Balanço da vida

Há quase 5 meses eu estava fazendo as malas para voltar para o Brasil pela… 4ª vez! Sem frio na barriga, sem muita ansiedade, sem tristeza de deixar o país onde morei por algum tempo e sem curiosidade sobre como seria dali pra frente. Parecia só mais um dia na vida de Beatriz.

Voltei com a mala grande e a pequena que levei e tudo que não coube ficou pra trás – ponto pra mim, pois voltei da Irlanda não com uma e nem duas, mas QUATRO malas. A filosofia de vida está aos poucos mudando para ter somente o necessário e devo um pouco disso a cultura finlandesa de não jogar nada fora e reaproveitar tudo: você acaba mantendo só o que precisa mesmo.

Nos meus voos de volta, saindo da Finlândia no auge do inverno, tive pela primeira vez a experiência de precisarem descongelar uma aeronave para decolagem, descobri que somente pessoas que falam inglês podem se sentar próximo às saídas de emergência, tive que explicar que podia sim despachar uma mala de 32kg pro Brasil sem pagar taxa de excesso de bagagem e por pouco não aconteceu um mal entendido na saída da Europa quando o oficial de imigração questionou por que eu havia entrado na Europa 5 meses antes e excedido meu tempo de visto – lembrem-se sempre de mostrar o visto de estudante na entrada e saída da Europa, crianças.

E enfim, Brasil. Voltei pra ficar até a próxima vez – é assim que respondo a todos que me perguntam se “agora não volto mais pro exterior”. Eu tenho planos de morar fora novamente? Sim e não. Então, acho que a melhor resposta é mesmo essa, voltei para ficar mesmo, mas só até a próxima viagem sem data de volta.

Cinco meses depois e eu não entreguei a dissertação de mestrado. Não vou mentir, muitos dias me pego pensando que não posso correr e um dia vou ter que encarar a realidade e terminar a dissertação – quem é que mora um ano e meio na Finlândia e fica sem o título de mestre porque não entregou a dissertação, né? Para meu consolo, eu posso dizer que já fiz todas as minhas entrevistas e transcrição do material, além de ter um esqueleto de como tudo vai se desenvolver. Só preciso escrever. .

E tenho minhas razões (justificativas, desculpas esfarrapadas, motivos ou como preferirem chamar) para não ter terminado logo com isso: não é minha prioridade. Como escrevi num post, eu ando vendo a vida como um delicioso bolo e cada parte dele é um pedaço que forma o bolo inteiro. Quanto maior o pedaço, maior sua importância. Enquanto morava na Finlândia, minha vida toda parecia ser um bolo sabor mestrado, mas depois vi que não era bem por aí, então, no momento, mestrado é um pedaço bem pequeno – está bem longe de ser minha prioridade.

Mas e a vida hoje? Atualmente estou trabalhando e ganhando cerca de 35% mais do que ganhava ao sair do Brasil, já levando em consideração a inflação do período (que não foi pouca). Só não acho que isso tenha relação direta com o mestrado, mas com o conjunto da obra. Também atribuo isso a ter ficado com a mente mais aberta e aproveitado melhor minhas opções e oportunidades. E, quando eu finalmente tiver o título de mestre, vou atrás do que esse título pode me oferecer.

E aos quase 30 anos, estou finalmente adultando e pronta para o próximo passo da vida de adulta. Em breve vou riscar alguns itens da listinha que fiz das 30 coisas para fazer antes dos 30 (que vou ter que adaptar um pouco e mudar o antes para até).

All in all, não me arrependo nem um dia de ter decidido retornar, minha vida no Brasil está caminhando muito bem em todas as áreas (quem disse que não dava para ter sorte no jogo e no amor, não é mesmo? Parece que o jogo virou… hahaha) e apesar de eu insistir que a vida não é um fluxograma, eu já tenho uma ideia de onde quero estar em 5 anos e como chegar lá.

E, no momento, a vida de intercambista e “viajadeira” vai parar só um pouquinho. Mas estou feliz, gente, bem feliz! 🙂

 

Do frio finlandês ao calor brasileiro!

 

 

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Dando satisfação

Oi, pessoas que seguem o blog!

