Cartagena, Colômbia

Nosso voo saiu de madrugada. Foram quase 7 horas até o Panamá, uma curta conexão e mais quase 2h até Cartagena. O aeroporto de lá é muito pequenininho! Aliás, do aeroporto até o centro da cidade são cerca de 6km, o que para padrões de São Paulo é praticamente “do lado”. Eu não achei muita coisa sobre transporte público na cidade, mas como andar de taxi é relativamente barato, fomos para o hotel desta forma. Não há taxímetro e você acerta o valor da corrida antes. Aliás, acho que é uma boa hora para explicar a moeda local e a cotação antes de continuar o relato da viagem.

Pesos Colombianos

Não é muito fácil achar pesos colombianos em São Paulo e quando a casa de câmbio vende, é preciso reservar antes. Achamos a melhor cotação numa casa na região da Paulista e o valor final que conseguimos foi de R$1,30 para cada 1000 pesos. Aliás, dá até um susto os valores, porque 1 peso vale menos que 1 centavo, portanto, nada lá custa menos que 1000 pesos. Os valores que encontramos em Cartagena para comer fora e outros gastos são bem semelhantes aos de São Paulo se fizermos a conversão – ou seja, Cartagena é relativamente cara, mas é um caro que qualquer paulistano está acostumado.

O minúsculo aeroporto de Cartagena

Hospedagem

Ficamos no Hotel San Felipe no bairro de Getsamaní. O hotel fica muito bem localizado, pois está a 5 minutos a pé da Cidade Amuralhada, a principal atração local, mas custa pelo menos metade do preço de qualquer hotel que fique dentro dela. Tem wi-fi dentro do quarto, ar condicionado (até porque sem ele qualquer lugar parece uma sauna finlandesa!) e café da manhã bem servido, porém não tem água quente no chuveiro! Faz tanto calor, mas tanto calor em Cartagena que, na verdade, nem precisa mesmo de água quente, mas eu sou do tipo que adora uma água pelando e não tomo banho frio de jeito nenhum, então eu não curti muito aquela água não-aquecida batendo nas minhas costas… haha… Aliás, já que entrei no assunto, precisamos falar do calor desse lugar.

O calor de Cartagena

Eu amo o calor, adoro por um vestido soltinho e não me preocupar em ter um casaco para caso esfrie. Sério, adoro o verão. Mas Cartagena é outro nível, aquilo era uma sauna do inferno na terra! A temperatura máxima não passou muito de 32 graus (o que pra mim ainda é aceitável – esses dias estava fazendo 36 graus aqui em São Paulo), mas a sensação térmica devia ser de mais de 40. A cidade é muito úmida, o que faz a sensação de calor aumentar bastante. Você sai de vestidinho e ainda assim não aguenta o calorão! E a umidade gruda na pele que te faz pensar que você está transpirando horrores, mas é só água do ar grudando em você. O cabelo fica encharcado, grudando na pele também e eu não consegui ficar com ele solto. Enfim, se resolverem ir a Cartagena, já estão avisados: é quente!

O taxi nos custou 14 mil pesos e chegamos no hotel perto das 9h da manhã. No check-in nos avisaram que se esperássemos, nosso quarto estaria disponível antes das 10h da manhã. Enquanto aguardávamos no saguão, resolvi pesquisar o que fazer por lá! Acho que foi a primeira vez na vida que cheguei numa cidade sem saber o que fazer. Rapidamente guguei um walking tour e fiz a reserva para aquele mesmo dia às 16h.  Deixamos as malas no quarto, nos trocamos e seguimos a pé para o Castelo de San Felipe de Barajas. O castelo é uma das atrações principais e achei o valor do ingresso bem overpriced: 25 mil pesos, cerca de R$32. Construído no século 17, como a maioria das construções deste tipo, o castelo tinha o objetivo de ser um ponto de defesa da cidade.

San Felipe de Barajas

Nós entramos sem guia ou audioguia (porque, sei lá, eu já tentei alugar esses áudios e tenho paciência zero pra ouvir as histórias, então nem tento mais), mas acredito que quem queira realmente entender a história do lugar deva alugar um. Do contrário, tudo que vemos é um monte de muros e túneis e nem sempre fica muito claro do porque de tudo isso (spoiler: eu não vi quase ninguém com o áudio também)! Como fica num morro, tem-se uma ótima vista de lá.  Ficamos cerca de 1h30 e vimos absolutamente tudo, até mesmo os túneis. O ideal é visitar no começo da manhã ou fim da tarde, do contrário, o sol e o calor são de matar mesmo – eu cheguei lá por volta de 11h. Na entrada do castelo tem inúmeros vendedores e eles são extremamente insistentes! Vendem água e chapéus e insistem com você que se você não comprar você vai morrer de sede e insolação e que dentro do castelo tudo custo o dobro do preço que eles fazem. Minha dica: finja demência e aja como se eles não estivessem ali, porque se você fizer contato visual já é a deixa pra eles te seguirem até a entrada onde você entrega o ticket!

