Visa

Neste post não vou falar da Irlanda, mas não deixa de se tratar de um assunto relacionado à intercâmbio e viagens.

Eu me meti a besta/classe média emergente, e resolvi tirar meu visto de turista para voltar aos Estados Unidos num futuro próximo. Depois de esperar alguns meses e ficar alguns reais mais pobre menos rica pagando as taxas do dito cujo, chegou o dia de ir ao temido lotado Consulado Americano.

Minha primeira ida a este pedacinho americano no Brasil foi em 2008, quando fui ser Au Pair. Achei as duas idas tão diferentes, que vou compará-las a seguir.

Em 2008, a economia mundial estava um pouco diferente e não havia tantos brasileiros querendo (podendo $$$) conhecer a Estátua da Liberdade. Logo, eu demorei menos tempo para marcar a entrevista, menos tempo dentro do Consulado e tinha muito mais espaço naquele cubículo, inclusive, até bancos para se sentar e aguardar (hoje eles foram substituídos por faixas para organizar a gigantesca fila). No meu blog da época, eu narrei esse dia incrível. Segue o diálogo com a consulesa, retirado do blog:

Legenda:
C: Consulesa [meia-idade, gordinha, olhos claros, simpática]
B: Bia [nervosa, pernas tremendo, suando frio]

itálico: pensamentos da Bia

C: Passaporte e formulários, por favor. [com aquele sotaque básico]
Você vai ser Au Pair?
B: Sim, isso mesmo.  Oba! A entrevista vai ser em português!
C: Where are you going to live?
B: I’m going to Colorado, Denver. Shit! Vai ser em inglês!
C: How did you hear about the program? [não entendi bem o que ela falou]
B: I’ll take care of two kids…
C: No! How did you hear about the program?
B: Sorry, I didn’t understand! [não conseguia entender a primeira palavra!]
C: How did you hear about the program? [falando pausadamente]
B: Sorry, I didn’t understand the first word. [ficando desesperada]
C: How… [mas eu entendia “al”]
B: Sorry…
C: How…
B: … [e fazendo cara de gatinho do Shrek]
C: How…
B: Sorry… Droga, meu visto vai ser negado! E vamos brincar de “how do you pronounce…”
C: How…
B: … Não me ensinaram essa palavra no curso de inglês!
C: Tell me about the program. [ufa!]
B: I’ll take care of two kids in Denver. The parents are professors of Colorado University. [não lembro bem o que eu disse depois]
C: What do you do here?
B: I study at Universidade de São Paulo, USP.
C: What?
B: Universidade de São Paulo.
C: No… which course?
B: Language and Literature.
C: Ohhhh…
B: Do you want to see the form? [eu queria dizer o comprovante de matrícula]
C: Oh, no… Who will pay for the trip?
B: I will pay and my father will help me. [tô até agora tentando entender porque disse isso.. meu pai não tá entrando com 1 centavo!]
C: What do you intend to do when you come back?
[desembestei a falar]
B: I will finish college, I want to graduate and study to be a translator and study things related to English studies…
C: [me cortou] Ok, pay this fee and come back to my window.
B: Ok, thank you.

E foi assim que consegui meu visto de intercambista.

Já em 2012, cada vez mais brasileiros desejam (e podem $$$) conhecer o Empire State Building, o prédio do King Kong, e enfrentei longas filas e passei muito tempo dentro do Consulado tentando meu lugar ao sol americano. A tensão não era menor que da primeira vez, pelo simples fato de eu gostar de viver perigosamente e estar com o passaporte no limite da validade para ter direito ao visto (6 meses) e estar com medo de que eles encrencassem com isso.

Legenda:

C: Consulesa [jovem, bem-humorada, muito simpática]
B: Bia [preparada para ouvir ‘visto negado’]

C: Bom dia! Tudo bem? [sim, ela falava português e falava bem!]
B: Bom dia!
C: Já foi para os Estados Unidos?
B: Já.
C: Qual é o motivo da viagem atual?
B: Turismo.
C: Para onde você vai?
B: Denver.
C: Por que Denver? [fazendo cara de ‘hein? que tipo de pessoa vai pra Denver?’]
B: Eu fui Au Pair e morei lá. Vou visitar minha ex-hostfamily.
C: Quando você voltou dos Estados Unidos?
B: Agosto de 2009.

tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec

C: Visto concedido! Boa viagem!

Inglês e 2 minutos de entrevista X Português e 20 segundos de entrevista. Quem mais acha que o Obama está querendo nossos reais desesperadamente? E não me pediram nenhum documento para provar vínculos com minha pátria amada (em nenhuma das vezes, diga-se de passagem).

Anyway, feliz que não existe consulado irlandês por aqui para não passa por momentos tão tensos novamente!

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3 comentários sobre “Visa

  1. Bia

    Porque até que acontecesse, eu não tinha como saber que seria tão simples. Ela poderia ter feito mil perguntas e pedido para ver todos os meus documentos e decidido negar meu visto, se assim quisesse.

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