Pela primeira vez em mais de 5 anos de blog eu simplesmente sumi! Eu jamais achei que chegaria o momento que eu parasse de escrever no blog, mas parece que esse momento chegou. Como estou há quase um mês sem publicar nada, achei melhor apenas passar por aqui para dar alguma satisfação.

Como contei na última postagem, eu realmente resolvi voltar ao Brasil. Eu preciso dar mais detalhes desta decisão, contar mais algumas coisas de como foi viver na Finlândia por esse um ano e quase meio e também falar do meu mestrado e sua tese, mas por ora, só vou mesmo me justificar sobre a ausência.

Eu voltei ao Brasil acreditando que minha rotina seria de um jeito, mas ela acabou ficando de outro por conta de algumas decisões importantes que tomei. Por este motivo, meus dias andam muito corridos, mas muito corridos mesmo, e eu não tenho ânimo para escrever. Os finais de semana também estão bem corridos, mas por um motivo diferente. De qualquer forma, está difícil separar aquele tempinho de escrever no blog, já que quando ele surge, eu sempre tenho algo mais urgente a fazer. Acho que aos quase 30 anos, eu finalmente estou “adultando” e tendo muitas responsabilidades de gente grande, sabe?

Assim, esta postagem fica para dizer que não, o blog ainda não acabou, mas talvez tenha uma longa pausa até que eu consiga voltar a postar com alguma frequência. Como as visitas diárias ao blog só têm aumentado, mesmo sem postagens novas, eu acredito que este blog esteja sendo útil a almas viajantes e desbravadoras, que buscam mais informação sobre o próximo destino ou uma aventura no exterior. Espero que esses mais de 5 anos de desventuras nas diversas viagens e intercâmbios ainda continuem servindo de inspiração para todos que visitem este singelo blog.

Obrigada, gente, e eu volto a postar aqui assim que tudo se acalmar. 🙂

Retrospectiva 2016 e planos para 2017

Primeiro dia do ano e eu venho aqui fazer a retrospectiva do ano que se foi há algumas horas e falar um pouco dos planos para 2017, aquele que eu faço 30 anos (mas geeente)!

Todo mundo falando que 2016 foi o horror, um ano horrível. De fato, aconteceu muita coisa ruim estranha, mas de uma perspectiva pessoal foi um ano bem tranquilo pra mim, sem grandes emoções nem para o bem nem para o mal. Vamos a retrospectiva feat. planos 2017?

Viagens

Eu não viajei tanto quanto gostaria (eu nunca vou viajar tanto quanto gostaria, não importa quantas viagens tenha feito!), mas conheci 8 países este ano (País de Gales, Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Uruguai, Estônia, Letônia e Lituânia) e fica até feio eu reclamar. Eu também conheci outras partes da Finlândia, como Turku e Rovaniemi, e “repeti figurinhas” voltando a Londres e Liverpool. Passei as férias no Brasil e acho que isso me fez um bem tão grande nessa jornada de morar na Finlândia!

Rovaniemi, 2016
Rovaniemi, 2016

Eu optei por não começar o ano viajando (quando se tem tempo e dinheiro e não viaja é realmente opção, né?). Tenho alguns motivos como economizar dinheiro para outras viagens que estão meio sei lá talvez quase certas e outros motivos que vão ficar claros nos posts futuros. Não quero dar spoilers (a louca achando que o blog é um seriado), mas pode rolar Ásia este ano, o que me leva a uma reflexão…

