Acomodação, depósito e amigos

Bia e sua lista se preparando para ir morar na Finlândia como mestranda:
– Passar no mestrado ✓
– Comprar um seguro saúde ✓
– Confirmar matrícula ✓
– Solicitar visto ✓
– Comprar passagem ✓
– Ter um lugar quentinho para se proteger do inverno de -35 graus…

Assim que soube que havia passado no mestrado me cadastrei no PSOAS, uma organização que ajuda estudantes a encontrar moradia barata. A sigla PSOAS significa, em finlandês, algo como “acomodação estudantil do norte da Finlândia”, ou Pohjois-Suomen opiskelija-asuntosäätiö e faz todo o papel de agente imobiliário para estudantes. O bom é que eu me senti muito segura em todo processo por saber que estava tratando com uma organização séria e bem conhecida. O PSOAS funciona da seguinte forma:

– O estudante wannabe se inscreve no site e seleciona algumas opções da moradia, como o bairro, faixa de valor do aluguel, tipo de moradia e início/ fim do contrato, informações estas que são completamente ignoradas na hora de te oferecem um quarto.
– O critério de seleção é exclusivamente ordem de cadastro: quanto mais cedo você se cadastrar, maiores são suas chances de conseguir uma vaga boa, ou uma vaga, pelo menos.
– Quando eles acham um quarto para você, te enviam um email com os dados do local, mapa do apartamento, um boleto bancário para pagamento de depósito e pedindo que você confirme se quer a vaga ou não e pague por ela em até 3 dias úteis.

Eu fiz o cadastro um ou dois dias depois de receber o resultado. E aguardei. Aguardei. Aguardei. Nos grupos de Facebook de novos alunos da universidade já via pessoas dizendo que tinham recebido uma oferta do PSOAS e eu nada. Dois meses depois do cadastro, eu ainda aguardava e comecei a ficar preocupada – porque todo mundo sabe que preocupação muda a situação, né? Eu sabia que o cadastro ficava válido por 90 dias no site e depois deste prazo, o sistema o exclua automaticamente e era necessário refazê-lo. Eu já tinha metido na cabeça que tinha feito algo errado enquanto me cadastrava e fiz um novo cadastro. Aí veio o medo: e se o segundo cadastro anulasse o primeiro e eu fosse para o fim da fila?! Preocupação, vamos ali conversar que eu não estou mais conseguindo dormir.

No dia 9 de julho, FERIADO EM SÃO PAULO, eu recebi o email com a oferta! *pulinhos de alegria e suspiros de alívio* Como eles me enviaram uma vaga num lugar X que eu não havia selecionado, consultei os kummi – alunos tutores – sobre o local e me informaram que ficava a menos de 1km do prédio do curso  e havia mercados a menos de 5 minutos a pé, o que era excelente, especialmente no inverno. Respondi o email confirmando que queria a vaga. O prazo para realizar o pagamento era dia 13 de julho, a segunda-feira seguinte.

Curti meu feriado, uma quinta-feira, já que não poderia fazer nada neste dia com todos os bancos e afins fechados, e no dia seguinte iria ao banco fazer isto. Ou era o que eu achava.

Por ser uma transferência internacional, imaginei que isso só poderia ser feito no banco, mas tudo que fiz foi perder tempo e paciência lá. O gerente simplesmente não fazia ideia do que eu estava falando quando mostrei o boleto e os dados bancários para depósito! O boleto levei só por levar, pois havia notado que o formato era bem diferente dos nossos boletos… só que isso o fez me garantir que eu deveria ir ao caixa fazer o pagamento. Achei estranho e o questionei, mas ele afirmou que eu deveria ir lá e que se por acaso não desse certo, deveria voltar para falar com ele. Eu fiquei meia hora na fila e quando fui atendida, outro funcionário que não fazia ideia do que eu estava falando apenas me disse que no caixa ele só poderia fazer pagamentos nacionais com código barras e era para eu voltar com o gerente. Eu posso parecer uma pessoa muito calma e paciente, mas no fundo eu tenho um leão dentro de mim que surge em situações como esta e voltei para o gerente com vontade de dar uma voadora nele por ter me feito ficar meia hora numa fila por pura incompetência em não tentar buscar informação para me ajudar. Aí, quando voltei, ele fez o que deveria ter feito desde o começo: ligou na central de câmbio do banco e me informou que eu deveria fazer toda a transação online. Vejam que o problema não é a pessoa não saber como proceder nesta situação, afinal, imagino que numa agência de bairro como aquela nunca deva ter aparecido ninguém querendo fazer essa operação, o problema é a pessoa não ser pró-ativa e perguntar para quem sabe desde o começo.

