Livros

Eu comecei a ler muito cedo – aos 7 anos, toda semana levava um livro para casa da coleção Salve-se quem puder da Editora Scipione. Nos anos 90, sem internet, computador ou tablets, minha distração à tarde era ler e solucionar os mistérios do livro que pegava na biblioteca da escola. O hábito de ler me acompanhou por toda a adolescência – era daquelas que ia toda semana na biblioteca pública pegar um livro – e só mesmo quando comecei a faculdade e passei a ler por obrigação – o curso de Letras tem dessas coisas – que acabei me tornando uma leitora menos assídua. Porém, nunca abandonei o hábito e, honestamente, não faço ideia de quantos livros já li na vida.

Aviso desde já que tenho sim preconceito literário e não acho que qualquer leitura é válida. Uma pessoa que nunca leu nada pegar um livro de qualidade duvidosa para ler é aceitável como uma “porta de entrada” para leitura, mas tem tanta coisa boa e tantos clássicos por aí que não vejo porque ficar lendo best-seller, entende? Admito que na pré-adolescência quando os livros infantis não me interessavam mais e não tinha referência nenhuma de literatura, comecei a ler os trocentos livros do Paulo Coelho que achei em casa. Eu leio Paulo Coelho hoje? Não. Eu recomendo? Não. Mas não posso negar que foi ele quem me despertou um interesse por leitura… que mais tarde, eu lapidei, por assim dizer. E essa é a ideia.

Tudo isso para introduzir o desafio desta semana…

Semana 34 – Livros que recomendo

Ficção

1- Lolita – Vladimir Nabokov

Eu li este livro em 2007 e amei, amei, amei! A narrativa é envolvente e se não tomar cuidado, você acaba acreditando no autor-narrador, que não é nada confiável, já que nos tenta convencer que amar uma pré-adolescente de 12 anos não tem nada de errado.

2- 1984 – George Orwell

Fala de uma sociedade controlada por um governo totalitário. Não há livre expressão, as pessoas são constantemente manipuladas. Não deixa de fazer sentido fazer relação com os dias atuais.

3- Revolução dos Bichos – George Orwell

De repente animais de uma fazenda tomam o poder e querem ser completamente diferentes dos humanos, aquela raça ruim. Porém, os porquinhos começam a ter traços muito humanos, como usar roupa e andar sob duas patas. E agora?

4- O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

O livro é, aparentemente, para crianças, mas tem lá sua filosofia. Hoje é até meio batido e algumas frases já viraram clichê, mas não deixa de ser uma história encantadora,

5- Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

A cidade é tomada por uma cegueira branca: as pessoas, uma a uma, começam a ver tudo branco. A sociedade se reorganiza e as relações de poder mudam. Todos se tornam cegos e seus instintos vêm à tona. É um livro muito forte, sofri enquanto lia diversas partes da história

Não ficção

1- O diário de Anne Frank

Já li umas 3 ou 4 vezes. É o diário da alemã Anne Frank, boa parte escrito enquanto se escondia dos nazistas em um anexo secreto na Holanda – visitei o local quando estive em Amsterdã.

2- Mentes perigosas – O psicopata mora ao lado – Ana Beatriz Barbosa Silva

Este livro, de modo algum, é um manual para identificar psicopatas, porém a autora descreve de uma forma bem simples para leigos o que é a psicopatia e como ela se manifesta. A ideia é que possamos identificar traços da doença e nos defender. Há muitos psicopatas que não matam, mas causam prejuízos financeiros ou emocionais. Como sempre gostei de histórias de serial killer, achei o livro muito interessante.

3- Na natureza selvagem

Figurinha batida já neste blog, mas desta vez é o livro que inspirou o filme, claro. O livro tem muitos detalhes que por razões óbvias não aparecem no filme, além das teorias sobre a morte de Chris McCandless.

