Buenos Aires – mais chorizo, sorvete e o fim da viagem

Terminei o último post falando que queria muito fazer algo antes de voltar ao hostel, aliás, ao Brasil. Não é nada absurdo: eu só queria tomar um chocolate quente no Café Tortoni! Eu fiquei encantada com a decoração do café que faz parecer que estamos nos anos 20, com o charme das mesas e o clima do lugar! Como eu só havia assistido ao show de tango, que é numa sala à parte do café, fiquei com muita vontade de voltar lá apenas para isso.

Café Tortoni
Café Tortoni

O café é realmente uma atração turística e quando chegamos lá por volta de 18h, havia uma fila quase estilo Outback (aparentemente, é assim todos os dias). O senhor que estava na porta nos informou que talvez demoraria uns 30 minutos até entrarmos, mas na verdade, foram 13 – sim, contei no relógio. Pedi um “combo” com chocolate quente e 3 churros que custou 60 pesos (uns 13 reais). Achei tudo muito gostoso e voltei feliz para o hostel.

No dia seguinte, tiramos mais umas fotos na Floralis Genérica, demos uma volta na Calle Florida e fomos almoçar. Foi caminhando da Floralis até a 9 de julho, aliás, que notei que o taxista que comentei em outro post havia nos sacaneado, porque eu cheguei muito rápido até a avenida indo a pé e ele entrou em muitas ruazinhas para fazer isso!

Floralis
Floralis

Como seria meu último almoço argentino antes de retornar ao Brasil, eu quis comer chorizo de novo e olha, esses argentinos não têm miséria quando o assunto é carne, por isso que digo que ingeri todas as proteínas do mês de julho enquanto estive lá. E o prato saiu por 100 pesos (uns 22 reais).

A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!
A foto não consegue mostrar o quão grande esse chorizo era!

Estava tão alegre de barriga cheia que saí do restaurante e esqueci meu earmuff (o aquecedor de orelha que estou usando na foto com a Floralis) pendurado na cadeira do restaurante! 😦 E eu só fui me dar conta disso mais tarde, quando cheguei no aeroporto. Vou ter que voltar pra Dublin pra comprar outro! 🙂

Para encerrar a visita com chave de calorias, antes de voltar ao hostel passei numa sorveteria na Calle Florida chamada “Abuela Goye” (que eles pronunciam goche – ai, me divirto!) e me acabei num pote de sorvete de 3 bolas e sabores diferentes por 46 pesos (uns 10 reais).

A sorveteria e um photobomb
A sorveteria e um photobomb

O local também vende alfajor, que aliás, são mais caros que os Havanna e tem opções bem interessantes de sabores. Sim, eu comprei alfajor também. Aliás, voltei para o Brasil com 2 caixas de alfajor e 800g de dulce de leche Havanna (que custou só uns 16 reais). Só não trouxe o sorvete e o chorizo por motivos óbvios!

Flocos, chocolate especial da casa e nozes
Flocos, chocolate especial da casa e nozes

Voltamos ao hostel para esperar o transfer que reservamos com o pessoal de lá mesmo, já que não estávamos a fim de encarar quase 3h de volta ao aeroporto. De carro foram apenas 45 minutos até lá (com um motorista muito do barbeiro). Fizemos check-in e achei engraçado a funcionária da Gol observar que a “pata”, como ela disse, da minha mala estava quebrada (ah, não me diga! vi bem a delicadeza dos funcionários do aeroporto colocando as malas no avião – anyways, o pé da mala está quebrado desde outros carnavais) e me pediu para assinar um papel para provar que a mala já havia saído assim de Buenos Aires. Ok, then.

O voo até Florianópolis durou 1h30 e foi bem tranquilo. Parênteses. O voo foi justamente no horário do jogo Brasil e Alemanha. Quando embarquei já estava em 5×0, mas eu só percebi que nada é tão ruim que não possa piorar quando aterrissamos e descobrimos que havia terminado em 7×1. Fim do parênteses.

