A segunda vez em Liverpool

Quando fui para Liverpool em 2013, passei só um dia na cidade com um roteiro bem Beatles. É claro que em um dia você não consegue ver tudo e nem era o objetivo, então, dentro do que foi decidido, a viagem foi um sucesso!

Eu confesso que jamais imaginei voltar a Liverpool, mas sabe como é a vida, né? E na segunda vez na cidade, a ideia era curtir sem pressa e sem pressão de turistar loucamente assim como em Londres e como tinha meu guia, o R., deixei que ele me levasse nos locais que achasse mais interessantes.

No primeiro dia, por conta do cansaço de passar uma noite num ônibus depois de um dia inteiro andando por Londres, acordamos bem tarde e depois de um bom café, fomos conhecer o World Museum. Todos os museus do Reino Unido são gratuitos, o que é sensacional! Apesar de ser um museu mais interessante para levar crianças, ainda assim é uma boa visita para adultos. Não conseguimos explorar os 5 andares, pois o museu fecha às 17h e chegamos às 14h30 e ainda ficamos uns 40 minutos numa demonstração de física bem interessante. Visita leve e bacana.

Do museu seguimos andando até a região do Albert Dock, onde fica a recém inaugurada estátua dos Beatles. Levando-se em consideração a fama que a cidade tem pela banda, é de se espantar que só em 2016 tenham inaugurado uma estátua com os 4 Beatles.

Cool, isn't it?
Cool, isn’t it?

Passeamos um pouco pelo Albert Dock e encerramos o dia. No segundo dia, fomos conhecer algumas catedrais, mais pela vontade do R. do que minha. A primeira foi a St. Luke’s Church, que é mais conhecida como a igreja bombardeada. É uma igreja anglicana construída em 1832 que em 1941 sofreu um incêndio criminoso que só deixou a estrutura externa em pé. Foi decidido que ela não seria reconstruída e permaneceria como um memorial a todos aqueles que morreram na guerra. Não é possível entrar na igreja, só vê-la por fora.

St. Luke's Church
St. Luke’s Church

Seguimos para a Catedral de Liverpool. Era um domingo e chegamos bem no horário da missa, quando a visitação é proibida em respeito aos fiéis. Como teríamos que esperar uns 20 minutos ainda, fomos passear no jardim ao lado da catedral que, vejam só, foi o maior cemitério da cidade no século 19.

O St. James Gardens foi um cemitério por mais de 100 anos e chegou a ser o maior da cidade com mais de 57 mil pessoas enterradas lá. Ele foi desativado em 1936 e se transformou em parque algum tempo depois. As lápides foram retiradas dos locais originais e colocadas lado a lado em todo o comprimento do parque. Não ficou claro pra mim se as pessoas continuam enterradas lá ou tudo foi removido quando o cemitério foi desativado. Ao mesmo tempo em que o parque é um lugar bem tranquilo e agradável para um passeio, é estranho andar por lá e ver tantas lápides com nomes e datas de falecimento.

Lápides ao fundo
Lápides ao fundo

Aparentemente, os nomes Elizabeth e Robert eram muito comuns na época porque perdi as contas de quantas vezes os li. Além disso, nomes de mulheres raramente vinham sem mencionar de quem eram filhas (caso solteiras) ou de quem eram esposas, o que mostra bem o papel da mulher na sociedade da época.

Finalmente entramos na catedral e, bem, é uma catedral muito grande e é isso. A entrada é gratuita, mas cobra-se 5 libras para subir na torre.

A catedral
A catedral

De lá fomos para Catedral Metropolitana de Liverpool, que é uma catedral com uma cara mais moderna. Não é uma atração em si, mas se você é arquiteto ou simpatizante, talvez seja interessante dar uma olhada.

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Seguimos para o Albert Dock novamente para visitar o Museu Marítimo. O museu conta a história de alguns navios famosos, mas eu só me interessei mesmo por ver o andar sobre o Titanic. Não é um museu muito grande, então dá para ver tudo em menos de 2h.

