Moscou – walking tour, catedrais e segurança

Para ir do aeroporto até Moscou, pegamos um trem expresso, porque achamos que esta fosse a única opção, mas depois descobrimos que tem como ir de transporte público também, que é mais barato (fica pro último post da cidade). O expresso leva uns 35 minutos e custa 470 rublos na hora ou 420 pela internet. O trem é confortável e tem wifi.

Diferente de São Petersburgo, em Moscou tudo está somente no alfabeto cirílico. Como fazer para achar nomes de rua e as estações de metrô? Bem, o R. aprendeu a ler o alfabeto antes de ir, o que facilitou muito nossa vida, mas o que eu fazia era enxergar o nome como um desenho e lembrar de letras “chave”. Pode soar infantil, mas eu decorava que a estação que eu precisava ir começava com um “3” e tinha um “N invertido” no meio e terminava com um “R ao contrário” e assim segui a vida nos 4 dias que passei por lá. Isso quando eu não “lia do meu jeito” e fazia soar com alguma palavra em português ou inglês. #ficadica

E mesmo que você leia em alfabeto cirílico, o metrô de Moscou é um labirinto de linhas, cores e estações! Nós não nos perdemos para chegar na estação mais próxima do hostel, mas precisamos fazer uma baldeação e por causa da sinalização ruim, ao invés de mudar de linha como achávamos que estávamos fazendo, saímos do metrô e precisamos comprar outro ticket para entrar! E Moscou é bem mais cara, então enquanto uma viagem custava 31 rublos em São Petersburgo, lá custava 50. A dica que a recepcionista do hostel nos deu depois é comprar um cartão que eles chamam de Troika.

Troika
Troika

Você paga um depósito de 50 rublos pelo cartão, que será devolvido quando você devolvê-lo, e a passagem de metrô que custava 50 rublos sai por 28 com ele, ou seja, funciona mais ou menos como o Oyster de Londres.

O hostel e o susto

Foi difícil achar o hostel e só não ficamos horas rodando porque eu tinha o mapa impresso do Google com a estrelinha em cima de onde deveria ser o local (sempre imprimam o mapa da região da acomodação com a estrelinha em cima). Assim como em São Petersburgo, tem vários lugares com uma entrada que dá para um pátio aberto e vários prédios. O problema é que o número do hostel não estava na fachada que dava para a rua e só achamos o bendito mesmo porque seguimos o mapa e a intuição. Quando abrimos a porta do prédio nos deparamos com uma cena que eu custei a acreditar.

Vejam vocês mesmos
Vejam vocês mesmos

Parecia que tínhamos entrado num prédio abandonado ou como foi minha piada nos 4 dias, estávamos num “prédio da época de Dostoiévsky”. Subimos 3 lances de escada num prédio que obviamente precisava de uma reforma, cheirava a infiltração (sim, tem cheiro, eu sinto) e bem, eu já queria sair correndo. No último andar, tocamos a campainha, a porta se abriu e o interior do hostel nada tinha a ver com o restante.

Apresentável até.
Apresentável até.

Fizemos o check-in, fomos ao mercado comprar alguma porcaria comida congelada para jantar (e se eu achava difícil fazer compras de mercado em finlandês era porque nunca havia feito em russo) e fomos dormir no nosso quarto compartilhado onde, sim, havia um russo residente (que, literalmente, dormia de calça jeans – russos!).

Eu comentei que foi difícil achar hostel bom em São Petersburgo, pois foi ainda pior em Moscou e no fim, eu literalmente optei pelo que tinha menos reviews negativas. O Comrade Hostel é muito bem localizado e dá para ir a pé a quase todas as principais atrações, tem metrô, supermercado e restaurantes perto e, no geral, era limpo, organizado e confortável e o staff foi muito bacana. Mas o prédio onde ele está é realmente de chorar.

O walking tour

Fomos ao ponto de encontro e uma russa menor que eu (sim, é possível) foi nossa guia. O walking tour começa em frente a um monumento de dois homens, Cirilo e Metódio, dois santos que, segundo nossa guia, são os responsáveis pela criação do alfabeto cirílico, que tem 33 letras.

Os tais
Os tais

A guia foi contando algumas histórias até chegarmos na Praça Vermelha, algo de praxe no tours. Quando lá chegamos, mais histórias sobre a Praça Vermelha, o Kremlin e a Catedral de São Basílio. Fizemos uma pausa e entramos no famoso shopping GUM, construído no final do século 19. Era época de Natal e a decoração do shopping estava incrível, aliás, Moscou estava incrível e vocês sabem que eu não curto Natal e não ligo pra isso, então se eu estou falando que estava sensacional, acreditem, estava! Tomamos um sorvete maravilhoso lá (50 rublos, bem menos de 1 euro).