O free shop de Florianópolis é minúsculo, tão pequeno que ele só abre quando um voo internacional chega. Há. Já o free shop de EZEIZA, ainda em Buenos Aires, é gi-gan-te! Porém, o que queria só fui achar mesmo em Floripa! Mas fica a dica para quem quer se acabar nas compras: chegue mais cedo no EZEIZA e faça a festa!

Como o voo de volta a São Paulo só sairia no dia seguinte às 7h da manhã (e ainda era 20h), fizemos tudo com calma. Desembarcamos e fui ao balcão da Gol perguntar quando poderia despachar minha mala e para minha surpresa, a atendente disse que se eu quisesse, poderia embarcar num voo que estava saindo para Guarulhos às 21h45 sem nenhum custo – era uma gentileza deles, pois notaram que muita gente chegava de Buenos Aires neste voo e dormia no aeroporto. It was so nice of them! 🙂

Cheguei em São Palo depois de 50 minutos de voo e antes da meia-noite já estava em casa, feliz por finalmente ter conhecido o país vizinho.

[Como este post já está bem grandinho, deixo para falar as minhas impressões de Buenos Aires, incluindo o hostel, a comida e as atrações, no próximo – e certamente o último- post da série]

 

Bandeiras argentinas everywhere
Bandeiras argentinas everywhere

Viajando pela Europa: Verão x Inverno

Teoricamente, brasileiros vão para Irlanda para aprender ou melhorar o inglês e, nas horas vagas, viajar. Pergunte a um intercambista brasileiro por qual motivo ele escolheu a Irlanda e 11 de cada 10 responderão isso.

Aqui no Brasil, ou São Paulo para ser mais específica, a gente só leva em consideração a estação do ano ou o tempo quando vai viajar se for para a praia, porque, afinal, em nossa mentalidade latino-americana só rola praia se o dia estiver ensolarado (digo isto porque na Irlanda praia não é necessariamente sinônimo de sol).

Só que em boa parte da Europa as estações são bem definidas. O verão costuma ser bem quente em alguns lugares (não na Irlanda, duuuh) e os dias bem longos (na terra dos leprechauns, amanhecia por volta das 4h e ainda se via raios de sol perto das 23h, por exemplo). E o inverno, além do frio, traz muita neve e poucas horas de sol. E visitar um mesmo país no verão ou no inverno podem ser duas experiências muito distintas.

Então, é melhor viajar no verão ou no inverno?

Bem, o melhor é viajar sempre que houver oportunidade e fundos para isso. Vivendo nesta vida frugal de intercambista, nem sempre as duas coisas calham de acontecer ao mesmo tempo, mas se acontecerem, VÁ!

Porém, no caso de poder escolher, antes de decidir se é melhor ir a tal país no inverno ou no verão, leve algumas coisas em consideração.

Tipo de turismo

Se seu plano é ver neve, esquiar ou realizar qualquer atividade relacionada ao frio, logo, a resposta óbvia é: vá no inverno. Em janeiro, fui para a Polônia e uma das partes da viagem era justamente esquiar. Porém, eu continuei passeando pelo país e ter visitado Cracóvia e Varsóvia no auge do inverno não foi a coisa mais legal. O frio de Cracóvia estava suportável até, mas quando cheguei na capital polonesa e tive que enfrentar – 9 graus com neve constante da hora que cheguei até a hora que peguei o avião de volta para Dublin, não achei um dos passeios mais legais da minha vida.

Esquiando. Aí o frio tá perdoado!
Esquiando. Aí o frio tá perdoado!

Aproveitando o dia

Como já citei, na Europa, os dias de verão são bem longos e, consequentemente, as atrações turísticas costumam ficar abertas por mais tempo. Além disso, mesmo depois que museus e afins fecham, você ainda pode andar pela cidade e visitar atrações à céu aberto, pois o sol não se põe antes das 21h ou 22h. Na minha viagem de janeiro, às 17h já não havia mais muita coisa para se fazer: atrações fechadas, o sol já tinha se despedido e o frio reinava! Invariavelmente, jantava e ia para o hostel. A exceção foi em Zakopane, na Polônia, quando numa das noites fui a um SPA de piscinas aquecidas (uma das melhores partes da viagem, com certeza). Já na viagem de maio, quase verão, eu consegui fazer meu dia render muito mais. Aliás, em Amsterdam, eu não vi a noite, pois a hora que voltava ao hostel, já quase às 22h, ainda estava claro. Resultado: fiz tudo que queria e mais um pouco!