Eu conheço 28 países, o que pode parecer muito, mas são quase 200 países nesse mundão todo e 28 não é assim exatamente um número impressivo no fim das contas. Destes 28 países, só 5 não estão na Europa e vamos combinar que Europa é bem mainstream. Além disso, depois que você começa a viajar por muitos países europeus, tudo começa a ficar meio igual. Todo país tem algo na história sobre a Segunda Guerra, todo país tem algo sobre o Holocausto (uns mais e outros menos, claro), todo o país tem uma baita influência da Igreja Católica com suas igrejas e catedrais, todo país tem o “mais” ou “maior” qualquer coisa da Europa… No começo você não percebe, mas depois de algumas viagens algumas histórias soam muito familiares e você começa a fazer as conexões. Eu não estou aqui falando pra ninguém mais viajar pra Europa ou que se você conhecer um país, conheceu todos. Não! Cada país tem uma particularidade, óbvio, mas no geral, você vai vendo que há tanta coisa em comum… Basta pensar em termos de Brasil, que é quase tão grande quanto a Europa toda. A cultura do norte e do sul são super diferentes, né? Comidas, tradições, clima e até sotaque e vocabulário – ou seja, cada região tem sua particularidade, mas no geral nós somos mais iguais que diferentes, temos mais em comum do que diferente e às vezes ao viajar a Europa toda você sente isso: sim, são países diferentes, mas às vezes são tão iguais! Enfim, espero que isso tenha ficado claro e eu agora sinto uma preguiça tremenda de viajar para conhecer mais do mesmo que é um pouco diferente. Por este motivo, em 2017 se for pra viajar, que seja mais da América do Sul ou Ásia – ou ambas.

Mestrado

Eu tive altos e baixos com o mestrado. O primeiro semestre, em 2015, foi muito intenso, porque não foi só começo do mestrado, mas o começo de um período na Finlândia. Em 2016, com a poeira (ou a neve) baixando, as coisas mudaram um pouco. Eu posso dividir entre antes e depois das férias no Brasil. Ao terminar o segundo semestre eu estava muito insatisfeita com o curso e postei a respeito aqui no blog. Não vou discutir muito isto, pois “desabafei” em 3 posts! Quando chegou a hora de retornar a Finlândia para o segundo ano eu só vim porque fui obrigada não fazia sentido ter investido um ano da minha vida num projeto e largar na metade, além de todo o dinheiro que investi e deixei de ganhar neste um ano (basicamente, torrando as economias e por não estar trabalhando, deixando de juntar mais no Brasil para outros projetos). Ou seja, começou, termina. E no fim das contas, eu sabia que não precisaria ficar outro ano inteiro fora e que a longo prazo, um diploma de mestre obtido na Finlândia na área de educação acabaria compensando (essa parte eu volto daqui uns anos para contar que se é verdade).

Voltei, é a vida, e terminei o terceiro e último semestre de aulas. Tenho outra visão do curso agora e futuramente escreverei sobre isso com mais detalhes. Eu continuo achando que o curso ficou aquém das expectativas, mas no fim das contas quando eu penso no resultado, não posso negar que aprendi muito e melhorei profissionalmente, academicamente e serumanamente como indivíduo.

Agora com todos os cursos concluídos, eu tenho o primeiro semestre de 2017 apenas para escrever a dissertação que ainda existe apenas nos planos das ideias. O que quero dizer com isso? Eu sei o que quero fazer, sei como fazer, tenho ideia dos meus resultados, falta “fazer”. E como eu sou bem procrastinadora, só estou começando mesmo agora. Eu tenho 4 anos para me formar a partir da data de início do curso, o que significa que eu poderia entregar minha dissertação até 2019 sem problemas. Meu plano é tentar (veja bem, tentar) entregar até junho deste ano, mas se não der (porque life happens), ficaria satisfeita se pudesse terminar até o fim do ano (o que me dá ainda 364 dias e 1/2). No fim das contas, eu prefiro viver a vida com mais leveza e o mestrado não resume minha vida – ele é um pedaço desse bolo de chocolate com blueberry que eu chamo de minha vida. Eu tenho outras áreas, aka pedaços de bolo, que são tão ou mais importantes que ele e sendo muito sincera, obter o título de mestre em junho ou em dezembro de 2017 não vai fazer muita diferença na minha vida profissional – e foi com este raciocínio que eu optei estender minha graduação em Letras em 6 meses para terminar as matérias com calma, por exemplo. No regrets.

E depois do mestrado? O doutorado? O pós-doc? E os empregos? O casamento? Os filhos? Os netos? 

Já dizia Mafalda, a vida não é um fluxograma.

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Eu não sei o que vem depois do mestrado ou se vem algo. Acho que a vida acadêmica não é pra mim, talvez. Mas eu posso mudar de ideia e ir fazer doutorado na China, vai saber? Se eu acabar o mestrado em junho de 2017, eu não sei o que vem depois e estou feliz assim. Um passo de cada vez, né?