Voltei para casa, entrei no bankline e fiz a transação. Descobri que enviar dinheiro para fora do país por intermédio de bancos é complicadíssimo, pois você precisa provar o motivo da operação. Eu escolhi “aluguel” e anexei o contrato que o PSOAS tinha me enviado como prova do motivo de enviar O MEU DINHEIRO QUE GANHEI COM O SUOR DO MEU TRABALHO para o exterior.

No meio da tarde recebo um email do banco informando que havia um problema com a minha operação e deveria contatá-los. Eu estava no centro da cidade fazendo atividades culturais – porque eu não sou apenas um rostinho bonito – e precisei parar tudo para ver isso. Encurtando a história toda, eles não aceitaram meu contrato de aluguel porque ele não estava assinado  e, pacientemente, expliquei que como o pagamento era referente ao que chamamos de “seguro-fiança”, ou seja, uma garantia que eu realmente queria a vaga, não haveria contrato até este valor ser creditado na conta deles – sem dinheiro na conta do PSOAS, sem assinatura de contrato. Mas sem assinatura de contrato, sem envio de dinheiro. Fui até a agência mais próxima ver se pessoalmente poderia resolver isto. Desta vez, o funcionário pelo menos sabia do que eu estava falando e me orientou a enviar um email a central de câmbio relatando tudo isso pra ver se o banco abriria uma exceção. Isso era uma sexta-feira, final de expediente. Não poderia fazer mais nada e tinha um final de semana inteiro pela frente. É óbvio que perdi o sono de preocupação e medo de perder a vaga por conta da burocracia.

No final de semana pesquisei todas as maneiras possíveis de enviar dinheiro, mas até então, nenhuma das possibilidades pesquisadas online me davam a opção de depósito em conta, a única maneira que o PSOAS aceitava.

Segunda-feira de manhã, movida pelo desespero, mandei uma mensagem para o Rick pedindo PELAMORDEDEUS me ajuda! Estando na Europa, o Rick poderia facilmente fazer uma transferência para lá e salvar minha vida – ou no caso, apenas minha vaga mesmo. Ele, lindo do jeito que é, fez a transferência e pude enviar o comprovante para o PSOAS, que dois dias depois confirmou o recebimento do depósito e minha vaga. Eu me acertei com o Rick depois, só para deixar claro! 😉

Moral da história: jamais tente enviar dinheiro para fora do Brasil usando um banco! Eles cobram as piores taxas em tudo, precisam do motivo e comprovação do envio do dinheiro (exigência do Banco Central) e dependendo do caso, você ainda paga imposto de renda. Eu entendo que parte da burocracia é para impedir envios irregulares de dinheiro para o exterior, mas no fim fica parecendo missão impossível concluir a operação!

Off: eu já fiz muita pesquisa sobre envio de dinheiro do Brasil para o exterior e futuramente escreverei um post sobre isso.

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7 comentários sobre “Acomodação, depósito e amigos

  1. Infelizmente o Brasil passou por um momento de libertinagem econômica de tal maneira que a burocracia foi criada para evitar os excessos. O problema é que a burocracia se tornou ela mesmo em um excesso e hoje temos os entraves que temos em diversas áreas da vida de um brasileiro.

    Bancos? São as piores instituições para se lidar. Banco + dinheiro? Morte na certa. Ainda bem que teve um amigo para dar uma força porque se fosse depender do tal banco você teria perdido a vaga

  2. Cely

    Bia!!!
    Qdo fui fazer o curso em Dublin, precisei efetuar o pagamento do curso via transferência bancária! Fiz pelo citibank e foi tudo muito tranquilo. Na época, achei a cotação um pouco alta, mas burocracia zero. Diferente do BB que à época me exigiu muito !
    Fica a dica!
    😋

  3. MEU DEUS! Que avalanche de dores de cabeça você teve nesse processo todo! Espero que não tenham aparecido fios brancos na sua cabeça por conta disso, hehe.
    O comentário do Verena é super sensato e concordo com tudo que ele disse.
    Um viva pra amizade, e um viva pro Rick, haha!

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