Compras, os loirinhos e adeus, Dublin!

De volta a fria Dublin, larguei minhas coisas na casa da Bárbara, fiz um lanche e fui às compras! Eu não separei dinheiro para fazer compras na Penneys porque o euro já estava um tanto alto (paguei mais ou menos 3,45 na época) e eu sou sofredora, digo, professora – já foi um baita de um luxo passar férias na Europa. Porém, sempre que calculo os custos de uma viagem eu tomo por base os valores máximos que gastarei com cada coisa e sempre jogo uns 10% a mais em cima da conta final, porque passar perrengue financeiro numa viagem não é assim muito glamuroso e precisar recorrer a cartão de crédito ou do banco no exterior sempre deve ser a última das últimas opções. Assim, quando cheguei em Dublin ainda tinha uma graninha sobrando e não tive dúvida: fui pra Penney e me joguei! Claro que como era inverno, tinha muito casado e afins, algo que eu realmente não preciso, ainda mais com esse inverno sem vergonha de São Paulo que não faz frio e eu amo tanto! ❤ Mas comprei vários lenços – sou a louca do lenço e aqui no Brasil eles são muitos caros. Compare: Irlanda- 4 euros ou uns 14 reais na cotação que peguei; Brasil – a partir de 30 reais. Também trouxe várias sapatilhas, alguns pares de tênis e três bolsas lindas. As bolsas são de qualidade bem razoável, mas os calçados eu já comprei sabendo que não durariam muito – só que eu ainda tenho tudo até hoje.

Cheia de sacolas e debaixo de uma garoa fina, fui encontrar a D., minha última flatmate antes de voltar ao Brasil. Nós convivemos por apenas um mês e nos demos muito bem. Apesar de agora que cada uma está de um lado do oceano não nos falarmos muito, foi muito bom reencontrá-la. Fiz uma parada no Burger King para um lanchinho e seguimos para um dos pubs que eu mais gostava de ir: o O’Reilly’s Bar. Como era um dia de semana, estava bem vazio e infelizmente eles estavam sem minha querida Kopparberg Strawberry & Lime. Conversamos tomando uma Bulmers mesmo que era o que tinha pra noite. Foi um encontro muito gostoso.

Se só tem tu, vai tu mesmo!
Se só tem tu, vai tu mesmo!

No dia seguinte, finalmente o grande encontro: fui ver os loirinhos! E claro, Dublin sendo Dublin e me trolando como se eu jamais tivesse morado naquela cidade. De manhã o dia parecia estar relativamente ok: sem chuva e pouco vento. Saí de casa com meu casacão e bem agasalhada, porém não levei touca nem luvas (e olha que comprei luvas de couro na Penneys por apenas 9 euros – NO-VE EU-ROS… DE COU-RO) porque enfim, não estava pra tanto. Foi eu chegar no centro pra encontrar o T. antes e pegar umas coisas que ele queria mandar pro Brasil, que o tempo virou absurdamente: frio, vento e chuva fina tudo junto e misturado deliciosamente congelando meu rosto e mãos desprotegidos, porque ou eu segurava a toca do casaco ou me molhava toda. Daora a vida, né?

No horário marcado, cheguei e esperei a B., mãe dos loirinhos. Lá estava eu quase sendo levada pela rajada de vento quando ela surge atrás de mim e me abraça. Muitos sorrisos e tal e corre pro carro porque nem ela que nasceu nesse clima maravilhoso de ruim estava aguentando. E o que dizer quando uma irlandesa fala para você que “nunca passou tanto frio na vida como nesta tarde”?