A visita vale porque é uma das principais atrações da cidade e de lá dá para ver tanto a parte moderna de Cartagena, como a antiga e a baía. Porém, não vá com expectativas de que é realmente um castelo e tal, porque são essencialmente muros e túneis.

Saímos morrendo de fome e entramos num restaurante bem em frente ao castelo mesmo, com um pé atrás porque por estar num lugar turístico e imaginando que seria caríssimo. Na verdade, o restaurante, apesar de ser super simples (as mesas eram compartilhadas, por exemplo), um almoço para duas pessoas com um suco natural custou 42 mil pesos, cerca de 54 reais.

Escolhemos o prato típico da região: arroz de coco, pescado frito, patacones e salada e para acompanhar, um suco de uma fruta local, o lulo. Vou explicar tudo, porque este foi um dos pratos mais gostosos que comi na minha estadia na Colômbia.

Nhom nhom…

O arroz de coco é bem local e como o nome sugere, é arroz com leite de coco e açúcar mascavo. Ele fica levemente escuro por conta da combinação e eu adorei! Comi muito arroz de coco na viagem toda e já quero aprender a fazer para comer aqui no Brasil. Como a cidade é na costa, come-se muito peixe e basicamente, pelo o que entendi, qualquer peixe vai com o prato, mas o normal é pescado. Patacones é algo bem peculiar… é banana da terra (plátanos) amassada, empanada e frita. Eu não adorei, mas também não detestei até porque não tem realmente gosto. Já o suco é de lulo, uma fruta local que tem um gosto que seria algo entre limão e carambola. Delicioso!

Após o almoço, voltamos ao hotel onde tiramos um bom cochilo para compensar a madrugada passada dentro do avião. Depois vimos que não foi uma má ideia, já que choveu a tarde toda. No fim da tarde, nos arrumamos e seguimos para o ponto de encontro do walking tour, que fica para o próximo post.

Despedida de Montevideo

Quando decidimos ficar 4 dias no Uruguai, a ideia original era passar 2 na capital, 1 em Colonia e 1 em Punta del Este. Como compramos a passagem “no susto” para aproveitar a promoção, somente depois pesquisamos e decidimos que não valeria a pena ir a Punta, portanto, ficando com um dia extra em Montevideo. O que resolvemos fazer no último dia poderia ter sido facilmente encaixado nos outros dois dias, mas lá estávamos nós com um dia inteirinho ainda para visitar a cidade.

Seguimos para o Mercado Agrícola, que fica numa parte da cidade que ainda não tínhamos ido. É um mercado bonitinho, mas nada excepcional. Lá conseguimos comer um lanche barato para não sair do Uruguai sem dizer que dá para comer com 20 reais na rua! haha… Comemos um lanche de chouriço e estava bem gostoso.

Lanche de chouriço
Lanche de chouriço

A diferença entre o Mercado Agrícola e o Mercado del Puerto, é que o primeiro é como um mercado mesmo, com tendas de frutas e legumes, mas também conta com uma praça de alimentação mais no estilo de shopping center. O último é mais para comer comidas típicas, especialmente carnes e empanadas. Ambos tem lojas de souvenir.

Mercado Agrícola
Mercado Agrícola

Próximo ao Mercado fica o Palácio Legislativo, que infelizmente ficou de fora do nosso roteiro, pois não conseguimos conciliar os horários de visitação com o restante da nossa visita. Os tours acontecem de segunda a sexta, às 10h30 e 15h e o valor é 3 dólares.

Palácio Legislativo
Palácio Legislativo

Visitamos ainda outros museus, como o Museu dos Presidentes no Palácio do Governo, que fica na Praça Independência. A visita é gratuita, mas eles pedem que você deixe algum documento na portaria para poder entrar. Eu achei muito interessante, pois o prédio é bonito e o museu mostra toda a história do Uruguai como República e seus presidentes.

Ainda na Praça Independência, fica o Monumento a Artigas, que é considerado o herói nacional do país, e no subsolo fica aberto ao público seu Mausoléu. A visita é gratuita e o mausoléu é realmente surpreendente.

