Vilnius, capital da Lituânia

Cheguei na última capital báltica por volta das 22h. A princípio, havia escolhido um hostel na rua principal da cidade, mas por receio de ir a pé sozinha até lá (1.5km) ou mesmo de pegar um táxi e ser enganada por ser turista, acabei mudando para um outro hostel a apenas 400 metros da rodoviária. Foi fácil chegar lá, mas meio difícil entrar! Fiquei no B&B&B&B&B (sim, é este o nome) e quando finalmente achei a entrada muito mal sinalizada (não sei quem teve a ideia de colar um cartaz bem frente ao nome do hostel), fiquei uns 10 minutos tocando a campainha e nada de alguém atender. Foi quando decidi entrar no que me pareceu ser um restaurante ao lado e descobrir que 1- não era um restaurante, era um bar/balada e 2- fazia parte do hostel, pois o funcionário que me atendeu me indicou a escada para ir a recepção. Fiz o check-in, olhei os mapas para decidir o que faria no dia seguinte e fui dormir.

No dia seguinte, fui andando calmamente até o ponto de encontro do walking tour. O guia era um jornalista que falava muito, mas muito rápido! Logo no começo do tour passamos por onde foi um gueto judeu e hoje, além de casas, tem uma escola construída na época da União Soviética.

A escola
A escola

A parte mais interessante do tour é a visita a República de Uzupis. Uzupis é uma região independente da Lituânia e o nome significa literalmente “do outro lado rio”, pois é necessário cruzar uma ponte para se chegar lá. Tudo começou em 1997 quando um grupo de artistas resolveu revitalizar a área que, até então, era ocupada por moradores de rua e prostitutas. Eles se declararam independentes e o governo do país meio que falou “tá, beleza” e hoje eles têm bandeira, hino, presidente e parlamento (que é o bar que fica logo depois da ponte).

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No tal parlamento, você pode entrar e pedir que carimbem seu passaporte como se estivesse mesmo entrando num país e passando pela imigração. O interessante é que eles também têm uma constituição que está traduzida em várias língua (mas não em português ainda) e eu achei que vários destes itens, na verdade, podem ser seguidos para vida. Olhem só:

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O tour seguiu e no fim um brasileiro que também estava no tour e fez amizade comigo e eu pedimos dicas de onde almoçar na cidade por um preço camarada, mas comendo algo típico. O guia nos indicou o restaurante/bar Snekutis (Š,v. Mikalojaus g. 15). Lá eu pedi o prato mais típico do país, o cepelinai, que é uma massa de batata recheada com carne. Aí você pode pensar “ah, então é tipo uma coxinha?” Não, porque a batata fica com uma textura muito diferente, meio pegajosa e, aparentemente, o prato é assado. Pedi também uma panqueca recheada de queijo para acompanhar.

Cepelinai
Cepelinai

Paguei pouco menos de 4 euros e olha, era muita comida! O cepilinai (foto) é relativamente grande e como é basicamente batata, já dá aquela “enchida” e eu ainda pedi uma panqueca – que estava meio gordurosa, mas a vida segue – e confesso que depois deste banquete, eu só fui sentir fome bem tarde da noite!

Após o almoço, o brasileiro seguiu seu caminho e eu o meu e fui ao Museu das Vítimas do Genocídio. A entrada custa 4 euros e é bom ir com umas 2 horas para a visitação, pois é bastante coisa, apesar de não parecer. São dois andares de museu e no subsolo é possível visitar as celas e como eu estava sozinha (havia outras pessoas no museu, claro, mas eu não estava acompanhada), confesso que deu um frio na espinha e um medinho quando fui na área das execuções.

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Do museu fui até onde é o parlamento lituano, mas sem grandes emoções – é apenas um prédio comunzão! Passei em frente a uma biblioteca maravilhosa, mas não entrei porque não sabia se ainda estava aberta pelo horário (era mais de 18h) e não queria subir a imensa escadaria que havia em frente para descobrir (meu joelho direito ainda estava tentando me matar e subir escada não era assim um sonho).

