Madri – sangría, porras e museus

Depois de um primeiro dia pouco animado por causa de um feriado não previsto – por mim, claro – eu precisava recuperar o atraso nos dois dias seguintes. Confesso que nunca detestei tanto um feriado, viu?

Acordei, tomei meu café e fui ao Palácio de Cibeles, um prédio pomposo que abriga a prefeitura de Madri. Apesar de não ser muito alto, pode-se subir ao topo dele para ter uma visão 360º da cidade. O ticket custaria em torno de 3 euros, mas não sei porque naquele dia era gratuito. As subidas acontecem a cada meia hora e não sei se não há tanto interesse no local ou se foi porque eu cheguei lá relativamente cedo, mas não tinha fila e nem estava tão cheio assim.

O palácio à noite - pensem que tirei essa foto com o celular, ou seja, até que ficou boa
O palácio à noite – pensem que tirei essa foto com o celular, ou seja, até que ficou boa

De lá se tem uma boa visão de Madri, mas não é assim um Empire State Building com a visão de Manhattan. Anyway, dadas as devidas proporções, é uma vista bonita, ainda mais que o dia estava ensolarado, e eu recomendo a visita, sim.

Madri
Madri

De lá voltei ao hostel para encontrar o T. que estava chegando naquele dia. Fomos ao Mercado de San Miguel, um mercado muito bonitinho e cheio de coisinhas. Nós achamos que seria um lugar para almoçar e tal, mas não era exatamente o caso, já que o mercado vendia mais doces e bebidas e as comidas em si eram um tanto quanto caras.

O mercado
O mercado

Crescemos os olhos na sangría, porém todos sabem que não se bebe de barriga vazia, então fomos procurar um lugar para almoçar. Achamos um restaurantezinho de kebabs muito gostoso e bem baratinho e foi onde comemos mesmo. Voltamos ao mercado e tomamos sangría… que estava sensacional! Pedi a tradicional e como manda a tradição, ela foi servida com tapas, no caso, uma porção de azeitonas.

Tapas + sangría
Tapas + sangría

Eu adorei tudo, inclusive a azeitona que tinha um gosto diferente das azeitonas do Brasil. Os doces vendidos lá eram divinos, mas por ora, resolvemos pular essa parte e fomos andar um pouco por alguns pontos turísticos da cidade que eu já havia passado quando fiz o tour, mas o T. não e enfim, como era só passar e bater umas fotos, foi rápido.

Docinho espanhol... ou seria pé-de-moleque?
Docinho espanhol… ou seria pé-de-moleque?

Quem lê o blog sabe que eu adoro chocolate quente e se estou viajando pra um lugar que tem algum café famoso, pode ter certeza que eu vou fazer questão de visitar. Sou dessas. Bem, Madri é uma dessas cidades que tem um café super famoso e tradicional, a Chocolateria San Ginés. Fica no centro de Madri numa viela meio escondidinha e foi fundado em 1894. É famoso principalmente pela combinação de chocolate e churro e foi o que eu pedi. O chocolate quente é bem consistente, tipo Danette quente (nhom, salivei) e o churro é tipo aquele do Chaves, fininho. O jeito tradicional de se comer é afogar mergulhar o churro no chocolate e ter prazeres gastronômicos.

Lanchinho dos deuses
Lanchinho dos deuses

O interior é todo decorado com espelhos e móveis antigos e os sofás e bancos são revestidos de veludo – parece que voltamos algumas décadas. Agora vou fazer uma digressão. Ainda no meu primeiro dia em Madri, estava eu andando em frente a um café próximo ao hostel e me deparei com o seguinte anúncio nos vidros:

Explícito
Explícito

“Nossa, Bia, como você é trouxa. Que coisa mais infantil achar isso engraçado e ainda tirar foto pra postar no blog. Afff, você já tem quase 30 anos, cresce!”. Desculpe, só que não! Eu ri sim com o duplo sentido que dei na minha cabeça, quis tirar fotos sim e digo mais, ainda mandei pra meio mundo via Whatsapp. Desculpe se decepcionei alguém, mas sou dessas. A questão é que eu queria saber o que era a tal da porra (agora estou falando sobre a comida e apenas sobre ela, ok?) e depois notei que era algo muito comum e todo café servia. Fim da digressão. Claro que o T., que já tem mais de 30 anos, também é trouxa e é claro que também achou engraçado e foi ainda mais além: pediu porras na Chocolateria San Ginés. E o mistério se desfez.

Vos apresento as porras!
Vos apresento as porras!

Como vocês podem ver, é tipo um churro, só que maior e o sabor é um pouco diferente, porque é menos doce. E mais um mistério culinário espanhol foi solucionado.

De lá, a ideia era visitar o Museu Del Prado que tem entrada gratuita todos os dias 2h antes do horário de fechar, no caso, a partir das 18h. Acredito que a ideia por trás dessa gratuidade é que o museu é tão grande que 2h não seria tempo suficiente para ver tudo, logo, deixam a gente entrar for free. Aí por que eu iria pegar 14 euros para visitar um lugar que eu posso esperar até às 18h e fazê-lo de graça? No caminho para o museu, passamos em frente da famosa escultura Oso y el madroño, ou Urso e o pé de morango. Esta estátua é inspirada na história da formação de Madri, já que reza a lenda que havia muitos ursos na região e que a Igreja e o Estado disputavam os terrenos das redondezas, sendo que a Igreja ficou com os pastos e o Estado com as árvores. Resumindo, eu quis parar para tirar foto em frente. Mal sabia eu que isso me causaria uma dor de cabeça…

Oso y el madroño
Oso y el madroño

Fotos tiradas, lá vamos nós ao museu. Chegamos lá uns 15 minutos antes das 18h e já havia uma longa fila aguardando para entrar sem pagar – quando você acha que só você está vendendo o almoço para comprar a janta, você se surpreende! Lá estamos nós refletindo sobre o sentido da vida na fila, quando eu olho meu celular e vejo que o cartão de acesso ao quarto do hostel, aquele que eu havia perdido no noite anterior, não estava mais dentro da capinha.