Tava com uma saudade desse clima!
Tava com uma saudade desse clima! sqn

Quando entrei no carro, o F. me cumprimentou, mas não fez grandes cerimônias. Ele se lembrava de mim, da Biiiiiiitriz, mas estava bem tímido. Ele ainda gosta muito de Lego e estava com umas pecinhas da série Star Wars na mão, então comecei a puxar papo com ele e voltamos a ser amiguinhos. No caminho para a casa deles, a B. parou para pegar o O. que agora fica com uma senhora nos dias que não vai para escolinha. Gente, quando eu vim embora aquele loirinho de olhos azuis não falava nada e o menino agora fala inglês melhor que eu! (Ai, que piadinha péssima, Bia). Enquanto o F. é mais introvertido e desconfiado, o O. é extremamente sociável e simpático e logo começou a conversar comigo. Tomamos uma sopa juntos e ele quis sentar na mesma cadeira que eu. Depois quis me mostrar a casa toda e até quis entrar comigo quando precisei usar o banheiro, mas eu gentilmente pedi que ele me esperasse do lado de fora… e ele ficou lá mesmo, esperando como um cachorrinho! Dei os presentes que havia levado para eles, a B. fez um chocolate quente porque aquele era um “momento especial”, já que os meninos nunca tomam isso. Conversamos um pouco, eles me deram achocolatado da Cadbury pra eu trazer comigo (eles ainda lembravam como sou viciada num bom chocolate quente), os meninos estavam muito curiosos sobre eu ser uma “mommy” ou não e ficaram surpresos quando eu disse que nope, I’m not a mommy. Na cabecinha deles toda mulher adulta precisa ser mommy – ainda precisam aprender muito sobre a vida. Aí o O. me perguntou se ele podia namorar comigo. Eu disse que tudo bem, mas que no dia seguinte estava voltando para o Brasil, um lugar que de tão longe a gente precisa dormir dentro de um avião até chegar,  e que se quisesse namorar comigo ele precisaria vir junto. Aí ele decidiu que era melhor ficar em Dublin com a mommy e o daddy. À noite o K., pai dos loirinhos, me levou de volta para a casa da Bárbara. Foi uma visita muito gostosa mesmo e gostei de ter visto os dois loirinhos, mas depois disso nunca mais nos falamos! Eu muito ocupada com a vida por aqui – trabalhando horrores e finais de semana cheios – e eles lá ocupados com os meninos e não muito adeptos de tecnologia. Mas sem ressentimentos.

No meu último dia em Dublin acordei com uma certeza: I didn’t belong there. Foi muito legal ter voltado para lá, ter visto amigos e os loirinhos, mas meu coração não bateu mais forte. Fica de tema para o próximo post.

Fui para o aeroporto de ônibus e o T. me encontrou lá para dar o último tchau e agradecer minha companhia, afinal, ele estava preocupado se ainda me veria este ano novamente quando voltasse ao Brasil por motivos de: logo logo eu conto. 😉

Peguei meu voo até Amsterdã pela Aerlingus – já havia viajado pela companhia antes. Comprei um lanche no aeroporto just in case e me despedi de Dublin, quem sabe pela última vez. Cheguei na capital holandesa perto das 21h e bom, contei que meu voo para o Brasil só saía no dia seguinte às 9h da manhã? Eu sentei numas mesinhas onde comi o lanche comprado ainda em Dublin, enquanto utilizava a tomada para recarregar meu celular e usava o wi-fi gratuito.

Eu nunca tinha ido ao aeroporto da cidade antes – quando fui a Amsterdã cheguei de ônibus vindo de Bruxelas e saí de ônibus indo para Berlin. Bem, já é um dos meus aeroportos favoritos dos mundo! É enorme, tipo, GIGANTE. O wi-fi é gratuito e ilimitado, apenas precisa ser reconectado a cada 1h. Tem poltronas mega confortáveis, ideais para aquelas pessoas que precisam passar a noite por lá – tipo eu.