A biblioteca
A biblioteca

No caminho de volta ao hostel eu quis ir no que agora está virando “moda” na Europa: cat café. São cafés que têm como diferencial um monte de gatíneos lindos andando livremente pelo estabelecimento e você brincar com eles, passar a mão, alimentá-los (se comprar a ração), enfim, uma experiência para aqueles que são louco por gatos.

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O local é bem bonitinho e é necessário colocar protetor de calçado e levar as mãos ao entrar. Há avisos sobre como se portar no local – lavar as mãos antes e depois de brincar com os gatos, não pegá-los no colo ou acordá-los e enfim, respeitar os animais. O que achei bem ruim é que o local exige consumação mínima por pessoa (3 euros) e é bem caro para os padrões locais. É claro que 3 euros na Finlândia é insignificante – você consegue comprar uma casquinha com esse valor – mas se vocês pensaram que eu almocei (e muito bem) por menos de 4 euros, esse valor chega a ser abusivo no local. Claro que eu entendo que eles não querem virar uma atração onde as pessoas vão para ver os gatos, pedem uma água e vão embora, mas 3 euros é realmente absurdo para o país. Como fui obrigada, acabei pedindo um milkshake, e tomei empurrando porque eu ainda estava super cheia do meu almoço.

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Depois de muito enrolar, pois estava muito cansada e bem longe do hostel, fui embora. Passei no mercado para comprar coisinhas para o café e segui para o hostel. Aliás, o B&B&B&B&B tem uma decoração bem clean, o local é super limpo e organizado, os quartos são enormes, bem decorados e não os enchem de camas para dar lotação máxima. Por outro lado, saiba você que se pretende dormir à noite talvez não seja uma boa ideia se hospedar lá no final de semana – eu cheguei numa terça à noite e fui embora na quinta à noite – dormi super bem, mas na quinta já estava rolando um “pancadão” na balada e dava para ouvir dos quartos, além do que me desagradou muito que o povo da balada tinha acesso livre ao hostel para usar o banheiro – sim, o banheiro dos hóspedes.

Quarto feminino
Quarto feminino

Segui para meu quarto feminino de 6 camas que custou 10 euros/noite e descansei bem para o último dia de viagem nos bálticos.

Riga, capital da Letônia

Cheguei em Riga sozinha às 21h. Eu havia me informado com o hostel sobre a segurança no local e me afirmaram que era muito seguro. Mesmo assim eu corri os 1,5km de distância entre rodoviária e acomodação! Felizmente, as ruas estavam bem movimentadas e não me senti em perigo em nenhum momento, mas como eu sou de São Paulo, desconfio de tudo e de todos mesmo. :/

Eu me hospedei no Central Hostel e foi um dos melhores hostels que já fiquei! Optei por um dormitório feminino com apenas 5 camas por 7 euros a diária e a decoração do quarto era muito fofa! Aliás, o hostel todo era muito fofo e extremamente organizado, além de ser muito limpo e contar com staff muito prestativo e simpático. Não oferecem café-da-manhã, mas há chá, café, leite e achocolatado disponível o dia todo e como notei que alguns hóspedes acabam deixando para trás pão e cereal, dá quase para dizer que dá sim para começar o dia comendo lá.

O quarto muito fofo do hostel
O quarto muito fofo do hostel

Infelizmente, o tempo ruim me seguiu até Riga e estava muito frio no primeiro dia, com chuvas leves e um vento bem chato. Saí do hostel, passeei um pouco pelo centro histórico e fui encontrar o guia do tour que saía às 11h da Igreja de São Pedro. Há dois walking tours na cidade, um que cobre a Cidade Velha (Old Town) e outro que cobre outras partes de Riga. Eu fiz o da Cidade Velha no primeiro dia e o outro, no segundo – porque walking tour nunca é demais! 🙂

 O tour começa com o guia contando várias curiosidades da Letônia, claro, além de dar um panorama histórico. Assim como na Estônia, há muitos russos vivendo no país e isso fica bem claro porque praticamente em todo lugar se vê informações escritas em russo. O tour segue para a parte de trás da Igreja de São Pedro, onde tem uma escultura de 4 animais bem famosa, Os Músicos de Bremen. Ela homenageia o conto de mesmo nome escrito pelos irmãos Grimm e está lá pois foi um presente de sua cidade irmã, Bremen, na Alemanha.