Flashback.
“Que preguiça de pegar minha câmera de dentro da bolsinha. Ah, vou tirar foto com o celular. Mas pera, já está meio escuro, vamos usar o flash – esses celulares da Samsung têm um flash que vocês não acreditam. Poxa, o cartão está justamente em cima do flash, vou tirá-lo e guardá-lo no bolso do sobretudo e imediatamente depois de tirar a foto, o colocarei lá de volta. Não, pera, eu pareço 20kg mais gorda dentro desse sobretudo… vou tirar meu sobretudo, esquecendo que coloquei o cartão dentro do bolso – algo que fiz 30 segundos antes – e jogá-lo no chão para tirar uma foto em que eu não pareça com um filhote de elefante. Pronto, adorei! Vou vestir meu sobretudo, esquecer completamente do cartão, enfiar meu celular na bolsa e brincar de ser culta indo ao Museu del Prado.”
Fim do flashback.

Aí que eu revirei a bolsa inteira, tipo, jogando tudo que eu tinha dentro dela na mureta do museu e óbvio que eu não achei o cartão, porque eu tinha conseguido fazer a façanha de perdê-lo novamente. O T. sugeriu que voltássemos e procurássemos, mas eu já tinha aceitado que perder aquele cartão era minha missão em Madri e concluí que o ticket do museu era mais caro que o depósito de 10 euros do cartão. Partiu museu.

Às 18h liberaram a entrada e todos entramos. O museu é gigante, tipo, coisa pra ficar 3, 4h dentro e não consegui ver tudo. São só pinturas, divididas por períodos e artistas. Não pode tirar foto, nem sem flash, das pinturas, mas pergunta se tem alguma placa avisando? Fui eu sacar minha câmera que um segurança quase me imobilizou no chão. O museu é legal, sim, tem bastante coisa, sim, mas minha paciência para tanta cultura já estava meio esgotada. Cansada de ver tanto quadro, decidimos que era hora de sair e ir ao Museu Reina Sofia, a poucos minutos a pé dali. Ele tem a mesma lógica de funcionamento do primeiro e também libera a entrada gratuita 2h antes de fechar, no caso, a partir das 19h. O museu é de arte contemporânea e eu gostei muito mais.

Museu Reina Sofia
Museu Reina Sofia

Saímos do museu já perto das 21h e bem, voltamos a estátua do urso… quem sabe o cartão estava lá em algum lugar, né? Minha dedução foi que o cartão era escuro assim como o chão e que não chamaria a atenção de ninguém, até porque, o que alguém faria com um cartão de porta de hostel? Para minha sorte, contrariando Murphy, o cartão estava lá mesmo, a poucos metros do urso, provavelmente chutado pelos transeuntes. Cartão recuperado e confiança perdida em mim mesma, o T. ficou com a missão de guardar o cartão. Já tinha tido minha cota de emoção em Madri. Voltamos ao hostel, onde comemos uns lanchinhos previamente comprados no mercado, traçamos o roteiro do dia seguinte e fomos dormir.

Lá estou eu no quarto, me ajeitando pra tentar dormir cedo e um rapaz que, aparentemente, morava no hostel – não tinha cara de viajante – veio puxar papo comigo. Não estava muito a fim de papo porque estava cansada, mas sei lá, o cara insistiu e até falava coisas interessantes e topei dar um dedo de prosa com ele. Resumo da ópera: “Nossa, você fala inglês muito bem para uma brasileira. Já conversei com muitos brasileiros aqui, mas nunca com um que falasse tão bem como você”. Bem, vocês se lembram do cara da recepção que começou a falar espanhol comigo ao notar que eu era brasileira. Brasileiros, por favor, parem tudo e aprendam inglês. Obrigada.

E com essa foto, eu termino este post gigantesco sobre meu segundo dia na capital espanhola.

O que é um pontinho preto em frente ao Palácio Real?
O que é um pontinho preto em frente ao Palácio Real?
Anúncios

7 comentários sobre “Madri – sangría, porras e museus

  1. Paulo

    Ual….
    Obrigado pelo post hahahah
    quanta informação =O
    E quanta sorte achar o cartão hein =O
    mais sorte que “juízo”…
    T’s, R’s… blogueiras mais alfabetizadas =O

    Sigo acompanhando 😉

    1. Bia

      Ok, juro que levei séculos para entender a última linha! Mas veja, eu prefiro não citar nome daqueles que estão comigo, a menos que seja a Bárbara ou o Rick por motivos óbvios… sei que parece um super mistério, mas é só pra manter a discrição. (:

      1. Paulo

        hahaha
        só achei curioso, mas enfim… privacidade é algo a ser mantido mesmo 😉

        Vou ver com a agência a questão das passagens, e ver se existe a possibilidade de jogar pro dia seguinte a conexão com Dublin… assim posso conferir Madrid, acho que pode valer a pena =)

    1. Bia

      Ahuahua… ai, gente, como pode uma mesma palavra significar coisas tão diferentes em duas línguas tão próximas? Já posso dizer que comi porra! HAHAHAHA…

Preciso comentar esse post!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s