4- Night – Elie Wiesel

Um judeu que viveu num campo de concentração e foi libertado 11 meses depois, conta suas experiência no campo. Para quem gosta de ler sobre essa parte da história, é um ótimo livro.

5- There is a light that never goes out

A biografia da banda The Smiths. Sei que não interessaria à muita gente, mas se você for fã da banda, vale a pena ler as mais de 600 páginas do livro!

Amsterdã, Holanda IV

Um dos passeios que eu mais esperava fazer em Amsterdã era a visita a Casa Anne Frank, o prédio onde funcionava a empresa de Otto Frank, pai de Anne, e posteriormente, se transformou no esconderijo de 8 pessoas por quase 2 anos durante a Segunda Guerra.

Os dois últimos andares faziam parte do Anexo Secreto
Os dois últimos andares faziam parte do Anexo Secreto

Resumindo MUITO a história, a família Frank se mudou da Alemanha para a Holanda na década de 30 temendo o partido nazista. O pai, Otto, abriu duas empresas (Opekta e Pectacon) que funcionavam neste prédio e estava tudo indo muito bem até o exército alemão invadir a Holanda. Em julho de 1942, a família Frank (Otto, Edith, Margot e Anne) e a família van Pels (Hermann, Auguste e Peter), além do dentista Fritz Pfeffer, se refugiaram nos dois últimos andares do prédio e com a ajuda dos funcionários, viveram lá por quase 2 anos até serem delatados. Todos foram deportados e mandados para os campos de concentração. Apenas Otto sobreviveu ao Holocausto.

Anne Frank manteve um diário sobre a vida no Anexo Secreto, como ela chamava, e após ouvir no rádio que havia interesse de publicar diários sobre o período após a guerra, ela expressou sua vontade de ter seu próprio diário publicado e passou a reescrever sua anotações e dar nomes fictícios aos moradores do Anexo. Uma das secretárias da empresa achou o diário de Anne e o guardou pensando em devolvê-lo quando ela voltasse. O  pai, Otto, decidiu que deveria fazer a vontade da filha e o publicou.

Placa em frente à casa
Placa em frente à casa

Claro, há várias teorias de que toda essa história foi inventada, que os textos de Anne eram muito maduros e profundos para sua idade, que como o diário foi tão facilmente deixado para trás pelos oficiais alemães e achado pela secretária blá blá blá. Isso, para mim, não tira o valor do livro e meu fascínio por ele.

A fila do museu estava ainda maior do que no dia anterior e acabei ficando 1h20 esperando. Eu poderia ter comprado o ticket no site do museu e ter entrado sem pegar fila, mas eu só descobri isso um dia antes de viajar e enfim, não tenho impressora em casa.

A fila anda virava a esquina ali na frente...
A fila ainda virava a esquina ali na frente…

Ainda na fila você recebe uma brochura com um resuminho de tudo, já que a visita não é guiada e eles supõem que nem todos leram ou se lembram bem do livro. O ticket custa 9 euros e para minha grande tristeza, não é permitido fotografar! Eu até entendo o motivo, já que o museu é pequeno e permitir que os turistas batessem fotos significaria um amontoado de gente em espaços pequenos.

Brochura
Brochura

Antes de chegar ao anexo, há vários documentos expostos,  exibição de entrevistas com as secretárias que ajudaram no enconderijo e maquetes de como o anexo secreto era na década de 40. Vale lembrar que toda a mobília foi retirada e Otto Frank, ao decidir criar o museu, não permitiu que o anexo fosse mobiliado novamente. Segundo ele, os cômodos vazios deveriam expressar a perda das vidas dos que lá viveram e assim continuam até hoje.

