Vida social em Oulu

A vida aqui ainda está longe de virar uma rotina e sempre tem algo para fazer, ver, conhecer, experimentar! Nos meus primeiros dias estava sempre muito ocupada com todo o processo de virar uma mestranda e resolver as pequenas burocracias, além, claro, de me achar num país novo. Entre uma obrigação e outra e o início das aulas, sempre aparecia um convite para fazer algo, uma sugestão de passeio ou um motivo para ir ao centro da cidade (que fica a 6km da minha casa). A sensação é que os dias são muito curtos para dar conta de tudo e apesar de este ser o 9º post no blog desde que pisei em terras finlandesas, sinto que não pude me dedicar muito ao meu Fabuloso Destino levando em consideração o tanto de coisa que já fiz por aqui. Por isso, neste post eu vou resumir minha vida social deste primeiro mês ou, se preferir, contar sobre os rolês que fiz nesse lugar que já roubou meu coração (espero que o inverno não cause nenhum mal-estar entre nós, Oulu).

Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.
Todas as ruas da cidade são assim, com exceção do centro.

Meu primeiro final de semana foi mais num esquema “vamos explorar”. Fiz um tour pela faculdade com o kummi de uma amiga, depois tive minha primeira aventura tentando descobrir o que era o que no mercado (ai, finlandês) e fui conhecer um dos rios que ficam próximos a universidade, o Pyykösjarvi. terminei o dia assistindo um belo por-do-sol do terraço do meu prédio e no dia seguinte, tudo que fiz foi conhecer uma loja de itens usados atrás de uma bicicleta – e andei 6km entre ir e voltar, porque não gostei de nenhuma bike.

Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)
Meu primeiro por-do-sol em Oulu (porque no primeiro dia só choveu e nada de sol)

Na minha primeira semana ainda, ao voltar do centro acabei encontrando uma “praia” no meio do caminho. Oulu é uma cidade “praiana”, já que é banhada pelo Mar Báltico, mas no caso era só um rio mesmo que parecia praia. Foi uma ótima surpresa, o dia estava lindo e ficamos para apreciar e tirar umas fotos.

Foto manjada... mimimi...
Foto manjada… mimimi…

Como contei no último post, já conheci 1/3 dos brasileiros que moram aqui e no segundo final de semana em Oulu fui convidada para comer esfiha na casa de um deles com toda a brasileirada da região e uma finlandesa que falava português. Eu ainda não estava com vontade de comer comida “brasileira” – esfiha está inserida na nossa culinária, mas não é brasileira -, mas não ia recusar um convite destes e foi muito bom falar português (e olha que nem estou aqui há tanto tempo, mas sério, enche o saco falar inglês o dia todo – que meus ex-alunos jamais leiam isso). No dia seguinte, os tutores do meu curso promoveram o “EdGlo International Dinner”! A ideia era juntar os alunos de todos os anos de mestrado (incluindo os que já haviam terminado, mas ainda estavam por aqui) e cada um deveria levar um prato tradicional do seu país. Eu amei a ideia e dou um brigadeiro para quem adivinhar o que fiz! Ops!

Brigadeiro
Brigadeiro

Foi a segunda vez na vida que fiz brigadeiro para enrolar e deu certo. Aliás, tudo que tenho tentado cozinhar aqui está dando muito certo e estou realmente gostando de ir para cozinha. Adoraram meus brigadeiros e eu adorei tudo que tinha lá!

Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?
Me acabando nos doces! Preciso dizer que tem um belga na minha turma?

Comi até dizer chega e me socializei com meus classmates, o que foi muito interessante.

Na segunda semana aqui foi uma série de pequenos eventos. Fui ao discurso inicial do reitor para alunos internacionais – para ser sincera, cheguei atrasada, perdi o discurso, mas deu tempo de pegar o buffet (vou engordar 10kg desse jeito, tudo aqui envolve comida). Depois resolvi ir na suposta super festa de início do ano letivo, a Vulcanalia. Ouvi falarem tanto que resolvi ir para ver como era… ai, gente! Foi num lugar aberto (fazendo 10 graus a noite e resolvem fazer festa em lugar aberto… oi, finlandeses?), o palco era minúsculo e enfim, gente, a coisa mais sem graça do mundo e olha que não faço nem um pouco o estilo baladeira para dizer que preciso de muito para me empolgar.

Da hora. SQN.
Da hora. SQN.

No final de semana seguinte, fui conhecer uma sauna no rio com alguns classmates. A sauna faz parte da cultura finlandesa, mas esta é um pouco diferente. É uma sauna flutuante perto da margem de um rio. A ideia é que você vai aproveitar a sauna – que estava uma delícia – e depois vai mergulhar no rio gelado. Dizem que depois da sauna quente o ideal é mesmo tomar um banho frio por alguns segundos e como seu corpo está quente, não sente a água tão fria… nos primeiros 30 segundos. Custa 4 euros e você pode ficar o tempo quiser, mas por motivos óbvios, só funciona no verão.

A sauna flutuante
A sauna flutuante

No dia seguinte rolou um picnic numa praia – desta vez, praia de verdade, a Nallikari. Alguns amigos entraram na água gelada, mas eu só fiquei observando. Mesmo com um belo dia de sol e temperatura na casa dos 19 graus, eu achei que ficaria melhor sequinha na areia. Ah, estávamos todos de roupa, bikini não era pra tanto.

Nallikari
Nallikari

Num dia desses houve uma tentativa de ver a Aurora Boreal. Fomos para a beira de um rio fazer um picnic (mais comida) enquanto esperávamos a aurora, porém a visão não foi das melhores. Neste site aqui é possível ver a previsão de quão visível a aurora estará, porém para vê-la bem é preciso ir para um lugar bem escuro. Talvez o lugar escolhido não fosse o melhor e tudo que vi foram manchas esverdeadas no céu que minha câmera não conseguiu captar. Outras chances virão, mas alguns colegas conseguiram ver uma linda aurora na mesma praia do picnic e eu morri de inveja!

