Zona de conforto

Você já deve ter ouvido falar na tal da zona de conforto. É onde nos sentimos seguros e confortáveis e se define por tudo aquilo que estamos acostumados a fazer ou sentir. Quem é que não gosta de se se sentir pisando em terras conhecidas, hein? Mas se continuamos eternamente andando só onde já conhecemos, limitamos nosso aprendizado e evolução. Mas claro, sair da zona de conforto implica correr riscos, perder a segurança e encarar novas situações, por exemplo. Difícil, não?

Eu sou professora de inglês e, acreditem ou não, nós professores sempre sabemos se você, aluno, estudou ou não em casa, se dedicou alguns minutos do seu dia praticando inglês, se você se esforçou para fazer sua lição de casa ou simplesmente fez de qualquer jeito. Assim como também notamos se você não está acompanhando o curso porque tem dificuldade ou porque é preguiçoso. Nós sabemos. Sempre.

E o que uma coisa tem a ver com a outra? Dia desses notei que uma de minhas alunas, adulta e responsável, que precisa aprender inglês para conseguir o emprego desejado, não tem se esforçado para aprender. Nem sempre entrega sua lição de casa, não estuda e diversas vezes durante a aula ela se distrai com outras coisas enquanto fazemos os exercícios de conversação ou então, não faz questão de praticar. Prefere o caminho mais fácil. Ela está em sua zona de conforto e só vai até onde se sente segura. Resultado: ela está com dificuldades e não se esforça para superar os desafios.

Acho que o maior exemplo de saída da zona de conforto é o intercâmbio, principalmente para aqueles que têm pouco domínio do inglês. Saímos do conforto da nossa vida, rodeados de falantes de português, e vamos para outro país construir tudo do zero e ainda num lugar onde ninguém fala nossa língua. Opa! Ninguém?

A comunidade brasileira em Dublin é grande e a coisa mais natural é querermos fazer amizade com os “iguais” quando chegamos lá, ou seja, os brasileiros. Já falei sobre amizade com compatriotas aqui. Sair do Brasil para continuar na zona de conforto na Irlanda não vai melhorar sua fluência. Cada um precisa ser responsável pelo próprio aprendizado, então se esforce para fazer amizade com estrangeiros, assista muitos filmes, leia revistas e jornais, procure no dicionário palavras que não sabe o significado etc. Vá além! E para aqueles que ainda estão no Brasil, parem de assistir filmes dublados. Se já assiste legendado, agora tente sem as legendas, confiando só no seu listening. Vai ser difícil, você não vai entender 100%, vai precisar se concentrar bastante, mas só assim é possível ir além, saindo dessa zona de conforto. Tente se expor ao máximo ao inglês.

Como professora e ex-intercambista, este é o meu conselho. Não trave no primeiro obstáculo, vá além do que já aprendeu, se exponha (fale muito errado, mas tente falar acima de tudo), ouça muito inglês (filmes, seriados, músicas, pessoas) e acima de tudo, seja você o responsável pelo seu aprendizado. O único beneficiado, no fim das contas, vai ser você mesmo.

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Um comentário sobre “Zona de conforto

  1. Fiquei com medo. Quer dizer que minha professora do primário sabia quando eu não estudava? Agora entendo o porquê dela me questionar tanto e afirmar que não fiz a lição.
    Vocês professores são monstros enviados para nos atormentar, e tem o poder de ler a mente das pessoas.

    So scary

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