O interior do Mausoléu
O interior do Mausoléu

Ainda na Praça Independência, fica o Palácio Salvo, que segundo nosso guia, é cheio de lendas. O único meio de acessar o Palácio é com o tour, mas este custava cerca de 25 reais e achamos muito caro.

Palácio Salvo
Palácio Salvo

Fomos ao Museu da Imigração, na Ciudad Vieja. O museu é bem pequeno e conta apenas com um acervo de fotos, mas o interessante é que podemos visitar as únicas ruínas existentes do muro que cercava Montevideo.

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Segundo o funcionário do museu, nem mesmo os uruguaios sabem que Montevideo já foi cercada por muros, que contornavam onde hoje é a região de Ciudad Vieja. Os muros foram demolidos quando a cidade começou a crescer, mas segundo o mesmo funcionário, ele acredita que isto foi uma desculpa para reutilizar o material usado nas muralhas.

As linhas amarelas indicam onde os muros ficavam
As linhas amarelas indicam onde os muros ficavam

Tudo que sobrou hoje é a Puerta de la Cidadela, um arco entre a Praça Independência e o bairro Ciudad Vieja.

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Passeamos um pouco mais pela cidade, compramos o famoso mate na Rua Sarandi, uma famosa rua de comércio em Ciudad Vieja. O guia do walking tour nos alertou que as barracas de rua nunca tem o preço exposto, pois o preço cobrado pelas mercadorias varia de acordo com quem compra e, claro, para estrangeiros é mais caro. Eu comprei meu mate com a bombilla numa barraca que aceitava reais e custou apenas R$20,00, o melhor preço que achei na cidade.

Rua Sarandi
Rua Sarandi

Tendo comprado o mate, queríamos levar a erva conosco também, mas qual não foi nossa surpresa ao ir ao mercado e notar que 90% das marcas de erva são brasileiras? Sabemos que é bem tradicional no sul do país, mas somos de São Paulo e não temos o hábito! Acabamos comprando a única marca uruguaia que achamos, mas confesso que não exatamente gostei da bebida. O guia recomendou comprar o “compuesto”, pois segundo ele, é mais suave e melhor para quem não tem o costume. Achei bem engraçado também que ele disse para não tomarmos café no Uruguai, pois provavelmente era muito ruim já que eles não entendem do assunto, não têm o hábito de beber e não têm tradição.

Hecho en Brasil... haha
Hecho en Brasil… haha

Gostamos muito de Montevideo e dos uruguaios, que foram super simpáticos e atenciosos em todos os lugares que fomos. É uma cidade muito bonita, porém um pouco mais cara do que  imaginamos, especialmente para comer fora.

Gardel
Gardel

A cidade não é muito grande e a maioria das atrações se concentram entre a Ciudad Vieja, onde nos hospedamos, e 18 de julio. Por este motivo, fizemos praticamente tudo a pé.

No dia seguinte pela manhã, para ir ao aeroporto, pegamos o ônibus no Terminal Rio Branco, a uns 15 minutos a pé do hostel. Foi a opção mais em conta, pois pagamos 63 pesos, menos de 7 reais. O trajeto todo foi percorrido em quase 1 hora, mas achei uma excelente opção custo-benefício.

Curiosidades

Quando estava pesquisando sobre a cidade, achei muita coisa na internet sobre trombadinhas agindo especialmente em Ciudad Vieja. Alguns pontos do bairro são realmente “bem estranhos”, com casarões velhos e mal cuidados e pessoas “estranhas” andando pela região, porém, em momento algum me senti insegura e não fui alvo de trombadinhas. É claro que sendo de São Paulo, eu desconfio de tudo e de todos sempre e, consequentemente, estou sempre muito atenta aos meus pertences (até mesmo quando estou em Oulu), mas acho que nunca é demais tomar cuidado quando se é turista.

Há várias lojinhas na cidade que vendem artigos para consumo de maconha, já que a droga estava em vias de ser legalizada quando fomos. Achei interessante.

A bebida tradicional do país é o que eles chamam de medio y medio. É uma mistura de vinho de branco e espumante. É uma bebida bem doce.

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Finalmente, nas ruas da Ciudad Vieja você verá vários “remendos” de calçada feito com azulejos bem coloridos. Segundo nosso guia do walking tour, um artista achou que as ruas eram muito cinzas e quis deixar a cidade um pouco mais feliz e começou a colocar os azulejos coloridos por lá.

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Moscou – Lênin, museu e Praça Vermelha

No nosso último dia em Moscou, finalmente conseguimos entrar no Mausoléu do Lênin. O dia começou um pouco mais frio e com sleet, aquela neve molhada que cai e vira água, mas nada que nos atrapalhasse.