Finalmente, cheguei a falsa estante que escondia a porta que dava acesso ao anexo. Parei e fiquei alguns segundos tentando entender que estava no local que já tanto havia lido a descrição no livro. Wow, estou entrando onde a Anne Frank viveu por dois anos! A sensação é indescritível, um misto de emoção e incredulidade, como se eu conseguisse recriar na minha mente aquelas 8 pessoas passando seus dias lá na década de 40. As escadas que dão acesso aos andares superiores são muito estreitas e os degraus mais ainda. Na parede há trechos dos livros e no quarto que Anne dividia com Fritz, ainda há recortes de revistas e posteres que ela havia colado, tudo protegido por uma camada de vidro. Os ambientes são todos escuros, pois na época as grossas cortinas nunca eram abertas durante o dia, já que ninguém poderia perceber que havia pessoas morando ali. Os cômodos não eram pequenos, mas não eram suficientemente grandes para comportar seus moradores e provacidade não era algo que se tinha. O casal Frank e Margot dormiam onde também era a sala de estar e o casal van Pels dormia na cozinha. Fiquei poucos minutos no anexo secreto, meio boquiaberta achando incrível estar ali.

Na parte final da visita, há a exibição de outros vídeos, como trechos de entrevista de Otto, e outros documentos. Cara, o diário dela, Kitty, está exposto lá numa redoma de vidro! Meu, o diário! Tentei ler, apesar de estar escrito em holandês, mas fiquei mesmo observando a caligrafia (meio feinha, por sinal). Lembram-se que ela reescreveu o diário pensando em pública-lo? As folhas avulsas também estavam lá expostas. Incrível! Demais! Sensacional!

Finalmente, há um exposição dos 15 anos de Anne Frank e para cada ano de vida dela, há uma foto ou um objeto exposto. Uma foto me chamou a atenção. Nela, Anne está com uns 6 anos de idade com sua professora e seus coleguinhas de escola. Os 17 alunos judeus têm seu destino contado no lado da foto. A maioria não sobreviveu, assim como Anne Frank.

Eu fiquei com muita vontade de comprar o livro na lojinha do museu. Aí surgiu a dúvida: em português ou inglês? Como eu sempre parti do princípio que só faz sentido, pra mim, ler em inglês um livro originalmente escrito na língua, abandonei a ideia da versão inglesa. Porque se é para ler tradução, que seja na minha língua materna, né? (Ignorem o fato de eu estar lendo em inglês um livro originalmente escrito em alemão – tô na Irlanda, não tenho opção!). No fim, não levei nada, pois vi que a versão em português era de uma editora brasileira e enfim, por que pagar em euros algo que foi produzido em reais? No Brasil, eu garanto minha versão e leio pela 5ª vez. 🙂

Se você me aguentou falando de Anne Frank até agora, parabéns! Este é o  parágrafo que eu mudo de assunto. Cerca de 40% dos leitores já desistiram de ler este post a esta altura.

Saindo do museu, me toquei que eu não havia planejado mais nada para fazer naquele dia. Peguei o mapa da cidade e saí andando até chegar no museu de Amsterdã, que, obviamente, conta a história da cidade. Lembram-se que eu falei que visitar dois museus num dia me deixa mentalmente cansada? E a visita a Casa Anne Frank ainda estava pululando na minha mente. Decidi não entrar e fui ao pátio do museu descansar um pouco depois do almoço e aproveitar aquele calorzinho de 21 graus que há teeeeempos eu não sentia. E lá dentro, me deparei com isto:

Tamanho Bia, digo, miniatura!
Tamanho Bia, digo, miniatura!

É uma opção para ter a foto com as famosas letras, sem muitos turistas por perto, apesar de ser menor. 😉

Andei um pouco mais pelo centro, comprei lembrancinhas, fui a uma feirinha onde, fuçando os LPS, achei até um disco de lambada brasileira, cheguei ao Museu Judeu, mas estava cansada demais para encarar uma visita e o museu não parecia muito grande, dei mais uma volta na Red Light e, finalmente, voltei para o hostel, peguei minha mochila e segui para o terminal rodoviário para pegar o ônibus para meu próximo destino. 🙂

Havia mais o que se fazer na cidade, como visitar a Heineken Experience, ir ao Bar de Gelo ou fazer um tour de barco, por exemplo. Não quis ir no primeiro porque não bebo cerveja e não iria mudar nada na minha vida saber como uma bebida que eu não bebo é produzida; dispensei o segundo porque eu já passei muito frio aqui em Dublin e não tinha porque querer passar mais num pub todo feito de gelo; e o terceiro, bem, não tinha interesse nenhum de passear de barco, somente.