Os músicos de Bremen
Os músicos de Bremen

Passamos por outros locais, onde o guia ia explicando de tudo um pouco, como a origem do nome da cidade, por exemplo – o que é de praxe em qualquer tour. Chegamos no famoso cartão postal da cidade, o prédio com os gatinhos no telhado!

Miau!
Miau!

O prédio fica na Meistaru 10/12 e é conhecido como Cat House. O guia disse que a história (ou lenda?) sobre o prédio é que ele foi construído por um mercador muito rico que, na verdade, queria fazer parte de uma associação alemã que tinha sua sede no prédio em frente ao dele. Como seu pedido foi negado, ele quis se vingar e mandou colocar os gatinhos no topo das torres com o “bumbum” virado para o prédio da outra associação. O pior é que a associação alemã achou isso tão ofensivo, que levou o caso ao tribunal! No fim, ficou decidido que o bumbum dos gatinhos deveria ser virado para o outro lado. Se esta história é verdadeira ou não, não sei, mas que o prédio é bem bonitinho, isso é!

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Paramos num ponto aqui e outro ali, historinhas e tal e o tour acabou dentro de um bar. O lado bom é que estava tão frio que eu mal via a hora de terminar e poder entrar num lugar quentinho; o lado nem tão bom é que este bar era do amigo do guia e fomos levados lá justamente para fazer propaganda do local – o que não é assim péssimo, eu sei, mas não é uma dica genuína de bar, né? Para quem bebe, o guia deu um “vale” para comprar uma cerveja e beber outra de graça, mas eu estava sozinha e eu não sou assim tão fã de cerveja para encarar um litro.

Ao fim, saí andando pelo cidade e fui até o Museu das Ocupações da Letônia, que cobre o período de 1940 a 1991. A entrada é gratuita e o museu ocupa apenas um andar, sendo mais informativo do que interativo e tem mais coisas para ler do que ver, por exemplo.

O museu
O museu

Do museu, segui para o distrito de Art Nouveau, onde há um museu. O distrito é famoso pelo estilo dos prédios e é bacana para quem curte ou é de arquitetura – eu olhei, achei bonito e dei meia volta. De lá passei por um parque que estava lindo com as folhas amarelas da estação, mas ao mesmo tempo intrigante. O que é isso?

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Em seguida, passei pela Catedral da Natividade, também num estilo meio ortodoxo, construída no fim do século 19 quando o país estava sob o domínio do Império Russo. Ela é bem bonita por fora e a entrada é gratuita.

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Voltei ao Cento Histórico, onde almocei no primeiro restaurante de kebab que achei (saudade dos kebabs de Budapeste! <3) e segui para a Academia de Ciências da Letônia, mais conhecido como o “Prédio do Stalin”.

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A primeira vez que vi este prédio foi em Varsóvia, na Polônia. E depois, claro, vi outros na Rússia, em Moscou. O estilo é mesmo conhecido como Stalinista e há outros prédios parecidos com ele em outros países que já foram parte da União Soviética. É possível subir no 17º andar para se ter uma visão panorâmica de Riga pelo valor de 5 euros. Eu achei caro, mas já estava lá e resolvi subir mesmo assim. O tempo estava péssimo: nublado, chuvoso e ventando e é claro que eu era a única louca lá em cima. Fiquei um tempo e a ideia era esperar para ver a cidade à noite também, mas estava tão frio e ventando tanto que não deu para seguir com o plano.

Riga lá de cima
Riga lá de cima

O engraçado é que do nada apareceu um senhor gravando um vídeo no celular. Pediu que eu gravasse um vídeo dele e começou a puxar papo comigo. Final da história: fui tomar um café com um senhor de 65 anos que nasceu no Chile, mas mora na Suécia há mais de 30 anos e viaja sozinho porque a esposa trabalha e não pode o acompanhar. Pois é!