O mausoléu fica na Praça Vermelha, sempre muito bem vigiado. A fila não estava muito longa e logo passamos pela segurança e, por incrível que pareça, podemos entrar com câmera e mochilas. A última morada de Lênin foi construída de madeira logo depois de sua morte em 1924 e só em 1930 o mausoléu que está lá hoje foi construído. Há rumores que o que está lá não é mais seu corpo embalsamado, mas um boneco de cera. Será?

O mausoléu e os turistas
O mausoléu e os turistas

Mas não pense que vai poder ficar lá horas olhando o corpo embalsamado (ou boneco de cera)! Depois que você entra na fila para visitar o local só sai quando a visita terminou. Não é permitido parar e olhar, a fila entra e dá a volta no caixão de vidro até sair e ai se você resolver parar um pouquinho só! Um soldado russo vai prontamente berrar com você. Além disso, é bem escuro e se o dia não estiver nublado como no dia que visitei, até seus olhos se acostumarem com a escuridão, você já deu a volta e saiu. Não é permitido tirar fotos, obviamente, mas a visita vale a pena, afinal, se você já chegou na Rússia, por que não entraria no mausoléu?

Parte externa
Parte externa

Saímos e ainda na Praça Vermelha fica o Museu Histórico Russo, que nem estava nos nossos planos visitar, mas como sobrou um tempinho (já que outros passeios foram tirados da lista) resolvemos entrar e foi uma ótima decisão! Eu amei este museu!

O museu o Christmas masket
O museu e o Christmas market numa tarde linda de sol

Apesar de a maioria das coisas não estar traduzida para o inglês (e eu não falar russo), achei o museu incrível! Conta toda a história da Rússia, como o próprio nome sugere, mas o museu em si já é uma obra de arte. Eu fiquei realmente admirada com a beleza do museu, não só por fora, mas por dentro também.

Lindo, não?
Lindo, não?

Ficamos umas boas horas lá dentro. Saímos, demos mais uma olhada na igreja que fica bem ao lado (Kazan) e voltamos ao famoso shopping subterrâneo para almoçar. Quando saímos, o dia cinza estava ensolarado e ficamos olhando aquela linda parte da cidade antes de voltarmos ao hostel. Aliás, a Praça Vermelha, onde ficam o Kremlin, Museu Histórico Russo, shopping Gum, Catedral de São Basílio e outras atrações, não tem este nome por causa da cor dos muros do Kremlin! A cor original dos muros, aliás, era branco. Segundo nossa guia, a palavra em russo que significa vermelho, também quer dizer bonito, então seria também a Praça Bonita. Interessante, não?

Sol, como não amar?
Sol, como não amar?

Moscou é realmente uma cidade linda e cheia de opções de passeios. Eu tenho a impressão que se fôssemos ficar lá 10 dias, teríamos o que fazer em todos eles. Alguns passeios ficaram de fora por diversos motivos. Financeiros, como assistir um balé ou fazer um tour no Bolshoi (absurdamente caro) ou visitar um bunker onde fica o museu da guerra fria, que além de caro, lemos no tripadvisor que a visita não valia o valor. Falta de tempo, como a Universidade de Moscou ou os parques que fomos, mas durante o dia. Falando na Universidade de Moscou, há alguns prédios muito parecidos com o dela na cidade, como este:

!!!
!!!

E quando eu os vi, achei muito familiar. Pesquisando sobre a universidade no Google, descobri que há 7 prédios do mesmo estilo na Rússia e 1 na Polônia, que foi presente de Stalin. E os achei familiar justamente porque lembrei de um prédio meio feio que vi quando visitei Varsóvia.

O prédio de Varsóvia. Bem parecido, não?
O prédio de Varsóvia. Bem parecido, não?

Do hostel fomos para o aeroporto pegar nosso voo de volta a São Petersburgo, mas desta vez não fomos de expresso. Chegamos num aeroporto, mas voltamos de outro, o Domodedovo e para chegar lá de transporte público é bem simples, barato e relativamente rápido. É só pegar o metrô até a estação Paveletskaya e de lá pegar o ônibus que sair para o aeroporto. O trajeto todo custou 80 rublos (ou cerca de 1 euro) e funcionou bem.

Nosso voo foi tranquilo, mas curioso. Havia esse homem enorme e já nos late 40s que não parava quieto! O avião pronto para decolar, aquele momento que todo mundo sabe que deve estar sentado com os cintos apertados, e ele levanta para fuçar  no compartimento de bagagem! Veio o comissário de bordo e pediu para ele se sentar e enfim, a cena se repetiu algumas vezes no voo, mas fora isso, tudo certo.

