Saudades de Oulu

Há pouco mais de 4 meses eu retornava ao Brasil. Retornava sem medo nenhum de me arrepender e muito certa da minha decisão. Cheguei aqui e não tive nenhuma dificuldade em me readaptar ao país, afinal, já era a 4ª vez que eu “voltava de vez” depois de um longo período morando fora. A única preocupação que eu tinha quando decidi retornar e é a parte que ainda estou me readaptando, por mais triste que isto possa parecer, é com a violência urbana de uma grande capital sul-americana. Embora nada tenha acontecido recentemente e eu nunca tenha sido efetivamente assaltada, eu voltei com muito medo de sair sozinha na rua depois que anoitece e ainda não superei isso. Em Oulu era tudo tão seguro, que eu havia até me esquecido o que é andar na rua à noite e sentir medo, ou o estado de alerta constante de checar se todos os meus “cacarecos” ainda estão dentro da minha bolsa, a ficar atenta e sempre desconfiar de quem está perto de mim na rua. Para vocês terem ideia, eu ainda não consegui voltar a sair com minha carteira na rua. Via de regra, separo uns trocados, documento de identidade e cartão do banco e coloco na bolsa.

E isso me leva ao ponto que duvidei que fosse acontecer tão cedo – o mesmo que fosse acontecer: sentir saudade da pequena Oulu. Não é uma saudade enorme que me faça querer comprar uma passagem e voltar pra lá correndo, mas nos últimos dias tenho lembrado com carinho da cidade e do momento da vida que passei lá e confesso que me sinto muito sortuda por ter tido a oportunidade de morar no Norte do mundo por algum tempo. É claro que essa saudade só aumentou por conta das pessoas que conheço, ainda estão lá e continuam postando lindas fotos nas redes sociais.

Como não sentir saudade de ver uma aurora boreal, né?

Eu sinto saudade de pedalar entres as árvores, de ver o céu colorido num amanhecer qualquer, das belas paisagens formadas pela neve, dos lagos congelados, de ter o aplicativo da aurora boreal no celular aguardando as notificações para poder ir ao lago e ver o espetáculo verde no céu, do silêncio e tranquilidade de uma cidade pequena, da sensação constante de segurança. Nesta época do ano, porém, já não escurece mais e eu não estaria muito feliz sendo privada do meu sono, mas nada nesta vida é perfeito.

Não sei se um dia voltarei a pequena Oulu para matar saudade, mas sei que a cidade tem um lugarzinho especial no meu coração. E sei, também, que a memória da gente tende a se livrar de tudo que era negativo, aumentar o que era bom e assim, a gente romantiza como tal coisa, pessoa, lugar ou situação eram bons! haha… De qualquer forma, eu tenho consciência que nunca morri de amores por Oulu e adorava morar lá porque sabia que seria tenporário, mas sempre admirei a beleza do lugar e é essa a lembrança que guardarei comigo. #saudadesOulu

A decisão de voltar

No início de 2014 eu comecei a sonhar com a possibilidade de fazer intercâmbio mais uma vez, dessa vez fazendo um mestrado. Três anos depois, eu pensava na possibilidade de encerrar mais esta fase da vida.

Como todo mestrado, o de Educação e Globalização também tem a duração de 2 anos ou 4 semestres. As aulas são distribuídas nos 3 primeiros semestres e no último o mestrando fica livre para trabalhar em sua tese. Como não há aulas, muitos mestrandos optam por voltarem a seu país de origem e terminarem de lá. Quando retornei a Finlândia em agosto de 2016, eu não sabia exatamente quando iria voltar ao Brasil, mas sabia que seria antes de maio de 2017.

O que ainda me prendia a Finlândia após o término do 3º semestre era meu estágio. Eu havia começado um estágio no início de 2016, mas com o tempo notei que ele não estava me fazendo aprender nada e eu ainda me sentia como se estivesse fazendo um trabalho qualificado de graça com o nome de “estágio” e sem receber nada por isso. Por isso, desisti do primeiro estágio e fui em busca de outro – e como contei aqui, a ideia era fazê-lo no Brasil, mas com as reviravoltas da vida, acabei fazendo em Oulu mesmo. Quando assinei o contrato, ficou decidido que eu terminaria em janeiro, então já comecei a mexer os pauzinhos para adiantar minha volta.

E por que eu não quis ficar até o final?

Morar na Finlândia como estudante = gastar dinheiro e não ganhar nenhum
Por mais que eu tenha feito alguns “bicos” por lá, não ganhei nenhuma fortuna para ter o suficiente para arcar com os custos de moradia e ainda trazer uns trocados para o Brasil. Ficando lá mais tempo, eu só ia torrar mais grana do Brasil e isso já não fazia mais sentido uma vez que eu tinha o total de zero aulas para frequentar e nenhum vínculo com o país.