Curiosidades

* Há bicicletas por todos os lados! Amsterdã abraçou o meio de transporte com todo amor e carinho e há milhares delas espalhadas pela cidade. Jovens, adultos, idosos, moças, rapazes, pessoas bem vestidas, pessoas  de terno, enfim, todos andam de bicicleta. E por todo lado também há bicicletas estacionadas. O teu maior risco em Amsterdã é ser atropelado por uma delas, então preste atenção ao atravessar a rua e se ouvir o sininho tocando, saia da frente!

Detesto rosa, mas achei esta tão fofa!
Detesto rosa, mas achei esta tão fofa!

*Além das magrelas, a cidade ainda conta com ônibus e trem de superfície, os bondinhos, além dos carros e motos. Não bastasse isso, em várias ruas o limite entre a calçada e o meio da rua não é bem claro e a simples tarefa de atravessar a rua pode ser um super desafio!

É tudo junto e misturado!
É tudo junto e misturado!

*Os holandeses, em geral, falam inglês e falam bem! Um amigo que já havia visitado a cidade comentou que estava perdido no meio da rua e um mendigo se aproximou falando em holandês. Notando que eles não entendiam, mudou para inglês. Segundo este amigo, neste momento ele percebeu que estava num país de primeiro mundo, pois até o morador de rua era bilíngue. Pois é.

*Fiquem ligados com os preços de hostels! Na reserva não está incluso o imposto e você pode levar um susto quando for pagar a conta. Eu levei.

*Por toda cidade há banheiros públicos a 50 centavos. Mas se você for homem, pode se aliviar de graça num desses aí:

Curtiu a ideia?
Curtiu a ideia?

Não sei se gostei muito da ideia, porque o cheiro não é nada agradável.

*Descobri que é uma mania europeia (besta) colocar cadeados em pontes com as iniciais do casal e jogar a chave no rio para simbolizar o amor eterno. Isso parece mais amarração pra mim, mas tudo bem.

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Já havia visto em outras cidades da Europa

*Ou os hermanos migraram para lá ou os holandeses gostam muito de comida argentina, porque eu perdi as contas de quantos restaurantes argentinos eu vi na cidade!

Car-ne!
Car-ne!

*Nas lojinhas de souvernirs eu achei pirulito de maconha, chocolate de maconha, cookies de maconha, bala de maconha, camisinha de maconha, e enfim, maconha para todos os lados!

Gostei demais da cidade, me encantei por seu canais, sua flores e suas bicicletas! 😉

Amsterdã, Holanda III

Agora vamos encarar os fatos: Amsterdã te faz pensar no quê? Sexo e ervas de Jah, não é mesmo?

Pois fui dar umas voltas na famosa Red Light, o bairro da luz vermelha. Calma, calma, a região é um lugar muito seguro e casa de muitas famílias (inclusive, vi até crianças brincando na rua). A indústria do sexo e da maconha é só um detalhe.

A Red Light District existe desde do século 14 (ou seja, o Brasil nem existia e já rolava de tudo por lá) para suprir a necessidade de companhia feminina (if you know what I mean) que os marinheiros sentiam ao atracarem na cidade. Hoje em dia, a região é cheia de puteiros “casas de tolerância”, lugares que você finge que vai para tomar café, mas fuma maconha coffee shops, sex shops, bares e otras cositas.

