Berlin, Alemanha I

Ahhh Berlin! Não imaginei que fosse gostar tanto desta cidade. Mas como não adorar Berlin quando a cidade respira história? Quando o moderno se mistura com anos desta história?

Apesar de o ônibus sair apenas às 23h15, às 20h eu já estava no terminal rodoviário. Comprei um milkshake no Burger King e fiquei escrevendo pensamentos aleatórios num caderno enquanto esperava (olha o que a falta de wi-fi não faz com o ser humano!). Fui fazer o check-in no balcão da Eurolines e sou sacaneada pelo funcionário que, para minha surpresa, começa a falar português ao ver no sistema que sou brasileira. E ele era holandês, só pra constar.

Eu queria com todas as minhas forças dormir o máximo nas 9h de viagem até Berlin. Aí Murphy mandou dois leitores noturnos no ônibus, um no banco da frente e outro no banco de trás de onde estava, os únicos com as luzes, que pareciam holofotes, acesas no ônibus inteiro. Não bastasse isso, um grupo de espanhóis do inferno confundiram Berlin com o Hopi Hari e pareciam pré-adolescentes em excursão escolar. Moral da história: eu detesto espanhóis (houve outro evento com a nacionalidade durante a viagem).

Chegando em Berlin, peguei o metrô para ir ao hostel. Entrei na estação e cadê a máquina de comprar bilhete? Não achei. Quando notei, já estava na plataforma e nada de ver máquina para comprar o ticket. Imaginei que fosse dentro do trem, como em Amsterdã, mas não vi nada também. E o medo de entrar algum fiscal e me pegar andando de trem de graça? Desci duas estações depois, procurei a bendita maquininha e nada. Resumindo: andei de graça no metrô de Berlin e não me orgulho disso. Na estação que desci, finalmente, vi onde elas ficam: na plataforma mesmo. Talvez minha miopia tenha aumentado, né, porque juro que não vi nas outras estações.

Cheguei no hostel, fiz check-in, me troquei, tentei disfarçar a cara amassada e cansada com maquiagem, dei um tapa no cabelo, peguei o mapa e fui marcando os pontos turísticos da cidade. Um amigo me passou um roteiro supimpa de Berlin, super completo e organizado, então só precisei mesmo me localizar e escolher a ordem dos passeios. Também me informei sobre o free walking tour (adoro, já notaram, né?) e fui tomar café. Aliás, Berlin é super barata, todos os dias fui tomar café numa padaria na esquina da rua do hostel e o chocolate quente com croissant saía por apenas 2 euros. Só o croissant custa quase 1 euro no Tesco aqui de Dublin, para comparação.

O Museu Judeu ficava a alguns minutos de caminhada do hostel e para lá fui. A essa altura, vocês devem estar achando que sou fanática por Segunda Guerra e Holocausto, né? Não é para tanto, mas não posso negar que gosto muito do tema e acabei me interessando bastante pela cultura e costumes judeus depois de ter morado um ano com uma família judia nos EUA obedecendo a dieta kosher. E não me culpem, este museu é simplesmente sensacional!

Museu Judeu

Museu Judeu

A foto acima, gentilmente roubada cedida pelo Google, mostra que até o prédio é incrível. O formato do museu em zig-zag, na verdade, seria uma estrela de Davi distorcida e a única forma de entrar no prédio é através do subsolo, numa passagem entre o prédio em zig-zag e o prédio mais clássico, ao lado. O prédio e sua concepção tem até uma pequena exposição dentro do museu.

No térreo há diversos objetos expostos de família judias que foram deportadas. Cada objeto conta um pouco da história de seus donos e se você for como eu, que começa a imaginar toda uma vida pela leitura de um postal ou ao ler a respeito de uma câmera fotográfica, você ficará horas viajando no museu.

Carta

Carta

Nas paredes estão escritos os nomes de diversas cidades do mundo. São cidades onde existiam campos de concentração ou para onde os judeus europeus imigraram depois da guerra.

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No fim do corredor, fica a Torre do Holocausto. É uma torre de concreto vazia com uma única fresta no topo por onde entra a luz solar. Qualquer barulho faz um eco estrondoso. E o significado disso é você quem dá. Aliás, o museu é todo assim: há exposições que o artista dá a interpretação dele, mas no fim, o que vale mesmo é o que você interpreta. É assim com o Jardim do Exílio também, por exemplo, que lembra um pouco o Memorial dos Judeus Assassinados no Holocausto, em Berlin também.

Jardim do Exílio

Jardim do Exílio

Nos últimos andares a exposição entra mais na questão da cultura, costumes e tradições dos judeus. Para quem curte, dá para ficar horas lá dentro.

Do museu, fui andar um pouco na cidade apenas para ver alguns pontos turísticos, pois no dia seguinte faria o walking tour que cobriria muita coisa.

O primeiro deles foi o Checkpoint Charlie. Nos anos da Alemanha dividida, o checkpoint era um posto militar usado como passagem pelos estrangeiros e membros das Forças Aliadas para ir da Alemanha Ocidental para a Oriental. Charlie não é o nome de nenhum militar. Havia 3 postos, A, B e C, e eles recebiam nomes apenas para facilitar. Hoje em dia, o que tem no local é apenas atração para turista ver.

Checkpoint Charlie

Checkpoint Charlie

De um lado há a foto de um soldado russo e do outro, obviamente, de um americano. Em frente ao checkpoint, dois soldados fardados posam para fotos (que você precisa pagar, claro). Quase em frente ao checkpoint fica o Museu Checkpoint Charlie e o Museu do Muro. Não entrei em nenhum, pois achei que acharia fácil tudo que eu gostaria de saber a respeito no Google. Eh, simples assim.

Ali perto também tive o gostinho de ver os primeiros pedaços do muro de Berlin, que estão pintados e expostos.

Muro de Berlin

Muro de Berlin

Já encantada com a cidade, continuei minha caminhada. Mas isso eu continuo contando no próximo post.

6 respostas em “Berlin, Alemanha I

  1. 1. Você precisa divulgar esse tour.

    2. Nas minhas andanças por albergues na Europa, também aprendi a odiar espanhóis. Ô povo barulhento, folgado e sem respeito ao espaço alheio! Pior que brasileiro!

    • Você se refere ao walking tour de Berlin? Falarei sobre ele no próximo post.

      Generalizar é burro, mas que povo escandaloso!

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