Fim do ensino gratuito?

Quando estava pesquisando sobre mestrado no exterior e achei a Finlândia, um dos principais motivos de querer vir para cá foi justamente o fato de o ensino ser gratuito, afinal, não teria condições de pagar em euros para estudar aqui e ainda arcar com todas as despesas de custo de vida.

A Finlândia era um país muito pobre e o ensino foi uma forma que o governo encontrou de fazer o país se desenvolver e ser o que é hoje – ou que era. Infelizmente, o país está em recessão e o governo está vendo onde vai cortar o quê para tentar fazer a situação ficar “menos pior” e a educação está no meio disso.

As inscrições para iniciar o mestrado no segundo semestre de 2016 estão abertas desde o dia 15/12 (e vão até dia 30/01/16) e enquanto no ano passado eu não precisei pagar nada para me inscrever, a partir deste ano todos os candidatos que possuem diploma de ensino superior de fora da Comunidade Europeia, já precisam pagar 100 euros para realizarem a inscrição, mas ainda poderão estudar gratuitamente em 2016. O problema é que na última terça-feira, o parlamento finlandês votou a favor de cobrar uma taxa anual de pelo menos 1500 euros para alunos de fora da União Europeia que realizarão seus estudos em inglês no país – alunos de doutorado e pesquisadores estão fora dessa cobrança, que provavelmente começará em 2017. Como em todo país que cobra taxas de alunos, as universidades passarão a oferecer bolsas de estudos, algo que hoje não existe justamente porque o ensino é gratuito. Todas estas informações foram retiradas daqui (em inglês).

É claro que não há uma solução nisso, pois é justamente o oposto do ideal finlandês de garantir direitos iguais a todos e acesso livre a educação. O primeiro passo pode ser cobrar de alunos não europeus, em seguida de todos os estrangeiros e por fim, pode chegar a cobrança do ensino para os próprios finlandeses. Além disso, a Finlândia não está nem perto de ser o país mais atrativo da Europa para estrangeiros – aqui é longe de tudo, o clima não é nada convidativo e o custo de vida é altíssimo se comparado com outros países europeus (é o quarto país mais caro da União Europeia) e com a cobrança de taxas anuais, certamente os estudantes que considerariam vir para cá ou terão que desistir por não terem condições financeiras ou escolherão países com custo de vida menor e clima mais atraente.

Alunos e professores das universidades, em sua maioria, não apoiam esta cobrança e uma professora minha disse que até preferiria pagar mais impostos do que ter cortes na educação ou passarem a cobrar.

Esta novela ainda está rolando e 2016 vai ser decisivo.

Faculdade de Educação da Universidade de Oulu
Faculdade de Educação da Universidade de Oulu
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8 comentários sobre “Fim do ensino gratuito?

  1. Pela conversa que venho tendo com diversos europeus por aqui, a sensação que tenho é que crise e recessão são palavras comuns em praticamente todos os países (sem falar na questão do Brasil). A coisa tá feia pra todo lado…
    Não sei se tô muito lesado ou se não ficou muito claro, mas a princípio essa mudança não te afeta, certo?

    1. Bia

      Não, não me afeta. Mesmo que eu resolva fazer doutorado por aqui (0,0001% de chance), a cobrança se estenderia até o mestrado e doutorado ainda continuaria gratuito.

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