Feijão e arroz?

Se alguém, um gringo, te perguntar o que um brasileiro tipicamente come, eu tenho certeza que você vai dizer “arroz com feijão”. Pode dizer que também comemos carne, alguma salada e por vezes até legumes de acompanhamento, mas o feijão com arroz é a resposta óbvia, certo?

Antes de ir morar nos Estados Unidos, eu nunca questionei esta combinação que certamente estava em pelo menos 10 das minhas 14 refeições semanais, já que na minha casa nunca substituímos a janta pelo lanche. Mas quando cheguei lá e passei a comer com minha hostfamily, eu olhava o prato que normalmente consistia de alguma carne com legumes e salada e achava que aquilo não fazia sentido: cadê o arroz com feijão?

O feijão não tinha, mas o arroz eu mesma fazia para incluir nas minhas refeições! Que povo louco que não come isso, né?

É em Denver, não New York!
É em Denver, não New York! E sem feijão!

Senti muita falta da combinação enquanto estava nos EUA e também quando morava na Irlanda. A diferença é que na Ilha Esmeralda eu comia arroz com feijão quase todos os dias, porque eu que comprava minha comida e cozinhava, portanto escolhia aquilo que me era familiar. Comprava o feijão enlatado e temperava, fazia um arroz e assava um frango e ta dááá: comida quase brasileira todo dia!

Mas aí algo estranho aconteceu aqui na Finlândia: eu não sinto falta do prato mais brasileiro de todos! Aqui eu também tenho a opção de comprar o feijão enlatado e fazer um arroz, mas simplesmente não faço. Antes das férias no Brasil, eu fazia feijão, em média, uma vez ao mês e arroz semana sim, semana não. Mas o choque mesmo foi ao voltar ao Brasil e perceber que não fazia mais questão de comer nenhum dos dois: uma refeição com alguma carne, legumes e salada começava a fazer sentido para mim depois de 8 anos e a experiência em Denver.

Mas eu só me dei conta de verdade que eu perdi completamente o hábito e não sinto falta mesmo da combinação agora. Estou de volta a Finlândia há pouco mais de 2 meses e trouxe comigo 1kg de feijão. Logo que cheguei, usei meio kilo para fazer feijão tropeiro e alegrar os brasileiros que me aguardavam loucamente com o feijão (que a companhia aérea me extraviasse, mas não extraviasse a mala com o bendito), mas o outro meio kilo está até agora intocado no armário da cozinha.

No dia a dia, eu apenas tenho me preocupado se estou comendo todos os grupos de alimentos de uma dieta saudável (com essa história de querer emagrecer, acabei virando uma dessas pessoas que sempre pensa no que está comendo – me julguem). Normalmente, como alguma carne ou ovo com alguma fonte de carboidratos que nem sempre é o arroz, alguns legumes e verduras e nem lembro que feijão existe! Às vezes nem carne tem, porque eu não sou dessas que precisa ter um bifão no prato sempre.  Na foto abaixo, um exemplo: batata gratinada, carne moída e salada de cenoura.

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E qual é a moral da história? Depois de contar que eu não tive nenhuma deprê ao passar férias em São Paulo, nem fiquei super triste de voltar para a Finlândia e chegar à conclusão que atingi o patamar mais alto de flexibilidade cultural, perceber que não sente falta do brasileiríssimos arroz com feijão e que consegue viver muito bem passando meses sem a combinação, só posso concluir que eu desapeguei de vez mesmo! O mundo é meu! hahaha… 🙂

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