Turistas e preços 

Esta é uma vantagem de se viajar no inverno, já que os turistas preferem viajar no verão. As atrações e tours não ficam tão cheios e costumam ser um pouco mais baratos. Eu entrei no Edinburgh Castle sem pegar fila! Os hostels também costumam baixar seus preços nesta época do ano, com exceção, claro, de cidades que recebem mais turistas no inverno (por conta de estações de esqui, por exemplo). As companhias aéreas fazem promoções para atrair mais passageiros e, no fim das contas, gasta-se muito menos viajando no frio. Eu paguei tão pouco nas passagens de avião de 4 trechos na viagem de janeiro que dá até vontade de rir! Já em maio, eu acabei gastando bem mais com passagens – mas valeu cada centavo.

Bagagem e fotos

Inverno, muito frio, muita roupa. Você vai acabar levando muito mais peso numa viagem de inverno, pois precisará de muito mais roupa para se aquecer. Além disso, o mais provável é que você tenha no máximo dois casacos pesados de frio e, portanto, vai sair com a mesma roupa em todas as 899 fotos que tirar. Algumas pessoas não ligam, mas outros acham ruim. Eu apareço com meu sobretudo preto em 90% das fotos tiradas no inverno. Sem mais.
Já no verão, as roupas são mais leves e dá para levar mais peças para usar durante a viagem, seja pelo problema “eu transpiro muito e preciso de muitas roupas” ou pela coisa do “não quero sair com a mesma roupa nas fotos”.

Seu humor

Viajar é sempre legal, a gente se desliga um pouco da nossa rotina e conhece outra realidade, que alegria! Mas seu humor é o mesmo no verão ou no inverno? Se você for como eu, com certeza gostará mais de viajar no verão! Acordar de manhã, abrir a janela e ver um belo céu azul sem nuvens e colocar uma roupa leve me deixa com o humor muito melhor do que acordar sentindo frio e ter que colocar várias camadas de roupas. Lembro-me bem na viagem que fiz a Liverpool, depois de meses já passando frio em Dublin, cheguei lá e o céu estava cinza, ventava muito e garoava. Passamos um bom tempo dentro de museus, mas quando saíamos para a rua, eu fechava a cara na hora (peço desculpas aqui, tardiamente, ao meus companheiros de viagem – desculpem-me se fui uma má companhia no frio de Liverpool).

Esta sou eu no frio de Varsóvia. Eu pareço feliz?
Esta sou eu no frio de Varsóvia. Eu pareço feliz?

Acredito que viajar é sempre bom e é algo que todos deveriam fazer sempre que possível. Eu não deixaria de viajar no inverno por causa do frio, apesar de não ser fã de baixas temperaturas, porém, podendo escolher, há mais vantagens em se viajar no verão do que no inverno, apesar de o custo total da viagem ser mais alto. Quer saber? VIAJA, gente, VIAJA! 🙂

Sachsenhausen

Este é o nome do lugar que visitei na minha última manhã na Alemanha. A pronúncia é algo como Zaksenrauzen, um campo de concentração. Como expliquei mais ou menos no post anterior, eu vi um panfleto de um walking tour que cobria os pontos principais da Segunda Guerra e Holocausto e incluía a visita a um campo de concentração. Tive, então, a excelente ideia de ir à recepção do hostel pedir mais informações (já que eu não tinha interesse em fazer o tour completo):

– Oi! Tenho interesse de visitar Sachsenhausen (falei o nome errado, porque, né, alemão é a língua do capeta), você sabe me dizer como chegar lá?
– Você pode pegar o trem sentido estação X (vocês não acham que vou decorar nome de estação de trem em alemão, né?), descer na estação final e de lá é fácil ir a pé.
– Ah sim. E você sabe se o campo ainda está bem conservado ou é mais um museu, um memorial?
– Não sei, não, nunca fui lá. Não é um lugar que eu gostaria de visitar, porque meu avô faleceu lá.
– +.+

Fiquei sem palavras, agradeci e voltei para o meu quarto. Pois é.

