Voltei!

Hi there!

Depois de uns 8 meses sem postar nada, ressurjo das cinzas! 🙂

Eu não abandonei o blog, apesar de nunca ter passado um mês inteiro sem postar até então. Eu simplesmente fiquei sem tempo para sentar em frente ao computador e escrever algo decente – eu nem consegui terminar de contar sobre a minha viagem para a Colômbia, mas se a memória ainda permitir, retomarei o blog falando disso.

Os motivos que me fizeram parar de escrever foram diversos: estava trabalhando muito, muito mesmo e sendo professora, sempre tinha trabalhado para trazer para casa. Nas férias de 2017 para 2018, fui para o litoral de São Paulo passar uns dias e lá não tinha acesso a internet – e mesmo que tivesse, eu estava de férias na praia, né?

Voltei para São Paulo já no ritmo intenso de trabalho de quem dava aula no ensino regular, aula em empresa, aula particular, aula por Skype e ainda resolveu fazer o CELTA de Cambridge, um curso que emite certificado internacional para dar aula de inglês em qualquer lugar do mundo. Nem preciso dizer que precisando conciliar uma rotina intensa de trabalho com um curso mais que intenso, eu não estava conseguindo nem dormir, literalmente. Foram muitas noites dormindo 3 ou 4 horas, muitos finais de semana em casa fazendo todas as atividades extras do curso e ainda corrigindo e preparando provas, exercícios e aulas. Vida social eu nem tinha mais… Ufa!

O curso acabou no fim de junho e com algumas reviravoltas na vida, estou com uma rotina bem menos pesada no momento. Após um mês de julho organizando a vida e me dando momentos de lazer e folga para simplesmente não fazer nada, lembrei que o blog existe e seria legal voltar a postar.

Então, é isso! Esperem posts daqui pra frente, talvez não com tanta frequência já que eu também não estou morando fora nem viajando pelo mundo, mas ainda tenho algumas coisinhas interessantes para contar.

Até o próximo post! 🙂

 

Balanço da vida

Há quase 5 meses eu estava fazendo as malas para voltar para o Brasil pela… 4ª vez! Sem frio na barriga, sem muita ansiedade, sem tristeza de deixar o país onde morei por algum tempo e sem curiosidade sobre como seria dali pra frente. Parecia só mais um dia na vida de Beatriz.

Voltei com a mala grande e a pequena que levei e tudo que não coube ficou pra trás – ponto pra mim, pois voltei da Irlanda não com uma e nem duas, mas QUATRO malas. A filosofia de vida está aos poucos mudando para ter somente o necessário e devo um pouco disso a cultura finlandesa de não jogar nada fora e reaproveitar tudo: você acaba mantendo só o que precisa mesmo.

Nos meus voos de volta, saindo da Finlândia no auge do inverno, tive pela primeira vez a experiência de precisarem descongelar uma aeronave para decolagem, descobri que somente pessoas que falam inglês podem se sentar próximo às saídas de emergência, tive que explicar que podia sim despachar uma mala de 32kg pro Brasil sem pagar taxa de excesso de bagagem e por pouco não aconteceu um mal entendido na saída da Europa quando o oficial de imigração questionou por que eu havia entrado na Europa 5 meses antes e excedido meu tempo de visto – lembrem-se sempre de mostrar o visto de estudante na entrada e saída da Europa, crianças.

E enfim, Brasil. Voltei pra ficar até a próxima vez – é assim que respondo a todos que me perguntam se “agora não volto mais pro exterior”. Eu tenho planos de morar fora novamente? Sim e não. Então, acho que a melhor resposta é mesmo essa, voltei para ficar mesmo, mas só até a próxima viagem sem data de volta.

Cinco meses depois e eu não entreguei a dissertação de mestrado. Não vou mentir, muitos dias me pego pensando que não posso correr e um dia vou ter que encarar a realidade e terminar a dissertação – quem é que mora um ano e meio na Finlândia e fica sem o título de mestre porque não entregou a dissertação, né? Para meu consolo, eu posso dizer que já fiz todas as minhas entrevistas e transcrição do material, além de ter um esqueleto de como tudo vai se desenvolver. Só preciso escrever. .

E tenho minhas razões (justificativas, desculpas esfarrapadas, motivos ou como preferirem chamar) para não ter terminado logo com isso: não é minha prioridade. Como escrevi num post, eu ando vendo a vida como um delicioso bolo e cada parte dele é um pedaço que forma o bolo inteiro. Quanto maior o pedaço, maior sua importância. Enquanto morava na Finlândia, minha vida toda parecia ser um bolo sabor mestrado, mas depois vi que não era bem por aí, então, no momento, mestrado é um pedaço bem pequeno – está bem longe de ser minha prioridade.