Foto tirada por um dos meu colegas de turma.
Foto tirada por um dos meus colegas de turma.

Meu aniversário chegou e minhas amigas fizeram um jantar surpresa para mim, o que me deixou muito feliz porque nos conhecemos há menos de um mês e elas já tentaram me fazer sentir em casa com uma demonstração de carinho. ❤

Ganhei um "bolo de cookies"
Ganhei um “bolo de cookies”

Seguindo com a programação, uma das brasileiras fez aniversário e resolveu fazer uma festa cheia de esfiha e bolo prestígio – só como aqui! Conheci outras pessoas bacanas na festa e acabou sendo uma noite muito agradável.

Toda semana acontece uma reunião do Couch Surf aqui. Para quem nunca ouviu falar, Couch Surf é aquele site que a pessoa oferece a casa dela de graça para uma viajante e o viajante procura um sofá para dormir. A ideia é a troca cultural. Bem, o que não contei para vocês é que quando vim pra cá meu aluguel começava em 1º de setembro e eu ia chegar 4 dias antes. Em Oulu não tem hostel e os hotéis estavam com precinhos nada camaradas pro meu bolso, então procurei um host no Couch Surf e um finlandês topou me receber. No final das contas, o PSOAS topou me entregar a chave antes e não precisei mais do Couch Surf, porém, querendo ser uma boa hóspede, eu já havia perguntado pro meu host se ele queria algo do Brasil (ele já foi pra lá e fala um pouco de português) e ele pediu Guaraná. Como ele é um dos organizadores do Couch Surf e tal, me convidou para ir e topei para entregar o pedido dele. A reunião é bem interessante, você conhece gente de todo lugar e pelo próprio contexto, conhece pessoas que estão abertas a amizades e trocas culturais. Pretendo ir mais vezes.

Finalmente chegamos a última semana de setembro!

Uma das minhas professoras que estava dando aula de Cultura Finlandesa resolveu terminar o curso (sim, eu já conclui um curso) com um jantar na casa dela (comida de novo). Foi um noite muito agradável com professores e colegas de turma! Ela tem um filho de 2 anos que é a coisa mais linda do mundo, gente! Depois do jantar fomos para a casa de uma colega para uma noite de jogos! Diversão e mais comida!

No dia seguinte, fui colher berries e tirar fotos dos cogumelos que não param de crescer aqui em Oulu – a maioria deles é venenoso e crescem nas calçadas! Terminei a noite com churrasco com os brasileiros (povo que come, né?) e bom, chego ao fim deste post enorme sobre minha agitada vida social neste primeiro mês aqui!

Colhendo berries!
Colhendo berries!

 

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5 comentários sobre “Vida social em Oulu

  1. Você quis dizer: comida (procurando esse post no Google).
    Muito legal buscar interagir e fugir do efeito-concha que citei antes. Ele se consiste naqueles primeiros momentos do intercambista de não saber o que fazer e como se relacionar no novo lugar, e acaba vivendo (dias, semanas meses) numa grande reclusão.
    Definitivamente não foi o seu caso! Desejo ainda mais diversão (e comida) pra você!

  2. Beatriz

    Oi, Bia!
    Eu queria saber mais sobre o aspecto acadêmico do seu mestrado. Eu li um pouco em alguns posts antigos que você é formada em Letras. Eu faço Ciências Sociais na UnB, com habilitação em Antropologia, mas é bem provável que eu tire dupla habilitação em licenciatura também (no caso, para dar aula de sociologia). Meu sonho é ser professora e pesquisadora. Você acha proveitoso academicamente esse mestrado na Universidade de Oulu? Você tá fazendo o mestrado em educação e globalização, né? Eu queria muito fazer um mestrado em Antropologia, porque eu me interesso muito por esse campo, mas eu acho que a vivência no exterior, junto com um mestrado nesse tema, poderia me tornar uma antropóloga mais sensível e uma professora mais competente. O que você acha?
    E sobre a questão de se manter na Noruega, como você está fazendo? Porque o programa não oferece bolsas. Seria possível conseguir alguma espécie de financiamento no Brasil? Você acha que nos próximos dois anos é muito provável o programa continuar de graça?

    1. Bia

      Oi, Beatriz (Bia?)!
      É um pouco cedo para tirar conclusões sobre o mestrado, pois comecei há pouco mais de um mês e nem estou trabalhando na minha tese ainda.
      Eu concordo com você sobre o mestrado no exterior contribuir muito para o crescimento profissional e pessoal e com certeza recomendo.
      Eu estou na Finlândia, não na Noruega… hehe… Como o ensino é gratuito, a universidade não dá bolsa e nenhuma das instituições brasileiras que dão bolsas de estudos oferecem para mestrado no exterior… o que pesquisei é que eles consideram que o Brasil tem plenas condições de oferecer bons cursos de mestrados, portanto, não há necessidade de ir ao exterior. Eu estou me bancando com minhas economias… sei que não é fácil e o euro tá nas alturas, mas são os sacrifícios necessários.
      Sobre o ensino continuar sendo gratuito ainda é incerto. A partir deste ano vão cobrar 100 euros de taxa de inscrição, dinheiro que eu não precisei pagar no ano passado. Como o país está em recessão e está havendo cortes na educação, passar a cobrar o ensino de alunos estrangeiros pode acabar virando realidade, mas não há nada decidido ainda.
      Obrigada pelo comentário!

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