E como o blog é basicamente sobre viagens e intercâmbio (que no caso, atualmente é o intercâmbio disfarçado de mestrado), este post termina aqui! As outras áreas da minha vida, o resto do bolo, são offline. 😉

Feijão e arroz?

Se alguém, um gringo, te perguntar o que um brasileiro tipicamente come, eu tenho certeza que você vai dizer “arroz com feijão”. Pode dizer que também comemos carne, alguma salada e por vezes até legumes de acompanhamento, mas o feijão com arroz é a resposta óbvia, certo?

Antes de ir morar nos Estados Unidos, eu nunca questionei esta combinação que certamente estava em pelo menos 10 das minhas 14 refeições semanais, já que na minha casa nunca substituímos a janta pelo lanche. Mas quando cheguei lá e passei a comer com minha hostfamily, eu olhava o prato que normalmente consistia de alguma carne com legumes e salada e achava que aquilo não fazia sentido: cadê o arroz com feijão?

O feijão não tinha, mas o arroz eu mesma fazia para incluir nas minhas refeições! Que povo louco que não come isso, né?

É em Denver, não New York!
É em Denver, não New York! E sem feijão!

Senti muita falta da combinação enquanto estava nos EUA e também quando morava na Irlanda. A diferença é que na Ilha Esmeralda eu comia arroz com feijão quase todos os dias, porque eu que comprava minha comida e cozinhava, portanto escolhia aquilo que me era familiar. Comprava o feijão enlatado e temperava, fazia um arroz e assava um frango e ta dááá: comida quase brasileira todo dia!

Mas aí algo estranho aconteceu aqui na Finlândia: eu não sinto falta do prato mais brasileiro de todos! Aqui eu também tenho a opção de comprar o feijão enlatado e fazer um arroz, mas simplesmente não faço. Antes das férias no Brasil, eu fazia feijão, em média, uma vez ao mês e arroz semana sim, semana não. Mas o choque mesmo foi ao voltar ao Brasil e perceber que não fazia mais questão de comer nenhum dos dois: uma refeição com alguma carne, legumes e salada começava a fazer sentido para mim depois de 8 anos e a experiência em Denver.

Mas eu só me dei conta de verdade que eu perdi completamente o hábito e não sinto falta mesmo da combinação agora. Estou de volta a Finlândia há pouco mais de 2 meses e trouxe comigo 1kg de feijão. Logo que cheguei, usei meio kilo para fazer feijão tropeiro e alegrar os brasileiros que me aguardavam loucamente com o feijão (que a companhia aérea me extraviasse, mas não extraviasse a mala com o bendito), mas o outro meio kilo está até agora intocado no armário da cozinha.

No dia a dia, eu apenas tenho me preocupado se estou comendo todos os grupos de alimentos de uma dieta saudável (com essa história de querer emagrecer, acabei virando uma dessas pessoas que sempre pensa no que está comendo – me julguem). Normalmente, como alguma carne ou ovo com alguma fonte de carboidratos que nem sempre é o arroz, alguns legumes e verduras e nem lembro que feijão existe! Às vezes nem carne tem, porque eu não sou dessas que precisa ter um bifão no prato sempre.  Na foto abaixo, um exemplo: batata gratinada, carne moída e salada de cenoura.

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E qual é a moral da história? Depois de contar que eu não tive nenhuma deprê ao passar férias em São Paulo, nem fiquei super triste de voltar para a Finlândia e chegar à conclusão que atingi o patamar mais alto de flexibilidade cultural, perceber que não sente falta do brasileiríssimos arroz com feijão e que consegue viver muito bem passando meses sem a combinação, só posso concluir que eu desapeguei de vez mesmo! O mundo é meu! hahaha… 🙂

Sobre passar férias no Brasil

Desde pequena eu sabia que queria viajar pelo mundo – não que eu tivesse noção do que isso significava, mas me lembro de assistir documentários na TV Cultura mostrando outras partes do mundo e eu queria ver tudo com meus olhos. Lembro especialmente de ver um sobre Stonehenge, na Inglaterra, e o desejo de conhecer o lugar – o que aconteceu em 2009.

Stonehenge, 2009.
Stonehenge, 2009.