Quando saí do café já havia escurecido, então apenas andei mais um pouco pela cidade a procura de lembrancinhas e retornei ao hostel. Ao fim do primeiro dia, eu já tinha certeza que havia gostado mais de Riga do que de Tallinn, se é que é possível fazer essa comparação. 🙂

Último dia em Tallinn

No último dia em Tallinn, comecei visitando o Museu da KBG no Hotel Viru. O local não corresponde exatamente a ideia que temos de museu por alguns motivos: 1-fica num hotel e ocupa parte de 2 andares dele; 2- só é possível visitar agendando a visita (por email ou pessoalmente na recepção) e as visitas são sempre guiadas. O preço não é muito friendly, já que custa 10 euros e não há qualquer tipo de desconto (custa 8 se você for hóspede do hotel). Eles organizam visitas guiadas em inglês, finlandês e estoniano e o horários e como agendar estão aqui.

Hotel Viru visto do centro da cidade histórica
Hotel Viru visto do centro da cidade histórica, entre os portões da cidade

A visita começa com a guia contando um pouco da história da construção do hotel e sua relação com a União Soviética e se você gosta de história, certamente vai adorar esta introdução. Havia boatos, por exemplo, que metade da estrutura do hotel era feita de microfones! De fato, havia microfones em todos os quartos e escondidos em todos os lugares. A contratação de funcionários era bem rígida: não eram contratadas pessoas que soubessem falar outro idioma ou tivessem familiares em outros países, pois a ideia é que eles não deveriam se comunicar com os hóspedes ou contar a pessoas no exterior o que acontecia dentro do hotel, que foi construído em 1972. E quando um funcionário era contratado, havia uma clara instrução: qualquer item que tenha sido achado no hotel (bolsas, carteiras etc) deve ser entregue a gerência sem ser aberto… e para testar, eles propositalmente deixavam uma carteira em algum lugar, mas caso o funcionário abrisse, uma espécie de “bomba de tinta” explodia e, enfim, o resto da história vocês já imaginam.

Tallin vista do 23º andar do Hotel Viru
Tallin vista do 23º andar do Hotel Viru

Nesta 1 hora de tour, tudo que visitamos são 2 salas “super secretas”, de onde a KGB controlava tudo o que acontecia no prédio. Numa das salas a guia mostra todo o aparato desenvolvido pelos russos para espionar os hóspedes.

Câmeras, microfones e fios escondidos
Câmeras, microfones e fios escondidos

Todo este cuidado era porque o hotel recebia estrangeiros e estes deveriam pensar que tudo na União Soviética funcionava perfeitamente, portanto, o hotel oferecia serviços de primeira classe e proporcionava uma experiência incrível aos hóspedes. Sobre visitar Tallinn, a única coisa que a guia comentou é que os hóspedes apenas saíam do hotel em táxis providenciados pelo mesmo por razões óbvias.

Após visitar o hostel, peguei o mapa e saí andando por lugares da cidade histórica onde ainda não havia passado, como a Fat Margaret’s Tower, uma torre construída para proteger a cidade pela costa e impressionar quem chegava. Hoje em dia o local abriga o Museu Marítimo, que eu não tive nenhuma vontade de conhecer – talvez porque eu já tenha visitado em Liverpool e não achei assim super empolgante.

Fat Margaret's Tower
Fat Margaret’s Tower

Acabei passando por alguns pontos turísticos no estilo “bater uma foto e ir embora”, e embora a cidade tenha alguns museus, não fiquei interessada em visitá-los. Acontece, né? Alguns dos lugares que passei incluem a praça da prefeitura, onde passei diversas vezes e há diversos restaurantes – a maioria super faturados porque são para turistas-; a passagem de St. Catarina, que é uma ruazinha; o mirante de Kohtuotsa, onde se tem uma boa vista da cidade; a Igreja Dome. As capitais dos países bálticos têm um mapa feito pelos locais (Free map made by locals), que é bem útil por mostrar as principais atrações, além de sugerir restaurantes,  bares e outras atividades. Eu peguei o meu no hostel e, geralmente, os guias dos tours também oferecem.

