Hello, darkness

My close friend, I’ve come to talk to you again!

No último post eu falei sobre kaamos, a deprê que bate no inverno. Acredita-se que há relação direta entre a falta de exposição à luz solar e o transtorno e por isso, ele é muito mais comum no inverno. No Brasil mal se sente a diferença entre as estações e apesar de no verão os dias serem mesmo mais longos, não é um absurdo de diferença. Em São Paulo, pelo menos, mesmo no verão o sol se põe pouco depois das 19h enquanto que no inverno isso acontece pouco depois das 17h. Aqui, segundo o que me contaram, o sol não se põe completamente no verão – ele fica escondidinho no horizonte por cerca de 2h durante a madrugada – e no inverno, como eu sei por experiência própria, ele aparece muito acanhado por cerca de 4h. É realmente bem extremo!

Por este motivo, o tema do post é escuridão! Como é a viver num lugar com tão pouca luz solar por alguns meses do ano?

Spoiler
Spoiler

Como eu já falei mil vezes aqui no blog, o essencial é tomar vitamina D! Parece que estou exagerando, mas é tão importante que acho que para garantir que até mesmo quem resolve que não vai tomar os comprimidos tenha uma dosagem mínima consumida diariamente, muitos alimentos tem a vitamina adicionada. Além disso, em qualquer mercado se encontra diversas marcas e dosagens e o preço, por incrível que pareça e mesmo convertido de um euro que tá valendo mais de 4 reais no momento, ainda é menor aqui do que no Brasil.

Eu não sou uma morning person e sou daquelas que quer aproveitar até o último minuto do sono da manhã – e por essas e outras que prefiro tomar banho à noite, já que banho de manhã significa ter de acordar mais cedo. Multiplique minha falta de disposição para acordar cedo por cem quando são 9h da manhã e ainda está completamente escuro. Agora imagina minha falta de motivação para acordar às 7h da madrugada quando está tão escuro quanto se fosse 4h da manhã? Minha sorte é que no último mês do semestre anterior eu tinha apenas uma aula na semana que começava às 8h15. Todas as quartas-ferias eu travava uma batalha interna discutindo comigo sobre as implicâncias e consequências de não ir à aula e sobre como estava gostoso estar embaixo da coberta. E olha que nem frio estava, já que até então a temperatura estava por volta de 0 grau aqui. O triste é que quando a aula terminava, às 9h45, ainda estava escuro. Então, acordar antes das 1oh e não ver um raio de sol ou uma claridade de um céu nublado é muito desmotivador.

Superada a manhã, você sabe que tem apenas 4h de claridade no seu dia. Durante a semana e com aulas isto significa que praticamente toda esta claridade será desperdiçada, pois ou você estará tendo aulas ou dentro da biblioteca estudando – eu, no caso, prefiro o conforto do meu quarto para estudar. No final de semana, você precisa calcular bem seu dia dependendo da atividade que quer fazer, nem que essa atividade seja ir ao mercado – melhor ir enquanto estiver claro para pegar um pouco de ar fresco e luz do que depois que escurecer. Lembrando que nos meses de inverno aqui, o índice UV (aqueles raios solares que a gente sempre ouve falar que dá câncer, mas na medida certa, fazem bem ao organismo) é constantemente 0 – o sol até vem dar um ‘oi’, mas ele não tem efeito nenhum: não bronzeia, não ajuda a produzir vitamina D, não esquenta, não dá câncer.

E eu acho curiosíssimo que o sol não fica a pino! Ele não nasce no leste, “dá a volta” no céu e se põe no oeste. Ele aparece menos ao leste do que no verão, “desliza” e se põe pouco depois. Claro que estou falando da nossa percepção, eu sei que o sol está parado no mesmo lugar e é a posição da Terra em relação a ele que causa esse efeito, mas de qualquer forma, é curioso e eu nunca tinha visto isso antes de chegar aqui.

Foto tirada perto das 13h no início de dezembro
Foto tirada perto das 13h no início de dezembro

Se assim como eu você é daqueles que almoça tarde quando não tem compromisso nenhum com a vida, como nos finais de semana (porque se você acorda às 11h, né, não existe almoço às 12h), vai achar muito estranho sentar para comer lá pelas 14h30-15h e estar escuro. Às vezes eu até me perguntava se era almoço ou janta e é a parte do dia que mais me confunde. Ou num dia comum, que tenho aula e chego em casa às 16h, já escuríssimo, bate aquela sensação que é hora do jantar e você come aquele pratão às 16h30. Se eu contar que eu já fiz isso sem perceber que era tão cedo para jantar, vocês acreditam em mim? O problema disso é até eu ir pra cama (o que nunca acontece antes da meia-noite), vai me dar fome… aí eu já jantei, faço o que? Fico beliscando com a balança me olhando com deboche.

