este trecho num esquema de voo low cost, a Norwegian Airlines. A passagem custava 29 euros, mas eles cobrariam 12 euros por mala despachada de até 20kg, totalizando 53 euros com as malas. O voo dura 1h e o aeroporto é mais afastado da cidade, tipo uns 20km da universidade. Além disso, eu chegaria em Oulu umas 22h pegando o primeiro voo possível.

Ônibus
É relativamente barato – 20 euros – e leva umas 7 horas. Só permitem levar uma mala além da bolsa/mochila. Teria que pegar transporte público para chegar até a rodoviária. O valor é fixo, então poderia pegar uma horário para viajar de madrugada e chegar em Oulu de manhã no dia seguinte.

Trem
O valor depende do horário e, a princípio, não há limite de malas ou peso (mas é óbvio que se você chegar lá com 5 malas fica complicado). A viagem dura 7h e a estação do aeroporto foi inaugurada mês passado, ou seja, fácil demais pegar o trem.

Dadas as circunstâncias e ao fato que eu sou aloka das malas e não quis arriscar e ficar no limite de duas malas de 20kg para poder ir de avião – até porque, eu precisaria comprar 2 malas médias e não faz sentido nenhum gastar dinheiro para economizar, né? – eu decidi pelo trem, que custou 42,90 euros ou muitos reais na fatura do cartão com o maldito IOF quem inventou essa merda?.

Sendo assim, segue o trajeto eterno que parece que vou dar a volta ao mundo:
São Paulo – Amsterdã: quase 12 horas de voo
Conexão em Amsterdã: 2h20
Amsterdã – Helsinque: 2h30
Tempo de espera no aeroporto até pegar o trem: 13h
Helsinque – Oulu: aproximadamente 7h
Tempo decorrido entre a saída de São Paulo e a chegada em Oulu: aproximadamente 37 horas!!!

Lembrando que eu optei em dormir no aeroporto de Helsinque por dois bons motivos: se pegasse o único trem barato da noite, chegaria em Oulu de madrugada – not a good idea. Se pegasse um para viajar na madrugada e chegar lá cedo, teria que desembolsar mais de 70 euros e eu não sou obrigada preciso economizar o máximo que posso. A opção foi pegar o primeiro trem da manhã que estava entre os mais baratos e perder conforto. Ninguém nunca morreu de passar a noite em aeroporto (o que já fiz em Dublin, Oslo, Buenos Aires, Amsterdã e Estocolmo) e felizmente eu ainda tenho idade e disposição pra isso, além disso, terei todo o final de semana seguinte para descansar e carregar as baterias para a primeira semana de aula. Ou pelo menos é o que acho.

É como digo, nesta vida ou a gente escolhe conforto ou economia, ter os dois ao mesmo tempo é um pouco complicado. Quem quer conforto, paga por isso: eu poderia ter pago quase 5 mil reais para ir direto de avião a Oulu, mas preferi gastar 1500 reais a menos e fazer uma viagem muito louca que vai me deixar de cabelo em pé!

E podem ter certeza que eu volto aqui para contar como foi essa aventura! Wish me luck!

A prova que eu já dormir em aeroporto!
A prova que eu já dormi em aeroporto!
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Wanderlust

Wanderlust! Ahn? Que isso?

Não existe uma tradução exata em português, mas essa palavrinha estranha significa “desejo de viajar”.Tivesse eu tido a ideia de dar esse nome ao blog quando o criei, hein?

Eu poderia dar n motivos explicando porque gosto de viajar, mas isso soaria como os motivos de todo mundo que gosta de viajar – ou quase todo mundo, porque tem gente que viaja para tirar foto. Aliás, quem não gosta de uma viagem? É tipo pipoca! Você já conheceu alguém que não gosta de pipoca? Nunca conheci ninguém que não gostasse de viajar.

