Piores sites

O tema original desta semana era “o que há de pior no mundo virtual”. Adaptei um pouco para os piores sites irlandeses e/ou sobre a Irlanda.

Semana 15 – Piores sites

1- Bankline

Falem o que quiser, mas o sistema bancário do Brasil é de longe um dos melhores e mais seguros do mundo. Já escrevi sobre o sistema bancários irlandês aqui no blog, mas hoje dou destaque ao bankline. Eu tinha conta no AIB, um banco que eu gostava até, mas utilizar o bankline não era tarefa fácil, não tão fácil como é utilizar o bankline do meu banco aqui no Brasil. Fazer uma simples transferência era uma novelinha e pagamentos, então, eu nem me arriscava e ia direto ao banco.

2- GumTree

Aquele site que todo mundo pode anunciar tudo. Não me entendam mal, o site em sua essência não é ruim desde que você tenha a esperteza de saber que quando a esmola é muita, o santo precisa desconfiar. Mas vejam o layout do site… estamos em 2014 e o site ainda tem uma carinha meio virada do século, sabe?

3- Sites que parecem imparciais, mas tem parcerias

Dublin ainda é um destino muito procurado por brasileiros por todas as facilidades que vocês já sabem. Tem muitos e muitos sites na internet que parecem imparciais, mas têm alguma parceria com escolas e outras organizações, digamos assim. Não confie em tudo que você lê nestes sites/portais sobre Dublin, porque nem sempre a gente sabe quando tal artigo é apenas uma impressão do autor ou se rola uma parceria por trás.

4- Blogs que generalizam tudo

Você encontra um blog. Ok, blog é um site pessoal onde a pessoa expressa a opinião dela dos fatos, a visão de mundo dela e enfim, não é necessariamente imparcial. O problema são aquelas pessoas que generalizam tudo (UM knacker me atacou – todos os irlandeses de classe baixa vão te atacar, cuidado!/ EU nunca sofri com xenofobia – nenhum irlandês é xenófobo/ [insira seu exemplo aqui]) e acham que a vida é preto no branco, que tudo é SIM ou NÃO e por aí vai. Normalmente, blogs deste tipo são escritos por pessoas que não têm muito senso crítico e tomam eventos únicos pela verdade absoluta e disseminam sua ideias por aí sem refletir. Ai, quantos blogs deste eu já não achei por aí?

5- Todo e qualquer blog mal escrito

Antes de viajar, quantas vezes eu procurei no Google blogs de pessoas que já moravam na Irlanda para poder ler as impressões dos intercambistas e me deparei com textos mal escritos, sem pontuação e sem coerência? Deixei de ler inúmeros blogs porque não consegui lidar com a falta de pontuação e o fluxo de consciência sem lógica daqueles que os escreviam. Me julguem.

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Sem lenço nem documento, digo, passaporte

Eu não gostaria de estar escrevendo o post de hoje, não com conhecimento de causa, mas infelizmente, sim, eu perdi meu passaporte!

O caso

Eu não uso meu passaporte como documento de identificação, logo, eu nunca saio com ele. A última vez que o peguei foi para levar para a família, já que eles queriam uma cópia do documento (por segurança, afinal, eu sei quem eu sou, mas eles não). Eu lembro que guardei o passaporte na minha gaveta e alguns dias depois coloquei numa pasta onde guardo todos os meus documentos. Eu tenho dois passaportes, um vencido com um visto americano e o válido e ambos ficavam dentro de uma pastinha roxa dentro da pasta de documentos, mas na preguiça, naquele dia eu não guardei o novo na pastinha, apenas na pasta grande. Semanas depois, eu peguei meu certificado do CAE e o guardei nesta pasta. Não me lembro se vi o passaporte dentro da pasta neste dia, mas acredito que sim. Alguns dias depois, fui procurar o passaporte e cadê? Sumiu, assim, sem deixar rastros nem um bilhete de despedida.

