Bancos na Finlândia – Parte 1

Eu já tive conta bancária em 4 diferentes bancos no Brasil, então sei que há lá suas diferenças entre um banco e outro. Atualmente tenho conta naquele banco que diz ser 30h e acho muito fácil fazer tudo que preciso, especialmente usar internet banking. Meu único problema até hoje foi com o despreparo dos funcionários da agência, mas como só vou em agência em último caso e agora nem no Brasil estou, isso é irrelevante. Já tive conta também naquele banco mais famoso para financiamentos de imóvel e naquele outro com o nome bem brasileiro e sofri com a complicação de usar internet banking com eles, mas enfim, a opção existia.

Nos EUA, lembro que tudo era muito simples também, porém achava o sistema um pouco ultrapassado se comparado com os bancos brasileiros. Na Irlanda, tem toda a burocracia de abrir conta, a questão de um extrato bancário não ter seu nome e aquele negócio de fazer depósito e receber comprovante com assinatura do caixa, mas a coisa acabava fluindo no final.

Aí eu vim pra Finlândia, aquele país de primeiro mundo altamente desenvolvido. Um país nórdico que é referência em educação no mundo, onde quase não há diferença de classes sociais e a qualidade de vida é tão alta quanto seus custos. Um país que está testando minha paciência com seu sistema bancário!

Há algumas opções de banco por aqui, porém os maiores são Danske Bank, OP Pankkii e Nordea. O Danske Bank não é muito popular entre estudantes e uma amiga ao ir lá perguntar sobre abertura de conta foi informada que eles não estavam mais aceitando clientes que não tivessem passaporte europeu. Claro que as coisas aqui na Finlândia nunca são definitivas – o lema aqui é “se ouviu um não hoje, volte amanhã“, mas ouvir uma resposta desta de um banco só me traz uma palavra na cabeça: xenofobia.

Eu cheguei em Oulu numa sexta e na segunda-feira seguinte abri minha conta no OP Pankki simplesmente porque eu precisava de uma conta para pagar meu aluguel que vence todo 5º dia útil e nas minhas pesquisas iniciais, não havia visto muito diferença entre ele e o Nordea, um banco muito popular entre estudantes. Um tempo depois vi que o OP não era a melhor opção e abri minha conta no Nordea. O restante do post é sobre minha experiência com estes bancos.

OP Pankki

Cheguei no banco, peguei uma senha e pude abrir minha conta na hora. O banco é muito chique com agência estilo aquelas que a gente vê quando tem a versão ryca mais chique de conta no Brasil (Uniclass, Estilo etc).

E esse é pra cliente povão, tipo eu.
E esse é pra cliente povão, tipo eu.

O processo foi todo muito simples, apesar de eu ter achado uma sacanagenzinha ter que assinar um documento em finlandês e receber outros documentos também no idioma em casa. Basicamente, assinei sem saber o que estava escrito de fato. O banco tinha vantagens para clientes até 26 anos – não preciso dizer que já passei dessa idade, preciso? Como eu não tinha mais tais benefícios, me cobrariam 2 euros por mês para ter cartão de débito – e eu, inocente, achando que isso era básico. As demais taxas eram as mesmas, e quando eu falo “taxas”, acreditem, não são poucas.

Quer fazer um depósito no caixa? Pague 7 euros por boleto. Ok, então faça sozinho no caixa eletrônico. Aí é 2 euros. Quer um extrato impresso? 1 euro. Ah não, quero só checar os últimos lançamentos na tela mesmo. 40 centavos. Sim, eu fiquei chocada quando descobri que o banco me cobrava 40 centavos só para VER meu saldo na tela – e por 30 segundos, aí some. E quando eu digo “tela”, não imagine aquele tela linda, moderna, visualmente bonita e descolada dos caixas brasileiros. Pense nisso:

Diretamente dos anos 80.
Diretamente dos anos 80. Números fictícios.

Mas bem, taxas não podemos evitar, então é só aceitar que dói menos. Mas tem mais.

Eu não tenho direito a internet banking simplesmente porque eu não tenho o tal do Finnish ID. Não basta ter meu passaporte, meu Resident Permit, um cartão emitido pela Finlândia com minha foto, minha assinatura, o número do que seria meu RG finlandês e meu equivalente ao CPF, o social security number. Não, todos estes dados precisam estar no Finnish ID! Resumindo: eu tenho todos os números que eles precisam para me dar internet banking, mas como eles não estão no cartão que eles querem, não posso ter o serviço. E por que tudo isso? Da parte do banco, o problema é que eles precisam ter certeza absoluta que eu sou eu antes de me deixar fazer transações online e, por algum motivo, meu passaporte com chip não basta e meu CPF finlandês emitido pelo país deles não basta também. Da minha parte, eu não vou pagar 55 fucking euros pra ter um cartão com números e foto e assinatura que eu já tenho em outro cartão. E, assim, resolvi que viveria sem internet banking, old school mesmo, como no tempo dos meus pais.