Fim das aulas
Como já citei, com o fim dos cursos, minha presença não era mais necessária na universidade. Eu poderia continuar lá e escrever minha tese, mas eu posso fazer isso de qualquer lugar do mundo! Já estamos em 2017 e a tecnologia já ajuda muito: posso consultar artigos online no site da universidade, posso pegar e-books emprestados, posso fazer reunião por Skype com minha supervisora, posso enviar a tese por e-mail e o melhor: na Finlândia não se defende tese como no Brasil. Basta eu enviar para minha supervisora para aprovação, depois passar por um programa de plágio e enviar para a universidade. Não tem necessidade nenhuma mesmo de continuar no país.

Frio
Sim, isso mesmo. Eu detesto frio, eu prefiro um milhão de vezes o calor do Brasil no alto verão do que o inverno finlandês. Não foi o fator decisivo, claro, mas eu já tinha passado um inverno inteiro na Finlândia e não estava feliz com a ideia de ter que encarar um segundo inverno. É lindo? É. É lindo 6 meses do ano? Não. E todo aquele ritual de colocar várias camadas de roupa, gorro, cachecol, luvas, botas e tomar cuidado para não escorregar quando a neve derretia ou pedalar “curtindo” uns -15 graus… eu passo! Se eu posso ir embora antes, por que ficar mais meses vivendo como um pinguim?

Lindo, mas ordinário!

Oulu
Isso mesmo, Oulu é o 3º motivo. É uma cidade linda, juro! Eu realmente acho uma cidade super fofa, cheia de natureza e belas paisagens, mas eu sou de São Paulo e estou acostumada com um estilo de vida nem tão monótono… A cidade era muito pequena mesmo, com poucas opções de cultura e lazer, especialmente no inverno. Para quem é dos esportes, não faltam opções nem no inverno, mas eu, apesar de curtir uma corrida e fazer kung fu, não curtia todos esses esportes de inverno. Sendo assim, a vida social acaba se limitando a frequentar a casa de amigos para comer e beber, ir em um dos dois shoppings minúsculos ou cafés – que nem são tantos assim.

O mestrado não é minha vida
No começo, realmente parecia que o mestrado era minha vida, porque afinal eu larguei emprego e toda uma vida no Brasil para ir pro fim do mundo pra Finlândia estudar. Mas depois de um tempo eu acabei percebendo que minha vida não se resume em conseguir um diploma acadêmico, mas que o diploma é parte de um monte de outras coisas que eu chamo de vida. Uma vez fiz a comparação com um bolo aqui no blog. A minha vida é esse bolo de chocolate com blueberry e cada pedaço desse bolo é uma parte da minha vida, sendo que algumas fatias podem ser maiores que outras, mas todas juntas que formam um bolo. No começo, o mestrado representava quase 100% desse bolo, mas aí percebi que este pedaço estava grande demais e que eu queria cortar o bolo em outros pedaços também. Aí que notei que tem um pedaço para emprego (vulgo “ganhar dinheiro”, porque vivo numa sociedade capitalista, né), um pedaço para vida pessoal, um pedaço para hobbies etc, e que o mestrado não precisava ser um pedaço tão grande que me prendesse na Finlândia e não me deixasse aproveitar o resto do bolo… que estava no Brasil!

E como eu nunca tive planos de morar definitivamente por aquelas bandas, achei que antecipar a volta ao Brasil faria mais sentido. Até porque o tempo que passo no exterior “atrasa” planos que tenho no Brasil. Se não há necessidade de passar mais um semestre fora, “bora” voltar. E voltei.

Usando o seguro saúde na Finlândia

Seguro saúde é aquela coisa que a gente faz (porque é obrigado) e espera jamais ter que usar – eu prefiro não ficar doente ao “fazer uso” do dinheiro investido. E é claro que para morar na Finlândia eu precisei fazer um seguro, afinal, era exigência da imigração para emitir o visto. Quando fui para a Irlanda, o seguro não era obrigatório porque a imigração exigia o pagamento de 120 euros (valores de 2012) para usar seu sistema público (e pago) de saúde, mas mesmo assim eu fiz um por conta. Eu precisei usar meu seguro na Irlanda e escrevi sobre isso aqui. Eu tive um pequeno drama contratando meu seguro para vir para a Finlândia e expliquei aqui.

Felizmente, eu sou uma pessoa que raramente fica doente – meu último resfriado foi em 2009. Tudo de ruim que eu tenho é coisa “minha”, não que eu peguei de alguém ou me contaminei, mas não sou imbatível e acabei precisando usar o seguro aqui. No primeiro ano de mestrado eu contratei o SIP e no segundo, o Swisscare e precisei utilizar os dois.