E este é o sol se pondo às 14h, também no início de dezembro
E este é o sol se pondo às 14h, também no início de dezembro

Como a maior parte do tempo está escuro, precisamos tomar algumas precauções também. É essencial andar de bicicleta com lanterna e quem desobedece pode ganhar uma multa de 50 euros. O que não significa que eu sempre use a minha! Não é que eu sou a desafiadora da lei, vida loca, a iluminada, rebelde! Mas quase todas as ciclovias têm iluminação pública, então o caminho é bem visível e eu acabo esquecendo de ligar a lanterna e eu sei que preciso ficar mas atenta, pois ela não serve apenas para que eu enxergue o caminho, mas para que outros ciclistas e até carros possam me ver de longe. Outro item que todo mundo usa (até eu) são os refletores. Sabe aquele material que reflete quando bate a luz? Então. Muitas roupas de inverno tem refletores, mas mesmo assim é muito normal ver pessoas andando com um chaveiro-refletor grudado na roupa ou na mochila. Isso é para evitar acidentes, principalmente se a pessoa estiver caminhando, pois se um carro se aproximar ou uma bicicleta (com uma pessoa que use uma lanterna, no caso, eu a partir de hoje), a luz vai fazer os refletores ficarem visíveis e a pessoa não vai ser atropelada.

Eu ganhei esse refletor quando fui numa Feira de Intercâmbio no Brasil e passei no stand do Study in FInland. No começo achei que era só um chaveiro, só chegando aqui que notei que era item de segurança!
Eu ganhei esse refletor (super potente) quando fui numa Feira de Intercâmbio no Brasil e passei no stand do Study in Finland. No começo achei que era só um chaveiro, só chegando aqui que notei que era item de segurança!

E para terminar, as vantagens – porque tudo na vida deveria ter precisa ter um lado bom, né? DORMIR. Eu não consigo dormir com luz na minha cara a menos que tenha batido uma laje no dia anterior e esteja super cansada. As janelas aqui não são como as do Brasil com aquela parte escura que você fecha e cria seu escurinho particular, aqui é uma janela enorme com três camadas de vidro para te proteger do frio, mas sem uma camada para bloquear a luz. Cheguei quase no fim do verão quando ainda amanhecia antes das 6h da manhã e era uma luta para dormir, pois mesmo com uma boa venda nos olhos, meu corpo sentia que estava claro e não me deixava dormir (eu não sabia que isso era possível, mas como não entrava nem um pouco de luminosidade pela venda e mesmo assim eu acordava por volta de 6h e pouco sozinha todo dia, só pude concluir isso). Já agora eu posso dormir até 11h da manhã tranquilamente, porque mesmo que esteja ensolarado, o sol nem se mete a besta de conseguir entrar pela janela. Aliás, como você viram, o sol mal sai do horizonte!

 E assim vou vivendo aqui no escurinho de Oulu, que ainda é charmosa nas 4h diárias que fica às claras. 😉

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5 comentários sobre “Hello, darkness

  1. Uma pequena correção:
    “Claro que estou falando da nossa percepção, eu sei que o sol está parado no mesmo lugar e é a posição da Terra em relação a ele que causa esse efeito, mas de qualquer forme (FORMA)”

    Nosso corpo é muito inteligente e “pensa” independente do nosso cérebro muitas vezes. Essa questão da luminosidade e o real horário deve causar muita confusão no relógio biológico. Almoça achando que é janta, acorda achando que está de noite…. deve terrível, não mais do que andar de bike sem a lanterna estar ligada ou usar vários refletores rs.

    O 3°, 4° e 5° parágrafo poderiam ter umas imagens para ilustrar o que você vê (ou o que não vê) ao sair de casa ou na faculdade.

    Obs. No post que estou escrevendo sobre aquele seu pedido tem uma referência a você rs

    1. Bia

      Corrigido! Quando eu começar a ganhar dinheiro com o blog, te contrato com revisor! haha…
      Eu tento colocar muitas fotos no blog, mas nem sempre tenho pra ilustrar tudo! 😉

  2. Bia, tem que usar lanterna na bike sempre, é importante que outros pedestres e motoristas possam te ver! Lanterna frontal e atrás + o colete amarelo refletor eu não dispenso por aqui!

    Meu, eu também sofro muito com a luz no verão. Em 2013 e 2014, no meu quarto em Inchicore, eu colocava um cobertor escuro pra tampar a janela e funcionava muito bem, mas quando mudei de casa no ano passado… cara, foi o meu pior verão. Bia, eu não conseguia dormir depois das 7 ou 8 da manhã porque o sol já estava a pino na janela…. que raiva! Comprei umas 4 vendas diferentes pra testar e apesar de uma delas ter funcionado um pouco (curiosamente, a da KLM!), não resolveu meu problema (preciso de uma que seja totalmente preta e grossa, você sabe onde posso achar?). Enfim, não sei como será o verão na casa onde estou morando agora, mas já me dá um certo medo….. As pessoas falam da depressão da escuridão de inverno, mas o excesso de luz também pode fazer muito mal!

    1. Bia

      Eu não expliquei no post o contexto aqui em Oulu. É claro que eu realmente preciso ficar mais atenta e usar a lanterna justamente para ser vista de longe, mas aqui não é como Dublin e em nenhum momento eu divido o espaço com carros. Há vias principais para veículos e as ciclovias estão “no meio da floresta” e como aqui é uma cidade muito tranquila, enquanto pedalo, vejo um ciclista/pedestre a cada 5 minutos, não tem um fluxo intenso, ainda mais no inverno. Mas novamente, isso não justifica que eu não use a lanterna, é que eu esqueço mesmo!
      A venda que eu tenho é bem boa e eu comprei no Brasil, naquela loja Dayso. Não sei se já tinha quando você ainda morava lá, mas essa loja de artigos japoneses está virando febre em São Paulo. 🙂
      E tanto o excesso como a falta de luz mexem com a gente, de formas e intensidades diferentes, mas mexem!

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