Desde a primeira vez que saí do Brasil em 2008, aos 20 anos, até agora já visitei ou morei em 25 países (e a lista vai aumentar em breve). Das vezes que saí a passeio, não fiquei fora mais do que 20 dias e das vezes que morei fora, passei meu um ano no exterior e voltei de vez até o próximo intercâmbio. Mas eu nunca tinha voltado ao Brasil para passar férias.

Como normalmente é mais barato comprar as passagens de ida e volta do que só um trecho, quando vim para a Finlândia eu já tinha minha passagem de volta, mesmo sabendo que eu teria que ficar no país por mais de um ano. A decisão de voltar ao Brasil ao invés de passar o verão na Terra do Papai Noel, a princípio, se deu por questões muito práticas:
1 – A passagem já estava paga.
2 – Se eu não a usasse, teria que comprar só o trecho de volta ao Brasil que, no fim das contas, acabaria custando mais ou menos a mesma quantia de comprar outra passagem ida e volta.
3 – Consegui um ótimo preço nas passagens, pagando menos ainda do que da primeira vez.
4 – Passagens emitidas no Brasil e com voo de origem no país também têm franquia de 2 malas de até 32kg. Se eu abrisse mão da volta, ao retornar ao Brasil a franquia cairia para 23kg. Eu sempre trago muitas tralhas comigo.

Depois da viagem ao Leste Europeu, era hora de retornar a terra tupiniquim. Eu estava muito ansiosa e curiosa: como é ir ao lugar onde você nasceu e foi criada, sabendo que é só para as férias?

Paulista
Paulista

Foram exatos 70 dias na cidade. Não voltei a rotina normal, pois obviamente não estava trabalhando, embora tenha continuado com meus trabalhos freelance. Foram 70 dias vendo alguns amigos que me procuraram (que eu já passei da fase de correr atrás dos outros), visitando lugares que gosto, comendo toda a comida que queria (e assim recuperando os 2kg perdidos na Finlândia e ainda ganhando mais 0,5kg de brinde), praticando kung fu (umas das melhores coisas de estar em São Paulo) e amando estar com minha gatínea, aquela linda. ❤

Prazer, Mafalda.
Prazer, Mafalda.

O que me intrigou muito mesmo foi que eu não senti que havia passado exatos 9 meses fora e retornado. Não me senti a estranha no ninho, não achei nada estranho, não estive nem perto de ter depressão pós intercâmbio, não senti que tudo continuava igual e eu havia mudado. Foi como ter ido passar um final de semana na praia ali do litoral de São Paulo mesmo e voltado.  Quando voltei dos Estados Unidos, em 2009, eu fiquei extremamente deprimida; em 2012, depois da Irlanda, não cheguei a este ponto, mas fiquei muito tempo nostálgica e com saudade do estilo de vida que levava lá. Desta vez, nada. Cheguei a triste conclusão que esta história de ir pra um país diferente, me adaptar, voltar ao Brasil e readaptar e tudo que isso engloba já virou “rotina” para mim. Achei isto um pouco triste, porque parece que a faísca de experimentar o novo já não é igual e isso tira um pouco de empolgação. Por outro lado, talvez tenha chegado ao ponto de realmente ser uma pessoa super flexível e capaz de me adaptar ao contexto em que estou. De qualquer forma, hoje em dia, até as longas viagens de avião não me parecem mais algo incomum – entrar no avião com destino a Paris para retornar a Finlândia pareceu tão normal quanto pegar minha bicicleta e ir ao centro da cidade em Oulu.

Outras impressões e fatos das férias no Brasil:

  • Achei o mercado muito, muito, mas muito caro! Tão caro que voltei pra Finlândia achando que fazer mercado aqui é, no mínimo, ok mesmo com euro a mais ou menos 3,80.
  • Eu só tenho rinite porque moro em São Paulo. Eu sempre tenho um pequeno estoque de antialérgicos quando viajo, mas morando numa floresta, vulgo Oulu, usei cerca de 20% dos medicamentos que trouxe e a maioria por conta de ataques de sinusite quando o tempo esfriava muito. Os 80% restantes eu usei no período que fiquei em São Paulo, claro.
  • Fez “muito frio” na cidade em algumas semanas: 4 graus. Todos reclamavam e eu fazendo cara de paisagem: não estava com tanto frio assim.
  • Mas fez quase 30 graus na maioria dos dias e não fiquei triste de ser de um lugar que o inverno pode ser quente.
  • O que mais me incomoda em estar na cidade, especialmente depois de morar na pacatíssima Oulu, é a segurança pública. É realmente triste ter medo de chegar em casa tarde sozinha por conta da falta de segurança. Quando penso em voltar a morar no Brasil, isto é uma das coisas que mais me deixam preocupada.
  • Adorei voltar a praticar kung fu! Foi apenas tempo suficiente para relembrar tudo e praticar, já que meu shifu não me autorizou a trocar de faixa sendo que eu iria parar de novo. Mas logo eu volto (sim) e a faixa roxa me espera.

No fim das contas, foi uma experiência bacana e gostei muito de ter voltado ao Brasil. Vim para a Finlândia com uma mala cheia de comida, claro, para terminar meu mestrado aqui com menos saudade. E a vida continua em Oulu…

Cinco anos

Hoje o blog completa 5 anos e eu 20 e todos! 🙂

Nestes 5 anos foram muitas viagens e 2 intercâmbios e espero que eu tenha ainda muitos motivos para escrever pelos próximos 5 anos – com certeza mais viagens virão e quem sabe outro intercâmbio (porque a pessoa não se contenta com 3, né? hahaha).

O resumo deste humilde blog nestes 5 anos:

  • Quase 150 mil visitas;
  • 415 postagens;
  • 136 assinantes (e-mail);
  • Mais de 850 seguidores no Facebook;
  • Mais de 1900 comentários;
  • Conta no instagram engatinhando, mas sempre postando fotos de Oulu e outras viagens (segue lá: @umfabulosodestino);
  • O post mais popular do blog é sobre minha viagem a Zakopane. Acredito que há pouco sobre a cidade na internet, então o Google deve direcionar todo mundo para o blog;
  • O termo mais buscado no Google que leva ao blog é “mulheres irlandesas”. Oi?! Lembrando que o Google não disponibiliza mais o termo de busca se a pessoal fez a pesquisa logada em sua conta;
  • Ainda precisando de uma boa organização,  mas eu já desisti de prometer, então assim que for possível, eu dou um jeito no blog! 🙂

Há 6 meses eu postei uma lista de 30 coisas para se fazer antes dos 30. Agora faltando um ano, é hora de ver o progresso!