A Disney para maiores de 18 anos
A Disney para maiores de 18 anos

A prostituição é legalizada na Holanda, ou seja, os bordéis têm autorização para funcionar e as meninas pagam impostos como qualquer outro trabalhador. As ditas profissionais do sexo ficam expostas em vitrines, vestindo apenas lingerie, tentando seduzir possíveis clientes. Aí você pensa que só tem mulher gostosona, né? Pois eu vi mulher para todo gosto: alta, baixa, gorda, magra, feia, bonita, loira, morena, negra, ruiva. Não é permitido fotografá-las na vitrine e a menos que você queira confusão, melhor nem tentar. Eu só fotografei com as cortinas fechadas, como na foto abaixo.

Vitrines do sexo
Vitrines do sexo

A guia do walking tour que fiz contou que as cabines são alugadas por valores entre 70 e 250 euros por um período de 8 horas, dependendo da localização, portanto, as trabalhadoras precisam recuperar o investimento feito e cobram, em média, 50 euros por 15 minutos. Pois é.

Mas nem só de sexo viverá o turista a Red Light, mas de ervas também. Não só a prostituição, mas também a maconha é legalizada no país. A guia do tour apontou um dado muito interessante sobre o consumo da droga: apesar de ser legalizada, a Holanda não está nem entre os primeiros países que mais a consomem na Europa, ou seja, os maiores consumidores são mesmo os turistas.

"Tô vendendo ervas que curam e acalmam..."
“Tô vendendo ervas que curam e acalmam…”

Na região há lojas que vendem os mais diversos tipos de erva e para consumir a compra, basta ir a um dos diversos coffee shops. Por ser permitido fumar dentro dos estabelecimentos, os coffee shops não têm autorização para vender nenhum tipo de bebida alcóolica. Resolvi que deveria ir no mais famoso do lugar, o The Bull Dog.

Um dos centenas de coffee shops da cidade
Um dos centenas de coffee shops da cidade

Sentei no bar, olhei o menu de bebidas, pedi e tomei um chocolate quente like a boss enquanto sentia um cheiro meio adocicado no ambiente. Ok, confesso que nunca me senti mais tonta na vida tomando uma bebida de criança (que eu bebo todo dia de manhã, diga-se de passagem) enquanto a galera fazia algo além de tomar seus respectivos cafés. Mas enfim, eu posso dizer que fui a um coffee shop, não é mesmo?

Na região ainda há o museu da maconha e o museu erótico, além de tantos outros estabelecimentos dedicados à diversão de maiores de 18 anos, como vocês podem conferir nas fotos abaixo.

O Moulin Rouge que eu conhecia era um pouco diferente...
O Moulin Rouge que eu conhecia era um pouco diferente…
"What she asked of me at the end of the day, Caligula would have blushed..."
“What she asked of me at the end of the day, Caligula would have blushed…”
Seeds
Seed

Saí do The Bull Dog, dei mais umas voltas e sentei na beira de um canal para outro momento de autorreflexão. Voltei para o hostel já sentindo o cansaço dominando meu corpo sedentário no segundo dia de viagem.

Ando assim meio fragmentada e a bela cidade vai ter 4 posts. Depois de sexo e drogas (sem rock’n’roll), falarei de Anne Frank, bicicletas e flores no próximo.

Curiosidades

*A maconha é legalizada na Holanda desde 1976, mas isso não significa que você pode entrar num coffee shop e comprar a quantidade que quiser ou fumar onde quiser. É permitido portar até 5g da droga e seu consumo é restrito à alguns estabelecimentos. Aliás,  hostels e hóteis deixam bem claro aos hóspedes que não é permitido fumar em suas dependências.

*Na última década o número de coffe shops na cidade caiu de 1550 para pouco mais de 600. Isso porque as leis são muito rígidas e uma vez desreipeitadas já é motivo para o governo tomar a licença do estabelecimento e fechá-lo.

*Há cerca de 250 vitrines na Red Light.