O engraçado é que até você começar a viajar de verdade, você não tem noção do quão bem isso te faz, não tem ideia de como isso expande os horizontes e do quanto isso pode ser viciante! Sim, porque uma vez que você sai da sua zona de conforto e conhece outras culturas, outros modos de ver a vida, outras tradições, você certamente fica instigado por estar sempre conhecendo mais e mais e quando percebe, tudo que você anseia é pelo prazer de entrar novamente dentro de um avião rumo a um pedaço de terra que você nunca pisou. Minha primeira viagem de verdade, sozinha e por conta própria, foi apenas aos 20 anos. Quando fui morar aos EUA, um Big Bang aconteceu e eu me vi em outro universo. Logo veio a vontade de explorar mais e fui parar na Europa a passeio. Depois disso, eu não consegui mais parar e ultimamente parece que a frequência precisa ser cada vez maior para me satisfazer. Você fica meio que viciado, tipo dorgas, mas viajar não causa nenhum malefício a saúde. Há.

Se me pedissem para descrever o sentimento de felicidade plena, eu diria que é aquele momento em que compro os tickets para a próxima viagem. Não é exagero, me senti assim quando comprei as passagens de avião para a Argentina e me senti assim novamente há um tempinho. Ops! Claro que entrar no avião é muito mais empolgante do que comprar a passagem. Chegar no destino, então. 🙂

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Eu guardo os dois, mas guardo mais dinheiro do que mágoa, pelo menos. 😛

Já fui aos Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália, Cidade do Vaticano (sim, é um país), Peru, Irlanda, Irlanda do Norte, Escócia, Suécia, Polônia, Bélgica, Holanda, Alemanha e Argentina… 15 países! E dei umas andadas por alguns estados brasileiros.

De acordo com o TripAdvisor, eu já estive em 62 cidades (ok que Praia Grande tá inclusa, mas gente, foi uma viagem e é uma cidade, então conta)! Meta de vida: aumentar esse número non-stop.

Tá ficando bonito!
Tá ficando bonito!

Qual será o próximo destino?! E a próxima aventura?

Viajando pela Europa: Verão x Inverno

Teoricamente, brasileiros vão para Irlanda para aprender ou melhorar o inglês e, nas horas vagas, viajar. Pergunte a um intercambista brasileiro por qual motivo ele escolheu a Irlanda e 11 de cada 10 responderão isso.

Aqui no Brasil, ou São Paulo para ser mais específica, a gente só leva em consideração a estação do ano ou o tempo quando vai viajar se for para a praia, porque, afinal, em nossa mentalidade latino-americana só rola praia se o dia estiver ensolarado (digo isto porque na Irlanda praia não é necessariamente sinônimo de sol).

Só que em boa parte da Europa as estações são bem definidas. O verão costuma ser bem quente em alguns lugares (não na Irlanda, duuuh) e os dias bem longos (na terra dos leprechauns, amanhecia por volta das 4h e ainda se via raios de sol perto das 23h, por exemplo). E o inverno, além do frio, traz muita neve e poucas horas de sol. E visitar um mesmo país no verão ou no inverno podem ser duas experiências muito distintas.

Então, é melhor viajar no verão ou no inverno?

Bem, o melhor é viajar sempre que houver oportunidade e fundos para isso. Vivendo nesta vida frugal de intercambista, nem sempre as duas coisas calham de acontecer ao mesmo tempo, mas se acontecerem, VÁ!

Porém, no caso de poder escolher, antes de decidir se é melhor ir a tal país no inverno ou no verão, leve algumas coisas em consideração.

Tipo de turismo

Se seu plano é ver neve, esquiar ou realizar qualquer atividade relacionada ao frio, logo, a resposta óbvia é: vá no inverno. Em janeiro, fui para a Polônia e uma das partes da viagem era justamente esquiar. Porém, eu continuei passeando pelo país e ter visitado Cracóvia e Varsóvia no auge do inverno não foi a coisa mais legal. O frio de Cracóvia estava suportável até, mas quando cheguei na capital polonesa e tive que enfrentar – 9 graus com neve constante da hora que cheguei até a hora que peguei o avião de volta para Dublin, não achei um dos passeios mais legais da minha vida.

