Berlin, Alemanha III

O free walking tour começa em frente ao Brandenburger Tor, na Pariser Platz. É a mesma empresa (?) do tour que fiz em Amsterdã e, novamente, havia muita gente e fomos divididos em grupos. Para minha frustração, acabei fazendo o tour com uma neozelandesa. Não que ela fosse ruim, não era, mas aquele sotaque me fez ficar pensando no que comeria depois do tour ao invés de prestar atenção nela, por exemplo, em alguns momentos. O sotaque irlandês é ruim, mas estou acostumada. O sotaque neozelandês é tipo isso, mas o da guia era mais forte. E eu não estou acostumada:

Clique aqui e ouça um sotaque neozelandês

A guia começa o tour resumindo 800 anos de história alemã, além de falar sobre o Brandenburg Tor e a quadriga (que já falei a respeito no post anterior). Uma curiosidade meio fútil: na Pariser Platz fica o hotel mais caro de Berlin (eu já havia notado isso quando passei em frente e vi as malas dos hóspedes naqueles carrinhos iguais de filme), o Adlon, e foi de uma de suas janelas que Michael Jackson resolveu balançar seu filho para mostrá-lo ao público. Lembram-se dessa cena?

Adlon Hotel
Hotel Adlon

Seguimos para o Memorial aos Judeus Assassinados da Europa, que consiste em blocos de concreto de tamanhos variados espalhados por uma área de 19 mil metros quadrados. A obra custou cerca de 25 milhões de euros, um valor que parece ser um tanto alto se levado em conta o trabalho final. Segundo a guia, toda e qualquer interpretação da obra é válida. Eu enxerguei naqueles blocos de concreto as sepulturas dos mortos durante o Holocausto, como se elas simbolizassem as lápides que eles não tiveram a dignidade de ter, já que as vítimas dos campos de concentração foram cremadas ou enterradas em valas comuns quase que em sua totalidade.

Memorial
Memorial

Caminhar por entre os blocos dá uma sensação de insegurança, pois não se sabe quando alguém vai surgir na sua frente -ou dos lados- e a cada passo você se perde dentro do memorial. Será que era essa a sensação de estar dentro de um campo de concentração?

Visão aérea
Visão aérea

Bem perto do memorial tem um conjunto residencial com um estacionamento e algumas árvores em volta. Um lugar bem tranquilo e com nada que, aparentemente, o faça importante.  Mas metros abaixo do solo fica o bunker de Adolf Hitler. A guia nos deu algumas informações sobre ele. Não é aberto à visitação e não há intenção alguma de que isso seja feito num futuro próximo, pelo menos. Os alemães entendem que a tragédia deve ser lembrada a partir do ponto de vista das vítimas, não dos nazistas. Outro motivo é evitar que neo nazistas tenham um lugar para se reunirem.

O bunker fica aí
O bunker fica aí

Passamos por outros prédios públicos com alguma história, pedaços do muro de Berlin, memoriais, museus, até chegarmos na Berliner Dom e eu não acreditar nos meus olhos.

Berliner Dom
Berliner Dom

Eu sou meio difícil de ser impressionada. Quando vi a Estátua da Liberdade, em New York, pensei “Ah, essa é a estátua?“. A Torre Eiffel só me impressionou à noite e achei a Disney (da Califórnia) a coisa mais besta do mundo. Mas quando eu vi esta igreja na minha frente, meu queixo caiu! Nesta hora, a guia começou a falar da igreja e dos museus que ficam por ali, mas eu saí de perto e fiquei observando-a sem palavras (a catedral, não a guia).

Apesar dessa pinta, ela é uma igreja protestante, não católica. Ficou pronta em 1905, mas foi muito destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra (assim como a maioria das construções da cidade) e só foi completamente rescontruída e aberta ao público em 1993. O ticket para visitar a igreja custa 6 euros e 4 para estudante. Seu interior é tão imponente quando a fachada. No subsolo há uma cripta com cerca de 90 sarcófagos.

Berliner Dom
Berliner Dom

A  vista da cidade faz valer a pena todos os degraus que se sobe até o domo. Eu, sedentária convicta, quase cheguei sem ar.

Berlin
Berlin

O tour de 3h terminou por aqui. A região onde fica a igreja é conhecida como a Ilha dos Museus (aliás, Berlin tem cerca de 150 museus) e como estava muito perto do Museu DDR, para lá fui.