Praça da Prefeitura à noite
Praça da Prefeitura à noite

Eu gostei de Tallinn, mas não achei essa “Coca-Cola” toda que li pelos blogs da vida (eu nem gosto de coca, just for the record… haha). É uma cidade bonitinha, com muralhas e torres ainda bem conservadas do período medieval, mas não é assim tão encantadora. A cidade é muito pequena, então, se você quiser ver o essencial um dia só basta. Se você optar por visitar alguns museus, então dois. Acredito que seja uma visita mais agradável no verão e também que tenha mais opções nesta época.

Curiosidades

  • O Skype foi inventado lá! E eles são muito orgulhosos disto.
  • Eles se gabam por serem super conectados e ter a internet mais rápida do mundo. A internet do hostel mal pegava no meu quarto e quando pegava, eu achei normal. Por outro lado, no centro histórico tem wifi grátis.
  • Eu não usei o sistema de transporte, mas Tallinn é uma das poucas cidades do mundo em que o trasporte público é gratuito para seus cidadãos, portanto, apenas estrangeiros pagam.
  • Você curte beber? Como contei no primeiro post sobre a cidade, bebida alcoólica é bem barata no país, então é sua chance. O que atrai mesmo é a vodka, não somente pelo preço, mas porque existe uma marca que vende vodka com teor de alcool de 80%! Sim! E eu comprei, porque isso é um super suvenir! hahaha… Se ficaram curiosos, a marca é Saaremaa. 😉

Fui a pé do hostel até a rodoviária – cerca de meia hora – e de lá peguei meu ônibus para Riga. A viagem dura cerca de 4 horas e fui com a Lux Express, a mesma empresa de ônibus que me levou de Helsinki a São Petersburgo, na Rússia. O ticket custou 10 euros e a viagem foi bem confortável, com bebidas quentes à vontade, apesar de desta vez a opções de filmes e música não estar funcionando na TV individual.

Rodoviária de Tallinn
Rodoviária de Tallinn

 

Tallinn, uma capital medieval

Tallinn é a capital da pequena Estônia, um país de apenas 1 milhão e 300 mil habitantes, sendo que 1/4 são de origem russa, que teve sua independência conquistada apenas em 1991, após anos sob o domínio da União Soviética, um período que deixou marcas e ainda é lembrado pelos locais.

Resolvemos fazer o walking tour em Tallinn, mas como começava só ao meio-dia, pegamos o mapa da cidade e andamos um pouco por alguns pontos turísticos antes de ir para o tour. O que a gente não esperava é que em 2h30 conseguiríamos ver quase metade das atrações, passar no Hotel Viru para agendar o tour no museu da KGB e ainda ter tempo de voltar ao hostel e tomar um chá para aquecer, já que estava fazendo muito mais frio do que a gente esperava.

O Parlamento
O Parlamento

A impressão que dava era que o mapa era quase “em escala real”, pois dávamos “dois passos” e já estávamos no próximo local. Começamos pelo Parlamento da Estônia, o prédio rosa da foto, onde fica o Castelo de Toompea. O castelo, que fica na parte de trás do Parlamento, foi construído entre os séculos 13 e 14 e a faixada bem depois, no século 18. É possível visitar o local, mas apenas de segunda a sexta (eu passei o final de semana na cidade) e é preciso agendar previamente aqui. Acabamos voltando lá com o walking tour mais tarde, claro, e a guia nos deu algumas informações sobre o país e sua política, como o fato de terem uma mulher como presidente no momento.

Em frente ao parlamento fica a Catedral Alexandre Nevsky, uma igreja ortodoxa, ainda influência do período de dominação russa no final do século 19. Por fora é uma igreja muito bonita e se você nunca foi à Rússia, é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco o estilo. A entrada é gratuita, mas não é permitido tirar fotos dentro da catedral. Aliás, há várias igrejas na cidade, apesar de, segundo nossa guia, o país ser um dos mais ateus do mundo.