SIP

Eu contratei esse seguro, que é belga, porque foi recomendado pela universidade e quando cotei seguros no Brasil, mesmo pagando em reais e o SIP em euros, ainda era mais em conta contratar o SIP. Infelizmente, não conhecia outros seguros da Europa para cotar e acabei fechando esse mesmo, que não foi o melhor e nem o mais em conta – o que eu só descobri depois.

No meu primeiro ano tive dois probleminhas: micose no pé (eca) e quebrei o dente. Jamais na história dessa indústria vital tinha tido micose na vida, mas tudo tem uma primeira vez! Eram umas bolinhas vermelhas na sola do pé que coçavam muito e fui ao hospital universitário, onde posso me consultar com enfermeiras e clínicos de graça (porque sou obrigada a pagar 55 euros/semestre para a união dos estudantes), e peguei a receita para uma pomada. Mais ou menos na mesma época eu lasquei um pedaço de um molar (como? jamais saberei, quando notei, já estava lascado) e como meus amigos dentistas me disseram que buracos nos dentes podem causar infecções se não tratados, marquei dentista. No mesmo hospital, o check-up oral é gratuito, mas qualquer outro procedimento é pago e é interesse que a cobrança não é por tratamento, mas de acordo com a duração do procedimento. Assim, os primeiros 20 minutos custam 18 euros, por exemplo, e como a dentista foi rápida (nem era um buraco absurdo também), foi esse o valor do meu tratamento.

Como tinha o seguro, lá fui eu atrás do reembolso e a SIP é meio atrasada nesse processo. Eu precisei preencher formulários no computador, imprimir, assinar e enviar tudo pelo correio. Sabe, já era 2016 e eles ainda não tinham um sistema de reembolso online. Após algumas semanas, eles me enviaram um e-mail e decidiram que eu poderia receber 20% do valor pago. O creme custou cerca de 10 euros, ou seja, meu pedido de reembolso foi de uns 28 euros, 20% deste valor dá cerca de 5,60 e descontando 1,20 que gastei do selo, eu fui reembolsada em 4,40 euros! Sério, se eu soubesse que era assim, não tinha perdido meu tempo indo atrás de formulários e correio pra isso. A justificativa deles é que como meu plano era o Complementar (valor de 260 euros/ano), não poderia receber o reembolso integral. Para isso, teria que ter o plano Premium (430 euros/ano). O mais legal é que quando mandei e-mail perguntando a diferença dos dois, jamais me explicaram isso e nem na apólice tinha algo a respeito. A lógica deles é que o plano complementar é pra quem já tem algum tipo de assistência (e eu tinha, já que posso usar o hospital universitário), mas não li em lugar nenhum que isso tiraria meu direito de reembolso integral, considerando que o restante do valor não seria reembolsado pelo sistema de saúde finlandês. De qualquer forma, no fim das contas, ainda compensou o plano mais barato, porque não precisei de nenhum outro tipo de tratamento ou remédio.

Swisscare

Para o segundo ano contratei a Swisscare, empresa suíça, que é muito mais em conta (197 euros/ano) e menos complicada. Você pode contratar o seguro por dias, sendo o limite 365, e vai ficando mais barato valor/dia quanto mais dias você contrata. Além disso, a cobertura é mundial (a SIP era apenas na Finlândia) e o reembolso é integral. É só amor.

Relatei no blog que quando estava viajando pelos países bálticos meu joelho resolveu que era hora de me matar de dor. Eu comprei remédio na Lituânia, mas quando cheguei em Oulu, apesar de melhor, o joelho ainda doía. Cheguei às 7h da manhã vindo de Turku e mesmo após uma noite inteira viajando dentro de um ônibus (eu ainda tenho idade pra aguentar isso, mas sinto que em breve vou parar com essa vida de viagens noturnas), fui direto ao hospital, com mochilas e tudo, ver qual era o problema. Não fui ao hospital universitário porque eles não ligam muito se você está com dor, vão te dar uma consulta pra data mais próxima, que no caso de ortopedista leva um mês (eu já havia passado com o especialista antes porque… tá dááá… estava com dores no joelho). No hospital (Terveystalo), aguardei 2 horas e passei com o médico. Foi patético. Ele pediu para eu tirar a calça e me deitar na maca. Mexeu no meu joelho aqui e ali, fez algumas perguntas e me disse o que eu já havia descoberto no Google: estava com síndrome do trato iliotibial, ou uma inflação na região por conta de ter andado muito. Ele mandou eu repousar e fazer compressas frias e só me deu receita pra medicamento porque eu pedi, já que caso contrário, o seguro não reembolsaria. Essa consulta durou menos de 15 minutos e me custou 125 euros. Cen-to e vin-te e cin-co eu-ros. Como comprei o remédio também, tudo ficou por cerca de 136 euros.

