You won’t be ready to kiss… goodbye

Eu trabalho para a família M. desde janeiro. Já falei deles aqui e de como eles são pessoas muito bacanas. A B., mãe das crianças, é professora e as férias aqui vão de fim de junho a fim de agosto e quando ela está de férias não precisa de ninguém para ficar com os meninos, ou seja, hoje foi meu último dia com eles.

Trabalhar com criança é um negócio que não tem meio-termo: ou você ama ou você detesta. Criança dá trabalho, tem dia que é estressante, mas a gente acaba se apegando aos pequenos e eu, claro, me apeguei aos loirinhos.

Até aí nenhuma novidade, não é difícil se apegar a duas coisinhas loiras fofas e elétricas. Só que os pais, B, e K., sempre foram muito atenciosos e legais demais. Eles sempre me perguntavam se eu precisava de algo, se eu queria que eles comprassem algo para eu comer lá e coisas assim. Além disso, me deram um passeio de barco pelo Rio Liffey; quando perdi meu passaporte e comentei com eles, me deram quase metade do valor da taxa de emissão para me ajudar a pagar (e eles não tinham absolutamente nada a ver com isso); quando arrombaram a casa e levaram meu laptop, se ofereceram para ir me buscar para eu passar a noite na casa deles (o que não aceitei), além de me emprestarem o iPad e me deixarem usar o laptop deles na casa; já foram me buscar no ponto de ônibus de manhã em dia de chuva mais forte e enfim, são pessoas lindas.

Isso tudo é muito bom, o ruim é na hora de dizer tchau pela última vez. Resolvi agradar os meninos e ontem à noite, pela primeira vez na vida, fiz brigadeiro e modéstia à parte, ficou muito bom. Eles, obviamente, adoraram o “brigadeirrrou” e fiquei feliz por deixar a vida de dois irlandesinhos um pouco mais doce num dia chuvoso. O O. só tem 2 anos e não faz ideia do que está acontecendo, mas o F. já tem 3,5 anos e achei que devia dar uma explicação para ele. Peguei o globo terrestre, mostrei a Irlanda e o Brasil para ele e disse que eu estava voltando para casa num grande avião. Ele não entendeu muito bem. Depois, disse para ele que eu iria para o Brasil e não voltaria mais. Ele me olhou intrigado e perguntou por que, desconversei um pouco e ele disse que iria me visitar no Brasil, só que ele ia ter que voltar para casa depois para ficar com mummy e daddy. Resumindo, ele não sacou que eu não vou voltar mais lá. Finalmente, a B. chegou em casa com uma sacolinha. Dentro tinha uma St Brigid’s Cross de prata.

St. Brigid's Cross
St. Brigid’s Cross

Ela me disse que é um símbolo da Irlanda e do cristianismo e eu já havia visto uma dessas na casa deles. Também disse que estava me dando para eu ter algo para lembrar sempre do tempo que vivi na Irlanda. Depois li no livrinho que veio com ela, que ela representa esperança e novos começos. 😉

Até este momento estava tudo sob controle. Aí ela me dá um cartão homemade com uma foto minha junto com ela e dos loirinhos e dentro, o contorno das mãozinhas dos dois e um desenho de cada um que, teoricamente, sou eu. Eu nem li o que estava escrito e lágrimas rolaram (não muitas, tá?). A B. me agradeceu, disse que os meninos gostavam demais de mim, que eles serão eternamente gratos por eu ter cuidado tão bem deles, que sentiriam minha falta e que eles viam que eu realmente tinha jeito com crianças. Pediu para mantermos contato e trocarmos fotos. Ai, fiquei triste. 😦

Voltei para casa refletindo sobre tudo. Peguei o cartão e li a mensagem:

“We will be forever grateful for the great care you gave to F. and O. You are so kind and gentle and they love you so much. We wish you a bright and happy future wherever it lies!”
Lots of love,”

Quando termino de ler, no iPod está tocando a música The Game do Echo and the bunnymen, justamente no trecho que dá título a este post: “You won’t be ready to kiss… goodbye”. Talvez uma outra lágrima tenha rolado.

Ehhh… vou sentir saudades imensas desses loirinhos ligados no 220.

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10 comentários sobre “You won’t be ready to kiss… goodbye

  1. Olha que eu achei que conhecesse todos os blogs de todos os brasileiros que moram nessa ilha mas nunca tinha lido o seu! Cheguei aqui pelo blog da Bárbara e não resisti um comentário numa noite insone.
    Eu fui aupair também e odiei, apesar de sempre ter cuidado muito bem dos meninos da família para quem trabalhava. Hoje, mãe, eu sei o quanto seria difícil deixar o meu maior amor nas mãos de outra pessoa, o tamanho da confiança que isso implica.
    Boa sorte para você de volta ao Brasil.
    Nivea
    x

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