A procura

Claro que procurei este passaporte feito louca. Olhei cada canto da casa (até dentro do sofá eu olhei), revistei cada bolso de casaco, cada bolsa, cada cantinho que ele poderia estar e nada. Primeiro veio a fase da negação: eu não posso ter perdido um passaporte dentro de casa. Depois, a fase da aceitação: se eu não achei, ele sumiu e preciso fazer outro. Aí veio a fase do susto: o novo me custaria 160 euros ou mais de 400 reais. O absurdo é que no Brasil custaria pouco mais de 300.

"Fui para um lugar mais quente! Beijos, Passaporte"
“Fui para um lugar mais quente! Beijos, Passaporte”

Com a perda do passaporte, cancelei todos os meus planos de viajar no Easter Break, pois não queria arriscar comprar passagens sem saber quando teria o novo passaporte em mãos. Estou vibrando com a ideia de ficar duas semanas de férias do trabalho e continuar em Dublin. Uhuuu! ¬¬

Solicitando um novo passaporte

Dos males, o menor. Felizmente há uma embaixada brasileira em Dublin, caso contrário, precisaria viajar para ir a mais próxima. Mas com o tanto de brasileiro que tem aqui, seria até irônico se não houvesse embaixada nesta cidade!

O processo é relativamente simples e até mais rápido do que no Brasil. Espero que você nunca perca seu passaporte em terras irlandesas, mas caso isso aconteça ou você precise renovar o seu, aqui vai o passo-a-passo:

1. Acessar este link aqui e preencher o formulário da forma mais completa possível. Quando terminar, imprima e assine.

2. Acessar o site do Tribunal Superior Eleitoral e imprimir o comprovante de que votou nas últimas eleições. Na verdade, o comprovante mostra sua situação eleitoral. Eu não votei nas últimas eleições e nem justifiquei porque já estava na Irlanda, mas como ainda não retornei ao Brasil, a justiça considera que estou quite. Quando retornar à República das Bananas ao Brasil eu só preciso ir ao cartório e apresentar o passaporte para justificar minha ausência, mas até lá, para todos os efeitos, estou quite.

3. Tirar uma cópia do RG, CNH ou Carteira de trabalho.

4. Fazer o pagamento do novo passaporte no Bank of Ireland. Se for renovação, o valor é 80 euros, mas quando não se apresenta o passaporte anterior (meu caso), 160 euros. Guarde o comprovante de pagamento melhor do que guardou seu passaporte.

5. No caso de perda, furto ou extravio, ir ao posto da GARDA mais próximo do local onde foi perdido/furtado e fazer uma ocorrência.

6. Juntar todos os documentos acompanhados de seus originais, se for o caso, e ir a Embaixada do Brasil (Block 8, Harcourt Centre, Charlotte Way, Dublin 2, Irlanda). O horário de atendimento é das 10h às 13h e fecha em todo feriado brasileiro ou irlandês. Pois é.

Eu fiz tudo isso ontem. Saí de casa com tempo, fui ao posto da GARDA, onde fiquei mais de 40 minutos esperando a boa vontade do policial atender o público (sim, acreditem, quando cheguei havia fila e ninguém para atender). Saí faltando meia hora para a Embaixada fechar, ainda fui ao AIB sacar meus preciosos euricos, depois fui ao Bank of Ireland fazer o depósito, passei correndo numa lojinha para imprimir tudo e subi a Grafton Street correndo, porque faltavam apenas 15 minutos para dar 1 da tarde. Cheguei às 12:55, morrendo de calor (lembrei como é essa sensação) e ouvindo o porteiro falar que eu estava com sorte, pois o atendimento se encerraria em 5 minutos.

Foi tudo muito rápido. O funcionário conferiu meus documentos e me deu um protocolo para retirar o passaporte na semana que vem. Tirou minha digitais e minha foto e pronto, agora é só esperar.

Teoria da Conspiração

É claro que por noites seguidas eu deitei para dormir e fiquei matutando onde o passaporte poderia estar, como poderia sumir dentro de casa? Fiquei tentando forçar minha memória para lembrar se eu não havia guardado em outro lugar, mas ela sempre me dizia “Sim, Bia, você o guardou naquela pasta de documentos mesmo”. Então, comecei a bolar teorias do desaparecimento do passaporte e a mais lógica é que, de alguma forma, num descuido, ele tenha ido parar no lixo. Eu mantinha um saco de lixo no quarto e talvez, quando peguei a pasta, ele tenha caído dentro e eu não percebi. Sei que esta teoria é tosca, quem não perceberia um passaporte caindo? Mas a gente precisa achar explicações para tudo nesta vida e foi esta que achei para explicar algo tão estranho. Ou isso ou meu passaporte ganhou vida, se cansou de passar frio e foi para as Ilhas Canárias.