Foto retirada de yle.fi
Foto retirada de yle.fi

A vantagem da Swisscare é que basta preencher os formulários, escanear os documentos e recibos e enviar pelo próprio site da empresa. Muito simples e fácil. No site eles dão prazo de até 6 semanas para processar o pedido e como 6 semanas depois eles ainda não tinham me dado um retorno, resolvi ligar para saber como andava minha solicitação. Não andava, estava lá parada, mas no dia seguinte a minha ligação, me enviaram um e-mail confirmando o reembolso e pedindo cópia do meu passaporte e um comprovante de matrícula da universidade. Enviei e 10 dias depois o reembolso integral foi feito na minha conta. 🙂

Conclusão

Não fique doente no exterior! haha… Mas se ficar, o melhor é ter um seguro descomplicado e a garantia de reembolso integral nestes casos de consultar médico e comprar medicamento. Fica claro que entre o SIP e o Swisscare, eu indico o segundo. Todos os seguros que consultei no Brasil eram muito mais caros que Swisscare, mesmo pagando em euros. Além disso, como já expliquei, ele é bom porque você pode contratar por quantos dias precisar (então, por exemplo, se for fazer uma viagem de 13 dias pela Europa, pode contratar por estes exatos 13 dias) e sua validade é mundial (o de estudante, pelo menos, é). É claro que todas estas informações devem ser confirmadas direto com a empresa, pois as regras podem mudar e é sempre muito importante ler a apólice para saber exatamente o que está contratando. E quando a apólice não é clara e precisar contatar a empresa, faça a pergunta de forma bem direta, senão pode acontecer o que aconteceu comigo quando contratei o SIP achando que o reembolso era integral.

Se você conhecer algum seguro mais em conta e/ou melhor, deixe um comentário. Vai que eu preciso contratar de novo no futuro? 😉

Frio: como lidar?

Sabe aquela pessoa que detesta o verão porque transpira muito, dorme mal e não aguenta de calor? Que prefere um friozinho e se sente muito melhor quando as temperaturas estão mais baixas? Bom, esta pessoa não sou eu! Eu adoro o verão, acho maravilhoso sair de casa usando um vestido ou uma saia bem fresquinha e não me preocupar em levar nem um casaquinho porque vai continuar quente à noite; adoro acordar de manhã num belo dia de verão, pular da cama, abrir a janela e ver aquele céu azul com um baita sol brilhando – isso me enche de energia e me deixa feliz; eu transpiro relativamente pouco e menos ainda se não estiver fazendo nenhuma atividade física e o calor não muda isso; eu consigo dormir maravilhosamente bem no verão e ainda uso meias (porque eu estou acostumada mesmo); e para o calor começar a me incomodar precisa estar chegando perto dos 40 graus. Ou seja, o calor de São Paulo, que costuma ter suas máximas entre 30 e 35 graus no verão, só me deixa feliz. Por outro lado, eu detesto o frio! Em São Paulo, por não termos nenhum tipo de sistema de aquecimento, tem dia que fica mais frio dentro de casa do que fora e eu posso fácil fácil listar vários motivos porque frio não é legal no Brasil:

  • Você vai dormir, a cama está fria;
  • Você acorda e fica morrendo de preguiça de levantar;
  • Aliás, você acorda e fica com medo de sair da cama e enfrentar a vida, porque sabe que assim que se livrar do cobertor vai morrer de frio;
  • É preciso muita coragem pra tomar banho, porque tirar a roupa não é fácil;
  • Quando a temperatura cai muito, não temos roupas quentes o suficiente para nos proteger do frio da rua;
  • A pele fica ressecada;
  • Todos fecham as janelas porque está frio e qualquer lugar fechado ou transporte público se torna uma “sauna” em pouco tempo;
  • Não sei que tipo de pessoa fica mais chique no inverno, porque eu pareço uma mendiga vestindo qualquer roupa que me faça sentir menos frio;
  • Minhas costas doem, pois o frio me faz contrair os músculos e no fim do dia não aguento de dor.

Ah, Bia, mas na Finlândia não é assim, tem aquecimento em todo lugar e mesmo que esteja – 30 lá fora, dentro de caso está quente. Eh, mais ou menos. Vai aí outra lista de como o frio é horrível quando o fator “falta de aquecimento” é eliminado:

  • O inverno é escuro;
  • A pouca luz pode causar muitos efeitos negativos na vida de uma pessoa, como eu já falei aqui;
  • Sair de casa e chegar em casa é sempre um ritual: colocar/tirar camadas e camadas de roupa, touca, luvas, cachecol, meias grossas, botas etc;
  • E mesmo que você esteja adequadamente vestido para a temperatura, isso não significa que você vai poder ficar horas na rua de boa – o rosto normalmente fica exposto e se faz -30, por exemplo, não é frio que você sente, é dor;
  • Os pés e as mãos doem de frio depois de um tempo na rua;
  • O aquecimento é maravilhoso, levantar de manhã e não morrer de frio é sensacional, mas resseca a pele e muito! O ar fico muito seco e você até acordo de madrugada com a boca seca;
  • Num país como a Finlândia onde o norte fica coberto de neve  por praticamente 6 meses todo ano, andar na neve pode ser uma aventura – se neva muito, a neve fofa dificulta caminhar, mas se a temperatura esquenta um pouco e a neve derrete, é horrível andar entre neve e água e, finalmente, quando a temperatura cai novamente e a neve derretida, vulgo água, congela de novo, aí a cidade vira um rinque de patinação – não é legal;
Tipo isso (meme retirado da internet)
Tipo isso (meme retirado da internet)
  • Aliás, neve só é legal em filme e por uma semana quando você está de férias – viver sua vida por quase 6 meses rodeado de neve não é! Já até escrevi um post sobre os tipo de neve.

Eu não teria nenhum problema em continuar esta lista, mas vamos seguir em frente, acho que já ficou claro que eu detesto não gosto muito de frio. Mas e como lidar com um inverno tão rigoroso como o do norte da Finlândia?

A primeira coisa que você precisa saber é que os finlandeses têm um ditado por aqui: não está frio, você que não se vestiu direito. Há controvérsias, mas eles dizem que basta você se vestir adequadamente para a temperatura e ficará bem. Se isso é verdade ou não, de qualquer forma é importante usar roupas adequadas para a temperatura e sensação térmica (porque -20 sem vento não é igual a -20 ventando). Quando a temperatura está até 0 grau, eu não me visto muito diferente de como me vestiria no Brasil num dia bem frio. De -1 a -10, eu já visto a legging e camiseta térmicas por baixo da roupa e saio com protetor de orelha e luvas térmicas. Dependendo do vento, coloco uma segunda camadas de meias (grossas) e um fleece. A partir de -10, eu visto calças de inverno (que parecem calças de ski), coloco uma camada extra entre a camiseta térmica e o fleece, visto uma meia mais grossa, coloca luva de couro e por cima dela, luva térmica e cubro a cabeça com um gorro. Se vou pedalar, também uso um buff, uma espécie de cachecol que se coloca em volta do pescoço que corta o vento e ao mesmo tempo deixa a pele respirar – é extremamente útil, pois pedalar numa temperatura tão baixa sem proteger o rosto pode ressecar muito a pele e causar feridas em volta dos lábios.

Saindo para pedalar num dia que fazia -16 graus e sensação térmica de -26
Saindo para pedalar num dia que fazia -16 graus e sensação térmica de -26

O sapatos também devem ser apropriados, como botas de neve ou tênis mais grossos. É muito importante também usar muito hidratante e protetor labial e, além disso, tentar não lavar o rosto pouco antes de sair na rua, pois nossa pele tem uma oleosidade natural que a protege e se lavamos o rosto, ela se vai e ficamos mais vulneráveis aos efeitos do frio.

É importante proteger bem a cabeça, mãos e pés. A cabeça porque é por onde nosso corpo mais perde calor e os pés e mãos porque acabam sendo os mais prejudicados nessa história e sério, doem muito! Tanto luvas como calçados devem estar meio folgados para deixar o ar circular e aquecê-los. Sapatos muito justos acabam fazendo os pés perderem muito calor, por isso a recomendação é sempre comprar botas de inverno um número maior para poder usar meias grossas e deixar o pé confortável.

E claro que todo nesse ritual de virar uma cebola (as roupas formam várias camadas) a gente acaba levando uns 5 minutos para ficar pronto para sair e mais 5 para se despir quando chega em casa! Olha, morar num lugar frio como Oulu não é só a beleza de uma paisagem de inverno!

E minha melhor dica é: tá absurdamente frio? Você realmente precisa sair de casa? Se a resposta for não, não saia! Se precisar, tente ficar o menor tempo possível na rua.

E é assim que eu lido com o frio, que aqui nesse lado do mundo, fica só da porta da rua pra fora. 🙂

Último dia em Riga

No segundo dia em Riga, ainda frio e cinza, saí do hostel com o mapa na mão e fui desbravando partes da Old Town que o walking tour do dia anterior não cobriu. Uma das atrações mais famosas da cidade é a House of Blackheads.

House of Blackheads
House of Blackheads

São dois prédios muito bonitos na Praça da Prefeitura da cidade e foram construídos no século 14. A construção original foi bombardeada nos anos 40 e completamente demolida em seguida pelos soviéticos. O que vemos hoje foi reconstruídos nos anos 90 e a visitação não é permitida. É lá também que fica um centro de informação ao turista. Na mesma área, fica outro museu das ocupações da Letônia, mas este também estava fechado quando fui.