Um pouco exagerado, fato, mas lindo
Um pouco exagerado, fato, mas lindo

O que achamos um pouco estranho é que todas as entradas do shopping tinham um detector de metais e um segurança e ninguém entrava sem ter bolsas/mochilas revistadas. No começo eu não entendi se sempre tinha sido daquele jeito ou não, mas conversando com conhecidos que já viajaram para lá, entendi que era recente. Lembrando que o GUM fica na Praça Vermelha a alguns metros do Kremlin e bem, infelizmente a Rússia era/é um possível alvo de ataques terroristas e faz sentido todo o esquema de segurança, apesar de um pouco assustador.

De lá o tour seguiu e acabou em frente ao Jardins Alexandrovsky, onde a cada hora acontece a troca da guarda. Eu gostei do tour, mas achei a guia um pouco too much. Ela se mostrava a todo momento muito orgulhosa do seu país e cidade, o que é ótimo se você é um guia, mas ela se mostrava ainda mais orgulhosa de ter nascido em 1988, portanto, ainda na União Soviética – e ela citou isso várias vezes. Enfim, um walking tour é sempre legal para conhecer a região turística e pedir dicas e no final deste, eles dão um folheto com várias informações úteis.

Bem onde o tour terminou tem um shopping subterrâneo e como eu nunca havia visto isso, achei super legal. O R. e eu resolvemos entrar para almoçar e fomos no My-My (lê-se “mumu”), um restaurante famosinho na cidade. Também é um restaurante com aquela comida russa do dia-a-dia e tem um preço muito acessível. O lado ruim? É um buffet como o Market Place, o restaurante de São Petersburgo, que o funcionário serve a comida no seu prato e a cobrança é feita por porção (que é cuidadosamente pesada) e os funcionários não têm assim muita paciência para te deixar escolher. Eu me senti intimidada pelo funcionário que berrou comigo impaciente querendo saber qual tipo de carne eu queria.

My-My
My-My

A refeição para duas pessoas saiu por menos de 700 rublos, o que daria uns 8 euros e pouco, e a comida é bem gostosa.

De lá passamos no GUM novamente para trocar mais rublos. Eu troquei alguns rublos no meu banco ainda em Oulu e levei euros em espécie para trocar mais lá. A cotação é a mesma do banco, porque ambos trabalham com a cotação oficial do dia, aparentemente, mas no fim saiu mais em conta trocar lá porque o rublo começou a se desvalorizar depois que troquei na Finlândia. Riscos que a gente corre, né?

GUM decorado para o Natal
GUM decorado para o Natal

Fomos visitar a Catedral de São Basílio, que acredito que seja essa a imagem que todo mundo tem na cabeça quando falamos de Rússia: uma igreja ortodoxa super colorida. O interessante da catedral, segundo a guia do walking tour, é que ela forma uma estrela de Davi e, na verdade, são 8 igrejas ao redor de uma maior, sendo que cada torre é uma igreja e tem um nome. A catedral foi construída em 1560 e, originalmente, nem era assim todo coloridona, mas branca (para combinar com a Praça Vermelha que nem sempre foi vermelha) com as torres douradas, assim como a Catedral de Cristo Salvador, também em Moscou.

A catedral
A catedral e os turistas

É uma igreja interessante de se entrar e o ingresso  é barato, principalmente se puder pagar valor de estudante. Havia até um coral na igreja principal e ficamos um tempo assistindo.

Quando saímos já estava escuro, mas bem frente a catedral estava montado um Christmas market muito legal e bem agitado. Demos uma passadinha e voltamos ao shopping subterrâneo para jantar – um Burger King mesmo. À noite tudo estava ainda mais lindo, então caminhamos de volta para o hostel olhando a pomposa decoração de Natal da cidade.

Diz se ela essa bola bem perto do Kremlin não estava sensacional?
Diz se ela essa bola gigante bem perto do Kremlin não estava sensacional?

 

 

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3 comentários sobre “Moscou – walking tour, catedrais e segurança

    1. Bia

      Sim! Aprendi, por exemplo, que o nome Praça Vermelha nada tem a ver com a cor de seus muros, mas isso eu vou contar nos próximos posts! 🙂

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