Dez meses de Irlanda

Você contava os dias para sair do Brasil e quando se dá conta, já está contando os dias para voltar. E 304 dias se passaram desde que comi a comida da mamãe pela última vez, dormi na minha cama “de verdade” e vi a terra da garoa (que, dizem as más línguas, está mais para a terra do céu cinza de poluição).

No post de nove meses eu estava desanimando qualquer futuro intercambista, enxergando o copo meio vazio e de saco cheio da Irlanda. Felizmente, meu humor mudou um pouco desde então. O frio ainda me incomoda (agora as temperaturas máximas já estão chegando a 15, 16 graus – primavera mais fria que o outono paulistano, mas ok, é o que tem pra hoje), o sotaque irlandês ainda tortura meus ouvidos (ouvir sotaque americano assistindo a uma série chega a soar como música agora) e a rotina ainda me desanima, mas não estou mais no clima “preciso voltar logo”.

Confesso que a Irlanda não seria o país que eu escolheria para viver o resto dos meus dias (que espero que ainda sejam muitos), mas não posso negar que estou acostumada com o estilo de vida daqui e com a independência e responsabilidades que tenho “cuidando de mim”. E que vou sentir falta disso. Nos últimos dias fiquei meio balançada, num misto de ansiedade e dúvida, entre o amor e o ódio pela Irlanda. Talvez o copo esteja se enchendo.

A Irlanda me ensinou muitas coisas (tipo cozinhar e notar que o quarto está sujo e que ele vai continuar assim até eu limpá-lo, por exemplo), me apresentou outras (como uma tal de Kopparberg e mousse de chocolate de 1 euro do Tesco), me fez valorizar ainda outras (o sol, o céu azul e o calor, eu diria) e ensinou até que é possível ir e voltar para outro país no mesmo dia e de avião!

Na Irlanda eu aprendi que se eu for ao mercado de manhã de pijama ninguém vai ficar me olhando (não que eu já tenha feito isso, magiiiiina), que se chover é só colocar a touca do casaco e continuar andando, que se eu for numa loja e pedir para provar mil cremes e não levar nenhum, a vendendora não vai me olhar com cara de bunda, que se eu comprar uma roupa e me arrepender, eu posso voltar na loja e devolver sem dar explicação nenhuma, que as pessoas esperam as outras desembarcarem no transporte público antes de tentar entrar. Eh, Irlanda, vou sentir falta de algumas coisas.

Post meio escrachado este, não? Talvez no de onze meses eu esteja mais filosófica. Por enquanto é assim que estou, sem saber como estou.

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3 comentários sobre “Dez meses de Irlanda

  1. Ana Guedes

    Bom , a independência e a responsabilidade de cuidar de você vem junto. Não se preocupa. A comida da mamãe essa sim tá te esperando rsrsr

  2. Eu acho que você ficou mais otimista nesses últimos dias… são fases mesmo, né? Mas é bom que você tenha, no final do intercâmbio, uma boa imagem desse país tão lindo que te acolheu por um ano! 🙂

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