De lá fui ver o Parlamento, que não é permitido visitar, mas eu já estava pela região mesmo. Tem até guarda e segurança na entrada e rola uma “mini” troca da guarda lá também.

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Próximo ao Parlamento, fica uma estátua, a Lielais Kristaps. Diz a lenda que antes da fundação de Riga, uma homem alto e forte chamado Christopher levava as pessoas de um lado ao outro do rio que corta a cidade. Uma noite, ele acordou com o choro de uma criança que estava do outro lado do rio e correu para salvá-la. No meio da travessia, a criança começou a ficar muito pesada e ele mal conseguiu chegar ao outro lado, mas quando chegou, ele e a criança dormiram de cansaço. No dia seguinte, ao acordar, ele notou que no lugar da criança havia ouro. Quando Christopher morreu, este ouro foi usado para fundar a cidade de Riga.

Lelais Kristaps
Lielais Kristaps

Depois de dar mais uma “circulada” pelo centro, fui encontrar a guia do outro walking tour que comentei no post anterior. Este também sai da Igreja de São Pedro, mas às 12h. E como o objetivo dele não é o Centro Velho, fomos diretamente para o Mercadão da cidade, que fica a poucos metros da rodoviária.

O Mercadão
O Mercadão

O que é interessante sobre o Mercadão é que, além de ser realmente enorme, dividido em 5 galpões (carnes, peixes, frutas e legumes etc), ele é o maior Mercado da Europa e os 5 pavilhões foram construídos reutilizando hangares alemães!

Dentro do Mercado
Dentro do Mercado

A visita é obrigatória, especialmente para quem gosta de experimentar comidas locais. Além de vender comida, há também alguns quiosques que vendem comidas prontas e cervejas.

De lá seguimos para Spikeri, um distrito da cidade conhecido pela atividade cultural. No verão, há festivais e exposições, mas no inverno não é muito movimentado.

Spikeri
Spikeri

O tour foi seguindo e finalmente chegamos no Monumento à Liberdade, ponto final do tour. O monumento homenageia os mortos durante a Guerra da Independência do país e é guardado por guardas que, por mais estranho que isso pareça, são vigiados por policiais! Segundo a guia, os guardas não estão sempre lá no monumento e é difícil dizer quando estarão ou não, pois não há uma agenda.

O monumento
O monumento

 De lá, seguindo dicas da guia, fui almoçar no Lido, um restaurante bem popular na cidade e lembra muito o estilo dos restaurantes russos como o My-My, onde cada prato tem um valor diferente e você vai escolhendo o que quer e paga no final. Eu havia entrado num Lido no dia anterior na região de Old Town, mas só havia carnes e saladas e fui embora, pois achei muito fraco. Este, que fica próximo ao Monumento à Liberdade, é muito maior e tem centenas de opções! Eu optei por filé de frango recheado com queijo e batatas e só paguei 3,70 euros!

Nhom nhom!!!
Nhom nhom!!!

De lá, ainda seguindo outra dica da guia, subi no Skyline Bar, que fica no 26º andar do Hotel Radisson Blu, para ter uma visão panorâmica da cidade. A entrada é gratuita, então se você só quiser subir para aproveitar a visão, não paga nada. Claro que se entrar no bar, algum garçom vai vir te atender, mas se entrar no banheiro apenas, pode apreciar a vista sem precisar entrar no bar.

Do 26º andar
Do 26º andar

Aliás, se eu soubesse disso antes, acho que nem teria pago 5 euros para subir no mirante do prédio do Stálin, pois a visão do bar é melhor com a vantagem de não ser um local aberto, o que é realmente muito melhor na época do ano que fui.

Dei mais umas voltas pela cidade e voltei ao hostel para pegar minha mochila e seguir para rodoviária. Eu gostei muita mais de Riga do que de Tallinn, pois há mais opções de atrações e até acho que um 3º dia na cidade ainda seria bom para poder conhecer outras partes e museus que não tive tempo de ir.

Eu nunca comentei no blog, mas eu até posso aparentar ter bem menos que meus 29 anos, porém eu já tenho joelhos de idosa! haha… e o que isso tem a ver agora? Justamente no segundo dia em Riga eu passei a sofrer com dores terríveis no joelho direito, ao ponto de gemer de dor ao andar. Então, o ir até o hostel buscar a mochila e depois caminhar até a rodoviária, um trajeto total de 3km, não foi assim tarefa fácil. Cada passo era como se uma faca entrasse um pouco mais dentro do meu joelho e eu sem saber o que fazer estando no meio de uma viagem! Como levei alguns analgésicos comigo, foi a solução para ver se passava, mas a dor me acompanhou até a chegada em Oulu. Esta história fica para outro post, o importante agora é que eu adorei Riga, mesmo estando cinza e fria nos dois dias que lá fiquei, e não poderia deixar de recomendar esta capital báltica!

