Arthur’s Day e Guinness

No começo de setembro, percebi que havia vários outdoors e anúncios nas laterais dos ônibus divulgando que no dia 27 de setembro a cidade estaria pintada de preto (“Paint the town black”). Pensei “What the hell?“. Descobri, então, que era o Arthur’s Day. Aí, pensei “Who is Arthur?” Foi quando comecei a ligar os pontos. Vamos por partes.

Arthur Guinness é o fundador da famosa cervejaria… adivinhem? Isso mesmo, da Guinness. Vocês sabem qual é a cor da cerveja? Não de qualquer cerveja, mas desta tradicional cerveja irlandesa. Vou dar uma dica:

Guinness, prazer!

Agora ficou fácil, né? Ela é preta e bem amarga, mas muito amarga! E tem um gostinho de café. Aí que eu venho para a Irlanda e não bebo cerveja e 2,5 meses depois eu ainda não comecei a beber. A isso, acrescente o fato de que eu sou professora, mas não, eu não bebo café. Juntou a cevada com a cafeína e você achou mesmo que eu iria gostar disso aí da Guinness só porque é famosa? Pffft… Falando sério agora, a Guinness não tem cafeína, mas como o malte é torrado acaba deixando um gostinho que, para meu humilde paladar, lembra o de café.

Voltando ao que interessa, “pintar a cidade de preto” fazia uma referência à comemoração dos 253 anos da fundação da cervejaria, fazendo parecer que o Arthur Guinness é um tipo de St. Patrick por aqui. Falando no Patrício, digo, Patrick, que país é esse que celebra tanto o santo responsável por trazer o cristianismo para esta terra de pagãos celtas leprechauns quanto o cara que roubou a receita inventou uma cerveja? Enfim.

Essa comemoração começou em 2009, quando a Guinness completou 250 anos e, ao que tudo indica, já faz parte do calendário irlandês. Obviamente, não passa de uma jogada de marketing, mas vamos deixar isso para lá.

Como vocês ainda não sabem, eu não bebo cerveja. Então, nem me animei muito para as tais comemorações, mesmo com a Guinness fazendo o maior mistério sobre os locais onde algumas bandas, como Fat Boy Slim, iriam se apresentar. Porém, acabei saindo para dar uma volta no Temple Bar para ver o que estava rolando. Ok que já era pra lá de 11 da noite, mas segue um resumo do que vi:

– Pessoas bêbadas;
– Copos quebrados na rua;
– Pessoas muito bêbadas;
– Latas e garrafas de bebidas aos montes nas ruas;
– Irlandesas vestidas como se aqui fosse Rio 40 graus mostrando tudo que não têm. Ah, e bêbadas;
– Pubs lotados numa quinta-feira;
– E já mencionei que vi pessoas bêbadas?

Para os apreciadores de Guinness ou àqueles que só precisam de um motivo qualquer para beber, torçam para que o Arthur’s Day se repita em 2013 (o que acho quase certo de acontecer).

Curiosidades

Arthur Guinness faleceu em 1803 no local onde esta blogueira reside atualmente. Não me refiro a casa, mas ao “quarteirão”. Moro numa praça cercada por prédios em estilo gregoriano que datam do início do século 19. À época, apenas pessoas ricas e influentes residiam aqui (o que explica o porquê de o Arthur resolver bater as botas nesta região). Hoje em dia, porém, a área é mais frequentada por estrangeiros, irlandeses de classe média baixa e uns tais de knackers.

Eu insinuei aí em cima que a receita foi roubada. No final de semana passado, conhecemos um britânico que, pasmém, falava português! Papo vai, papo vem naquela mistura linda de português e inglês de todas as partes envolvidas, o rapaz conta que o Arthur não inventou nada, apenas comprou a receita de um britânico qualquer. Se isso é verdade, eu não sei (nem perguntei para o Google), mas que a investida do senhor Guinness deu certo, ah deu!

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