*Não é permitido fotografar as prostitutas nas vitrines, mas esta daí estava na rua e bem, acabei fotografando.

Notou o detalhe da foto?
Notou o detalhe da foto?

Amsterdã, Holanda II

O que te vem à cabeça quando pensa em Amsterdã? Isso mesmo, o Museu da Anne Frank! 😉

Já comentei aqui no blog que a Segunda Guerra é um tema que gosto bastante. Já vi muitos filmes e documentários e li livros sobre o tema. Um dos livros que li (umas 4 vezes) foi O Diário de Anne Frank e confesso que era o que mais queria ver na bela Amsterdã.

O walking tour terminou quase em frente ao museu, mas como a fila estava grande, decidi ir ao Rijksmuseum, que é o museu de história e arte da cidade, e deixar a visita para o dia seguinte.

Rijksmuseum
Rijksmuseum

Ao lado dele, fica o museu Van Gogh e em ambos a entrada custa 15 euros. Gosto de museus, mas visitar dois em seguida me deixaria mentalmente cansada (mais alguém fica assim?) e decidi entrar apenas no Van Gogh.

Admito que não sabia muito sobre o pintor, mas enfim, na minha casa, por muito tempo, tivemos três “réplicas” de suas pinturas e já havia visto vários quadros pintados por ele. O museu conta a trajetória do pintor que até os 27 anos nunca havia pintado profissionalmente e tampouco possuía uma habilidade natural para a pintura, sendo que precisou estudar e se empenhar para suprir a “falta de dom”. Parênteses. Isso me fez pensar em duas coisas: motivação é alma do aprendizado, ou seja, a galera que vem para a Irlanda aprender inglês e culpa o excesso de brasileiros pelo não aprendizado, por exemplo, só está tentando se enganar. Segundo, nunca é tarde demais para tentar algo diferente. E isso serve para mim, que às vezes penso que já estou meio velha para isso ou tentar aquilo, e eu só (?) tenho um quarto de século de vida. Fecha parênteses. Claro, para quem não sabe, Van Gogh faleceu como um zé ninguém e vendeu apenas um quadro em vida. Tá, na verdade, ele se suicidou. Mas só levem em consideração a parte motivacional da história. Agora, chega de falar asneira.

No museu, além de várias obras expostas, há também estudos dos quadros do pintor. Algumas obra passaram por raio-x e revelaram que Van Gogh tinha o hábito de pintar em cima de outras pinturas já feitas ou mostram como as pinturas desbotaram e as cores mudaram com o tempo.

Lembro de já ter utilizado esta pintura numa aula de inglês.
Lembro de já ter utilizado esta pintura numa aula de inglês

Perto do museu fica o famoso cartão postal da cidade, aquelas disputadíssimas letras…

"Pqp, quanto robert na minha foto!"
“PQP, quanto robert na minha foto!”

Tirar foto estilo turista aí em frente é difícil. Ou você ignora as milhares de crianças pulando, os adolescentes enchendo o saco e os vovôs que ficam parados em frente porque, sei lá, deu vontade ou não tira foto. Pelo menos, no dia que fui estava assim.

Depois da foto, da visita ao museu e das 3h de walking tour eu já estava super cansada, mas Europa na primavera-quase-verão é luz solar até às 21h30, chegando até às 23h entre junho e julho, logo, eu ainda poderia aproveitar um pouco e esquecer do cansaço. Perto dos museus fica o Vondelpark e resolvi entrar e sentar um pouco, obervando as pessoas passeando, sentadas na grama, conversando, andando deb bicicleta… E fiquei uns bons minutos lá pensando na vida, naquele momento de autorreflexão nosso de cada dia.

Vondelpark
Vondelpark

Fiz meu caminho de volta para o hostel, bravamente me desviando das bicicletas e cruzando os trilhos de bondinho sem ser atingida (falarei disso tudo com mais detalhes). Descansei um pouco, mas ainda eram 19h e o sol estava me chamando para sair novamente. Desta vez, fui conhecer  famosa Red Light, mas isto fica para o próximo post.