Mas e a vida hoje? Atualmente estou trabalhando e ganhando cerca de 35% mais do que ganhava ao sair do Brasil, já levando em consideração a inflação do período (que não foi pouca). Só não acho que isso tenha relação direta com o mestrado, mas com o conjunto da obra. Também atribuo isso a ter ficado com a mente mais aberta e aproveitado melhor minhas opções e oportunidades. E, quando eu finalmente tiver o título de mestre, vou atrás do que esse título pode me oferecer.

E aos quase 30 anos, estou finalmente adultando e pronta para o próximo passo da vida de adulta. Em breve vou riscar alguns itens da listinha que fiz das 30 coisas para fazer antes dos 30 (que vou ter que adaptar um pouco e mudar o antes para até).

All in all, não me arrependo nem um dia de ter decidido retornar, minha vida no Brasil está caminhando muito bem em todas as áreas (quem disse que não dava para ter sorte no jogo e no amor, não é mesmo? Parece que o jogo virou… hahaha) e apesar de eu insistir que a vida não é um fluxograma, eu já tenho uma ideia de onde quero estar em 5 anos e como chegar lá.

E, no momento, a vida de intercambista e “viajadeira” vai parar só um pouquinho. Mas estou feliz, gente, bem feliz! 🙂

 

Do frio finlandês ao calor brasileiro!

 

 

Dando satisfação

Oi, pessoas que seguem o blog!

Pela primeira vez em mais de 5 anos de blog eu simplesmente sumi! Eu jamais achei que chegaria o momento que eu parasse de escrever no blog, mas parece que esse momento chegou. Como estou há quase um mês sem publicar nada, achei melhor apenas passar por aqui para dar alguma satisfação.

Como contei na última postagem, eu realmente resolvi voltar ao Brasil. Eu preciso dar mais detalhes desta decisão, contar mais algumas coisas de como foi viver na Finlândia por esse um ano e quase meio e também falar do meu mestrado e sua tese, mas por ora, só vou mesmo me justificar sobre a ausência.

Eu voltei ao Brasil acreditando que minha rotina seria de um jeito, mas ela acabou ficando de outro por conta de algumas decisões importantes que tomei. Por este motivo, meus dias andam muito corridos, mas muito corridos mesmo, e eu não tenho ânimo para escrever. Os finais de semana também estão bem corridos, mas por um motivo diferente. De qualquer forma, está difícil separar aquele tempinho de escrever no blog, já que quando ele surge, eu sempre tenho algo mais urgente a fazer. Acho que aos quase 30 anos, eu finalmente estou “adultando” e tendo muitas responsabilidades de gente grande, sabe?

Assim, esta postagem fica para dizer que não, o blog ainda não acabou, mas talvez tenha uma longa pausa até que eu consiga voltar a postar com alguma frequência. Como as visitas diárias ao blog só têm aumentado, mesmo sem postagens novas, eu acredito que este blog esteja sendo útil a almas viajantes e desbravadoras, que buscam mais informação sobre o próximo destino ou uma aventura no exterior. Espero que esses mais de 5 anos de desventuras nas diversas viagens e intercâmbios ainda continuem servindo de inspiração para todos que visitem este singelo blog.

Obrigada, gente, e eu volto a postar aqui assim que tudo se acalmar. 🙂

Retrospectiva 2016 e planos para 2017

Primeiro dia do ano e eu venho aqui fazer a retrospectiva do ano que se foi há algumas horas e falar um pouco dos planos para 2017, aquele que eu faço 30 anos (mas geeente)!

Todo mundo falando que 2016 foi o horror, um ano horrível. De fato, aconteceu muita coisa ruim estranha, mas de uma perspectiva pessoal foi um ano bem tranquilo pra mim, sem grandes emoções nem para o bem nem para o mal. Vamos a retrospectiva feat. planos 2017?

Viagens

Eu não viajei tanto quanto gostaria (eu nunca vou viajar tanto quanto gostaria, não importa quantas viagens tenha feito!), mas conheci 8 países este ano (País de Gales, Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Uruguai, Estônia, Letônia e Lituânia) e fica até feio eu reclamar. Eu também conheci outras partes da Finlândia, como Turku e Rovaniemi, e “repeti figurinhas” voltando a Londres e Liverpool. Passei as férias no Brasil e acho que isso me fez um bem tão grande nessa jornada de morar na Finlândia!