Quando saímos do museu, nos demos conta que o dia nublado havia virado um belo fim de tarde ensolarado e fomos visitar a Radio City Tower. A torre tem 123 metros de altura e oferece uma visão 360 graus da cidade, além de ficar aberta todos os dias e não ter tempo limite para ficar lá. Liverpool não tem grandes pontos de interesse, mas mesmo assim eu gostei. O ticket custa cerca de 5 libras.

Liverpool
Liverpool

O terceiro dia estava ensolarado e fomos ao Sefton Park. Foi uma caminhada de uns 40 minutos, mas o clima estava muito gostoso e acabamos cruzando outro parque no meio do caminho e tudo isso certamente fez valer a caminhada.

O parque não planejado
O parque não planejado

 Chegamos no Sefton Park, fundado em 1872, e passeamos somente. Mesmo ainda sendo inverno, as flores já estavam florescendo e estava bem bonito. Há uma pequena estufa dentro do parque, lagos, pistas de corridas, parquinho e enfim, é um parque bonitinho de bairro.

Sefton Park
Sefton Park

Eu não havia notado na primeira vez que fui a cidade, mas Liverpool é cheia de churrascarias brasileiras! E é claro que depois de tanto tempo sem comer comida brasileira e carne de verdade, eu quis visitar uma. Escolhemos uma que além das carnes, ainda oferecia um buffet de saladas e pratos quentes, inclusive feijoada que era o que mais me interessava. Ir num restaurante fora do Brasil é sempre uma experiência, porque a gente sabe que não vai ser 100% como na terra tupiniquim já que nem tudo que temos na nossa terra é facilmente encontrado no exterior. A feijoada era bem light, e olha que eu não dou daquelas que curte orelha e pé de porco e acho que como já fazia um tempo que estava lá no buffet, o feijão estava seco. Mas tinha pão de queijo e muitas saladas, que eu curti. Quanto à carne, a decepção foi a linguiça! Lá estávamos nós esperando aquela linguiça de churrascaria e quando veio, me pareceu linguiça do Tesco! Paciência. Pagamos cerca de 24 libras para duas pessoas e comemos tanto que naquele dia não deu nem pra jantar – afinal, quando você perde o costume de comer carne vermelha de verdade diariamente, o estômago sente quando você finalmente come.

Para terminar o dia, fomos ao famoso The Cavern! Não deu pra ir na primeira visita por falta de tempo mesmo. O The Cavern é o pub onde os Beatles começaram a carreira e tocaram 292 vezes! Ele é bem pequeninho e toca música ao vivo praticamente o dia todo. A entrada é paga de quinta a domingo.

The Cavern
The Cavern

Impressões

Liverpool é uma cidade bacana, com várias opções de turismo além de Beatles e com a vantagem de não ser tão cheia quanto Londres. Mas o que me chamou atenção dessa vez foi a sujeira! Parece que os locais não aprenderam o caminho do lixo até a cesta! Tem sujeira por todo a região central, desde latas até embalagens de comida take away. Sem contar o tanto de chiclete grudado no chão!

A cidade é bem noturna também e especialmente no centro não faltam opções de pubs, baladas e festas para ir. Eu não fui em nenhum, porque essa não é minha praia há tempos – não sou mesmo do tipo que viaja e conhece a night do local.

Finalmente, matei saudade da Penneys, que no Reino Unido é a Primark. Tanto tempo morando na Finlândia e sem saber o que é comprar roupa e besteirinhas pagando pouco, eu não tinha como não me sentir feliz em passear pela loja. Não comprei muita coisa – uma regata, uma sapatilha e uma garrafa d’água – mas foi bacana for a change.

Será que a vida vai me levar a Liverpool outra vez?! 🙂

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3 comentários sobre “A segunda vez em Liverpool

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