Ahhh, Amsterdã!
Ahhh, Amsterdã!

Auschwitz-Birkenau III

De um campo a outro são cerca de 3km. A mesma van que nos pegou no hostel, nos levou a Birkenau.

Cercas de Birkenau
Cercas de Birkenau

Os trilhos do trem vão até dentro do campo e na própria “plataforma” era feita a seleção. Após explicar detalhes dos trilhos, trens e seleção, a guia nos disse que faríamos exatamente o mesmo caminho feito pelos recém-chegados que iam para a câmara de gás. Foi forte.

Câmara de gás destruída pelos alemães antes de abandonarem o campo
Câmara de gás destruída pelos alemães antes de abandonarem o campo

Em seguida, entramos nos prédios onde os prisioneiros dormiam e a guia reassaltou que o inverno polonês poderia ter temperaturas de até -20 graus e, mesmo assim, não havia qualquer tipo de aquecimento nos prédios e os prisioneiros não recebiam nenhuma roupa extra para aguentar o frio. Visitamos também o “banheiro”, local sem condição nenhuma de higiene e nenhuma privacidade.

Banheiros de uso comum
Banheiros de uso comum

E como praticamente tudo no campo era feito pelo próprios prisioneiros, eles deveriam limpar o banheiro também. Mas por incrível que pareça, este era um dos trabalhos “bons” de Auschwitz. Primeiro porque os prisioneiros só poderiam ir ao banheiro de manhã ao acordarem e à noite quando voltavam do trabalho e trabalhando com a limpeza, o acesso ao banheiro era livre (lembrando que diarréia era um sintoma comum entre os prisioneiros devido a várias doenças). Segundo, porque ficavam tão mal cheirosos que os guardas do campo não chegavam perto nem para bater.

Birkenau
Birkenau

Em Birkenau foi construído um memorial para as vítimas e há uma pedra de mármore com uma mensagem escrita em cada uma das línguas faladas pelos prisioneiros. Comovente.

Memorial
Memorial
"Que este lugar seja sempre um pranto de desespero e um aviso à humanidade, onde os nazistas assassinaram cerca de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças, principalmente judeus de vários países da Europa."Auschwitz-Birkenau 1940-1945
“Que este lugar seja sempre um pranto de desespero e um aviso à humanidade, onde os nazistas assassinaram cerca de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças, principalmente judeus de vários países da Europa.”
Auschwitz-Birkenau 1940-1945

Terminada a visita, saí dos campos refletindo muito e até agora às vezes me pego pensando nas coisas que vi ali. Uma cena muito forte em Auschwitz é da sala onde estão 2 toneladas de cabelos raspados dos prisioneiros. Não é permitido fotografá-los. Ver objetos pessoais de pessoas que foram tratadas de forma desumana choca, mas ver seus cabelos comove de uma forma que não consigo expressar com palavras. E por que os nazistas raspavam os cabelos? Retorno financeiro, como tudo que exploravam nos campos. Os cabelos eram vendidos para a indústria têxtil e as cinzas dos prisioneiros poderiam virar fertilizante.

Este memorial foi colocado em todos os lugares onde cinzas humanas foram encontradas
Este memorial foi colocado em todos os lugares onde cinzas humanas foram encontradas

Como contei no início do primeiro post sobre Auschwitz-Birkenau, sempre me interessei por esta parte da história. Já li alguns livros, reportagens e vi alguns flmes relacionados ao tema, então, achei que seria interessante indicar alguns.

1. A vida é bela

A vida é belaFilme italiano de 1997 com direção de Roberto Benigni e é um dos meus preferidos. Guido e seu filho são levados para um campo de concentração, mas o pai consegue fazer com que o filho acredite que estão participando de um grande jogo e o menino não percebe o meio em que está inserido. O final é comovente.