No dia seguinte, encarei 1h de trem e uns 25 minutos a pé até o campo. Aliás, a parte do caminho feita a pé passa por ruas bem bonitinhas que dão uma sensação de tranquilidade. Irônico até.

Entrada de Sachsenhausen
Entrada de Sachsenhausen

Os campos poderiam ser de concentração, extermínio ou uma combinação dos dois. Na Alemanha havia apenas campos de concentração e os campos de extermínio ficavam mais para o leste europeu. Obviamente, isso não significa que não aconteciam execuções nos campos de concentração, apenas que esta não era sua principal função (em Treblinka, por exemplo, os judeus chegavam e iam diretamente para a câmara de gás – não havia seleção para trabalhos forçados).

O campo de Sachsenhausen foi inaugurado em 1936 para prisioneiros políticos e se tornou uma espécie de centro de treinamento para oficiais da SS, que futuramente, acabariam por ser comandantes de outros campos de concentração (Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz, passou por lá). Mais tarde, os judeus chegaram ao campo e, em 1943, uma pequena câmara de gás e um crematório foram construídos no local.

"O trabalho liberta" - Portão do campo
“O trabalho liberta” – Portão do campo

A entrada é gratuita e a visita não é guiada, mas o audiotour custa apenas 3 euros. Eu fiz a visita com o audiotour, só que  é muita informação e se fosse ouvir tudo, teria ficado lá quase o dia inteiro.

O campo foi quase todo destruído e os poucos prédios que ainda estão no local abrigam museus com exposições sobre a vida no campo, o Holocausto etc.

Até 400 prisioneiros usavam o lavatório ao mesmo tempo
Até 400 prisioneiros usavam o lavatório ao mesmo tempo

Se comparado a Auschwitz-Birkenau, Sachsenhausen não é tão tocante, digamos assim. Talvez por Auschwitz ainda conservar os prédios como eram na década de 40, por ser maior, por o museu conter objetos pessoais das vítimas (o que me causou emoções bem fortes), pela visita ser guiada, enfim, o contexto todo causa uma reação mais forte do que Sachsenhausen. Ainda assim, recomendo a visita pela questão histórica. Alguns prédios ainda conservam áreas como eram quando o campo estava funcionando. A cozinha, por exemplo, fica no subsolo de um dos prédios e me deu arrepios andar por lá.

Memorial às vítimas
Memorial às vítimas

Outra parte do campo que também me deu calafrios visitar foi o mortuário, por razões óbvias.

Por questão de tempo, não consegui visitar o campo inteiro, que é muito grande, e retornei a Berlin para terminar a viagem, como contei no post anterior.

Depois de visitar Auschwitz, assisti alguns filmes com o tema da Segunda Guerra e  Holocausto e até recomendei alguns aqui no blog. Dessa vez, parti para os livros e já estou lendo o quarto!

Night – Elie Wiesel
Neste livro, Elie conta de forma fragmentada sua experiência nos campos de concentração. Na primeira parte, ele conta como era sua vida na Transilvânia antes da invasão alemã, a vida no gueto e o transporte. Na segunda parte, conta como era a vida no campo, mas sem muitos detalhes, apenas relatando eventos. Chama a atenção quando conta que a primeira coisa que viu ao chegar foi crianças sendo jogadas vivas nas chamas e como, à todo custo, tentou se manter próximo de seu pai.

Elie é o 7º da esquerda para direita no 2ª "andar" - Foto tirada no dia da liberação do campo de Buchenwald
Elie é o 7º da esquerda para direita no 2ª “andar” – Foto tirada no dia da liberação do campo de Buchenwald

Creio que haja uma versão em português.

Tell no one who you are – Walter Buchignani
Este livro conta a história real, porém de forma romanceada, de Régine Miller, uma menina belga de origem polonesa de 10 anos que foi escondida na casa de quatro famílias diferentes para que não fosse deportada. Régine vira Augusta Debois e não pode contar a ninguém sua verdade identidade e assim vive por quase 3 anos, até o fim da Guerra.