Aí chegou o dia que precisei fazer compras pela internet e na Europa existe um sistema chamado Verified by Visa. É uma segurança extra da bandeira Visa, que nada mais é que uma senha que você precisa digitar ao finalizar a compra. E como o OP cadastra sua senha pra Visa? No internet banking. Eu tenho isso? Não.

Fui ao banco explicar o problema todo e perguntar se tinha como eles me darem a senha na agência, já que online não ia rolar. Resposta: não, só online mesmo. Te vira.

Como eu já havia aberto minha conta no outro banco e vendo a total inutilidade do OP, achei melhor fechar a conta logo e ter um motivo a menos para me estressar aqui. O OP fecha às 16h30 e no dia, cheguei ao banco às 15h45. Como toda vez que vou ao banco, passei pela triagem primeiro para ser direcionada pela funcionária. Como eu tinha dinheiro na conta – a ryca – e não queria pagar 6 euros para transferi-lo para o outro banco, a funcionária mandou eu ir nos caixas sacar o dinheiro e já fechar a conta lá. Lá vou eu pegar senha e aguardar para ouvir da funcionária que não, não era lá que eu tinha que ir, pois eu precisava pagar as taxas de conta primeiro e assinar os documentos para fechamento e só depois, ir lá sacar o dinheiro. Lá vou eu com outra senha aguardar uns 20 minutos até ser chamada. Informei a funcionária que queria o dinheiro em espécie, pois não era obrigada queria a pagar abusivos 6 euros por uma transferência.

“Você poderia voltar amanhã, então? Já passou das 16h30 e os caixas estão trancados, eu não posso pegar mais dinheiro lá.”
“Compreendo, mas eu cheguei no banco às 15h45 e realmente não é minha culpa se vocês demoraram tanto para me atender.”
“Entendo. Então vamos precisar fazer uma transferência.”
“Se o banco não me cobrar nada por isso, não tem problema. Afinal, eu cheguei aqui com tempo para ser atendida e tal.”
“Sim, sem problema, vou fazer a transferência sem a cobrança por causa do horário.”

Os finlandeses têm um sério problema em dizer não, isso é fato. Se você ouvir um não, tente outra vez e poderá ouvir um sim se a situação for contornável. Não que eu tenha me aproveitado disso, eu teria feito exatamente a mesma coisa no Brasil, a diferença é que lá o gerente ia fazer cara de pastel pra mim e dizer que o sistema não permitia tal procedimento e ou ia ter que pagar mesmo – porque ninguém ligaria que não era culpa minha – ou voltaria depois.

Novamente assinei documentos em finlandês sem saber o que estava escrito, as taxas referentes a pagamento de boletos e cartão de débito foram descontadas, meu dinheiro transferido e eu me livrei de um banco completamente inútil pra mim.

E como o post está enorme, meu caso com o Nordea fica pro próximo!

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10 comentários sobre “Bancos na Finlândia – Parte 1

  1. Que horroooor! Quanta taxa, minhanossinhora! Quando a fama do país parece boa demais pra ser verdade, é porque tem uma parte obscura da história que ninguém conta… Hahaha, espero que seus problemas bancários já tenham sido resolvidos com o outro banco! Esperando pelo próximo post 🙂

  2. O sistema bancário brasileiro está a anos-luz dos bancos de outras nacionalidades. A evolução se deu por causa da diversidade de falcatruas que os bancos sofreram ao longo dos anos.

    Temos lá nossas vantagens rs

  3. 40 cents pra ver o extrato NA TELA??? NA TELA???
    A eficiência dos bancos no Brasil é indiscutível e, ainda que volta e meia tenhamos problemas, eles não chegam nem perto do que se encontra aí ou aqui, por exemplo. O problema é só que normalmente pagamos pela manutenção da conta (e não por serviços individuais), daí muita gente tem a impressão de que muita coisa “é de graça” quando não é.

    Espero que tenha mais sorte com o outro banco!

    1. Bia

      Mas mesmo pagando pela manutenção de conta, ainda há a opção de não pagar se você usa pouca coisa. Eu não pago nada pela manutenção da minha conta no Brasil, porque eu não uso tanto e estou dentro do perfil (pobre) que se satisfaz com o básico que essa opção oferece. E ainda assim posso usar internet banking, cartão de débito, fazer pagamentos, transferência, saques e tirar extratos.

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