Chegamos já por volta de meia-noite e decidimos passar a noite no aeroporto que, felizmente, contava com bancos bem confortáveis.

Adoramos Moscou e partimos para nosso último dia de viagem, nos despedindo da Rússia em São Petersburgo.

Parece que vai ter Copa lá em 2018...
Parece que vai ter Copa lá em 2018…

Compras, os loirinhos e adeus, Dublin!

De volta a fria Dublin, larguei minhas coisas na casa da Bárbara, fiz um lanche e fui às compras! Eu não separei dinheiro para fazer compras na Penneys porque o euro já estava um tanto alto (paguei mais ou menos 3,45 na época) e eu sou sofredora, digo, professora – já foi um baita de um luxo passar férias na Europa. Porém, sempre que calculo os custos de uma viagem eu tomo por base os valores máximos que gastarei com cada coisa e sempre jogo uns 10% a mais em cima da conta final, porque passar perrengue financeiro numa viagem não é assim muito glamuroso e precisar recorrer a cartão de crédito ou do banco no exterior sempre deve ser a última das últimas opções. Assim, quando cheguei em Dublin ainda tinha uma graninha sobrando e não tive dúvida: fui pra Penney e me joguei! Claro que como era inverno, tinha muito casado e afins, algo que eu realmente não preciso, ainda mais com esse inverno sem vergonha de São Paulo que não faz frio e eu amo tanto! ❤ Mas comprei vários lenços – sou a louca do lenço e aqui no Brasil eles são muitos caros. Compare: Irlanda- 4 euros ou uns 14 reais na cotação que peguei; Brasil – a partir de 30 reais. Também trouxe várias sapatilhas, alguns pares de tênis e três bolsas lindas. As bolsas são de qualidade bem razoável, mas os calçados eu já comprei sabendo que não durariam muito – só que eu ainda tenho tudo até hoje.

Cheia de sacolas e debaixo de uma garoa fina, fui encontrar a D., minha última flatmate antes de voltar ao Brasil. Nós convivemos por apenas um mês e nos demos muito bem. Apesar de agora que cada uma está de um lado do oceano não nos falarmos muito, foi muito bom reencontrá-la. Fiz uma parada no Burger King para um lanchinho e seguimos para um dos pubs que eu mais gostava de ir: o O’Reilly’s Bar. Como era um dia de semana, estava bem vazio e infelizmente eles estavam sem minha querida Kopparberg Strawberry & Lime. Conversamos tomando uma Bulmers mesmo que era o que tinha pra noite. Foi um encontro muito gostoso.

Se só tem tu, vai tu mesmo!
Se só tem tu, vai tu mesmo!

No dia seguinte, finalmente o grande encontro: fui ver os loirinhos! E claro, Dublin sendo Dublin e me trolando como se eu jamais tivesse morado naquela cidade. De manhã o dia parecia estar relativamente ok: sem chuva e pouco vento. Saí de casa com meu casacão e bem agasalhada, porém não levei touca nem luvas (e olha que comprei luvas de couro na Penneys por apenas 9 euros – NO-VE EU-ROS… DE COU-RO) porque enfim, não estava pra tanto. Foi eu chegar no centro pra encontrar o T. antes e pegar umas coisas que ele queria mandar pro Brasil, que o tempo virou absurdamente: frio, vento e chuva fina tudo junto e misturado deliciosamente congelando meu rosto e mãos desprotegidos, porque ou eu segurava a toca do casaco ou me molhava toda. Daora a vida, né?

No horário marcado, cheguei e esperei a B., mãe dos loirinhos. Lá estava eu quase sendo levada pela rajada de vento quando ela surge atrás de mim e me abraça. Muitos sorrisos e tal e corre pro carro porque nem ela que nasceu nesse clima maravilhoso de ruim estava aguentando. E o que dizer quando uma irlandesa fala para você que “nunca passou tanto frio na vida como nesta tarde”?