Este museu mostra como era a vida na Alemanha Oriental. A entrada custa 6 euros e 4 para estudante, assim como a Berliner Dom, e ele é simplemente sensacional! É tudo muito interativo e mostra os diversos aspectos da sociedade: educação, trabalho, vida em família, moda, férias, literatura, música, política etc.

Trabi,  o carro da Alemanha Oriental
Trabi, o carro da Alemanha Oriental

Eu gostei muito deste museu e ir a Berlin e não visitá-lo é quase como ir à Paris e não entrar no Louvre. O único ponto negativo da visita foi que o museu estava lotadaço e como ele é muito interativo e praticamente tudo é para ser tocado, eu precisei concorrer com os outros visitantes para ver, ouvir, tocar e interagir com tudo.

Também rolava uns interrogatórios na época...
Também rolava uns interrogatórios na época…

A essa altura do dia eu já estava mais para conhecer melhor a cama do hostel do que mais de Berlin, mas vocês se lembram que Europa na primavera-quase-verão é sol até 21h30, 22h, então, continuei batendo perna.

Não muito longe do museu, fica a Alexander Platz, uma grande praça rodeada de comércio e com um grande relógio que marca a hora de vários lugares do mundo, inclusive de São Paulo.

Alexander Platz
Alexander Platz

Sinceramente? Achei essa praça bem besta para ser considerada um lugar turístico. Ainda bem que estava rolando uma convenção de Super Men ali, viu! Não foi visita perdida.

Super Men
Super Men

A ideia era visitar o Museu De História Alemã em seguida, mas depois de tanta informação no tour e no DDR, achei melhor deixar a visita para o dia seguinte e fui para outro lugar. Mas isto eu continuo contando no próximo post.

Urso, o símbolo de Berlin
Urso, o símbolo de Berlin
Anúncios

6 comentários sobre “Berlin, Alemanha III

  1. François

    Quando comecei a pensar no intercâmbio, as viagens para o resto da Europa já eram plajenadas também, e a Alemanha fazia parte desse plano, a cidade de Berlim parece ser magnífica, é história que não acaba mais, gostei muito dessa sua viagem, mas a viagem que mais me impressionou mesmo foi a viagem para a Polônia, Birkenau, já inclui no meu hall dos lugares que quero conhecer, como você, também fico fascinado pela essa parte da história, sobre o nazismo. Quanto ao sotaque neozelandês, cara, eu posso estar enganado, mas eu achei pior que o irish, posso estar enganado, mas qual é o pior para entender, Bia?

    1. Bia

      Assim como não há um só sotaque brasileiro, não há só um sotaque irlandês e até mesmo dentro de Dublin existem diversos sotaques. Mas eu acho que qualquer sotaque irlandês é pior que qualquer outro sotaque! A família para qual trabalho não tem um sotaque muito forte, mas tem aquela coisa de irlandês de não querer abrir a boca para falar A diferença é que estou acostumada e agora eu entendo. Meu epic win foi quando falei ao telefone com um irlandês de língua presa e entendi tudo, neste dia eu soube que meu listening estava muito bom. Há! Eu sou amante do sotaque americano, então, sou suspeita para falar de qualquer outro sotaque! Fora que há muitas expressões e gírias locais que nenhum outro país de língua inglesa usa e só mesmo morando aqui algum tempo para começar a entender tudo.
      Quando a viagem a Polônia, eu A-MEI! Visitar Auschwitz-Birkenau é algo que todos deveriam fazer uma vez na vida. Ninguém sai daquele lugar como entrou e esta visita que durou algumas horas do meu dia ficou na minha cabeça por meses e ainda hoje, às vezes, me pego pensando nisso. E a guia do tour era ótima, se portava de um maneira muito profissional e respeitosa diante de tudo. Parecia que mesmo vendo tudo aquilo todos os dias, ela não conseguia se acostumar e expressava o horror em sua voz. Cracócia também é sensacional, eu só não gostei tanto de Varsóvia, mas de repente foi porque não parou de nevar um minuto enquanto estive lá e não tenha dado para aproveitar ao máximo.

  2. Sotaque neo-zelandês é tenso mesmo… bizarro. Pior do que qualquer irlandês na história! hahaha

    Museu interativo é muito legal – acho que os museus podiam seguir mais essa linha – não pra ser engraçadinho, mas pra gente se sentir “parte” da obra, sabe?

    Quando eu for pra Berlin vou voltar pro seu blog e ler todos os posts pra pegar ideias de lugares pra visitar! 🙂

Preciso comentar esse post!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s