Amigos brasileiros, eis a questão

Então você saiu mesmo do Brasil para aprender inglês na Irlanda! Quebrou o cofrinho, pediu dinheiro pra mãe, pegou emprestado no banco e/ou trabalhou demais pra pagar todos os custos do intercâmbio. Que orgulho, você conseguiu! Mas aí você chega na terra dos duendes célticos e faz muitas amizades… com brasileiros!

Já dizia uma conhecida sul-africana “Eu já tenho muitos amigos sul-africanos na África do Sul”. Calma, não estou pregando o ódio aos compatriotas, mas vamos seguir um raciocínio simples: você saiu do Brasil- pagando caro, não se esqueça – para aprender inglês num ambiente em que ficaria totalmente imerso no idioma e cultura do país, podendo praticar na vida real tudo que aprender em sala de aula. Se todo o seu círculo de amizades se restringir à brasileiros, algo deu errado no meio do caminho; e você estará pagando muito caro para falar português. Garanto que no Brasil faria isso de graça, pagando muito menos num curso de inglês.

Não sou contra cultivar amizades brasileiras no exterior. Acreditem, dá muita saudade de ouvir português e poder se expressar na sua própria língua com alguém que a entenda. Além disso, quando estamos expatriados, ter alguém que compreenda o que estamos passando, do que sentimos falta, nossos hábitos e jeito de agir passa segurança e ajuda a enfrentar os desafios que aparecem. É sempre bom ter um ombro tupiniquim.

A questão é não esquecer do objetivo. Você poderá viver anos no exterior, mas se continuar falando português a maior parte do tempo, não tem santo que ajude! Conheça brasileiros, mas tente se enturmar com os estrangeiros (nativos ou não) para poder treinar seu inglês. Aprender um idioma é prática: você aprende ouvindo e falando.
Vamos colocar as coisas dessa forma: o que você ouve vamos chamar de input e o que você fala, produz, vamos chamar de output. Para poder produzir output, você precisará de muito input. Ou seja, como eu aprendo quais e como são os verbos irregulares, por exemplo? Decorando uma tabela? Ok, é uma opção, mas não das melhores. Mas se eu ouvir alguém falar muitas vezes I ate (input), vai chegar uma hora que eu vou produzir (output) I ate naturalmente, porque eu já ouvi muito isso. E isso se aplica a todo processo de aprender um idioma novo.

Quando eu era Au Pair eu tinha duas boas amigas, companheiras de aventuras, paus pra toda obra, minhas BFF’s. Sim, brasileiras. “Ah, Bia, você dá conselho, mas nem você seguiu!” . Não é bem assim, como já disse, é tudo questão de objetivo.

Quando eu fui para a Terra do Tio Sam eu já falava inglês muito bem (minha ex-hostfamily não acreditava que eu nunca tinha saído do Brasil até então) e mesmo que eu só saísse com minhas Brazilian friends, eu morava com americanos e era obrigada a falar inglês com eles. Meu objetivo era melhorar minha fluência convivendo com nativos e, neste caso, amizades brasileiras não foram um problema. Além disso, nos meus primeiros meses eu só conheci estrangeiros (argentinos, panamenhos, mexicanos, sul-africanos) e pude praticar tanto ao ponto de não aguentar mais falar inglês.

Então, não se esqueça: quando chegar na Ilha Esmeralda tenha sempre em mente que o motivo de estar lá é aprender inglês e se esforce muito para conseguir isso. Conheça brasileiros e conheça ainda mais estrangeiros!

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