Tava com uma saudade desse clima!
Tava com uma saudade desse clima! sqn

Quando entrei no carro, o F. me cumprimentou, mas não fez grandes cerimônias. Ele se lembrava de mim, da Biiiiiiitriz, mas estava bem tímido. Ele ainda gosta muito de Lego e estava com umas pecinhas da série Star Wars na mão, então comecei a puxar papo com ele e voltamos a ser amiguinhos. No caminho para a casa deles, a B. parou para pegar o O. que agora fica com uma senhora nos dias que não vai para escolinha. Gente, quando eu vim embora aquele loirinho de olhos azuis não falava nada e o menino agora fala inglês melhor que eu! (Ai, que piadinha péssima, Bia). Enquanto o F. é mais introvertido e desconfiado, o O. é extremamente sociável e simpático e logo começou a conversar comigo. Tomamos uma sopa juntos e ele quis sentar na mesma cadeira que eu. Depois quis me mostrar a casa toda e até quis entrar comigo quando precisei usar o banheiro, mas eu gentilmente pedi que ele me esperasse do lado de fora… e ele ficou lá mesmo, esperando como um cachorrinho! Dei os presentes que havia levado para eles, a B. fez um chocolate quente porque aquele era um “momento especial”, já que os meninos nunca tomam isso. Conversamos um pouco, eles me deram achocolatado da Cadbury pra eu trazer comigo (eles ainda lembravam como sou viciada num bom chocolate quente), os meninos estavam muito curiosos sobre eu ser uma “mommy” ou não e ficaram surpresos quando eu disse que nope, I’m not a mommy. Na cabecinha deles toda mulher adulta precisa ser mommy – ainda precisam aprender muito sobre a vida. Aí o O. me perguntou se ele podia namorar comigo. Eu disse que tudo bem, mas que no dia seguinte estava voltando para o Brasil, um lugar que de tão longe a gente precisa dormir dentro de um avião até chegar,  e que se quisesse namorar comigo ele precisaria vir junto. Aí ele decidiu que era melhor ficar em Dublin com a mommy e o daddy. À noite o K., pai dos loirinhos, me levou de volta para a casa da Bárbara. Foi uma visita muito gostosa mesmo e gostei de ter visto os dois loirinhos, mas depois disso nunca mais nos falamos! Eu muito ocupada com a vida por aqui – trabalhando horrores e finais de semana cheios – e eles lá ocupados com os meninos e não muito adeptos de tecnologia. Mas sem ressentimentos.

No meu último dia em Dublin acordei com uma certeza: I didn’t belong there. Foi muito legal ter voltado para lá, ter visto amigos e os loirinhos, mas meu coração não bateu mais forte. Fica de tema para o próximo post.

Fui para o aeroporto de ônibus e o T. me encontrou lá para dar o último tchau e agradecer minha companhia, afinal, ele estava preocupado se ainda me veria este ano novamente quando voltasse ao Brasil por motivos de: logo logo eu conto. 😉

Peguei meu voo até Amsterdã pela Aerlingus – já havia viajado pela companhia antes. Comprei um lanche no aeroporto just in case e me despedi de Dublin, quem sabe pela última vez. Cheguei na capital holandesa perto das 21h e bom, contei que meu voo para o Brasil só saía no dia seguinte às 9h da manhã? Eu sentei numas mesinhas onde comi o lanche comprado ainda em Dublin, enquanto utilizava a tomada para recarregar meu celular e usava o wi-fi gratuito.

Eu nunca tinha ido ao aeroporto da cidade antes – quando fui a Amsterdã cheguei de ônibus vindo de Bruxelas e saí de ônibus indo para Berlin. Bem, já é um dos meus aeroportos favoritos dos mundo! É enorme, tipo, GIGANTE. O wi-fi é gratuito e ilimitado, apenas precisa ser reconectado a cada 1h. Tem poltronas mega confortáveis, ideais para aquelas pessoas que precisam passar a noite por lá – tipo eu.

Estava chegando perto das 23h e um funcionário veio me perguntar se eu iria pegar algum voo – eu estava num saguão de embarque e sei lá eu porque eu desembarquei lá. Eu expliquei que não, que meu voo havia chegado lá e eu só pegaria o próximo na manhã seguinte. Ele, muito gentil, me explicou que aquele saguão iria fechar em breve assim que o último voo decolasse, mas que eu poderia ficar em outras áreas que, inclusive, eram até mais quentinhas. Peguei minhas tralhas e saí andando… AAAAALL BY MYSEEEEEELF…

Um aeroporto todinho pra mim!
Um aeroporto todinho pra mim!

Finalmente achei uma poltrona confortável e depois de encher o saco de meio mundo via Whatsapp – eu estava carente hahaha -, eu acabei pegando no sono. Dormi muito bem, obrigada, até umas 2h da manhã quando uma galera que pegaria um voo logo cedo ali perto chegou falando alto e tal e resolvi ir passear. Depois de cruzar com um rato ali e outro aqui (nossa, gente, não sabia que tinha rato nos aeroportos europeus, que surpresa, achei que era coisa de brasileiro! *ironia*), checar onde era meu portão de embarque e onde deveria largar o tax free de tudo que comprei na Penneys e não achei o lugar onde deixar o formulário em Dublin, descolei um sofázinho ainda mais confortável onde dormi atracada com minha mochila até umas 6h da manhã, quando o aeroporto passou de “filme de terror teen” para “cena inicial de filme bonitinho”, cheio de gente pra lá e pra cá. Levantei, tomei um bom dum café da manhã, larguei meu tax free e fui pro meu saguão de embarque.