Alexandre Nevsky num dia cinza
Alexandre Nevsky num dia cinza

Seguimos andando, passamos por pedaços de muralhas que ainda estão espalhados pelo centro da cidade e chegamos no Kiek in de Kök, uma torre construída em 1475 e tem sua história contada (em inglês) aqui. O nome tem origem em alemão e seria algo como “espiar a cozinha”, pois segundo nossa guia do tour, já que em determinada época os soldados que lá ficavam não tinham muito o que fazer e ficavam apenas espiando do alto da torre o que as pessoas faziam na cozinha. O local hoje é um museu que também dá acesso a passagens subterrâneas. O ticket custa 9 euros ou 6 para estudantes e você encontra mais informações aqui, mas eu acabei não visitando o local.

Kiek in de Kök e esse dia cinza
Kiek in de Kök e esse dia cinza

Quase em frente a torre há um parque, que nesta época do ano estava coberto de folhas amarelas. O parque em si não tem nada de especial e talvez mereça uma visita quando o tempo está mais quente, mas a guia nos contou que na época de domínio soviético era proibido comercializar vinis de bandas do Oeste (Western Music), mas a gente sabe que não é porque é proibido que as pessoas não fazem, ainda mais se tratando disso. Então, muitas pessoas vendiam ilegalmente vinis e outros artigos que eram proibidos na época da União Soviética e o parque é estratégico porque está numa colina e os vendedores podiam ver quando a polícia se aproximava. E era um jogo de gato e rato, meio que de “faz de conta”, já que todos sabiam o que rolava lá e faziam vistas grossas – quando a polícia chegava, eles escondiam os vinis e passavam a vender coisas como selos e mesmo os policiais, quando não estavam em serviço, iam ao local fazer “umas comprinhas”.

O parque
O parque

De lá seguimos para a Praça da Liberdade, onde também está o Monumento a Guerra de Independência que, segundo nossa guia, foi superfaturado, os locais, em geral, desaprovam e mesmo tendo custado alguns milhões de euros, as placas de vidros quebraram e nem todas as luzes acendem à noite. Porém, o material utilizado suportaria um ataque nuclear – fica a dúvida: se todos morrem num ataque nuclear, pra que a necessidade de um monumento continuar erguido?

A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo
A praça com o Monumento e a igreja de St. John ao fundo (num dia horroroso)

Passamos por outros pontos, como Danish King’s Garden (mais informações aqui, em inglês), onde ficam as estátuas de 3 monges.

Bizarro?
Bizarro?

No mesmo local, é possível subir na parte da muralha ainda em pé, onde há um café. Eu recomendo subir, apesar de as escadas serem muito íngremes e os degraus muito altos, pois neste a visita é gratuita – há outro pedaço de muralha, o mais longo ainda em pé, próximo a entrada da cidade histórica, mas o ticket custa 3 euros apenas para subir – mas eu não recomendo o café porque é super caro! Para se ter uma ideia, um chocolate quente custava 6 euros lá. Uma coisa meio boba e engraçada, é que pela cidade há vários quiosques vendendo docinhos, bebidas quentes e castanhas. Estes quiosques têm um estilo meio medieval e cada um tem um nome. O que estava no Danish King’s Garden era meio engraçado:

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O walking tour seguiu por mais alguns pontos, paramos num mirante, a guia nos ensinou uma dança típica da Estônia e foi isso. Gostei muito do tour e a guia tinha um humor bem peculiar e contou várias piadas, além de ter dado um bom panorama histórico do país e contado algumas histórias interessantes e engraçadas da vida na Estônia quando esta fazia parte da União Soviética.

Almoçamos no McDonlad’s mesmo (né?) e voltamos ao hostel para outra xícara de chá. Pode parecer meio ridículo isso, mas o hostel fica a basicamente 5-10 minutos de qualquer atração, então faz muito sentido retornar lá. Estava muito frio mesmo no dia (em torno de 1 grau, mas ventando muito e sensação térmica de até -7), então o tempo que ficamos na rua para o walking tour (cerca de 2 horas e meia) foi o suficiente para precisarmos parar num lugar quentinho. Logo depois, visitamos a farmácia mais antiga do mundo! Ela fica na Praça da Prefeitura e a entrada é gratuita, mas não abre aos domingos.

