São Petersburgo – catedrais, Hermitage e strogonoff

Nosso segundo dia em São Petersburgo começou com chuva! Mas nem o tempo feio nos desanimou e fomos conhecer a Catedral de Kazan, que foi a última atração que passamos com o walking tour no dia anterior. O guia já havia nos avisado que na Rússia as mulheres devem cobrir a cabeça e os homem tirar qualquer chapéu ao entrar numa igreja ortodoxa e que seria de bom tom se nós, mesmo sendo turistas, fizéssemos o mesmo. Coloquei a touca do casaco na cabeça e entrei.

A catedral e um dia feio
A catedral e um dia feio

A catedral foi terminada em 1810 e a entrada é gratuita. Assim como observamos em Helsinki, não há bancos para os fiéis e o sinal da cruz é seguido de uma espécie de reverência. Não era permitido tirar fotos, acredito que para não atrapalhar os fiéis. A catedral não é muito grande, mas vale a visita, se você gosta de igrejas.

Quase em frente a catedral fica a maior livraria de São Petersburgo, a Dom Knigi. Ela fica onde era o prédio da Singer, aquela empresa que fabrica máquinas de costura. A empresa comprou o terreno no começo do século 20 e quis construir um prédio parecido com o que estava sendo construído em New York, que seria um arranha-céu. Mas como os prédios da cidade têm restrição de altura, ele tem só 6 andares. O prédio abriga a livraria desde 1938 e dentro tem um café/restaurante.

Dom Knigi, céu cinza e a Catedral do Sangue Derramado lá atrás
Dom Knigi, céu cinza e a Catedral do Sangue Derramado lá atrás

Para ser sincera, a livraria não é assim tão grande e a impressão que deu é que caberia umas 4 dela dentro da Livraria Cultura da Av. Paulista em São Paulo (que não é referência porque é a maior do Brasil, eu sei), mas ela é charmosinha e a visão da catedral de Kazan é linda do primeiro andar. Os demais andares do prédio são ocupados por escritórios e não são abertos para visitação.

Você fala russo?
Você fala russo?

De lá fomos a outra catedral famosa da cidade, a Catedral de São Isaac, que já foi a maior e mais famosa da Rússia, terminada em 1858. A entrada é paga e há duas opções: a catedral e o domo, que são cobrados separadamente. Vou confessar aqui que eu não gosto muito de entrar em igreja, pagando então, pior ainda já que eu acho meio absurdo cobrar para entrar num lugar dito sagrado (é museu ou igreja?), mas como o R. fazia questão, pagamos para entrar nos dois. Com o desconto de estudante, deu em torno de 350 rublos  (o que com a cotação da época daria uns 5 euros).

A catedral
A catedral

Dentro há várias pinturas contando a vida de Jesus nas passagens bíblicas. Ela não é muito grande e é uma visita interessante se você gosta de igrejas (meu discurso padrão sobre visitar igrejas). Fomos ao domo e para chegar lá é só de escada. Dá para ver a área turística da cidade, mas o dia não estava dos mais inspiradores para fotos e venta muito lá em cima. Acho que vale mais a pena subir no domo do que visitar a igreja, se você pedir minha opinião.

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Do domo

A fome bateu e decidimos comer algo rápido e barato e bem, tem um Subway em cada esquina na cidade! Lá fomos e resolvemos dividir um lanche de 30cm. O rapaz atrás do balcão, tentando falar inglês com a gente, oferecendo um monte de coisa dentro. Eu perguntei se estava tudo incluso no valor do lanche, ele disse que sim e tomamos um susto quando fomos pagar e o preço tinha mais que duplicado e enfim, uma falha na comunicação nos fez pagar por um lanche de Subway o mesmo valor que pagamos num restaurantezinho legal na noite anterior. Lição do almoço: Subway cobra e cobra muito caro por itens extra em qualquer lugar do mundo, da próxima vez nem pergunto. Pelo menos, o lanche estava bem servido e nos sustentou pelo restante tarde que passamos dentro do famoso Hermitage.

Hermitage por dentro
Hermitage por dentro

O museu foi “fundado” em 1764 por Catarina, a Grande, com uma coleção particular, segundo o que nos disse nosso guia Vlad, aquele do walking tour. O museu só passou a ser aberto ao público em 1852 e hoje é um dos maiores e mais antigos do mundo. A entrada custa 800 rublos, o que é bem caro se comparado com o valor cobrado em outras atrações, mas a é gratuita para estudantes de qualquer lugar do mundo, então não pagamos nada. 🙂

O museu é realmente enorme, então o ideal é ver as exibições que mais te interesse, do contrário, dá para passar o dia inteiro lá. Nós resolvemos ir passando por tudo e dar atenção ao que fosse mais interessante e ficamos umas boas horas lá dentro.

Do Hermitage
Do Hermitage

Saímos do museu e eu estava decidida a comer um strogonoff e não ia voltar ao hostel até achar um bom restaurante. Fomos caminhando pela Nevsky Propekt e parando de restaurante em restaurante para olhar o cardápio. O Gogol é um do restaurantes mais famosos da cidade e é meio carinho, mas como o rublo é bem desvalorizado em relação ao euro, está longe do que custa um restaurante razoável aqui na Finlândia. Fomos até lá, mas infelizmente o restaurante estava lotado e sem previsão de ter mesa livre. Seguimos procurando e achamos um no subsolo de um prédio e, aparentemente, é muito comum terem cafés, restaurante e outras lojinhas no subsolo.