Good morning, sunshine!
Good morning, sunshine!

Na promoção que peguei, eu fui para a Europa de AirFrance e voltei de KLM. Foi minha primeira vez nas duas. A AirFrance é muito boa, mas a KLM me deixou de queixo caído! Achei tudo excelente – muitas opções de filmes, sorvete e sanduíche entre as refeições, comissários de bordo prestativos e simpáticos-, só não gostei da duração da viagem: foram 12h da capital holandesa até minha terra. DO-ZE HO-RAS. Eu sozinha dentro de um avião – aliás, sozinha é modo de dizer, o avião estava lotado! Dei o azar de ir bem no meião e tinha um homem muito alto de um lado e um gordinho do outro… sorte minha ser baixinhas, viu, senão! Aí que são 12 horas dentro de um avião. Eu dormi, assisti “Garota exemplar” (super recomendo, inclusive), comi, dormi, assisti “Moonrise Kingdom”, dormi mais, comi mais, assisti algum episódio aleatório de The Big Bang Theory, comi, dormi, olhei pro teto, pro chão, levantei pra esticar as pernas, dormi, levantei e tentei pegar minha mochila no compartimento do meio e entendi porque eles pedem altura mínima para comissário de bordo: eu não consegui fechar o compartimento e o homem alto do lado precisou me ajudar. Eh. Na reta final, faltando umas 2h para chegar, eu comecei a passar mal, espirrando e nariz escorregando como se não houvesse amanhã – tanta tempo exposta ao ar seco do avião atacou a abençoada da rinite.

O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? <3
O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Depois dessa viagem muito louca de volta, cheguei pros quase 40 graus do verão paulistano. Foi um choque sentir aquele bafão quente ao sair do aeroporto e eu de meia grossa e calça jeans, fedendo mais que peixe podre depois de tanto tempo sem banho e usando a mesma roupa. Minha pele estava ao mesmo tempo ressecada por causa do tempo frio e vento europeu e com espinhas, provavelmente por causa de toda porcaria gordurosa que acabei comendo.

Cheguei em casa, tomei um bom banho e morri no sofá. Desconfiei quando senti frio no verão de 40 graus. Febrão de 38 graus – a mina que viaja de ônibus na madruga, enfrenta o frio de Dublin, dorme no aeroporto, bate perna o dia todo, desbrava Madri parecendo cena de filme terror, mas não aguenta o ar seco do avião! Cheguei em São Paulo doente, mas muito feliz com minha Eurotrip e me perguntando quando iria a Europa novamente! 🙂

Rolezinho na Europa: uma introdução

Julho de 2014, véspera da viagem à Argentina.

Chego em casa e checo meus emails. Sempre tem um do Melhores Destinos e eu sempre abro e bato o olho para ver se tem algo interessante. Sempre tem algo interessante, mas nunca num mês interessante pra mim – ossos do ofício, só posso viajar nos meses de férias, quando tudo está, via de regra, mais caro e quase não tem promoção. Mas neste dia tinha.

Eu já estava com as malas prontas para ir a Buenos Aires no dia seguinte, mas o preço estava ótimo, a Bárbara e o Rick me convenceram que eu não poderia deixar essa chance passar (ai, como sou influenciável) e resolvi que iria me endividar com outra viagem sem nem mesmo ter desfrutado da dívida feita para a primeira. Esse negócio de sofrer de wanderlust pode ser um caso sério, juro. E assim comprei minhas passagens para passar férias na Europa, passar 19 dias dando altos rolês no hemisfério norte, mesmo sabendo que deixaria para trás um baita verão para passar frio. Sério, sofrer de wanderlust te faz fazer coisas que você não faria em CNTP (condições normais de temperatura e pressão).

Fui e voltei de Buenos Aires. Trabalhei. Andei de bicicleta. Tive encrencas com a USP. Trabalhei muito mais. Comi muito doce. Fui ao cinema. Dormi às vezes. Passei umas 2 faixas no kung fu. Zoei meu joelho. Passei finais de semana corrigindo provas. Trabalhei um tico mais. E assim, seis meses se passaram até que o dia 30/12 chegou e eu, ainda meio desorganizada, fui ao aeroporto suando horrores (eita, verão paulistano!) e com um casacão enorme na mão para pegar meu voo rumo a… Dublin!

