Em um relacionamento sério com Porto

Morei na Irlanda por um ano, viajei para uma meia dúzia de países enquanto estive lá, mas não matei uma vontade: visitar Espanha e Portugal, dois países que estavam ali pertinho e não consegui me programar para conhecê-los. Então, no dia que comprei aquela passagem barata para visitar Dublin, já decidi que essa viagem europeia tinha de passar por esses dois países. Saindo de Madri, aterrissei em Porto, uma gracinha de cidade na costa de Portugal. Aliás, o que falar de Porto, essa cidade que mal conheço, mas já considero pacas? ❤

Foi muito fácil ir do aeroporto até o centro, pois tem metrô fazendo a ligação. Primeiro o espanto de estar na Europa e tudo estar em português – na minha cabeça, toda vez que viajo, a língua muda! haha… Depois o espanto de ver que tem bilhete único lá igualzinho o que tem aqui, incluindo o validador que é exatamente o mesmo!

Cheguei em Sampa... não, pera...
Cheguei em Sampa… não, pera…

Claro que eu não sabia comprar o ticket pela maquininha e é claro que o funcionário português muito simpático, como todos os portugueses lindos que cruzaram meu caminho, nos ajudou explicando o passo a passo. O trajeto todo deve ter durado uma meia hora até a Estação São Bento (não a da linha azul paulistana) e logo estávamos no hostel, que era uma gracinha!

Fizemos o check in (“reserva em nome de Beatrizzzzz *****ssssss?”), o funcionário nos explicou como funcionava o pequeno almoço lá, além de nos ensinar a usar o cacifo do quarto, para podermos deixar nossos pertences em um lugar seguro. Banho e cama, porque o dia tinha sido longo.

No dia seguinte tomamos um café, digo, pequeno almoço, delicioso! Era só o começo de um sem fim de comidas deliciosas nesse país tão lindo e hospitaleiro – escrevo este post suspirando de saudades de Portugal! Mas voltando ao café, o hostel servia um pãozinho bom demais, que fiquei sabendo que se chama “saloio”. Saudades eternas de deliciá-lo com manteiga! ❤

Saloio
Saloio

Fomos ao Rio Douro para ver a ponte Luis I e ver um pouco do Cais da Ribeira, mas o frio era tanto que a visita foi bem curta e resolvemos voltar ao hostel (que ficava a 5 minutos a pé de lá – aliás, qualquer coisa em Porto fica a 5 minutos a pé, a cidade é bem pequenininha) e aguardar o guia do nosso walking tour num lugar mais quentinho.

O guia era outra simpatia de português! E o tour foi excelente, muito bom mesmo! E gente, o que é o inglês dos portugueses? Todos os portugueses que falaram inglês comigo tinha um sotaque impecável! O falante de português, em geral e por incrível que pareça, não tem um dos sotaques mais carregados quando falando inglês, mas acredito que o fato de os portugueses “comerem” as vogais (eles falam tão rápido que tem hora que conseguem eliminar a vogal da fala) ajude muito, já que nós, brasileiro, temos a tendência de querer enfiar um som de vogal em qualquer brecha (já que nós sim pronunciamos todas as vogais quando falamos).

Bem, o Thiago, nosso guia, fez um tour muito interessante, começando pela Estação São Bento, uma estação que foi projetada sem espaço para bilheteria – coisa de português (juro que não queria fazer essa piada, mas porran, essa pediu)! Na estação, há diversos azulejos com figuras que retratam histórias de Portugal. Uma curiosidade: Portugal é famoso por seus azulejos, e se você notar, boa parte deles é pintado apenas em azul e isso porque esta era a cor mais barata.

Azulejos na Estação São Bento
Azulejos na Estação São Bento

Passamos por igrejas, mosteiros, monumentos e outros pontos de interesse, até que chegamos numa pequena igreja que antigamente era um convento. A igreja de Santa Clara  tem mais de 500 anos e é toda revestida de ouro por dentro- segundo o guia, deve haver em torno de 500kg de ouro dentro da igreja, sendo que boa parte deve ter vindo aqui da terrinha. O que me chocou a respeito desta igreja-convento-mosteiro é que nos séculos passados quando os pais descobriam que as filhas estavam de namoricos, mandavam as donzelas para lá, um lugar de onde elas jamais sairiam para nada, ou seja, os próprios pais colocavam as filhas numa prisão. Dentro da igreja, na parte do fundo, tem umas grades cercadas dos “espetos” para impedir que as meninas tivessem qualquer contado com algum possível namorado enquanto assistiam à missa. Que “amor de pai” é esse, hein?! Fiquei chocada com essa história, mesmo que seja coisa de séculos passados.

Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara
Ouro brasileiro na Igreja de Santa Clara

Bem perto da igreja estão as Muralhas Fernandinas, ou o que sobrou delas. Estas muralhas foram construídas ao redor da cidade de Porto para proteger o local de um possível ataque espanhol. A vista da cidade e do Rio Douro de lá de cima é de fazer qualquer um ficar apaixonado por Porto de imediato! Love at first sight!

Eu me apaixonando por Porto!
Eu me apaixonando por Porto!

As muralhas começaram a ser derrubadas no século 18 para dar espaço a outras construções e o que sobrou em pé foi classificado como um monumento nacional. Vale a visita pela linda visão e pelo valor histórico. Só tomem cuidado, porque não tem nenhum tipo de segurança e as pedras podem ser meio escorregadias, além do que a subida pode ser um pouco árdua se você não estiver na sua melhor forma física.