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Não se sabe exatamente quando ela foi inaugurada, mas os registros dão conta que seu terceiro dono a comprou em 1422. Desde então, o local nunca fechou e ainda hoje é possível comprar medicamentos lá, embora eu tenha certeza que a maioria das pessoas que entram é para visitar o local, que tem alguns objetos bem antigos e até animais em formol.

Terminamos o dia indo mais uma vez ao III Dragon para mais uma sopa de alce e depois fomos a uma panquecaria, porque a sopa só dá pra ser uma entrada. A panquecaria se chama Kompressor (Rastaskaevu 3) e gostamos muito. Eles servem panquecas doces e salgadas, que são muito bem servidas e custam, em média, 5 euros. A decoração do local é interessante também.

Aprovada!
Aprovada!

Tallinn é conhecida por ser a cidade medieval mais bem conservada da Europa e, de fato, andando pela cidade no primeiro dia vimos diversas construções e muros que realmente lembram o período. Fora isso, há diversos restaurantes que tentam reproduzir a época de alguma forma e com seus funcionários vestidos à caráter, o que faz o clima ficar ainda mais característico.

Tallinn – balsa e sopa de alce

Foram 8 horas de ônibus até Helsinki, onde peguei a balsa para Tallinn. Muita gente faz só um bate-e-volta até o país vizinho, pois o percurso de balsa leva de 1h40 a 2h30, dependendo da empresa. Além disso, bebida alcoólica é muito mais barata daquele lado do Mar Báltico e muitos finlandeses aproveitam – na volta, eu vi gente puxando carrinho com vários engradados de cerveja empilhados.

Se você vai chegar em Tallinn a partir de Helsinki, a melhor opção é mesmo a balsa. Há algumas empresas diferentes que fazem a travessia e os valores costumam começar em 19 euros cada trecho, sendo possível pagar até 12 euros às vezes. Eu escolhi a Linda Line, pois custava o mesmo valor de outras companhias, mas garantia a travessia mais rápida (é o slogan deles). O que eu não sabia e gostaria muito que alguém tivesse me dito isto, é que a Linda não tem navios, tem barcos. Isto não seria um problema, mas como as embarcações são muito menores que as das concorrentes, qualquer sinal de mau tempo no mar já é suficiente para cancelarem a viagem, além disso, não fazem viagem no inverno. Nas semanas que se seguiram após comprar o ticket, diversas vezes entrei no site e havia o aviso de viagens canceladas, o que foi me deixando bem apreensiva e me fez optar por escolher outra companhia para fazer o retorno. Acho que se a viagem for feita durante o verão, o risco de cancelamento é menor, e comprando ida e volta junto, você pode conseguir preços tão baixos quanto 29 euros. Eu tive sorte, pois no dia que fui para Tallinn o serviço de balsa estava funcionando normalmente, mas o M., minha companhia de viagem apenas na Estônia, teve sua viagem de volta suspensa. A empresa se compromete a reembolsar o valor pago pelo ticket em caso de cancelamento, o problema mesmo é comprar um ticket de balsa em cima da hora. O M. pagou 42 euros e num horário péssimo, pois era um domingo, quando todos que foram passar o final de semana em Tallinn estão voltando, e havia pouquíssimos horários disponíveis.

O barco da Linda Line
O barco da Linda Line

Outras opções para cruzar o Mar Báltico, que têm navios grandes que não cancelam viagem por qualquer mau tempo, são Eckerö Line, Viking Line e Tallink Silja Line. Dá também para pesquisar preços de todas as companhias neste site. Estas companhias também fazem outras rotas, como Estocolmo, por exemplo. A vantagem da Linda Line em relação às outras é que o tempo de travessia é realmente mais curto e há muitas opções de horário. A desvantagem, além da que já foi citada, é que o barco é bem menor e se você passa mal facilmente no mar, vai sentir bem mais.