O ocorrido até ganhou trilha sonora…

“Caminhando contra o vento (de Dublin)
Sem lenço, sem passaporte
Na neve de quase abril…
Eu voooooooou”

GNIB

A Irlanda exige que se comprove 3 mil euros para tirar o visto de estudante. Nós, brasileiros, não tiramos o visto ainda no Brasil. Quando se chega aqui na Ilha Esmeralda, o oficial da imigração faz um tipo de triagem, vendo se você tem todos os documentos exigidos para entrar no país, carimba seu passaporte te dando 30 dias para regularizar sua situação e avisa que você vai ter que procurar a imigração.

Parece fácil, né? Mas existe um longo (e árduo) caminho até lá.

Primeiro, o que quer dizer a sigla GNIB? Garda National Immigration Bureau, ou seja, o escritório de imigração da Irlanda. É lá que você vai pegar seu visto, mas antes…

O grande X da questão é que para provar que você é o feliz dono de 3 mil euros, é necessário um extrato bancário. Eles não querem ver dinheiro em espécie, não querem ver extratos de VTM, não! Querem ver o extrato de um banco irlandês. Neste post aqui você já ficou sabendo como funciona o sistema bancário dos leprechauns e viu que ele pode ser tudo, menos rápido.

Além da questão de ter um endereço fixo primeiro para poder receber cartão e senha do banco pelo correio, tem toda a demora peculiar já explicada num outro post. Por isso, não é estranho conhecer intercambistas que conseguem o GNIB depois de quase 2 meses na Irlanda.

Eu consegui meu GNIB com 20 dias de Irlanda. E agora vou revelar como consegui tal façanha!

1- Consegui endereço fixo com 2 dias de Irlanda;

2 – Para minha alegria, a ECM tem parceria com o AIB e foi só levar a carta da escola com meu endereço para eles abrirem minha conta de estudante;

3- Depois que abri a conta, em cerca de 10 dias eu estava de posse do cartão e da senha;

4- Depositei o dinheiro numa sexta-feira e na segunda fui lá solicitar o extrato. Como tudo na Irlanda, é óbvio que isso não ficaria pronto na hora. Me deram um prazo de 5 dias (in)úteis;

5- Aí você pensa “Ah, pega o extrato no caixa!”. Ideia brilhante, se nele aparecesse meu nome e o número da minha conta. Só que não.

Tendo em mente a sabedoria popular que diz que o não eu já tenho e preciso ir atrás do sim, peguei minha carta do seguro governamental, meu passaporte e o extrato sem identificação com meus 3 mil euricos na conta e fui encarar o escritório da imigração.

Chegando lá, o irlandês do guichê pediu meus documentos. Eu entreguei tudo com a maior cara de tonta que tenho (ou seja, a do dia a dia mesmo).

“Mas nesse extrato aqui não tem seu nome…”
“Não?!” (fazendo cara de surpresa)
“Não, você não tem um com seu nome?”
“Ah, eu posso mostrar meu cartão do banco pra você conferir o número da conta…”
“Mas não tem o número da sua conta no extrato…”
“Ah não?” (Jura?)
“Não…”
“Bem, tenho outro extrato aqui com o número da minha conta. Olha.” (é um outro tipo de extrato, para simples conferência e acreditem, neste tinha mesmo o número da minha conta!)
“Ok, mas de qualquer forma não dá pra provar que esse extrato é seu… ok, tudo bem, mas da próxima vez você vai precisar de um com seu nome impresso, ok?”

E assim regularizei minha situação no país dos leprechauns!

E foi assim que consegui meu GNIB sem provar que o extrato do banco era meu mesmo. Ou isso ou teria que esperar mais uma semana até o AIB me mandar o de verdade pelo correio.