Dachniki
Dachniki

Acho que ainda não tive a chance de falar um pouco da minha impressão do povo russo e este é um bom momento para começar a ilustrar. Nós entramos no restaurante e pedimos para ver o menu para checar se tinha meu desejado strogonoff. A moça nos deu e falou (não pediu, falou seca e direta) para nos sentar. Eu disse que queria checar o menu primeiro, posso? Aí vi strogonoff, mas estava em “entradas quentes”, o que deve ter sido uma tradução ruim, mas eu quis checar e perguntei se era uma entrada ou um prato principal. Ela, seca, direta e nem perto de esboçar um sorriso, me olhou e disse “Sit down, please”. Ah, os russos!

Outra coisa que aconteceu em absolutamente todos os restaurantes que fomos foi a falta de paciência para esperar o cliente decidir. No Brasil, quando estamos em dúvida ou escolhendo, o garçom tira a dúvida e dá um tempo para decidir. Na Rússia, é tipo: “Isso é frango, isso é porco, o que você quer agora? Fala já, não sou pago pra ficar olhando pra sua cara“. No fim, meu desejado strogonoff chegou e estava muito gostoso!

Eu só posso ter tido um surto de Parkinson nessa viagem, mas este é o strogonoff russo, prazer!
Eu só posso ter tido um surto de Parkinson nessa viagem, mas este é o strogonoff russo, prazer!

E na hora de pedir a sobremesa os nomes no menu não diziam muito à respeito, tipo “Romeu e Julieta”, que você sabe que é queijo com goiabada porque é brasileiro, mas o nome em si não dá nenhuma pista. Lá foi eu pedir explicação, que foi bem “Isso é isso e isso é isso, qual você quer? Diz agora, vai, qual?“. No momento de tensão, pedi um doce tipicamente russo chamado Napoleão (?), que é um bolo com camadas de massa folheada e creme e muito gostoso por sinal.

No doce eu não tremi na foto!
No doce eu não tremi na foto!

No fim das contas, eu super recomento o restaurante, Dachniki, que fica na Nevsky Prospekt. É uma gracinha, bem aconchegante, a comida é muito gostosa e o preço é acessível. O jantar para dois, com uma sobremesa e um café, saiu por 1090 rublos, cerca de 14 euros na época (no caso, mês passado, mas vocês sabem como anda a economia, né?).

Voltamos para o hostel andando pela linda São Petersburgo, a Veneza russa, ora entrando em lojinhas de souvenir, ora admirando a cidade que estava ainda mais linda decorada para o Natal.

Natal!
Natal!
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7 comentários sobre “São Petersburgo – catedrais, Hermitage e strogonoff

  1. Pagar pra entrar em igreja: poucas coisas são tão controvertas pra mim. Fiz isso na Suiça (caríssima, e só fui pela insistência de um amigo de lá), e depois da Itália sempre penso “Igreja?! De novo?!”. Mas é legal quando elas não são do “padrão católico” e valem pela novidade.

    Me sentindo a pessoa mais ignorante do mundo por não saber que strogonoff é um prato russo (nem com a dica que falou do museu no post passado eu saquei). Esse nome estranho tinha que vir de lá, rs.

    E olha, essa questão de garçom paciente nem acho que é coisa só do Brasil não, os russos que parecem meio grossos mesmo, haha!

    1. Bia

      Sim, as igrejas ortodoxas são diferentes das das “Católicas padrão”, mas eu acho uó pagar para entrar em igreja.

      Sobre o garçom, eu usei o Brasil só para comparar mesmo… achei os russos, em geral, muito razinzas.

  2. rickmartins

    Quero provar desse strogonoff agora. Pela foto, parece gostoso. E isso dos russos serem diretos, nao é pq eles nao sao tao familaires com o ingles? Minha housemate francesa, que fala um ingles bem intermediario é assim tb, direta que só ela!

    1. Bia

      Estava mesmo muito gostoso, mas é diferente do nosso… o molho é mais suave e não tem ketchup e mostarda! Senti falta da batata palha também! hahaha…

      E eu não acho que é só a questão da língua, porque você pode ver que brasileiro não faz cara feia quando não fala inglês se aparece um gringo. Os finlandeses também não fazem cara feia na mesma situação. Sei lá, acho que é da cultura deles não serem receptivos de primeira.

  3. Cely

    Posso me enganar em relação ao strogonof, mas quase sempre prefiro as versões brasileiras para algumas comidas estrangeiras. Foi assim com o molho Alfredo. O original só tem gosto de manteiga!! Mil vezes atė o do Spoleto. E comi uma pizza em Roma, que fazia vergonha às de Sampa!

    1. Bia

      Eu concordo, eu acho que qualquer prato quando chega no Brasil, a gente consegue deixar tudo mais gostoso! Mas o strogonoff russo estava muito, mesmo sem a batata palha! hehe… E pizza, sinceramente, só no Brasil mesmo. Nunca comi pizza em outro país e pensei “nossa, que pizza boa!”.

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