Esquiando. Aí o frio tá perdoado!
Esquiando. Aí o frio tá perdoado!

Aproveitando o dia

Como já citei, na Europa, os dias de verão são bem longos e, consequentemente, as atrações turísticas costumam ficar abertas por mais tempo. Além disso, mesmo depois que museus e afins fecham, você ainda pode andar pela cidade e visitar atrações à céu aberto, pois o sol não se põe antes das 21h ou 22h. Na minha viagem de janeiro, às 17h já não havia mais muita coisa para se fazer: atrações fechadas, o sol já tinha se despedido e o frio reinava! Invariavelmente, jantava e ia para o hostel. A exceção foi em Zakopane, na Polônia, quando numa das noites fui a um SPA de piscinas aquecidas (uma das melhores partes da viagem, com certeza). Já na viagem de maio, quase verão, eu consegui fazer meu dia render muito mais. Aliás, em Amsterdam, eu não vi a noite, pois a hora que voltava ao hostel, já quase às 22h, ainda estava claro. Resultado: fiz tudo que queria e mais um pouco!

Turistas e preços 

Esta é uma vantagem de se viajar no inverno, já que os turistas preferem viajar no verão. As atrações e tours não ficam tão cheios e costumam ser um pouco mais baratos. Eu entrei no Edinburgh Castle sem pegar fila! Os hostels também costumam baixar seus preços nesta época do ano, com exceção, claro, de cidades que recebem mais turistas no inverno (por conta de estações de esqui, por exemplo). As companhias aéreas fazem promoções para atrair mais passageiros e, no fim das contas, gasta-se muito menos viajando no frio. Eu paguei tão pouco nas passagens de avião de 4 trechos na viagem de janeiro que dá até vontade de rir! Já em maio, eu acabei gastando bem mais com passagens – mas valeu cada centavo.

Bagagem e fotos

Inverno, muito frio, muita roupa. Você vai acabar levando muito mais peso numa viagem de inverno, pois precisará de muito mais roupa para se aquecer. Além disso, o mais provável é que você tenha no máximo dois casacos pesados de frio e, portanto, vai sair com a mesma roupa em todas as 899 fotos que tirar. Algumas pessoas não ligam, mas outros acham ruim. Eu apareço com meu sobretudo preto em 90% das fotos tiradas no inverno. Sem mais.
Já no verão, as roupas são mais leves e dá para levar mais peças para usar durante a viagem, seja pelo problema “eu transpiro muito e preciso de muitas roupas” ou pela coisa do “não quero sair com a mesma roupa nas fotos”.

Seu humor

Viajar é sempre legal, a gente se desliga um pouco da nossa rotina e conhece outra realidade, que alegria! Mas seu humor é o mesmo no verão ou no inverno? Se você for como eu, com certeza gostará mais de viajar no verão! Acordar de manhã, abrir a janela e ver um belo céu azul sem nuvens e colocar uma roupa leve me deixa com o humor muito melhor do que acordar sentindo frio e ter que colocar várias camadas de roupas. Lembro-me bem na viagem que fiz a Liverpool, depois de meses já passando frio em Dublin, cheguei lá e o céu estava cinza, ventava muito e garoava. Passamos um bom tempo dentro de museus, mas quando saíamos para a rua, eu fechava a cara na hora (peço desculpas aqui, tardiamente, ao meus companheiros de viagem – desculpem-me se fui uma má companhia no frio de Liverpool).

Esta sou eu no frio de Varsóvia. Eu pareço feliz?
Esta sou eu no frio de Varsóvia. Eu pareço feliz?

Acredito que viajar é sempre bom e é algo que todos deveriam fazer sempre que possível. Eu não deixaria de viajar no inverno por causa do frio, apesar de não ser fã de baixas temperaturas, porém, podendo escolher, há mais vantagens em se viajar no verão do que no inverno, apesar de o custo total da viagem ser mais alto. Quer saber? VIAJA, gente, VIAJA! 🙂