The Commandant – editado por Jurg Amann
O comandante de Auschwitz, Rudolf Hoess, mudou de nome e se escondeu numa fazenda, onde trabalhava, até que sua mulher revelou tudo às autoridades (ela foi enganada- alegaram que seu filho seria mandado para um campo de trabalho na Rússia caso ela não revelasse o paradeiro do marido- era mentira, mas ela acreditou). Enquanto aguardava a execução de sua pena (ele foi enforcado em Auschwitz), resolveu escrever um auto-biografia. A versão original foi editada neste livro que não alterou em nada o conteúdo, apenas o resumiu. No livro, o comandante fala de sua infância, da sua indiferença em relação aos pais, que nunca foi de frequentar bordéis (o comandante de Auschwitz só transava com amor, vejam só!) e como chegou ao posto de comandante. É muito interessante como no livro ele deixa claro que tudo que fazia era cumprir ordens, fazer seu trabalho, como se estivesse falando de uma fábrica que, sei lá, produz sapatos. “Ah, eu era o comandante e tinha que me certificar que todos os judeus estavam sendo mortos da maneira mais eficiente possível. Era só o meu trabalho”, basicamente. Em outro trecho ele deixa claro que, pessoalmente, nunca odiou os judeus, mas como eles eram os inimigos da Alemanha e recebia ordem de assassiná-los, ele fazia, ué! Excelente funcionário, não? Ele não demonstra remorso nenhum morre fiel ao partido nazista.

Is this a man?/ The Truce – Primo Levi
Estes dois livros (que na minha edição, são um só) são mais complexos. Primo Levi era um quimico italiano de 24 anos quando foi deportado para Auschwitz, onde ficou por 11 meses até a liberação. Ele conta com muitos detalhes o dia-a-dia no campo e faz reflexões sobre o que viveu lá. Conta como a ecomonia e o mercado negro funcionavam dentro do campo (uma porção de pão poderia ser trocada por n coisas), a rotina, o trobalho, a hierarquia entre os prisioneiros e por aí vai. O livro é longo e eu ainda não terminei de ler o primeiro. No segundo, The Truce, ele conta como é retomar a vida após o Holocausto.

O assunto me interessa muito (quem lê o blog sempre já meio que tá careca de saber isso) e eu estou devorando estes livros (em menos de um mês, já estou lendo o quarto!). Mas na última noite tive um sonho terrível, sonhei que estava num campo de concentração e eu tinha ciência de tudo que estava acontecendo. Lembro que no sonho eu tinha acabado de chegar ao campo e aguardava a seleção. O terror e o medo que eu sentia me fizeram acordar suando.

Se tiverem alguma sugestão de leitura, comentários são bem-vindos.

Berlin, Alemanha II

A bela Berlin me recebeu com um calor de 24 graus e pude usar uma regata depois de meses! Isso me fez gostar ainda mais da cidade, claro.

Depois do Checkpoint Charlie, fui ao Bundestag, o parlamento alemão. O prédio foi construído em 1894 e foi de onde a república foi proclamada, em 1918. Em 1933 foi incendiado e durante a Segunda Guerra, foi muito danificado. Apenas em 1956 ficou decidido que o prédio deveria ser reconstruído, mas não foi até 1999 que voltou a ser usado como sede do parlamento alemão. O prédio é aberto à visitação e a entrada é gratuita. Não entrei, pois precisaria ter agendado a visita pelo site e enfim, não agendei. Cabeça de vento.

Reichstag
Reichstag

Eu achei o prédio bem imponente e todas essas bandeiras alemãs dão um ar ainda maior de poder.

Bem próximo ao Reichstag, fica o Brandenburger Tor, que foi construído no fim do século XVIII e servia como uma das entradas de Berlin, que era cercada por muros. No topo, foi colocada uma quadriga, uma carroça puxada por quatro cavalos, que não ficou muito tempo por lá, pois Napoleão resolveu levá-la para França em 1806 para simbolizar o domínio francês. Ela voltou para a Alemanha em 1814, recebendo uma cruz de ferro e uma águia para simbolizar a vitória (antes simbolizava a paz).

Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa
Brandenburger Tor e eu sou uma péssima fotógrafa

O portão e a quadriga foram danificados na segunda guerra e reconstruídos pelas duas Alemanhas, porém sem a cruz de ferro e a águia, que só voltaram a ela em 1991. Hoje, o portão é símbolo da unificação alemã. Ufa! Eu disse que Berlin era cheia de história!

Antes da construção do Muro de Berlin, o muro também servia para dividir as duas Alemanhas. Havia um cara se passando por militar e vendendo postais com carimbos de “fronteira”. Eu achei super legal (ai, turistas), pois ele falava como se realmente estivesse num setor de imigração, fazendo perguntas e tudo mais. E, sim, paguei 2 euros para ter um postal cheio de carimbos. 😉

Bora cruzar o Muro de Berlin?
Bora cruzar o Brandenburger Tor?

Passei pelo Memorial aos Judeus Assassinados na Europa, mas falarei a respeito quando falar do tour. De lá, fui para a Topografia do Terror, um museu que conta a Segunda Guerra a partir do ponto de vista do Nazismo. A entrada é gratuita e em frente ao museu há um longo pedaço do Muro de Berlin, exatamente onde ele foi construído.

Muro de Berlin
Muro de Berlin

O museu funciona onde ficava a sede da Gestapo e da SS e enfim, é onde as atrocidades eram planejadas e gerenciadas durante o regime nazista. O prédio original foi destruído durante a segunda guerra e apenas seus alicerces e porão ainda permanecem lá. Em 2007, foi construído o prédio que abriga a exposição e há outra exposição ao longo do Muro de Berlin, a céu aberto.

A exposição traz muita informação sobre esta parte da história, desde a ascensão do nazismo ao poder até o fim da Guerra e o destino dos comandantes nazistas.

Exposição externa
Exposição externa

Voltei para o hostel e no fim do meu terceiro dia de viagem notei que meus pés estavam inchados! Eu nunca havia visto meus pés inchados antes! Fui dormir exausta e no meio da madrugada, que nacionalidade entra no quarto berrando? Sim, espanhóis. Eu já adoro (not) o idioma, agora amo ainda mais os falantes. ¬¬

No dia seguinte, apesar do cansaço, acordei cedo e segui para o free walking tour, que eu vou deixar para contar no próximo post.

Berlin! <3
Berlin! ❤

Berlin, Alemanha I

Ahhh Berlin! Não imaginei que fosse gostar tanto desta cidade. Mas como não adorar Berlin quando a cidade respira história? Quando o moderno se mistura com anos desta história?

Apesar de o ônibus sair apenas às 23h15, às 20h eu já estava no terminal rodoviário. Comprei um milkshake no Burger King e fiquei escrevendo pensamentos aleatórios num caderno enquanto esperava (olha o que a falta de wi-fi não faz com o ser humano!). Fui fazer o check-in no balcão da Eurolines e sou sacaneada pelo funcionário que, para minha surpresa, começa a falar português ao ver no sistema que sou brasileira. E ele era holandês, só pra constar.

Eu queria com todas as minhas forças dormir o máximo nas 9h de viagem até Berlin. Aí Murphy mandou dois leitores noturnos no ônibus, um no banco da frente e outro no banco de trás de onde estava, os únicos com as luzes, que pareciam holofotes, acesas no ônibus inteiro. Não bastasse isso, um grupo de espanhóis do inferno confundiram Berlin com o Hopi Hari e pareciam pré-adolescentes em excursão escolar. Moral da história: eu detesto espanhóis (houve outro evento com a nacionalidade durante a viagem).

Chegando em Berlin, peguei o metrô para ir ao hostel. Entrei na estação e cadê a máquina de comprar bilhete? Não achei. Quando notei, já estava na plataforma e nada de ver máquina para comprar o ticket. Imaginei que fosse dentro do trem, como em Amsterdã, mas não vi nada também. E o medo de entrar algum fiscal e me pegar andando de trem de graça? Desci duas estações depois, procurei a bendita maquininha e nada. Resumindo: andei de graça no metrô de Berlin e não me orgulho disso. Na estação que desci, finalmente, vi onde elas ficam: na plataforma mesmo. Talvez minha miopia tenha aumentado, né, porque juro que não vi nas outras estações.