Muralhas Fernandinas
Muralhas Fernandinas

Continuamos o tour e chegamos à Catedral da Sé, ou melhor, à Sé do Porto. Não consegui entrar na igreja porque ela fechava para almoço e como eu também não faço muita questão de entrar em igreja, ficou para outro oportunidade. Em frente à igreja tem ainda um pelourinho que era utilizado para as execuções públicas.

Sé do Porto
Sé do Porto

Andando pela cidade, você vai notar que em vários lugares estão pintadas setas amarelas e azuis que vão indicando um caminho. As amarelas levam à Santigo de Compostela e as azuis, ao Caminho de Fátima. Quem sabe sigo as amarelas da próxima vez?

...
Siga aquela seta!

Finalmente chegamos nas Escadas das Verdades, numas das regiões mais antigas de Porto. Há boatos que as escadas têm esse nome porque era antigamente onde as mulheres se sentavam para conversar… Nesta região há muitas casas muito antigas e algumas até abandonadas e o guia contou que as casas daquela região foram alugadas com a promessa de jamais terem seu aluguel aumentado -por que causa, motivo, razão ou circunstância eu já não me lembro mais – e, portanto, havia casas ali que o aluguel seria de 5 euros, por exemplo. Com esse valor não compensa fazer nenhuma reforma, então, as casas estavam se deteriorando por falta de interesse dos donos de fazer algo. Mas também, né?

Passamos por várias vielas cheias de casas e escadas, algo que parece ser bem residencial mesmo. Paramos numa pequena casa de doces e comemos um de-li-ci-o-so bolo de chocolate, o melhor bolo da minha vida. E olha que Portugal estava só começando a me apresentar suas delícias! O tour acabou no Cais da Ribeira, próximo a ponte Luís I, que aliás, foi inspiração para a construção da Torre Eiffel que, se vocês notarem bem, tem uma estrutura muito parecida. O engenheiro que projetou a ponte era sócio do engenheiro que projetou a Torre Eiffel, ou seja, impossível negar a relação. A ponte é de 1886 e a torre, 1889.

A ponte e eu, eu e a ponte
A ponte e eu, eu e a ponte

Depois do excelente tour com o maravilhoso guia, era chegada a hora do almoço. Decidimos procurar um prato bem típico da culinária local e optamos por comer num restaurante no Cais mesmo. Já tinha ouvido falar da Francesinha, que era um prato bem típico e quando chegamos perto de um restaurante, a mulher que veio nos mostrar o cardápio foi muito gentil e solícita e nos explicou tudo. Na verdade, ela queria me convencer a comer um prato chamado Tripas – todos os miúdos do boi que ninguém quer comer misturado com feijão e não sei mais o que, ou seja, a versão portuguesa da nossa feijoada que surgiu numa época de vacas magras e as pessoas precisavam aproveitar toda a comida que tinham. Olha a minha cara de quem ia topar comer tripas – sou muita fresca pra comer, gente. Resolvi ficar com a Francesinha mesmo, que nada mais é que um lanche no pão de forma, só que entre uma fatia e outra de pão tem tipo uns 4 cm de várias carnes. Depois, o sanduíche é coberto de queijo e vem num molho que tinha algum tipo bebida alcoólica, porque eu senti o gosto. Resumindo: era enorme e custou coisa de 6 euros.

Francesinha
Francesinha

Para terminar o dia, decidimos ir a Praia de Matosinhos. Pegamos o trem, digo, o comboio, que levou quase 1h até lá. Chegamos no fim da tarde e o sol estava quase se pondo. Bem, eu não havia pesquisado o que havia pra se ver lá, mas o T. tinha garantido que tinha algo muito legal na praia. O problema é que quando chegamos, ele não sabia exatamente o que era e nem onde ficava e enfim, eu quase bati nele – sou dessas- por me levar pra um lugar sem saber direito o que fazer! Andamos um pouco na praia com a vista do sol de pondo e por falta do que fazer, voltamos a Porto.

As fotos ficaram legais até
As fotos ficaram legais até

De volta a Porto e para aproveitar o comecinho da noite, fomos a um dos cafés mais antigos e famoso da cidade – porque vocês sabem que tenho tara por cafés. O Café Majestic fica na Rua Santa Catarina, foi inaugurado em 1921 e considerado o sexto café mais bonito do mundo. De fato, o interior é impressionante. Pedi meu chocolate quente com um pastel de Belém, apesar de saber que os portuguese dizem que pastel de Belém de verdade só existe um (vendido em Belém, claro) e o resto é apenas pastel de nata.

Delicinha!
Delicinha!

Na volta para o hostel, passamos pela Livraria Lello e Irmão, aquela que dizem que a escadaria serviu de inspiração para Harry Potter. Eles têm um horário muito específico para poder entrar e tirar foto e como eu fui fora desse horário, não bati nenhuma foto. Eu li Harry Potter quando era adolescente, mas nunca tive paciência para os filmes e me julguem, mas eu acho que chegar aos quase 30 e ainda ser louco por Harry Potter é algo que precisa ser superado, gente. Desculpa. Passei na livraria por passar e voltei ao hostel. Banho quente, cama confortável e fui descansar para o dia seguinte de muito amor em Porto.

<3
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3 comentários sobre “Em um relacionamento sério com Porto

  1. Não consegui ir no Café, não deu tempo! Em compensação consegui entrar na livraria (não pode tirar foto enquanto está lá dentro, só por fora com as portas (de vidro) fechadas) e a livraria é linda mesmo, até pra quem não é fã de HP.

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