Estava chegando perto das 23h e um funcionário veio me perguntar se eu iria pegar algum voo – eu estava num saguão de embarque e sei lá eu porque eu desembarquei lá. Eu expliquei que não, que meu voo havia chegado lá e eu só pegaria o próximo na manhã seguinte. Ele, muito gentil, me explicou que aquele saguão iria fechar em breve assim que o último voo decolasse, mas que eu poderia ficar em outras áreas que, inclusive, eram até mais quentinhas. Peguei minhas tralhas e saí andando… AAAAALL BY MYSEEEEEELF…

Um aeroporto todinho pra mim!
Um aeroporto todinho pra mim!

Finalmente achei uma poltrona confortável e depois de encher o saco de meio mundo via Whatsapp – eu estava carente hahaha -, eu acabei pegando no sono. Dormi muito bem, obrigada, até umas 2h da manhã quando uma galera que pegaria um voo logo cedo ali perto chegou falando alto e tal e resolvi ir passear. Depois de cruzar com um rato ali e outro aqui (nossa, gente, não sabia que tinha rato nos aeroportos europeus, que surpresa, achei que era coisa de brasileiro! *ironia*), checar onde era meu portão de embarque e onde deveria largar o tax free de tudo que comprei na Penneys e não achei o lugar onde deixar o formulário em Dublin, descolei um sofázinho ainda mais confortável onde dormi atracada com minha mochila até umas 6h da manhã, quando o aeroporto passou de “filme de terror teen” para “cena inicial de filme bonitinho”, cheio de gente pra lá e pra cá. Levantei, tomei um bom dum café da manhã, larguei meu tax free e fui pro meu saguão de embarque.

Good morning, sunshine!
Good morning, sunshine!

Na promoção que peguei, eu fui para a Europa de AirFrance e voltei de KLM. Foi minha primeira vez nas duas. A AirFrance é muito boa, mas a KLM me deixou de queixo caído! Achei tudo excelente – muitas opções de filmes, sorvete e sanduíche entre as refeições, comissários de bordo prestativos e simpáticos-, só não gostei da duração da viagem: foram 12h da capital holandesa até minha terra. DO-ZE HO-RAS. Eu sozinha dentro de um avião – aliás, sozinha é modo de dizer, o avião estava lotado! Dei o azar de ir bem no meião e tinha um homem muito alto de um lado e um gordinho do outro… sorte minha ser baixinhas, viu, senão! Aí que são 12 horas dentro de um avião. Eu dormi, assisti “Garota exemplar” (super recomendo, inclusive), comi, dormi, assisti “Moonrise Kingdom”, dormi mais, comi mais, assisti algum episódio aleatório de The Big Bang Theory, comi, dormi, olhei pro teto, pro chão, levantei pra esticar as pernas, dormi, levantei e tentei pegar minha mochila no compartimento do meio e entendi porque eles pedem altura mínima para comissário de bordo: eu não consegui fechar o compartimento e o homem alto do lado precisou me ajudar. Eh. Na reta final, faltando umas 2h para chegar, eu comecei a passar mal, espirrando e nariz escorregando como se não houvesse amanhã – tanta tempo exposta ao ar seco do avião atacou a abençoada da rinite.

O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? <3
O que falar desse aeroporto que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Depois dessa viagem muito louca de volta, cheguei pros quase 40 graus do verão paulistano. Foi um choque sentir aquele bafão quente ao sair do aeroporto e eu de meia grossa e calça jeans, fedendo mais que peixe podre depois de tanto tempo sem banho e usando a mesma roupa. Minha pele estava ao mesmo tempo ressecada por causa do tempo frio e vento europeu e com espinhas, provavelmente por causa de toda porcaria gordurosa que acabei comendo.

Cheguei em casa, tomei um bom banho e morri no sofá. Desconfiei quando senti frio no verão de 40 graus. Febrão de 38 graus – a mina que viaja de ônibus na madruga, enfrenta o frio de Dublin, dorme no aeroporto, bate perna o dia todo, desbrava Madri parecendo cena de filme terror, mas não aguenta o ar seco do avião! Cheguei em São Paulo doente, mas muito feliz com minha Eurotrip e me perguntando quando iria a Europa novamente! 🙂

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