São Petersburgo – Sangue derramado, museu e alguém fala inglês aqui?

Depois de colocar na lista mais um aeroporto onde dormi (neste blog eu conto quando a viagem perde o glamour também… haha) e tomar um susto quando um policial russo abordou o R. logo cedo porque ele ainda estava cochilando no banco, pegamos nosso ônibus para chegar na cidade, o caminho inverso do que contei aqui. Aliás, o policial pediu para ver o passaporte dele… lembram que contei que na Rússia isso é permitido? Fiquem atentos e com o passaporte sempre em mãos.

O Simple Hostel nos passou a perna, mas no geral, é uma boa opção. Só que na semana que nos hospedamos pagamos 10 euros cada por um quarto privado, o que é um preço excelente, mas na semana seguinte, provavelmente por estar próximo do ano novo, o valor dobrou e como só precisaríamos de hostel para mais uma noite, optamos por uma opção mais em conta. Pior decisão.

Apesar das reviews não muito positivas (e vamos combinar que essa era a realidade da maioria dos hostels), escolhemos o Old Flat Hostel (que nem vou linkar aqui porque não quero ninguém se hospedando lá) por estar bem em conta. Chegamos lá por volta de 8h30 da manhã, tocamos a campainha e nada. Depois de muito insistir, resolvemos ir tomar café da manhã num Subway em frente, onde pegamos sinal de wifi e enviei um email ao hostel explicando que ninguém atendia a porta. Esperamos mais de 1h e nada de nos responderem. Voltamos ao hostel e quando estávamos tentando tocar a campainha de novo, um senhor aparece e pergunta onde vamos. Aí eles nos leva a um prédio ao lado onde, de fato, ficava a recepção. O prédio com a placa do hostel era só de quartos, mas não tinha nenhuma placa em frente explicando isso. :/

Quando finalmente entramos, a coisa ficou pior. A menina da recepção simplesmente não falava inglês e ficou óbvio que todas aquelas pessoas que vimos circulando pela “área comum” eram russos que moravam ali. Eu perguntei que hora podíamos fazer o check-in e ela disse que já poderia fazer, às 10h da manhã. “Que bom”, pensei, pelo menos poderia descansar um pouco no quarto. Aí ela queria me cobrar 50% a mais por early check-in. “Não, minha filha, eu quero saber a hora que eu posso entrar sem pagar nada além do combinado”. 12h. Aguardamos no sofá do hostel, super cansados. Quando deu o horário, a máquina de cópias estava dando problema e ela pediu nossos passaportes para tirar cópia quando a máquina voltasse a funcionar. Eu quase ri da cara dela! NUNCA que eu vou dar meu passaporte nas mãos de desconhecidos. É brasileiro, tem capa azul, mas é meu! haha… Brincadeiras à parte, não se dá um documento tão valioso na mão de alguém para voltar e pegar depois! E toda essa conversa foi mediada pelos hóspedes-moradores russos que traduziam o que ela falava e vice-versa.

Finalmente ela nos levou para o quarto e concordou que voltássemos mais tarde para tirar cópia do passaporte. O quarto, na verdade, era um apartamento com cozinha e banheiro e ficamos surpresos, porque até que era apresentável, apesar de ser bem antigo. O R. não estava se aguentando em pé, então deixei ele cochilar antes de aproveitar nosso finzinho de viagem em São Petersburgo, que naquele dia estava muito fria (uns -8 graus), porém ensolarada.

Fomos visitar a Catedral do Sangue Derramado e por dentro ela é realmente linda! Tem diversos painéis de azulejo com as passagens bíblicas narrando a vida de Jesus. É uma catedral extremamente turística, então não sei se também é usada para fins religiosos – acredito que seja apenas museu.

A catedral ficou pronta em 1907 depois de 24 anos de construção. A entrada custa 250 rublos (cerca de 3,50 euros) e pode fotografar o interior.

Por dentro
Por dentro

Fomos almoçar num restaurante da Geórgia na mesma rua da catedral. Um restaurante de comida típica na rua de uma atração turística mundialmente famosa deveria custar um rim, certo? Mas pagamos cerca de 14 euros numa refeição para dois com bebidas inclusas. Comemos kebab e estava delicioso! Para quem quiser visitar, o nome do restaurante é Cha Cha.

Estava bom!
Estava bom!

Finalmente fomos a última atração da viagem, o Museu Russo, também na mesma rua da catedral e do restaurante. O ticket custa 450 rublos ou 200 para estudantes. O museu é enorme e tem só artistas russos.

