Are we there yet?

Eu levei 37 horas do momento que saí da minha casa em São Paulo até o momento que cheguei na minha agora casa em Oulu. E a viagem, apesar disso, não me apareceu tão eterna quanto achei que seria. Talvez eu esteja me acostumando com essa história de viajar longas distâncias. Que bom, porque farei todo caminho de volta ao Brasil um dia desses.

Antes de tudo, gostaria de dizer que estou muito orgulhosa de mim, pois consegui ir viajar levando apenas uma mala grande e uma pequena, além da minha mochila, claro. Só para efeitos de comparação, eu levei essas duas malas para Irlanda e ainda outra de tamanho médio. Tive que ser bem seletiva na escolha de roupas e acabei deixando praticamente todas as minhas blusinhas leve de verão por razões óbvias, além de sapatilhas e outras coisas que achei que não usaria aqui na maior parte do inverno. E do verão também.

Check-in feito em Guarulhos, lágrimas rolando de leve e embarquei para esse mundo desconhecido. As dúvidas eram muitas! Quando fui para a Irlanda achei milhares de blogs com informações sobre quase tudo, com a Finlândia não foi o caso e o pouco que achei feito por brasileiros era basicamente sobre Helsinque. Se um dia eu saí da minha zona de conforto, o dia que vim para cá foi ele!

#partiu Finlândia
#partiu Finlândia

O voo até Amsterdã foi tranquilo até demais. Tinha um casal europeu de meia-idade do meu lado no avião que ficaram o tempo todo dormindo ou vendo filme. Entrei no avião já cansada e pesquei várias vezes enquanto assistia O grande hotel Budapeste. Estranhei as opções de jantar – peixe ou carne – já que geralmente oferecem massa e acabei me dando um banho de suco de laranja ao derramar o copo no meu colo. Realmente foi muito bom passar o resto do voo cheirando a cachorro molhado de suco.

Graças a minha venda eu consegui dormir bastante no avião! Nunca imaginei que uma venda confortável poderia fazer tal milagre, mas aconteceu. Claro que acordava de hora em hora para mudar de posição (isso é possível na classe econômica?), mas no geral, foi tudo bem.

Foi servido um café bem reforçado com a ironia da comissária de bordo de acompanhamento. Ela não me disse as opções de bebida, só perguntou o que eu queria e eu perguntei o que tinha. Muito ironicamente, ela me disse “as opções normais de café da manhã: chá, café e suco”, ao que minha vontade era de responder “eu não sirvo café todo dia na KLM, não preciso saber as opções e pra mim, chocolate quente é uma opção normal de café da manhã”, mas como eu sou do tipo que só pensa e não fala, pedi o suco de laranja mesmo.

Na última vez que voei de KLM serviram sanduíches e sorvete entre uma refeição e outras, mas neste eu não sei dizer se serviram, já que eu dormi. Acredito que não, pois o voo anterior era durante o dia e este último, de madrugada. Enfim, apesar da comissária irônica, ainda acho KLM uma boa opção de companhia aérea.

Chegando em Amsterdã precisei passar novamente pela segurança do aeroporto e é claro que eu esqueci de tirar meu xarope da mochila (saí do Brasil com uma baita tosse alérgica) e é claro que o segurança me barrou e quis revistar minha mala. Eu não me atentei ao fato de que passaria pela imigração ainda na Holanda, pois estava chegando num voo de fora da Europa. Por conta disso, eu estava falando com o oficial como quem está jogando conversa fora. Dei meu passaporte e ele me perguntou qual era meu destino final. Perguntou o que eu ia fazer lá. Aí quis saber se eu já tinha o visto. Veja que para todas estas perguntas eu estava monossilábica e só fazendo o que ele pedia – ele não pediu o visto, eu não dei. Finamente, ele queria saber onde estava o visto, mostrei e passei. Por conta disso, não passei pela imigração quando cheguei na terra do Papai Noel. Visto finlandês no passaporte agora só quando sair do país e olha lá, vai depender do meu destino!

No aeroporto encontrei a A., que também foi aceita no mestrado na Faculdade de Educação, porém num outro curso. Nos conhecemos por acaso no Facebook e descobrimos que estávamos no mesmo voo de Amsterdã para Helsinque. Conversamos um pouco enquanto aguardávamos nosso voo lá no portão C15 como estava tanto na minha passagem quanto na dela. Aí de repente eles mudam para o portão D74 e tivemos que sair correndo para pegar o avião. O Schiphol é enorme e levamos quase 15 minutos para de um portão a outro. Ou seja, tentem acertar o portão da próxima vez. Brigada eu.