A nossa travessia foi tranquila, apesar que temos a desconfiança que viajamos na Primeira Classe com um ticket comum. Como ninguém nos pediu para checar nada e não havia nenhum serviço especial também, resolvemos ficar por lá mesmo. A viagem foi confortável, apesar de uma finlandesa, contrariando o estereótipo do povo finlandês, berrar a viagem toda e interromper nosso cochilo. :/

Do porto de Tallinn ao hostel caminhamos cerca de 20 minutos. Tallinn é muito pequena e tudo fica muito perto – claro que me refiro ao centro da cidade e sua parte mais turística, onde os locais certamente não moram. Por conta disto, acho que qualquer hostel que esteja no centro é bom em termos de localização.

Nós escolhermos o mais barato da região, o Kohver Hostel. Ele fica super no centro, mas como já disse, Tallinn é muito pequena. O que nos atraiu era que havia café-da-manhã incluso, ao contrário da maioria, mas o café consistia apenas em café e chá, pão de forma e geleia, cereal e leite. Para mim é aceitável, pois não como muito mais do que isso de manhã mesmo, mas sei que tem gente que prefere um café mais farto. O prédio é muito antigo e sem elevador, e o hostel fica no último andar.  Eu achei tudo meio desorganizado – eles te dão a chave na sua mão no check-in, mas de manhã, no horário de check-out, não tem ninguém na recepção, só um bilhete dizendo para você largar a chave lá e ir embora. Além disso, no primeiro andar tem um bar-balada e apesar de o barulho não chegar até o andar do hostel, eu dormi as duas noites inteiras sentindo minha cama vibrar – talvez durante a semana seja mais tranquilo – eu passei o final de semana lá.

Eu sempre costumo guardar meus pertences dentro do cofre, quando o hostel oferece, mas acabo deixando coisas insignificantes na cama. Na manhã do primeiro dia, arrumei a cama (estiquei o edredom) e deixei minha pasta de dente, escova e fio dental embaixo do travesseiro. Quando voltei à noite, havia outra pessoa na cama que eu estava. Resumindo: por total falta de organização e controle, o hostel retirou os lençóis da minha cama por acharem que quem estava lá havia feito check-out, já que não havia mochila nem nada por perto. Por que raios uma pessoa deixaria uma cama arrumada ao fazer check-out, né? Minha pasta e todo resto havia sumido e eu, claro, fui tirar satisfação. No final da história, eles acharam tudo, mas como eu já havia comprado tudo novo no mercado, me reembolsaram. Eu recomendo este hostel? Apesar de a maioria dos funcionários ter sido bem atencioso, não. Extremamente desorganizado e os banheiros eram bem estranhos, apesar de o local estar limpo. Fim do drama da acomodação.

O hostel
O hostel

Chegamos à noite e uma amiga já havia recomendado que comêssemos sopa de alce numa taverna medieval na Praça da Prefeitura. O nome da taverna é III Dragon e é um daqueles lugares que todo turista vai quando visita a cidade. A ideia é simular uma taverna medieval, já que Tallinn é conhecida como a cidade medieval mais bem conservada da Europa. Supostamente, o local não tem energia elétrica (não há lâmpadas, mas aceitam cartão e digitam seu pedido numa tela touch screen “escondida”) e a decoração toda é no estilo medieval, além dos funcionários usarem roupas que possivelmente eram usadas na época.

A funcionária do caixa
A funcionária do caixa

Tudo lá é bem baratinho, variando entre 1 e 3 euros. O mais tradicional, claro, é a sopa de alce, que custa 2 euros e vem numa cumbuca de barro. Não tem colher, você deve beber diretamente da cumbuca. Normalmente, a sopa vai acompanhada das tortinhas, que variam entre 1 e 1,50 euros dependendo do sabor. Tem um barril de picles que você pode se servir de graça, mas este eu pulei porque não gosto.

Cumbuca com sopa de alce
Cumbuca com sopa de alce

O local, em si, não é nada excepcional, mas é bonitinho e diferente. A sopa, aliás, é bem temperada, mas eu custei a achar pedaço de carne nela. A porção é bem pequena também, então é mais para visitar o local ou ser a “entrada” da sua refeição, tanto que depois de comermos a sopa, fomos para uma pizzaria ali na região para encerrar o primeiro dia.