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Hailuoto

Hailuoto é uma ilha que fica a 50km de Oulu e é muito famosa na região. Pouco depois de eu ter chegado aqui me convidaram para visitar o local, mas eu achei o convite pouco atrativo e não fui. Depois que percebi que era um daqueles lugares que se você mora um tempo em Oulu, precisa ir.

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Uma curiosidade é que no inverno o mar Báltico congela e uma estrada de gelo é oficialmente aberta. Imagino que deva ser uma super experiência ir até a ilha por uma estrada de gelo, mas como fui em setembro, no comecinho do outono, atravessamos o mar de balsa mesmo. Aliás, é um ônibus urbano que nos leva até a ilha e o mais interessante é que no trajeto de cerca de 1h30 entre Oulu, esperar balsa, atravessar o mar, e chegar no ponto final do ônibus na ilha, o motorista para em alguns lugares para entregar jornais e pães no mercado! Parece que estamos chegando numa vila bem remota – e quase é, já que Hailuto tem apenas 996 habitantes.

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O dia não estava dos mais bonitos, mas a ideia era fazer uma trilha e parar próximo a um lago para um churrasco – sim, há lagos na ilha! Passeamos um pouco pela praia e estando bem na costa, claro que passamos muito frio!

O bom é que eu já tinha aprendido a ir para praia de casaco na Irlanda
O bom é que eu já tinha aprendido a ir para praia de casaco na Irlanda

Usamos um mapa para achar a trilha e também contamos com o Google Maps, porque já que estamos na era da tecnologia, temos mais é que usar. Assim que entramos na estrada que nos levaria a trilha, uma mega surpresa: dois alces surgiram do meio do mato e atravessaram a estrada a poucos metros de onde estávamos!

Foto tirada pela A.S. :)
Foto tirada pela A.S. 🙂

Seguimos pela trilha e fomos nos embrenhando cada vez mais dentro do mato. No caminho havia muitas blueberries e sim, eu parei para pegar (mas não fui a única) e comer – e confesso que elas estavam bem mais docinhas e gostosas do que as que peguei em Oulu!

Muitas blueberries no caminho...
Muitas blueberries no caminho…

E fomos chegando em partes mais difíceis de caminhar, porque estávamos numa área de pântano!

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E não encontramos a área de churrasco! Mesmo com um mapa de papel, um GPS no celular, placas indicando o caminho e árvores marcadas com laços, conseguimos não achar o local! Aí ficou a dúvida: o lugar não existe ou somos muito tapados mesmo? Não sei vocês, mas eu fico com a segunda opção. 🙂

Acabamos voltando ao início da trilha, mas a caminhada foi interessante e tenho certeza que foi uma parte essencial da visita, mesmo que não tenhamos conseguido chegar ao destino. O importante era comer, porque a fome já tinha batido. Paramos em outro lugar com área de churrasco e começamos a juntar lenha para fazer o fogo – carvão é para amadores! hahaha

E haja fogo!
E haja fogo!

Pegamos alguns galhos finos para usar como espeto e foi só grelhar as salsichas, porque churrasco finlandês consiste em basicamente só isso. E depois, de sobremesa, assamos marshmellow! Claro que para trazer isso, só mesmo os americanos do grupo!

Yummy!
Yummy!

E rolou até s’mores! É um docinho típico para ser feito em fogueiras, muito popular nos Estados Unidos. Primeiro se tosta o marshmellow. Em seguida, vai um pedaço de chocolate e este recheio é colocado entre duas bolachas (porque não é biscoito). Eu conheci o doce quando morava nos EUA e foi legal comer um em Hailuoto, apesar que na minha versão eu dispensei as bolachas.

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Ops, saiu meu casaco na foto!

Após o churrasco, voltamos ao farol e esperamos o ônibus para retornar a Oulu. Foi um dia muito gostoso e sei que vai ser mais um daqueles momentos que vou lembrar com saudade quando Oulu for mais uma lembrança. 🙂

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Budapeste, Hungria IV

O último dia na cidade já começou com aquele aperto no coração, uma saudade do que ainda não havia terminado! Já disse que Budapeste é linda? 20160519_182804

Eu sempre faço walking tour quando visito uma cidade e, normalmente, é a primeira coisa que faço já para pegar dicas e conhecer melhor os principais pontos da cidade com um local. Mas em Budapeste eu acabei invertendo a ordem das coisas e o tour ficou para o último dia, já que no primeiro cheguei depois do horário do tour e no segundo dia combinei de encontrar a L.

