Ideia fixa

“A minha ideia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se ideia fixa. Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.” (MPBC, MA)

Não faço parte do time dos impulsivos. Não como, não compro, não falo, não faço (quase) nada por impulso. Há lá suas exceções, mas de modo geral é isso: sou partidária das ideias fixas.
Por cultivá-las, acabo sendo o tipo de pessoa que quando decide algo, dificilmente volta atrás. Não é teimosia – uma ideia não se torna fixa sem muita reflexão; ela aparece na sua mente como quem não quer nada, ganha forma, tamanho, nome e prazo.
Não falo de qualquer ideia, plano ou vontade. Falo das ideias fixas, aquelas que depois que grudam, ficam passeando pela cabeça e não te deixam em paz: precisa ser colocada em prática.

A terra dos leprechauns é a mais recente da coleção. Foi assim quando decidi ser au pair. E, caro leitor, uma vez que uma dessas ideias se instala, não tem mais como escapar, não tem volta.
A verdade é que a ideia do segundo intercâmbio existe desde quando voltei do primeiro. Mas até 3 meses atrás era  algo que poderia ser ignorado, esquecido, guardado na gaveta. Então, ganhou status e agora a declaro fixa.

Já pensei em desistir, adiar por tempo indeterminado. Tenho medos e receios, como qualquer pessoa teria ao planejar morar fora. Mas não posso mais voltar atrás.

E nessa ânsia de concretizar esta ideia, já visitei 5 agências de intercâmbio e entrei em contato com outras 2. Só mais algumas pesquisas e fecho com uma delas. Já li inúmeros sites e blogs e assisti vídeos de relatos da Ilha da Esmeralda. Estou expert no assunto. Viu? Não tem volta.

Vamos dar as mãos, leitor, e torcer para que minha ideia fixa se saia melhor que a do emplastro de Brás Cubas. Até porque não desejo acabar com a melancolia da humanidade, só com a minha mesmo.

Anúncios

Um comentário sobre “Ideia fixa

  1. Nero

    Descordo em parte de seu primeiro parágrafo, mas tudo bem…. é ocasional afinal de contas não é?
    Sabe aquela minha teoria do “vírus” das pessoas que viajam para o exterior? Pois bem, parece que minha pesquisa chegou a mais um dado interessantes: pessoas que contraem esse tipo de vírus, a príncipio, não conseguem eliminá-lo. Ele se incuba. Ainda vou precisar me mais dados da minha cobaia, mas terei muito que estudar ainda.
    E quanto ao seu último parágrafo fica uma citação de um dos meus poetas preferidos:

    “Não me peguem no braço!
    Não gosto que me peguem no braço (…) ”

    Álvaro de Campos

    Dar as mãos? Humph!

Preciso comentar esse post!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s