Uhnn
Uhnn

Passeio encerrado, tudo que queríamos era voltar ao hostel e ter uma boa noite de sono para recuperar a última noite dormida no aeroporto. Chegamos no que pensávamos ser nosso apartamento particular e cochilamos no quarto de porta aberta. O R. acorda com o barulho da porta abrindo e me cutuca. E foi assim, no susto, que descobrimos que havia outro quarto naquele apartamento reservado para um casal russo na casa dos 40 anos. Foi um baita susto e confesso que até um medinho de saber que estava dividindo um apartamento com um casal desconhecido, mas como todos nós já sabemos, eu sobrevivi e cá estou para contar a história. Resumindo: jamais fiquei no Old Flat hostel. Brigada eu.

No dia seguinte nos permitimos acordar tarde, fazer o check-out e ir direto almoçar antes de fazer a viagem de volta. Fomos novamente no Market Place, mas em outra unidade também na Nevsky Prospekt e a decoração do restaurante era sensacional, além da comida ser ótima também.

Cool!
Cool!

Tentando ir para a rodoviária para pegar o ônibus de volta para Helsinki, nos confundimos com as informações do Google Maps e por muito, mas muito pouco não nos perdemos no metrô e perdemos o ônibus, mas tudo deu certo e lá fomos nós encarar 9h de viagem. Foi uma viagem tranquila pela Lux Express novamente, com os confortáveis ônibus com wifi, TV individual e bebidas quentes à vontade. Passamos pela imigração russa “só” 3 vezes: um para checar meu visto de entrada no país ainda dentro do ônibus, um para recolher a segunda parte do cartão de imigração e carimbar o passaporte e outro para checar se eu realmente havia pego o carimbo de saída antes de entrar no ônibus. Na imigração finlandesa foi tudo tranquilo, mas fiquei chateada porque não carimbaram meu passaporte, já que eu tenho o visto de estudante. Poxa, vou morar aqui um tempão e nunca vão carimbar meu passaporte? :/

Chegamos em Helsinki, jantamos e fomos pegar nosso trem para Oulu. Eu já estava desmaiada a essa hora da vida e dormi a viagem toda ignorando completamente os bancos desconfortáveis e a luz na minha cara. Oulu nos esperava na escuridão às 7h da manhã e com neve. Obrigada, Rússia, pela viagem incrível! 🙂

Tchau, São Peter!
Tchau, São Peter!
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5 comentários sobre “São Petersburgo – Sangue derramado, museu e alguém fala inglês aqui?

  1. Bia, aqui na Irlanda eles sempre carimbam meu passaporte quando entro no país, mesmo tendo o GNIB… será que se você pedir eles não carimbam?

    Meu, eu já não sou muito fã de hostel, mas pra passar esse tipo de susto e aperto, prefiro pagar um pouco mais e ficar num hotel. Quer dizer, se o preço não for muuuito mais alto do que o preço do hostel, acho que vale a pena, especialmente numa viagem assim de muitos dias, de trens, ônibus e tudo mais, acaba sendo muito cansativo!

    1. Bia

      Eu acho que é porque a imigração do Reino Unido e Irlanda é muito mais rígida do que do resto da Europa – a Irlanda foi o único país europeu que me deu prazo pra ir embora mesmo eu tendo direito de ficar 90 dias como turista. Quando eu voltei, o oficial conferiu meu passaporte e visto e não carimbou, então não sei se eu posso simplesmente pedir.

      Eu fiquei em hostel em 98% das minhas viagens até hoje e essa foi a única experiência meio ruim que tive até agora, então vou continuar ficando em hostel porque eu gosto mais do clima e é mais em conta, especialmente em países onde a moeda é desvalorizada em relação ao real, como na Rússia. Acho que mesmo Airbnb não é tão mais barato a menos que você vá se hospedar com mais 2 ou 3 pessoas. Claro que cada um tem seus gostos e preferências e todos os tipos de acomodação tem prós e contras, mas uma experiência maluca em meio a tantas que foram de ok a boas não vai me fazer parar de ficar em hostel ainda! 🙂

      1. Cely

        Biia!!!! Tive a mesma impressão da imigracão da Irlanda. Mesmo comprovando que era servidora publica, que tinha passagem de retorno, o oficial da imigração deixou registrado o dia da saída, logo na entrada! E essa história de receio de deixar meu passaporte passei em Viena. Reservei um local hororroso que acabei não ficando. O cara queria segurar nossos passaportes e só devolver no check out. Saimos correndo e nos hospedamos em um local melhor perto. Depois fiquei sabendo q o dono era russo. Maior roubada!!!!!

      2. Bia

        Esse povo viaja, né? Eu jamais entrego meu passaporte na mão de ninguém e deixo a pessoa sumir com ele. Que tire cópia na minha frente para cadastro e me devolva! Eu hein!

  2. rickmartins

    Quero ir pra Rússia agora! E esse negócio de passaporte anda acontecendo comigo tb…já passou o mito de que nunca param europeu… nas minhas últimas viagens, sempre tive que responder alguma coisa pro carinha…agora to usando mais as máquinas que e mais rápido.

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