O tour começa em frente a Basílica de São Estevão e desta vez nossa guia era uma local mesmo (muitas vezes, o guia é um estrangeiro que mora na cidade). A guia disse que a melhor vista da cidade é da torre da basílica – mas depois de subirmos na torre da Igreja de São Matias e na Citadella e poder ver os dois lados da cidade – Buda e Peste -, achamos que não faria muito sentido subir na basílica, então não posso confirmar se a dica da guia vale a pena. E apesar de a igreja ser a construção mais alta da cidade (96 metros), a Igreja de Matias está numa colina, então, em termos absolutos, está num nível bem mais alto. Outra curiosidade, é que dentro da basílica, supostamente, está a mão do rei Estevão. Há controvérsias se aquela é mesmo a mão dele, mas está lá para quem quiser ver.

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Seguindo pelas ruas, paramos na estátua acima. Já tínhamos passado por ela, mas com o tour descobrimos seu significado. A estátua do policial barrigudo está lá desde 1900 e reza lenda que foi feita em homenagem a um certo policial que patrulhava a região e era muito simpático. Diz a lenda também que o motivo de tanta alegria era comida e mulher (porque, lógico, você pode colocar mulheres na mesma categoria de comida, mas vamos adiante). E claro, há uma superstição envolvendo a estátua: dizem que se você esfregar a mão na pancinha dele, terá sorte no amor. Se passar a mão ajeitando o bigode, terá sorte na vida. Será que fiz um carinho nesta pancinha? 🙂

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Outra famosa estátua da cidade é a Pequena Princesa. Reza a lenda que havia esta princesa que nunca quis ser princesa e muito menos rainha. Ela usava as roupas de seu irmão e queria ser rei quando crescesse. Diz a lenda que esfregar as mãos em seus joelhos traz sorte e realização pessoal.

Entre uma parada e outra e dicas da guia, ainda no lado Peste, entramos na mais antiga linha de metrô da Europa continental, pois a guia queria nos contar sobre o pioneirismo húngaro que os deixa muito orgulhosos. É fato que já havia metrô em Londres quando, em 1896, começaram as obras em Budapeste, mas eles consideram somente a Europa continental, portando, as ilhas britânicas ficam de fora. É a mesma linha de metrô que nos levou a Praça dos Heróis no dia anterior.

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A linha mais antiga é bem diferente das demais de Budapeste, com trens bem pequenos e antigos, mas bem conservados. As estações também estão muito bem conservadas e vale a pena pegar o metrô nesta linha só para ver como são as estações e ter a experiência de andar no vagão.

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O tour continuaria seguindo para o lado Buda, mas nós já tínhamos subido a colina duas vezes e visitado tudo que nos interessava, então conversamos com a  guia e nos despedimos do tour na famosa Chain Bridge, que claro, também tem suas lendas e superstições.

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A ponte ficou pronta no fim do século 19 para ligar os dois lados da cidade, divididos pelo Rio Danúbio. Reza a lenda que quem mandou fazer a ponte só o fez porque quando seu pai estava no leito de morte, ele não conseguiu cruzar o rio de barco por ser muito perigoso na época e, portanto, não pode se despedir de seu pai. Ele jurou que terminaria a ponte para que nenhuma outra família tivesse que passar por isto. Outra versão diz que ele tinha uma amante do outro lado do rio e só queria uma forma de atravessá-lo mais rápido. A ponte tem 4 leões, cada um guardando um lado da ponte. Outra lenda (cidade cheia de histórias, não?) conta que o responsável por esculpir os 4 leões estudou a anatomia do animal por anos, os observando no zoológico, e quando tudo ficou pronto, ele desafiou que encontrassem algum defeito no seu leão – se alguém apontasse algo, ele se mataria. Infelizmente para ele, um menino disse que os leões não tinham língua e percebendo seu enorme erro, ele teria se jogado no Danúbio. Como os leões têm língua (que só podem ser vista de um ângulo mais alto), esta história realmente não passa de uma lenda.

Ao nos despedir do tour, seguimos para o Parlamento Húngaro, mas só para observar do lado de fora. O valor do ticket para não europeus é 5400 florins (18 euros), o que é absurdamente caro para os padrões da cidade! Europeus pagam bem menos do que isso, mas por enquanto, eu tenho só o passaporte de capa azul, então…

O Parlamento de um ângulo alternativo
O Parlamento de um ângulo alternativo

Estava um lindo dia e seguimos andando pela margem do Danúbio até chegarmos nos Sapatos no Danúbio, uma escultura em memória dos judeus húngaros que foram mortos no local – eles eram levados até a margem do rio, tinham que tirar seus sapatos e levavam um tiro. O rio levava os corpos embora.

Triste
Triste

O último dia em Budapeste estava acabando, mas o final da viagem fica para o próximo post. 🙂