Rovaniemi, 2016
Rovaniemi, 2016

Eu optei por não começar o ano viajando (quando se tem tempo e dinheiro e não viaja é realmente opção, né?). Tenho alguns motivos como economizar dinheiro para outras viagens que estão meio sei lá talvez quase certas e outros motivos que vão ficar claros nos posts futuros. Não quero dar spoilers (a louca achando que o blog é um seriado), mas pode rolar Ásia este ano, o que me leva a uma reflexão…

Eu conheço 28 países, o que pode parecer muito, mas são quase 200 países nesse mundão todo e 28 não é assim exatamente um número impressivo no fim das contas. Destes 28 países, só 5 não estão na Europa e vamos combinar que Europa é bem mainstream. Além disso, depois que você começa a viajar por muitos países europeus, tudo começa a ficar meio igual. Todo país tem algo na história sobre a Segunda Guerra, todo país tem algo sobre o Holocausto (uns mais e outros menos, claro), todo o país tem uma baita influência da Igreja Católica com suas igrejas e catedrais, todo país tem o “mais” ou “maior” qualquer coisa da Europa… No começo você não percebe, mas depois de algumas viagens algumas histórias soam muito familiares e você começa a fazer as conexões. Eu não estou aqui falando pra ninguém mais viajar pra Europa ou que se você conhecer um país, conheceu todos. Não! Cada país tem uma particularidade, óbvio, mas no geral, você vai vendo que há tanta coisa em comum… Basta pensar em termos de Brasil, que é quase tão grande quanto a Europa toda. A cultura do norte e do sul são super diferentes, né? Comidas, tradições, clima e até sotaque e vocabulário – ou seja, cada região tem sua particularidade, mas no geral nós somos mais iguais que diferentes, temos mais em comum do que diferente e às vezes ao viajar a Europa toda você sente isso: sim, são países diferentes, mas às vezes são tão iguais! Enfim, espero que isso tenha ficado claro e eu agora sinto uma preguiça tremenda de viajar para conhecer mais do mesmo que é um pouco diferente. Por este motivo, em 2017 se for pra viajar, que seja mais da América do Sul ou Ásia – ou ambas.

Mestrado

Eu tive altos e baixos com o mestrado. O primeiro semestre, em 2015, foi muito intenso, porque não foi só começo do mestrado, mas o começo de um período na Finlândia. Em 2016, com a poeira (ou a neve) baixando, as coisas mudaram um pouco. Eu posso dividir entre antes e depois das férias no Brasil. Ao terminar o segundo semestre eu estava muito insatisfeita com o curso e postei a respeito aqui no blog. Não vou discutir muito isto, pois “desabafei” em 3 posts! Quando chegou a hora de retornar a Finlândia para o segundo ano eu só vim porque fui obrigada não fazia sentido ter investido um ano da minha vida num projeto e largar na metade, além de todo o dinheiro que investi e deixei de ganhar neste um ano (basicamente, torrando as economias e por não estar trabalhando, deixando de juntar mais no Brasil para outros projetos). Ou seja, começou, termina. E no fim das contas, eu sabia que não precisaria ficar outro ano inteiro fora e que a longo prazo, um diploma de mestre obtido na Finlândia na área de educação acabaria compensando (essa parte eu volto daqui uns anos para contar que se é verdade).

Voltei, é a vida, e terminei o terceiro e último semestre de aulas. Tenho outra visão do curso agora e futuramente escreverei sobre isso com mais detalhes. Eu continuo achando que o curso ficou aquém das expectativas, mas no fim das contas quando eu penso no resultado, não posso negar que aprendi muito e melhorei profissionalmente, academicamente e serumanamente como indivíduo.

Agora com todos os cursos concluídos, eu tenho o primeiro semestre de 2017 apenas para escrever a dissertação que ainda existe apenas nos planos das ideias. O que quero dizer com isso? Eu sei o que quero fazer, sei como fazer, tenho ideia dos meus resultados, falta “fazer”. E como eu sou bem procrastinadora, só estou começando mesmo agora. Eu tenho 4 anos para me formar a partir da data de início do curso, o que significa que eu poderia entregar minha dissertação até 2019 sem problemas. Meu plano é tentar (veja bem, tentar) entregar até junho deste ano, mas se não der (porque life happens), ficaria satisfeita se pudesse terminar até o fim do ano (o que me dá ainda 364 dias e 1/2). No fim das contas, eu prefiro viver a vida com mais leveza e o mestrado não resume minha vida – ele é um pedaço desse bolo de chocolate com blueberry que eu chamo de minha vida. Eu tenho outras áreas, aka pedaços de bolo, que são tão ou mais importantes que ele e sendo muito sincera, obter o título de mestre em junho ou em dezembro de 2017 não vai fazer muita diferença na minha vida profissional – e foi com este raciocínio que eu optei estender minha graduação em Letras em 6 meses para terminar as matérias com calma, por exemplo. No regrets.