Viu como na Europa é tudo moderno, rápido e simples?

See you, folks!

O sistema bancário irlandês

Antes de ler este post, pare e pense um pouco no sistema bancário brasileiro. Pensou? Agora esqueça tudo que você sabe sobre bancos e conheça o fabuloso sistema bancário irlandês.

Para poder tirar o visto de estudante, dentre outras coisas, é necessário ter uma conta no banco. Por que? Porque você precisa de um extrato bancário provando que você tem 3 mil euricos na conta, só isso. Os estudantes costumam abrir conta no Bank of Ireland (vulgo BOI) ou no AIB (banco escolhido pela pessoa que vos escreve).

Para abrir a conta é só levar um documento de identificação (no caso, o passaporte) e um comprovante de residência (o que significa que você já precisa ter um endereço fixo na Irlanda). Até aí, nenhuma novidade.

O funcionário vai te cadastrar no sistema e abrir uma conta de estudante para você. Aí começa a novidade. Primeiro, que você não vai cadastrar sua senha lá na hora. Segundo, você não sai do banco com um cartão provisório. Tudo que você ganha é um papel do banco informando o número da sua conta e o aviso de que “em 3 ou 4 dias úteis você receberá sua senha e cerca de 1 ou 2 dias depois, o seu cartão”. Sim, Brasil, os correios irlandeses são tão seguros e confiáveis que o banco vai mandar a sua senha (escolhida por eles) pelo correio. E em seguida, seu cartão des-blo-que-a-do. Nessa brincadeira, você vai ficar, pelo menos, uma semana sem poder usar sua conta.

Aí que você esperou, pacientemente, tudo isso acontecer. Foi ao banco e depositou seus 3 mil euros suados e precisa tirar um extrato para levar na imigração e pegar seu visto. É só imprimir no caixa eletrônico? Ok, só que por motivos de segurança (?), seus dados não vêm impressos neste extrato, então, teoricamente (explicarei isso num outro post) este extrato não será aceito na imigração. O que você faz? Vai ao banco e solicita um extrato, que, novamente, chegará pelo correio num prazo de 5 dias úteis. Resumindo, entre abrir sua conta e conseguir o bendito extrato para ir à imigração, já morrem duas semanas. Levando-se em consideração que você vai levar, em média, uma semana para conseguir um endereço fixo, não espere que sua situação na Irlanda seja regularizada em menos de 3 semanas. E isso se você for rápido, muito rápido.

Mas não basta ser correntista de banco irlandês, você quer usar internet banking (eu quis, sou phyna). Você não achou que seria só entrar no site do banco e fazer um cadastro, né? Você vai até a agência e se cadastra pelo telefone. Depois de ficar 10 minutos provando para o atendente que você é você, ele vai te passar um número de acesso (pois, por algum motivo não revelado, o número da sua conta não serve para este fim), e pedir para cadastrar uma senha no teclado do telefone. O que levanta a questão: se eles têm a tecnologia de cadastro de senhas por telefone, porque ela não existe nas agências? Feito isto, você está apto para usar seu banco pela internet também.

O que é muito curioso, além de não ter os dados do correntista no extrato impresso no caixa, é que no seu cartão do banco também não está escrito o número da sua conta. Seria por motivos de segurança novamente?

Mas, aparentemente, não há nenhum problema de segurança em haver caixas eletrônicos como este, no meio da rua:

Recomendação para sua segurança: cubra o teclado quando estiver digitando sua senha!

E por falar em segurança, se você detesta ser barrado nas portas giratórias por causa do seu guarda-chuva, suas chaves, suas moedas ou seus pinos (mas nunca seu revólver), venha mesmo para a Ilha Esmeralda. Eles desenvolveram um avançado sistema para controlar a entrada e saída de clientes das agências. Basicamente, existem duas portas. Ao abrir a primeira, você ficará preso até que ela se feche e, então, a segunda porta será desbloqueada e você terá acesso a agência. Para sair, é o mesmo processo. Cara, eu nunca pensaria numa coisa dessas!

E este é o sensacional sistema bancário irlandês!