Primeiro que meu voo saía do Terminal 3, o terminal novo e super moderno do aeroporto de Guarulhos. Eu já passei por alguns aeroportos mundo à fora, mas nunca vi nada tão moderno! O check in é apenas pela máquina e a gente só pega a fila do guichê para despachar a mala. O controle de passaporte é todo automatizado (é essa a palavra?) – eu coloquei meu passaporte no leitor, a primeira catraca se abriu, aí me posicionei em frente a câmera que se abaixou até ficar da minha altura (né?), bateu uma foto minha e me identificou como menina e liberou a segunda catraca para eu passar. Ou eu sou muito caipira ou isso é realmente muito moderno!

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Viajei de AirFrance e gostei muito do serviço e tal. O voo foi bem tranquilo e pela primeira vez uma refeição de avião me deixou satisfeita, sem contar que deram sorvete – a Lufthansa não me deu sorvete! Eu dei muita sorte porque consegui ficar na primeira fileira de poltronas, aquela com espaço extra para as pernas – não que eu precise de espaço extra, afinal, mal cheguei ao 1,60 de altura, mas enfim, foi um voo muito confortável e 10h30 depois, cheguei em Paris com temperatura de 3 graus. Cho-que. Lá precisei passar pela segurança novamente e que lerdeza! Peguei um voo da CityJet e 1h20 depois desembarquei em Dublin!

Quando cheguei lá em 2012, tudo era festa! A imigração era festa! Era.

“Hi.”
“Hi. What’s the purpose of you visit?”
“Tourism.”
“How long are you staying?”
“I’m leaving on the 16th.”
“Can I see your tickets?”
Mostrei a reserva de passagem de volta para minha terra.
“Oh, you’ve been here before.” – ele viu meus carimbos de entrada no país de 2013.
“Yes, I had a student visa.”
“Where’s your old passport?” – err… lembram que eu “perdi” meu passaporte? Aquele que tinha meu primeiro visto de estudante?
“Well, I lost my passport… but I have my GNIB here.”
Entreguei para ele, ele jogou meus dados no sistema e eu vi minha foto feia do dia que cheguei na Irlanda pela primeira vez aparecendo na tela do computador dele.
“What are you doing here?”
“I’m visiting friends and traveling to some other countries.”
“And where are you staying?”
“I’m staying with a friend.” – e entreguei a carta do R., um irlandês.
“Uhnn… is R. your boyfriend?” – danado, querendo me pegar no pulo!
“No, he is not.”
“How did you meet him?”
“He dates a friend of mine.”
“Uhn. Did you work when you lived here?”
“No, I just studied.” – eu jamais tive um trabalho formal na Irlanda, não tinha motivo nenhum de contar que eu trabalhei como babá, porque ele poderia me fazer mais perguntas e eu poderia me enrolar. Preferi bancar a ryca que foi para Europa só estudar.

Depois de todo o interrogatório, carimbou meu passaporte me dando exatamente a quantidade de dias que eu ficaria lá como prazo para sair do país. Ah, e disse que ficaria com meu GNIB. Eu, corajosa demais, resolvi perguntar porque ele não ia me devolver o GNIB. “It’s expired and we usually keep it.” Perdi, playboy.

A fila para a imigração levou uns 20 minutos, porque eu não era a única respondendo mil perguntas e vi gente sendo levado para a salinha. Eh, a Irlanda está mesmo fechando as pernas.

Quando saí do aeroporto, vi aquele lindo dia irlandês me esperando: céu cinza e frio. Eu estava tão cansada da viagem (que eu mal dormi), que me sentia anestesiada vendo as ruas de Dublin pela janela do ônibus. Não sentia saudade, nostalgia, alegria, nada! Eu reconhecia as ruas e só. Parecia apenas que eu havia viajado de férias e estava voltando para “casa”.

Quando cheguei na casa da Bárbara, minha ex-casa, tudo pareceu muito familiar, mas ainda assim, não estava sentindo nada. O fato de anoitecer por volta das 16h30 me deixou muito confusa também. Fui ao mercado e tentei comprar uma Kopparberg – guess what? Não havia levado meu ID e o cara não me deixou levar.

Tomei um banho, tirei um cochilo de 2h que pareceram apenas 5 minutos e fizemos a ceia de Ano Novo. Fomos para um pub no centro e, tipo, já tive Reveillons xoxos, mas o de Dublin certamente estará no topo da lista por muito tempo: sem fogos, sem festa, apenas uma contagem regressiva no pub e nothing else to do. Voltamos para casa e é óbvio que o sono não veio até quase 5 da manhã, né?

Eu fiquei mais 2 dias em Dublin, mas isso fica para o próximo post.