Primeiro ano de mestrado – Parte 1

É com muita alegria que escrevo um post sobre o fim do meu primeiro ano de mestrado! A sensação que dá é que estou jogando Super Mario (minha referência de video game é só essa – not a gamer at all) e que vou desbravando os mundos. Agora estou no mundo “mestrado” e cada “telinha” é uma parte do curso que eu começo, passo pelos obstáculos – às vezes perco o Yoshi, às vezes sou um mini Mario vulnerável, às vezes tenho a capinha de voar e passo rápido pela tela – e finalmente, vou chegar no grande desafio – entregar a tese – e passar para o mundo seguinte, que eu ainda não sei como ou qual será. O bom de não ter decidido o que fazer depois é que renúncias ainda não foram feitas e há um mundo de possibilidades.

mestrado

Com metade do caminho percorrido, esta é uma boa hora para fazer um balanço, refletir e renovar as energias para seguir pelo segundo ano. Eu pouco tenho falado do meu mestrado no blog, então esta é a hora de tirar o atraso e jogar a real.

O sonho do mestrado começou no início de 2014 quando eu fiquei sabendo do curso em Oulu. O ano de 2014 inteiro foi basicamente me preparando para a possibilidade de entrar no programa: juntei dinheiro, pesquisei bastante sobre o curso e preparei minha inscrição. Em 2015, já aprovada, me preparei para embarcar nessa nova aventura, sem saber muito bem como seria, mas muito empolgada por estar indo cursar o mestrado que eu meio que idealizei por tantos meses. O meu primeiro mês na Finlândia foi muito intenso! Muita informação, muitas coisas novas, muitas coisas para aprender, entender, saber lidar e conhecendo gente nova de todas as partes do mundo todos os dias! Eu jamais havia me sentido assim antes e foi bem overwhelming, confesso! Depois tudo entrou numa rotina e pela primeira vez na vida adulta toda, eu me tornei apenas uma estudante (eu fiz USP, mas eu trabalhei praticamente durante minha graduação inteira).

O fator novidade acabou e a adaptação já não era um problema. O que me restou foi uma rotina de semana com aulas e muitas leituras, preparação de apresentações e trabalhos. E aí eu comecei a notar que  o mestrado não era assim exatamente aquela última Trakinas de morango do pacote. É muito simplista resumir minha impressão do mestrado dessa forma, eu sei, mas vou tentar explicar minha percepção deste quase um ano morando em Oulu exclusivamente para me formar mestranda.

O programa

Eu faço mestrado em Educação e Globalização. Isso significa que o tema educação é abordado de um ponto de vista, teoricamente, mais global. Ou, resumindo a descrição do site oficial, o programa foca em ética, currículos, planejamento, avaliação e estudos comparativos em educação, visando capacitar os mestrandos a serem líderes com responsabilidade social nos mais diversos contextos, enfatizando o diálogo entre os 4 cantos do mundo e como a globalização afeta vários setores da educação. Lindo, não? Trocando em miúdos, é um mestrado para quem deseja trabalhar nos “bastidores” da educação, não necessariamente em sala de aula, que é o palco. Eu fiquei encantada, afinal, sempre acreditei que a educação é uma forma de mudar o mundo e fazer a diferença na vida das pessoas e era exatamente assim que eu me via enquanto dava aula – não era uma transmissora de conteúdo, era alguém que poderia, de uma forma ou de outra, fazer a diferença na vida dos alunos. Este mestrado, então, me ajudaria nesta “tarefa”.

O programa na real

Talvez eu tenha ignorado uma informação muito importante: o programa não é exclusivo para graduados na área de educação. Soa meio irônico, sem sentido, mas a realidade é que na minha turma de 15 alunos, tem uma arquiteta, 2 linguistas, uma contadora, um psicólogo, uma tradutora, 2 formadas em administração, 2 formados em literatura e 1 formado em filologia. Fez as contas? De 15, apenas 4 tem estudos formais em educação, eu inclusa. Dentre os 11 de outras áreas, 6 têm alguma experiência em sala de aula, a maioria ensinando inglês a estrangeiros e/ou por pouco tempo apenas. Eu sou licenciada em Letras e professora há quase 6 anos. O que aprendemos com este parágrafo? Que muito ironicamente, meu perfil é bem diferente do restante da turma e sou basicamente a única com formação e experiência na área de educação.

O curso é dividido em major e minor. Major são aquelas disciplinas obrigatórias e o minor pode ser escolhido livremente, mas o minor padrão do curso é em Educação. Eu queria fazer este minor? Não. Eu precisaria fazer este minor? Não. Eu tive outra opção a não ser fazê-lo? Não. Sim, eu poderia ter escolhido outro minor desde que eu falasse finlandês, pois não havia realmente nenhuma outra opção minimamente ligada ao meu mestrado ministrada em inglês. Levei esta questão a coordenadora esperando que ela me ajudasse a achar alguma solução para que eu não ficasse eternamente entediada, mas a resposta não foi muito diferente de “eh, infelizmente, são poucas opções em inglês… eh, você vai ter que procurar algo que te interesse e seja em inglês… eh eh”. Eh, eu estou fazendo o minor em educação. Mas vamos olhar o lado positivo: teria sido muito pior se eu fosse formada em Pedagogia, não é mesmo?

 Continua…

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3 comentários sobre “Primeiro ano de mestrado – Parte 1

  1. rickmartins

    Muita gente na Europa usa o MA pra mudar de carreira…talvez isso explique esse povo aleatório na turma.. mas em overall, voce gostou do primeiro ano?

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