2. O menino do pijama listrado

Eu sempre digo que primeiro se deve ler o livro para em seguida ver sua adaptação ao cinema, mas neste caso, fiz o caminho inverso. Bruno é filho do comandante de Auschwitz e fica frustrado ao ser obrigado a deixar Berlin para viver ao lado do campo. Aos 8, 9 anos, ele não entende o que acontece à sua volta e adora sair para explorar. Conhece, então, um menino que está sempre vestindo “pijama” e viram amigos. A linguagem do livro é muito simples, pois a história é contada à partir do ponto de vista de uma criança.

3. Bastardos Inglórios

O filme mistura ficção e realidade e é bem para o gosto daqueles que adoram ver sangue. Um grupo de soldados judeus tem a missão de matar de forma cruel o maior número possível de nazistas e Shosanna é uma judia que conseguiu fugir de um massacre que matou toda a sua família e agora dirige, com um nome falso, um cinema em Paris. Eles se encontram e o final é interessante, eu diria.

4. A lista de Schindler

O filme foi rodado em Cracóvia e após visitar alguns locais que aparecem nas cenas, fiquei com muita vonta de assistí-lo (porque apesar de passar todos os dias no SBT desde que eu tinha uns 8 anos, eu nunca tinha visto!). São mais de 3h, mas o filme é maravilhoso! Conta (de forma romanceada, claro) a história de Oskar Schindler, um membro do partido nazista que se simpatizava com os judeus. Quando o gueto judeu foi extinto, gastou sua fortuna (conquistada com o trabalho escravo de judeus) salvando o maior número possível de pessoas exigindo que levassem todas para trabalhar em sua fábrica. Lá, os prisioneiros tinham condições mais dignas de vida e não sofriam nenhum tipo de punição ou tortura.

5. O diário de Anne Frank

Anne Frank
Anne Frank

Já li o livro 3 vezes, sendo que a primeira vez foi aos 14 anos. Anne Frank era uma alemã judia que havia se mudado para a Holanda com a família fugindo dos nazistas. Infelizmente, a Holanda também começou a deportar judeus e sua família se escondeu em um “anexo secreto” num prédio comercial que era de seu pai. A menina manteve o diário por mais de 2 anos, até que sua família foi denunciada e enviada a Auschwitz. Recentemente descobri que há uma adaptação para o cinema de 1959! Para quem se interessar, basta digitar “O diário de Anne Frank” no YouTube e encontrará o filme completo.

6. Auschwitz: The Nazis and the Final Solution

Excelente documentário da BBC de 6 episódios sobre a história do campo que assisti logo antes de viajar. Traz muitos relatos de sobreviventes e até de um guarda que trabalhava no campo. Sei que a BBC tem mais alguns documentários sobre o tema, é só dar uma pesquisada!

7. A queda – As últimas horas de Hitler

Filme alemão de 2004 que, enfim, o título é autoexplicativo. A secretária de Hitler conta como foram seus últimos dias escondido em seu esconderijo de segurança máxima. O filme tem 2h e meia e pode ser um pouco cansativo se você não estiver realmente interessado.

8. O pianista

Filme dirigido por Roman Polanski. O diretor é franco-polonês e viveu no gueto de Cracóvia, de onde conseguiu fugir antes de ser enviado a Auschwitz. O filme conta a história de um pianista judeu que consegue fugir dos soldados nazistas e se esconde em prédios abandonados até que a guerra acabe.

Sei que há muitos outros filmes, livros (ficcionais ou não) e documentários sobre esta parte da história e estas são apenas algumas sugestões. Vi nas livrarias aqui da Irlanda um livro chamado “The dark charisma of Adolf Hitler” da BBC e estou seriamente pensando em comprar. Ah, tem o documentário de mesmo nome.

A próxima parada da viagem também foi marcada pelas lembranças do horror nazista.