E o ponto de vista é que o ponto da questão

Um fato, duas versões. Ou três. Ou quatro…

Quando eu resolvi ser au poor, digo, au pair, entrei em vários blogs em que as meninas contavam suas experiências, além de bater ponto nas comunidades orkutianas sobre o tema. Li relatos de quem teve boas e/ou más experiências; eu queria saber todos os lados dessa história aí de ser babá e morar na casa dos outros. Mas eu comecei a notar que aquelas que relatavam experiências ruins sempre generalizavam. Seu intercâmbio foi péssimo e você acha que com todo mundo é assim. Oi? Certa ou errada, parei de ler todo e qualquer comentário negativo sobre o programa. Coloquei na cabeça que quem faria meu intercâmbio seria EU e não chegaria lá esperando pelo pior. Nem pelo melhor. Fui sem expectativa, só queria ser tratada com respeito.

Foi bom ser au pair? Foi. Recomendaria o programa? Com certeza. Só teve momentos maravilhosos e felizes durante esse 1 ano? Não, tive momentos que quis arrumar as malas e voltar para o Brasil no primeiro voo. Momentos que morri de raiva, indignação e fiquei puta da vida mesmo. Eu morei com uma família bacana que me respeitava e confiava em mim, mas mesmo assim tiveram situações que não gostei de algumas atitudes deles. Paciência.

Eu não tinha carro, trabalhava a maioria dos sábados a noite e tive que aprender o que é uma dieta kosher e respeitá-la enquanto estivesse na casa. Isso seria motivo para algumas meninas dizerem que a família era péssima? Sim, seria. Mas e outro lado? Cuidava apenas de 1 criança (eram 2, mas uma delas ia todo dia para escola, o dia todo), eles compravam tudo que eu queria no mercado (a família não tem a obrigação de comprar o que você gosta e quer comer), os horários eram flexíveis dentro do possível, nunca passei um pano na casa (opa, tem au pair que é confundida com faxineira), e eles tinham total confiança em mim, até cartão de crédito me emprestavam, além de me respeitarem e cumprirem todas as regras do programa. Todas. O ponto da questão é que eu não estava na minha casa e precisava me adaptar a uma língua, cultura e hábitos que não eram meus, sempre tendo em mente que aquilo era temporário e visando meu objetivo, que era melhorar fluência no inglês.

Por que todo esse discurso?
Navegando pelo youtube, vi dois vídeos de duas pessoas que estão na Irlanda. Ambos trabalhavam vendendo jornal  no semáforo. O jornal custa 1 euro, sendo que o vendendor ganha 50 centavos por cada jornal vendido. A mesma situação.
Um deles explorou o lado negativo, reclamando do subemprego que tinha, que saiu do Brasil pra se humilhar e que foi enganado pela agência, aconselhando as pessoas a não investirem seu dinheiro neste tipo de intercâmbio. Já o outro, mostrou  o emprego como uma forma de desenvolver sua fluência no inglês, como isso o ajudava mesmo com as frases mais simples e frisou bem que uma pessoa com um nível de inglês mais avançado conseguiria um emprego melhor.

Um fato, dois pontos de vista.

Para mim, isso serviu de exemplo. Nós escolhemos como encarar as situações, os problemas e os desafios. Acho que é a diferença entre enxergar o copo meio cheio ou meio vazio. O primeiro estava comparando dois padrões de vida, o que ele tinha no Brasil e o que estava tendo na Irlanda, mas não pensou no seu objetivo em fazer intercâmbio. O segundo focou no objetivo e enxergou oportunidades na situação.

E, no fim, ninguém é obrigado a morar num país que não gosta. Foi fazer o intercâmbio e não gostou? Não se adaptou? Sua vida no Brasil era muito melhor? Não vale o esforço de aprender ou ficar fluente numa outra língua? Volta.

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2 comentários sobre “E o ponto de vista é que o ponto da questão

  1. J. R. Caldas

    ” (…) enxergar o copo meio cheio ou meio vazio.” ? Pois é, uma moeda tem dois lados.
    Tolerância zero no final do post hein….

  2. Roberto

    Adorei seu blog.. to devorando todas as informações.. Vim do dublinbr e to achando um máximo a forma que você escreve.. Parabéns pela mega visão de mundo! Nos vemos em Dublin!!

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