E depois do mestrado? O doutorado? O pós-doc? E os empregos? O casamento? Os filhos? Os netos? 

Já dizia Mafalda, a vida não é um fluxograma.

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Eu não sei o que vem depois do mestrado ou se vem algo. Acho que a vida acadêmica não é pra mim, talvez. Mas eu posso mudar de ideia e ir fazer doutorado na China, vai saber? Se eu acabar o mestrado em junho de 2017, eu não sei o que vem depois e estou feliz assim. Um passo de cada vez, né?

E como o blog é basicamente sobre viagens e intercâmbio (que no caso, atualmente é o intercâmbio disfarçado de mestrado), este post termina aqui! As outras áreas da minha vida, o resto do bolo, são offline. 😉

Feijão e arroz?

Se alguém, um gringo, te perguntar o que um brasileiro tipicamente come, eu tenho certeza que você vai dizer “arroz com feijão”. Pode dizer que também comemos carne, alguma salada e por vezes até legumes de acompanhamento, mas o feijão com arroz é a resposta óbvia, certo?

Antes de ir morar nos Estados Unidos, eu nunca questionei esta combinação que certamente estava em pelo menos 10 das minhas 14 refeições semanais, já que na minha casa nunca substituímos a janta pelo lanche. Mas quando cheguei lá e passei a comer com minha hostfamily, eu olhava o prato que normalmente consistia de alguma carne com legumes e salada e achava que aquilo não fazia sentido: cadê o arroz com feijão?

O feijão não tinha, mas o arroz eu mesma fazia para incluir nas minhas refeições! Que povo louco que não come isso, né?

É em Denver, não New York!
É em Denver, não New York! E sem feijão!

Senti muita falta da combinação enquanto estava nos EUA e também quando morava na Irlanda. A diferença é que na Ilha Esmeralda eu comia arroz com feijão quase todos os dias, porque eu que comprava minha comida e cozinhava, portanto escolhia aquilo que me era familiar. Comprava o feijão enlatado e temperava, fazia um arroz e assava um frango e ta dááá: comida quase brasileira todo dia!

Mas aí algo estranho aconteceu aqui na Finlândia: eu não sinto falta do prato mais brasileiro de todos! Aqui eu também tenho a opção de comprar o feijão enlatado e fazer um arroz, mas simplesmente não faço. Antes das férias no Brasil, eu fazia feijão, em média, uma vez ao mês e arroz semana sim, semana não. Mas o choque mesmo foi ao voltar ao Brasil e perceber que não fazia mais questão de comer nenhum dos dois: uma refeição com alguma carne, legumes e salada começava a fazer sentido para mim depois de 8 anos e a experiência em Denver.

Mas eu só me dei conta de verdade que eu perdi completamente o hábito e não sinto falta mesmo da combinação agora. Estou de volta a Finlândia há pouco mais de 2 meses e trouxe comigo 1kg de feijão. Logo que cheguei, usei meio kilo para fazer feijão tropeiro e alegrar os brasileiros que me aguardavam loucamente com o feijão (que a companhia aérea me extraviasse, mas não extraviasse a mala com o bendito), mas o outro meio kilo está até agora intocado no armário da cozinha.

No dia a dia, eu apenas tenho me preocupado se estou comendo todos os grupos de alimentos de uma dieta saudável (com essa história de querer emagrecer, acabei virando uma dessas pessoas que sempre pensa no que está comendo – me julguem). Normalmente, como alguma carne ou ovo com alguma fonte de carboidratos que nem sempre é o arroz, alguns legumes e verduras e nem lembro que feijão existe! Às vezes nem carne tem, porque eu não sou dessas que precisa ter um bifão no prato sempre.  Na foto abaixo, um exemplo: batata gratinada, carne moída e salada de cenoura.

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E qual é a moral da história? Depois de contar que eu não tive nenhuma deprê ao passar férias em São Paulo, nem fiquei super triste de voltar para a Finlândia e chegar à conclusão que atingi o patamar mais alto de flexibilidade cultural, perceber que não sente falta do brasileiríssimos arroz com feijão e que consegue viver muito bem passando meses sem a combinação, só posso concluir que eu desapeguei de vez mesmo! O mundo é meu! hahaha… 🙂