Cheguei no hostel, fiz check-in, me troquei, tentei disfarçar a cara amassada e cansada com maquiagem, dei um tapa no cabelo, peguei o mapa e fui marcando os pontos turísticos da cidade. Um amigo me passou um roteiro supimpa de Berlin, super completo e organizado, então só precisei mesmo me localizar e escolher a ordem dos passeios. Também me informei sobre o free walking tour (adoro, já notaram, né?) e fui tomar café. Aliás, Berlin é super barata, todos os dias fui tomar café numa padaria na esquina da rua do hostel e o chocolate quente com croissant saía por apenas 2 euros. Só o croissant custa quase 1 euro no Tesco aqui de Dublin, para comparação.

O Museu Judeu ficava a alguns minutos de caminhada do hostel e para lá fui. A essa altura, vocês devem estar achando que sou fanática por Segunda Guerra e Holocausto, né? Não é para tanto, mas não posso negar que gosto muito do tema e acabei me interessando bastante pela cultura e costumes judeus depois de ter morado um ano com uma família judia nos EUA obedecendo a dieta kosher. E não me culpem, este museu é simplesmente sensacional!

Museu Judeu
Museu Judeu

A foto acima, gentilmente roubada cedida pelo Google, mostra que até o prédio é incrível. O formato do museu em zig-zag, na verdade, seria uma estrela de Davi distorcida e a única forma de entrar no prédio é através do subsolo, numa passagem entre o prédio em zig-zag e o prédio mais clássico, ao lado. O prédio e sua concepção tem até uma pequena exposição dentro do museu.

No térreo há diversos objetos expostos de família judias que foram deportadas. Cada objeto conta um pouco da história de seus donos e se você for como eu, que começa a imaginar toda uma vida pela leitura de um postal ou ao ler a respeito de uma câmera fotográfica, você ficará horas viajando no museu.

Carta
Carta

Nas paredes estão escritos os nomes de diversas cidades do mundo. São cidades onde existiam campos de concentração ou para onde os judeus europeus imigraram depois da guerra.

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No fim do corredor, fica a Torre do Holocausto. É uma torre de concreto vazia com uma única fresta no topo por onde entra a luz solar. Qualquer barulho faz um eco estrondoso. E o significado disso é você quem dá. Aliás, o museu é todo assim: há exposições que o artista dá a interpretação dele, mas no fim, o que vale mesmo é o que você interpreta. É assim com o Jardim do Exílio também, por exemplo, que lembra um pouco o Memorial dos Judeus Assassinados no Holocausto, em Berlin também.

Jardim do Exílio
Jardim do Exílio

Nos últimos andares a exposição entra mais na questão da cultura, costumes e tradições dos judeus. Para quem curte, dá para ficar horas lá dentro.

Do museu, fui andar um pouco na cidade apenas para ver alguns pontos turísticos, pois no dia seguinte faria o walking tour que cobriria muita coisa.

O primeiro deles foi o Checkpoint Charlie. Nos anos da Alemanha dividida, o checkpoint era um posto militar usado como passagem pelos estrangeiros e membros das Forças Aliadas para ir da Alemanha Ocidental para a Oriental. Charlie não é o nome de nenhum militar. Havia 3 postos, A, B e C, e eles recebiam nomes apenas para facilitar. Hoje em dia, o que tem no local é apenas atração para turista ver.

Checkpoint Charlie
Checkpoint Charlie

De um lado há a foto de um soldado russo e do outro, obviamente, de um americano. Em frente ao checkpoint, dois soldados fardados posam para fotos (que você precisa pagar, claro). Quase em frente ao checkpoint fica o Museu Checkpoint Charlie e o Museu do Muro. Não entrei em nenhum, pois achei que acharia fácil tudo que eu gostaria de saber a respeito no Google. Eh, simples assim.

Ali perto também tive o gostinho de ver os primeiros pedaços do muro de Berlin, que estão pintados e expostos.

Muro de Berlin
Muro de Berlin

Já encantada com a cidade, continuei minha caminhada. Mas isso eu continuo contando no próximo post.