  1. Terminar o mestrado. Em andamento.
  2. Ter conhecido 30 países (foram 21 até agora). Nestes 6 meses, acrescentei mais 4 na lista. Faltam 5.
  3. Voltar a morar no Brasil. Sim, Brasil. Tudo indica que está próximo de acontecer, o que não significa que é definitivo.
  4. Outra tatuagem. Há ideias.
  5. Adotar um gatinho pra chamar de meu. Vai depender do item 26.
  6. Voltar a pesar menos de 50kg. A dieta desandou, mas já entrei na linha de novo. Primeiro perdi 2kg, depois recuperei os 2kg e ainda ganhei mais 0,5kg de brinde (o motivo ficará claro nos próximos posts). Perdi os 2,5kg de novo e o restante não precisa de mais 1 ano para ir embora também. 🙂
  7. Ver todos os filmes do Woody Allen, meu diretor preferido (vi mais ou menos metade até agora). Assisti mais filmes e estou nos 2/3 assistidos.
  8. Assinar um contrato de exclusividadeTalvez fique para os 30. Conta ainda?
  9. Participar ativamente de algum coletivo feminista. Providenciar.
  10. Voltar a treinar kung fu. Eu “meio” que voltei. O  objetivo agora é ir para a faixa roxa, a 6ª faixa, antes dos 30.
  11. Visitar um estado brasileiro onde nunca estive (visitei 5 e o distrito federal até agora). Providenciar.
  12. Não achar mais nenhum cabelo branco – eu achei o primeiro há umas 2 semanas e quase surtei, mas confio que não aparecerão outros até os 30. Fingers crossedContinuo sem ter achado o segundo. Não, eu não pinto o cabelo.
  13. Ler metade dos livros que comprei e jamais li. Providenciar.
  14. Aprender a investir dinheiro sem medo. E investir. Aprendendo já.
  15. Continuar sendo uma mulher sem filhos. So far so good.
  16. Fazer as pazes com o passado em definitivo. Em andamento.
  17. Aprender a usar minha câmera “boa” comprada em 2013 (né?). Providenciar.
  18. Dirigir, pois tenho carta há 9 anos e atualmente ela só serve como documento de identificação. Estando na Finlândia ainda, isso não foi possível.
  19. Organizar as pastas do meu computador, meus emails, meu HD externo, meu iPod, meu celular, minhas fotos… enfim, minha vida virtual. Depois que terminar o mestrado.
  20. Ir a USP a passeio pela primeira vez na vida. Providenciar.
  21. Não ser estúpida com quem me tratou de forma estúpida. Eu não preciso ser o reflexo de uma atitude ruim (isso vai ser bem difícil). Praticando.
  22. Ter o emprego pelo qual estudei a vida toda. Ou, pelo menos, estar quase lá. Depois que terminar o mestrado.
  23. Organizar todo material que uso para aulas particulares por tema/gramática. Ihhhh… Prometi cada coisa!
  24. Correr. Eu já tive o hábito de ir correr aos finas de semana, mas desta vez queria levar isso mais seriamenteAtualmente corro 5 vezes por semana cerca de 7km. Pelo menos um item riscado!
  25. Assumindo que o item 18 se realize, comprar meu primeiro carro. Não vai rolar, porque o 18 já vi que não vai também.
  26. Ter meu canto, comprado ou alugado. Talvez no plural, considerando o item 8. Possível.
  27. Parar de achar que as pessoas não vão me levar a sério porque aparento ser bem mais nova do que sou – mudança de postura e confiança. Estou bem melhor nisso.
  28. Não ficar calada para evitar discussões. Pois sim, sou de esquerda, de humanas, feminista e à favor de muita coisa que está “em pauta” hoje e muitas vezes prefiro ficar calada para não ter que discutir com quem nunca nem refletiu sobre um tema antes de opinar. Problematizar é a palavra da vez. Começando.
  29. Voltar a fazer crochê, arte que aprendi aos 9 anos com minha avó, e ponto-cruz. E por que não aprender a fazer tricô também? Quero.
  30. Estar e ser feliz no dia 15 de setembro de 2017. Estou feliz hoje, então já é um grande passo!
Spoiler descarado dos próximos posts :)
Spoiler descarado dos próximos posts 🙂

400

Este é o post de número 400 do blog! Ufa!

Levei 4 anos e 9 meses para chegar neste número. Neste período, morei na Irlanda, voltei para o Brasil e depois fui para a Finlândia. Visitei e contei aqui sobre outros 13 países. Narrei minhas aventuras e desventuras, chorei e sorri, fiz vocês rirem das minhas tragicomédias e, espero eu, se alegrarem com as conquistas.

Nos últimos meses foi bem difícil manter o blog atualizado, pois o mestrado e meus trabalhos como freelancer consomem muito do meu tempo, mas fiz o que pude para continuar atualizando este modesto blog.

Escrevo por gosto e hobby e agradeço a todos que aqui deixam comentários carinhosos, mandam emails motivadores, seguem o UFD nas redes sociais ou apoiam o blog de alguma forma! Obrigada!

Eu nunca ganhei nenhum centavo com o blog, nunca fui atrás de anúncios ou algo do tipo, pouco divulgo o blog por aí e a maioria dos leitores chegam aqui através de pesquisas do Google e muitos acabam “ficando” e acompanhando meus intercâmbios e viagens. Obrigada!

Enfim, só tenho a agradecer a todos que de alguma forma fizeram parte desta trajetória de quase 5 anos e 400 posts publicados, mesmo que esta participação se resuma a ler o blog “quietinho”, sem comentar.

E agora rumo aos próximos 400 posts, que se tudo der certo, eu ainda vou me aventurar por outras partes deste mundão! 😉

Foto spoiler da minha última viagem... logo aqui no blog! :)
Foto spoiler da minha última viagem… logo aqui no blog! 🙂