A viagem do Brasil a Holanda durou 11h, eu fiquei umas 2h30 no aeroporto e o voo para Finlândia durou pouco menos de 2h. Eu só esperei servirem o lanchinho – gente, desculpa, sei que pareço morta de fome narrando essas coisas no blog, mas eu não vou perder lanchinho sem saber quando ia comer de novo, né? – e capotei o resto da viagem.

A chegada em Helsinque não foi tão glamurosa quanto imaginei. O aeroporto é bem pequeno, apesar de ser o mais movimentado do país, e quando vi, já estava na rua. Aí lá estava eu com duas malas num carrinho sabendo que ficaria por lá horas e horas. A A., que é da Indonésia, preferiu chegar em Oulu de avião e 3h depois ela me deixou all by myself no aeroporto. Eu não tinha muito o que ver ou fazer e já havia me informado sobre a estação de trem onde deveria embarcar. Eu não queria dormir no aeroporto cheia de mala, então aproveitei que tinha wifi free e ilimitado, e me distrai o resto da noite com isso.

O aeroporto fantasma
O aeroporto fantasma

Comprei um lanche do Burger King porque a fome já estava no seu limite e o combo mais barato custou 6,50 euros. Depois disso que descobri que tem um mercado 24h dentro do aeroporto e poderia ter comido por menos, mas esta é a vida: a gente se ferra primeiro para depois ver que poderia ter sido diferente. Quando já estava dando 6h da manhã e resolvi ir pegar o ônibus do aeroporto que faz a ligação até a estação, descubro que a alça de puxar da minha mala pequena havia sido quebrada. Agradeço do fundo do meu coração a todos os funcionários dos aeroportos de Guarulhos, Amsterdã e Helsinque por este evento que dificultou muito a minha vida de mulher de pequeno porte viajando sozinha com duas malas e uma mochila. É realmente difícil mensurar como minha viagem até Oulu teria sido mais fácil sendo capaz de puxar a malas ao invés de carregá-la. Vocês são demais! Beijo!

Minha sorte é que um casal de meia-idade viu minha dificuldade de por uma mala grande dentro do ônibus e o homem me ajudou. Quando desembarcamos, ele veio me ajudar novamente e fez um comentário óbvio: “pesada sua mala, né?”. Aí eu precisei me defender: “tô vindo do Brasil pra fazer mestrado aqui, precisei trazer muita coisa.” Aí começamos a conversar e ele me ajudou até a estação que eu deveria descer para pegar o trem para Oulu.

Aí chego na estação e preciso procurar de onde sai meu trem e está tudo em finlandês. Só olhei a minha volta e procurei qualquer painel onde estivesse escrito Oulu e um número. Peguei o trem e achei que iria tirar o atraso do sono nas pouco mais de 6 horas de viagem, mas quem disse? A poltrona era muito desconfortável para dormir, estava muito claro e enfim, eu tentei o quanto pude, mas dormi pouquíssimo. Quando cheguei, tive uma notícia boa e outra ruim. A boa é que meu tutor realmente estava lá para me esperar com a chave do meu quarto. A ruim é que estava chovendo.

Pegamos o ônibus, caríssimo por sinal (3,30 euros)  e viemos direto para o universidade. Andamos uns 10 minutos do ponto até o prédio debaixo de chuva. Cheguei com o cabelo pigando, o óculos todo embaçado e as malas molhadas, claro. Não consigo imaginar numa recepção melhor que essa, Oulu. Francamente, nem Dublin me recebeu assim!

E essas foram as 37h dessa viagem até o ponto mais ao norte que já estive.

Aeroporto de Helsinque
Aeroporto de Helsinque
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6 comentários sobre “Are we there yet?

  1. Ufa! Confesso que me deu um cansaço quando vi que depois de toda essa viagem, ainda tinha 6h de ônibus pela frente… hahaha. Pena que a sua recepção na cidade foi meio cabulosa, mas espero que as coisas já estejam se ajeitando melhor! Boa sorte na vida nova!!!

  2. Cely

    Ei, Bia!!!
    Estava esperando o primeiro post e ele não me decepcionou!!!!
    Já esperava muitos acontecimentos sombrios!!!
    Afinal, que longa viagem não dá um trabalhão ein???
    Boa sorte aí!
    Que tudo corra na medida de suas expectativas!

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